
No link abaixo é possível ouvir uma gravação de 1949 do Sr. Gurdjieff tocando acordeom e ver agumas imagens dele.
Este espaço foi criado para compartilhar ensinamentos espirituais de mestres e homens santos de várias épocas e origens mas que têm o mesmo objetivo. Façam bom proveito !


Pergunta: Qual é o método do Instituto para o desenvolvimento harmonioso do homem?
Gurdjieff: O método é subjetivo, isto é, depende das peculiaridades individuais de cada pessoa. Existe apenas
uma regra geral que pode ser aplicada a todos – a observação. Isso é indispensável para todos. No entanto, essa observação não é para mudar, mas para ver a si mesmo. Todos têm suas peculiaridades próprias, seus hábitos próprios que um homem não costuma ver. É preciso ver essas peculiaridades. Dessa forma pode-se "descobrir muitas Américas." Cada pequeno fato tem a sua própria causa básica. Quando você tiver coletado material sobre si,
será possível falar; no momento, a conversa é apenas teórica. Se colocarmos peso de um lado, temos de equilibrar de alguma forma. Ao tentar observar a nós mesmos, adquirimos prática na concentração, o que será útil até mesmo na vida cotidiana.
P: Qual é o papel do sofrimento no autodesenvolvimento?
G: Existem dois tipos de sofrimento: o consciente e o inconsciente. Somente um tolo sofre inconscientemente. Na vida existem dois rios, duas direções. No primeiro, a lei é para o próprio rio, não para as gotas de água. Somos gotas. Em um deterinado momento uma gota está na superfície, em outro, no fundo. O sofrimento depende de sua posição. No primeiro rio o sofrimento é completamente inútil, porque é acidental e inconsciente. Paralelamente a este rio há outro rio. Neste outro rio existe um tipo diferente de sofrimento. A gota no primeiro rio tem a possibilidade de passar para o segundo rio. Hoje a gota sofre porque ontem ela não sofreu o suficiente. Aqui a lei da retribuição opera. A gota também pode sofrer com antecedência. Cedo ou tarde se paga por tudo. Para o Cosmos não há tempo. O sofrimento pode ser voluntário e só o sofrimento voluntário tem valor. A pessoa pode sofrer simplesmente porque se sente infeliz. Ou pode sofrer pelo ontem e para preparar para o amanhã.
Repito, somente o sofrimento voluntário tem valor.
Penso o dia todo sobre isso, então à noite eu digo.Abra suas mãos se você quer ser pego.
e sinta o amor do pastor lhe preencher.
Você lamenta: “Ela me deixou”. “Ele me deixou”.
Por que você fica na prisão
quando a porta está tão escancarada?
Saia do emaranhado de pensamentos temerosos.
Quando um ébrio desvia-se para as ruas
as crianças fazem piada dele.
Deus disse: “O mundo é um jogo, um jogo de criança e vocês
são as crianças.”
Sem pureza de espírito, se você ainda está no meio da
luxúria e da ganância e de outros desejos,
você é como uma criança brincado de sexo.
O mesmo é com as lutas da humanidade.
Como garotos em cavalos de passeio,
o sexo e a guerra que você faz.
O saber dos amantes místicos é diferente.
Mas se você levantar a bagagem da maneira certa,
ela dará alegria.
Negue seus desejos e sua teimosia,
Não se satisfaça com o nome de HU,
Experimente essa respiração.

Você deve procurar por bens superiores na parte superior de você mesmo, isto é, na alma. Esses bens superiores são a dignidade, o conhecimento e a virtude. A dignidade de um homem é seu livre arbítrio, que é o dom através do qual ele é superior aos animais e que o faz até mesmo dominá-los. O conhecimento do homem é aquilo através do qual ele reconhece que possui essa dignidade, mas que ela não se origina nele mesmo. Sua virtude é aquilo através do qual ele busca avidamente por seu criador e, quando O encontra, mantém-se com ele com toda a sua força.
Cada um desses bens têm dois aspectos. A dignidade não é apenas um privilégio natural, é também o poder de dominação, pois todas as coisas vivas na Terra podem ser vistas como temendo os homens. O conhecimento também é duplo, pois tanto sabemos que possuímos essa dignidade e o que quer que tenhamos que é bom e sabemos que isso não se origina em nós mesmos. A virtude também pode ser vista como tendo dois aspectos. Através dela buscamos nosso Criador e quando o encontramos nos agarramos a Ele para que não possamos ser separados.
