
Vou descrever e discutir os diversos métodos de diferentes Yogas e outras práticas que levam à Auto-realização. Mas antes de fazer isso, devo lhes dar informações sobre meditação, uma vez que isso está invariavelmente mais ou menos e de uma forma ou outra conectado com quase todas as práticas de Yoga e com os esforços práticos para a realização da Verdade. O que é meditação? Geralmente o termo é usado para expressar esforços mentais particulares e exercícios em conexão com idéias religiosas e espirituais, mas muitas pessoas na vida cotidiana mundana usam-na como recurso. Antes de fazer qualquer coisa, é preciso pensar a respeito, em outras palavras, é preciso meditar sobre a ação pretendida. O pensamento ou a meditação pode, na vida mundana, durar várias horas, ou apenas uma fração de um minuto, mas tem de ser efetuado, consciente ou inconscientemente, intencionalmente ou não, antes de qualquer coisa poder ser feita ou realizada. Agora, considere apenas que, se pensamento ou meditação são necessários para a obtenção de resultados grosseiros, o quanto eles devem ser necessários para alcançar as sutilezas espirituais que levam à Auto-Realização. Mas para esse último propósito o pensamento deve ser organizado com bases no princípio da Verdade, que é o da unidade, em contraste com o universo que é aparentemente baseado na multiplicidade. O pensamento é suposto ser, pelas pessoas do mundo, o processo que leva apenas à manifestação de força externa que é exibida numa ação grosseira. Mas esse não é o caso. Assim como até mesmo um pensamento aleatório pode manifestar força sob a forma de uma ação corporal, a meditação ou o pensamento profundo e apropriadamente organizado produz uma força própria que é muito útil e cooperante para um aspirante espiritual. A manifestação de tal força produzida através de profunda reflexão metódica pode não tornar-se evidente de imediato ou num curto período de tempo em todos os casos, mas a meditação está fadada a dar frutos a longo prazo. Existem vários métodos de meditação espiritual. Os seis seguintes são os mais importantes: 1) Para aqueles que estão inclinados a pensar no aspecto impessoal do Todo-Poderoso, ou seja, o Deus Impessoal, é aconselhável retirar-se em solidão e, achando um assento confortável, começar a refletir sobre Ele assim: "Deus é um. Deus é infinito. Deus está em toda parte. Deus está além de todas as coisas." Em seguida, deve-se trazer o espaço imensurável, comumente conhecido como o céu, ao olho de sua mente e começar a concentrar-se na idéia do Deus impessoal através deste pano de fundo imaginário do céu vazio e ilimitado por tanto tempo quanto possível. 2) Deve-se sentar para a meditação da mesma maneira mostrada no primeiro exemplo, mas a linha de pensamento neste método deve ser a seguinte: "Deus é verdade. Tudo o mais é falso. O mundo e tudo o que é visto e percebido é um sonho, uma miragem, um fenômeno irreal. Deus está vivo dentro de meu próprio Ser, como a Alma de minha alma." Depois de contemplar esses pensamentos por algum tempo, a pessoa deve voltar sua atenção para o coração - imaginar uma chama na forma do próprio Atman-Alma estando ali - e concentrar-se tanto tempo quanto possível sobre este lugar imaginário em chamas no coração. 3) A linha de pensamento a ser seguida neste tipo de meditação (as outras condições preliminares sendo as mesmas que a dos dois primeiros métodos) é a seguinte: "Eu não sou este corpo. Eu não sou finito. Eu sou o Ser. Eu sou eterno." Depois de um pouco de contemplação dessa forma, deve-se fechar subitamente os dois olhos externos, o mais cerrados possível mas de modo que não seja desconfortável, e depois mentalmente olhar atentamente para o centro da testa a partir do interior tanto quanto possível e pelo tempo que for possível, evitando todos os outros pensamentos, sejam eles elevados ou inferiores, durante esta concentração. 4) Este é um tipo de meditação ao mesmo tempo muito simples e muito difícil. Tudo o que a pessoa tem de fazer é retirar-se em solidão e se sentar numa posição confortável, com ambos os olhos externos fechados e tentar manter a mente vazia. Não se deve nem pensar sobre Deus nem sobre o diabo, nem sobre a imortalidade, nem sobre a eternidade, nem sobre a existência do mundo, nem sobre a sua não-existência. Em suma, nesta meditação é preciso tentar manter-se mentalmente vazio ao longo da sessão, por um período tão longo quanto possível. 5) A pessoa deve sentar-se sozinha, fechar os olhos, contemplar e mentalmente dizer e repetir o seguinte: "Deus é meu Amado. Eu sou Seu amante. Eu quero a união com o meu Amado, o Senhor, o grande Deus." Na sequência deste processo, por um tempo, deve-se começar a repetir mentalmente qualquer um dos nomes do Todo-Poderoso em qualquer idioma, mas de tal modo que metade do nome seja pronunciado (mentalmente, é claro) durante a inalação, e metade dele pronunciado durante a exalação. Durante a execução desta repetição rítmica, deve-se tentar concentrar toda a atenção sobre a repetição do nome apenas.
6) Aquele que está inclinado a pensar no aspecto pessoal do Senhor, isto é, o Deus pessoal, deve sentar-se com sua alma como companheira em um local tranquilo, fechar os olhos, em seguida, tentar trazer diante dos olhos da mente a totalidade da face de algum Profeta, alguma Encarnação de Deus, ou Sadguru, de épocas passadas ou do presente, e concentrar-se nele o maior tempo possível. A fim de facilitar a entrada dos traços de algum Mestre Perfeito nos olhos da mente, o seu retrato deve ser olhado profundamente, antes de fechar os olhos em meditação.
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