A dignidade não é nada sem o conhecimento e o conhecimento pode até mesmo ser uma pedra no caminho sem a virtude. Essa é a razão para ambas as coisas. Que glória é ter aquilo que você não sabe que tem? E saber o que você tem, mas não saber que isso não se origina com você é ter glória, mas não perante a Deus. Para aquele que glorifica a si mesmo o Apóstolo diz: “O que você tem que não tenha sido recebido? E se foi recebido, por que se vangloriar como se não houvesse sido recebido? (1 Cor. 4:7) Ele não diz simplesmente: “Por que se vangloriar?” Ele adiciona: “como se não houvesse recebido”, de modo a enfatizar que a culpa reside não em vangloriar-se de algo, mas em fazer isso como se aquilo não tivesse sido um dom que foi recebido. Esse tipo de coisa é corretamente chamada de vanglória, pois não repousa numa fundação sólida da verdade. São Paulo aponta a diferença entre a verdade: “Aquele que se vangloria vanglorie-se no Senhor”, isto é, na verdade. Pois o próprio Senhor é a Verdade.
Há duas coisas que você deveria saber: primeiro, o que você é; segundo, que você não é o que é por seu próprio poder. Então você irá vangloriar-se, mas não em vão. É dito que se você não conhece a si mesmo, você deveria ir e seguir os rebanhos de seus companheiros. Isso é o que de fato acontece. Quando um homem tem um alta honra atribuída a si, mas não a aprecia, ele é merecidamente comparado com as bestas, com as quais ele compartilha sua presente mortalidade e seu estado de corrupção.
Isso acontece também: quando um homem não aprecia o dom da razão e passa seu tempo com rebanhos de bestas irracionais; quando ele ignora a glória que está dentro dele e molda-se nas coisas externas que sua essência percebe; e quando ele é carregado de tal maneira pela curiosidade que torna-se igual a qualquer outro animal, pois ele não vê que recebeu nada mais do que os animais receberam.
Desse modo, deveríamos temer grandemente a ignorância que nos faz pensar menos de nós mesmos do que deveríamos. Mas não menos, e de fato muito mais, deveríamos temer a ignorância que nos faz pensar que somos melhores do que somos. Isso é o que ocorre quando somos enganados em pesar que algum bem em nós origina-se com nós mesmos.
Mas você deveria evitar e detestar ainda mais do que esses dois aquela presunção através da qual, totalmente ciente e deliberadamente, você ousa buscar sua própria glória em coisas boas que não são suas e que você sabe perfeitamente bem que não são suas por nenhum poder pertencente a você. Então, sem sentir vergonha, você rouba a glória de outrem. Pois a primeira ignorância não tem glória, a segunda tem uma glória, mas não aos olhos de Deus; mas esse terceiro mal que é cometido conscientemente é um ato de traição contra Deus.
Essa arrogância nascida da última ignorância é pior e mais perigosa porque, embora o segundo tipo de ignorância faça com que ignoremos a Deus, esse nos leva a desprezá-Lo. E é pior e mais repugnante do que o primeiro, porque embora o primeiro nos torne companheiros das bestas, esse nos lança na companhia de demônios. É orgulho, o maior pecado, usar os dons que lhe foram dados como se você tivesse nascido com eles e arrogar para si mesmo a glória que pertence ao generoso Doador.
Junto com estes dois (a dignidade e o conhecimento), deve ir a virtude, a qual é fruto de ambos. Através da virtude buscamos e agarramo-nos ao Doador de todas as coisas boas e damos a Ele a glória que Ele merece por tudo que Ele tem dado. Contudo aquele que sabe como fazer o que é certo e não o faz receberá muitos açoites (Luc. 12:47). Por que? Porque “ele não quis entender como se comportar bem” (Sal. 36:3). Mais do que isso, “planejou a maldade em sua cama” (Sal. 36:4). Ele intenta como um servo mal roubar e levar embora a glória do Senhor para si, a glória responsável pelas boas qualidades que ele sabe certamente que não se originaram nele mesmo, pois Deus lhe deu esse conhecimento.
É perfeitamente óbvio então que sem conhecimento a dignidade é totalmente inútil e que o conhecimento sem virtude deve ser condenado. Verdadeiramente, o homem de virtude no qual o conhecimento não é para ser condenado e cuja dignidade não é infrutífera, clama a Deus e livremente confessa: “Não a nós, Senhor, mas sim ao Seu Nome seja a glória. (Sal. 115:1) Isto é, não creditamos a nós mesmos nenhum conhecimento ou dignidade, atribuímos tudo a Seu nome, pois isso vêm tudo de Você.”

Deus como Verdade
Em última análise, cada um e cada coisa é Deus. E esse Deus como a verdade pode ser realizado por meio de um Guru ou de um Mestre. Geralmente, neste país, o Vedantismo está associado a esta realização do Altíssimo. Porém, agora não estou preocupado com o Vedantismo, com o Sufismo ou qualquer outro "ismo", mas somente com Deus como a Verdade, em como Ele entra em nossa experiência após o desaparecimento da mente-ego limitada e limitante. Deus é uma Verdade inabalável e eterna. Ele se comunica e revela a Si memso para aqueles que amam-No, que buscam-No e que se entregam a Ele, tanto em seu aspecto impessoal que está além de forma, nome e tempo, ou em Seu aspecto pessoal. Ele é mais facilmente acessível ao homem comum através dos homens-Deus, que sempre vêm e sempre virão para transmitir luz e verdade para a sofrida humanidade, a qual em sua maioria está tateando no escuro.
Por causa de sua completa união com Deus, o homem-Deus desfruta eternamente do estado "eu-sou-Deus",
que também corresponde ao termo Vedanta Aham Brahmasmi e ao termo Sufi Anal-Haq ou à declaração de Cristo: "Eu e meu Pai somos um." Na experiência dos Sufis, Anal-Haq, ou o estado "eu-sou-Deus", é a culminação de Hama-Oost, que significa que tudo é Deus e nada mais existe. E uma vez que nesta abordagem só “Deus sem um segundo" é contemplado, não há espaço para o amor por Deus ou o anseio por Deus. A alma tem a convicção intelectual de que ela é Deus. Mas para realmente experimentar esse estado, ela passa por uma intensa concentração ou meditação sobre esse pensamento. "Eu não sou o corpo, não sou a mente, não sou isto nem aquilo, eu sou Deus." A alma, em seguida, experimenta através da meditação aquilo que ela assumiu ser ela mesma. Mas essa maneira de experimentar Deus não é apenas difícil, mas é também seca.
O Caminho é mais realista e alegre quando há um amplo jogo de amor e devoção a Deus, quando postula a
separação temporária e aparente de Deus e o desejo de unir-se a Ele. Tal separação aparente e provisória
de Deusé afirmada pela alma nas duas concepções da tradição Sufi: Hamaaz Oost, que significa que tudo é de Deus e Hama Doost, que significa que tudo é para o Amado Deus. Em ambas as concepções a alma percebe que sua separação de Deus é apenas temporária e aparente e ela busca restaurar essa unidade perdida com Deus através de um intenso amor que consome toda a dualidade. A única diferença entre esses dois estados é que enquanto a alma, no estado de HamaDoost, contenta-se com a Vontade de Deus como o Bem-Amado, no estado de Hama az Oost, a alma não anseia por nada além da união com Deus.
Sendo que a alma, que está em aprisionamento, pode ser resgatada somente através do Amor Divino, até
mesmo os Mestres Perfeitos, os quais alcançam a completa unidade com Deus e experimentam-no como a única Realidade, muitas vezes, aparentemente, entram no domínio da dualidade e falam a linguagem do amor, da adoração e do serviço a Deus em Seu Ser não-manifesto bem como em todas as inumeráveis formas através das quais Ele se manifesta.
O Amor Divino, como cantado por santos hindus como Tukaram, como ensinado por místicos Cristãos como São Francisco, como pregado por santos Zoroastristas comoAzer Kaivan e tornado imortal por poetas sufis como Hafiz, nunca abriga nenhum pensamento autocentrado. Ele consome todos os desejos e fraquezas que nutrem a servidão e a ilusão da dualidade. Por fim, ele une a alma a Deus, trazendo assim para a alma o verdadeiro autoconhecimento, a felicidade duradoura, a paz inatacável, a compreensão sem fronteiras e o poder ilimitado. Sejam vocês os herdeiros dessa vida eterna que vem para aqueles que buscam!
Deus como a Bem-aventurança
Em todos os lugares, em todos os estilos de vida, o homem, sem exceção, tem sede de felicidade. Ele tenta saciá-la nas diversas seduções da vida sensual e nas muitas posses e conquistas que alimentam e agradam o ego, bem como também nas inumeráveis experiênciasque estimulam o intelecto, que excitam a mente, acalmam o coração ou energizam o espírito. De tudo isso, o que ele procura é a felicidade de diversos tipos. Mas ele procura-a no mundo da dualidade e nas sombras passageiras da Ilusão de Maya, a qual chamamos de universo. E ele descobre que a felicidade que consegue ali é tão passageira que quase desaparece no próprio momento da experiência. E depois que desaparece, o que resta é um vazio sem fundo que nenhuma multiplicação de experiências similares jamais poderá preencher completamente. Mas a verdadeira bem-aventurança só pode vir para alguém que tenha em suas mãos a coragem de se tornar livre de todo apego às formas, que por sua vez não são nada além de ilusões da dualidade. Só então ele pode ser unido com seu verdadeiro Amado, que é Deus como a Verdade eterna e permanente por trás de todas as formas, incluindo o que ele considera como sendo seu próprio corpo.
O infinito e insondável oceano da Bem-aventurança está dentro de todos. Não há nenhum indivíduo inteiramente desprovido de felicidade de alguma forma, pois não há nenhum indivíduo que esteja totalmente separado de Deus como o Oceano da Bem-aventurança. Cada tipo de prazer que ele já teve é em última instância um reflexo parcial e ilusório de Deus como Ananda (bem-aventurança). Mas o prazer que é procurado e experimentado na ignorância, finalmente aprisiona a alma numa continuação interminável da falsa vida do ego e deixa a alma exposta aos muitos sofrimentos da vida egóica. Os prazeres do mundo ilusório são comparáveis aos muitos rios de miragem que aparentemente derramam-se no oceano. A felicidade divina é semrpe nova, eterna, contínua e é infinitamente experimentada como a alegria autosustentável e infinita de Deus.
Unam-se ao seu verdadeiro Amado, o qual é Deus na forma de Ananda ou Bem-aventurança!
Deus
Na fase sub-humana, a consciência do falso serou do falso "eu", que é muito leve, oferece possibilidades
de evolução. Na forma humana, a evolução da consciência é completada e a consciência torna-se plena. O
amor entra em cena ativamente pela primeira vez. Quando o amor desempenha o papel de forma mais ativa e plena, o falso "eu" passa a ser cada vez e mais consumido. Eventualmente, quando o amor está em seu apogeu, o falso "eu" é totalmente consumido pelo amor, o que resulta na consumação do amante e do amor no altar do Amado. Nem o amante permanece no amor, nem o amor reina soberano sobre o amante: o objetivo é atingido. O Amado é supremo sobre seu ser: não há nada exceto o Amado: todo o resto é consumido.
A respeito de ser o Avatar
Quando digo que sou o Avatar, há alguns que se sentem felizes, alguns que se sentem chocados e muitos que, ao me ouvirem afirmar isso, consideram-me como um hipócrita, uma fraude, um egoísta supremo, ou simplesmente um louco. Se eu dissesse que cada um de vocês é um Avatar, alguns ficariam contentes e muitos considerariam uma blasfêmia ou uma piada. O fato é que sendo Deus Um, indivisível e estando igualmente em todos nós, não podemos ser nada mais além de um, porém é demais para a mente consciente da dualidade aceitar isso. No entanto, cada um de nós é o que o outro é. Sei que eu sou o Avatar em todos os sentidos da palavra e sei que cada um de vocês é um Avatar em um sentido ou outro. É um fato inalterável e universalmente reconhecido desde tempos imemoriais que Deus sabe tudo, Deus faz tudo e que nada acontece senão pela vontade de Deus. Portanto, é Deus que me faz dizer que eu sou o Avatar e que cada um de vocês é um Avatar. Novamente, é Ele que é alegrado através de alguns e que através de outros fica chocado. É Deus que age e é Deus que reage. É Ele quem zomba e aquele que responde. Ele é o Criador, o Produtor, o Ator e a Platéia na Sua própria peça Divina.
A respeito de manter silêncio*
Se você me perguntasse por que eu não falo, eu diria que não estou em silêncio e que eu falo mais eloquentemente através de gestos e da tábua do alfabeto. Se você me perguntasse por que eu não falo, eu diria que talvez por três razões: em primeiro lugar, sinto que através de todos vocês eu estou falando eternamente. Em segundo lugar, para aliviar o tédio de falar incessantemente através de suas formas eu mantenho silêncio em minha forma física pessoal. E em terceiro lugar, porque toda a conversa é em si conversa fiada. Palestras, mensagens, declarações, discursos de qualquer natureza, espirituais ou não, transmitidos através declarações ou escritos, são apenas conversa fiada quando não se age em conformidade ou se vive aquilo. Se você perguntar quando irei quebrar meu silêncio, direi que será quando eu quiser proferir a única Palavra real que foi falada no princípio sem começo, pois essa Palavra apenas é digna de ser proferida. O momento de quebrar o meu silêncio externo para proferir essa Palavra está muito próximo.
* Meher Baba guardou silêncio por 44 anos

Quanto mais perto chego de você, Amado,
mais consigo ver que somos apenas Você e eu neste Mundo.
Escuto baterem na minha porta,
quem mais poderia ser?
Então corro para abrir sem pentear meus cabelos.
Por noites de mais tenho implorado pelo Seu retorno;
de que serve a vaidade a esta hora da noite,
nesta estação divina
que chegou a mim aqui de joelhos?
Se Suas cartas de amor são verdadeiras, querido Deus,
Irei me render àquele que Você continua dizendo que
Eu Sou.
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Admita algo:
Você diz a todos que vê:
“me ame”
É claro que você não diz isso em voz alta,
Senão alguém chamaria a polícia.
Ainda assim, pense sobre isso:
Esse grande impulso em nós de estabelecer conexões.
Por que não se transformar naquele
que vive com uma lua cheia em cada olho,
que está sempre dizendo com aquela doce
linguagem lunar,
aquilo que todos os outros olhos deste Mundo
estão ansiosos por ouvir.
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Quem pode acreditar na gentileza divina de Deus?
Quem pode compreender o que acontece
quando a separação chega ao fim?
Agora, por causa de minha união com a Realidade,
quando quer que ouço uma história de um de Seus Profetas
que vieram para este Mundo,
sei que eu era uma árvore que ficava ali perto,
que se reclinava e fazia anotações.
Sei que eu era a terra que media o infinito arco de Seus pés.
Sei que eu era a comida e a água que Lhe nutriam.
A comida e a água que entravam na boca do Amado.
Peregrino, se for o seu desejo,
um dia você verá que você estava sentado dentro de Hafiz
E que foi com o alaúde que você me deu que nós cantávamos
sobre a verdade e a intimidade sublime:
Sei que eu era a água que saciou a sede de Cristo.
Sei que Eu Sou a comida e a água que entram em cada boca."
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Há uma ascensão do abraço da luz
que você pode ver num campo do verão
ou na dança de uma criança.
Cada cidade é uma lira
que toca seus acordes contra nossos ouvidos.
A tampa de uma panela começa a pular
quando a água fica em êxtase por causa do fogo.
Se eu jamais completo uma frase quando estamos juntos,
aceite minhas desculpas e tente compreender
esse doce pensamento inebriado.
No início, os pássaros não tinham o desejo de voar.
O que realmente aconteceu foi isto:
Certa vez Deus sentou-se perto deles tocando música.
Quando Ele partiu, eles sentiram tanto a Sua falta
que seu anseio fez asas brotarem neles,
necessitando vasculhar os céus.
Ouça, Hafiz sabe que nada nos evolui mais do que o Amor.
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Alguns poetas tem tanta habilidade para falar sobre Deus
sem jamais usar nenhum de Seus pseudônimos.
Alguns tem tal habilidade
que você nem precisa ir até o rio com o seu balde.
Com o magnetismo das palavras,
eles podem adular Vênus
para fazê-lo sair de sua órbita primal
e roubar de sua boca aquela milagrosa gota de orvalho
que ele coletou em suas veias desde que o tempo disse:
“Eu Sou.”
Usarei todos os trajes comuns da língua
se isso servir para conquistar a sua amizade.
Vou me transformar numa planta da floresta
se você aplicar-me sobre suas feridas.
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Aborrecido?
Então fique comigo, pois eu não estou.
Solitário?
Milhares de seres apaixonados e nus
habitam as cavernas antigas debaixo de minhas pálpebras.
Riquezas?
Tome aqui um punhado,
todo meu corpo é uma esmeralda que implora:
“Leve-me!”
Escreva tudo o que lhe preocupa num pedaço de pergaminho,
Ofereça-o para Deus.
Mesmo de uma distância de um milênio
posso inclinar a chama de meu coração na sua vida
e transformar tudo o que lhe amedronta
na cinza sagrada de um incenso.