quinta-feira, 31 de março de 2011

Jalaluddin Rumi - Três Poemas

Não lamente. Tudo o que você perde, retorna de uma outra forma.


A criança desmamou do leite de sua mãe, agora bebe vinho e mel misturados.


A alegria de Deus move-se de uma caixa anônima despercebida para outra,


de célula para célula. Como a água da chuva para o canteiro do jardim.


Como as rosas emergindo do solo.


Agora ela se parece com um prato de arroz e peixe,


agora um rochedo coberto de vinhas,


agora um cavalo sendo selado.


Ela se esconde dentro dessas coisas até que um dia Ele as abre ao meio.


Parte do ser abadona o corpo quando dormimos e muda de forma.


Você pode dizer: “a noite passada eu era um pinheiro,


um pequeno canteiro de tulipas, um campo de parreiras”.


Então, o fantasma vai embora e você está de volta ao quarto.


Eu não quero deixar ninguém assustado.


Eis o que está por trás do que digo.


Tatatumtum tatum tatadum.


Existe o dourado claro do trigo no sol


e o dourado do pão feito do trigo.


Eu não tenho nenhum dos dois,


estou apenas falando a respeito deles,


como uma cidade no deserto olha para as estrelas numa noite límpida.



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Maomé podia meditar por todo tipo de desgraça,


porque ele olhou para Deus tão inabalavelmente.


O remédio de seus olhos veio de sua expansão sempre crescente dentro de Deus.


Qualquer órfão que tenha tido unguento aplicado sobre si, irá melhorar.


Ele podia ver tudo o que alcançaram aqueles no caminho.


Portanto Deus chamou-o de “a testemunha”.


As ferramentas da testemunha são a veracidade,


um olhar penetrante e a vigília noturna.


Essa é a testemunha que um juiz escuta mais cuidadosamente.


Uma falsa testemunha tem um auto-interesse que torna o seu testemunho ilusório.


Ele não pode ver o todo. É por isso que Deus quer que você negue seus desejos,


de modo que você aprenda a abandonar o auto-interesse.


É o amor do mundo manifesto que lhe torna uma testemunha não confiável.


Há uma outra maneira de ver, que vê através de seu amor por esse lugar,


perfurando através da embriaguez excitante até a dor de cabeça.


A testemunha pode curar esse machucado.


Deus é um juiz justo que chama a verdadeira testemunha de


“olho do puro amor, o bem amado, o afago,


a razão dentro do divertimento que criou os fenômenos.”



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Este lugar é um sonho.


Apenas alguém adormecido considera-o real.



Então a morte vem como o amanhecer


e você acorda rindo


daquilo que você pensava ser seu pesar.



Mas há uma diferença com este sonho.


Tudo de cruel e inconsciente


feito na ilusão do mundo presente,


tudo aquilo, não se esvai no despertar da morte.



Isso permanece


e deve ser interpretado.



Toda risada sórdida,


todo desejo sexual,


Aqueles casacos rasgados de José,


eles transformam-se em poderosos lobos


que você tem de enfrentar.



A retaliação que às vezes vem agora,


a repentina pancada que vem como pagamento,


é só brincadeira de criança


perto do que a outra será.



Aqui você conhece a circuncisão,


Lá é castração total!



E estes momentos cambaleantes que vivemos,


é assim que se parecem:


Um homem vai dormir na cidade em que ele sempre viveu


e sonha que está vivendo em outra cidade.


No sonho ele não se lembra da cidade em que está dormindo em sua cama.


Ele acredita na realidade da cidade sonhada.



O mundo é esse tipo de sono.



A poeira de muitas cidades desmoronadas


cai sobre nós como um cochilo cheio de esquecimento.


Mas somos mais velhos que essas cidades.



Começamos como mineral. Transformamo-nos na vida das plantas


e no estado animal e então em seres humanos,


e sempre esquecemos de nossos estados anteriores,


exceto no início da primavera quando recordamos ligeiramente


sermos verdes novamente.



É assim que um jovem torna-se um professor.


É assim que um bebê inclina-se para o seio,


sem saber do segredo de seu desejo,


ainda assim indo instintivamente.



A humanidade está sendo conduzida por um curso evolutivo,


através dessa migração de inteligências


e embora pareçamos estarmos adormecidos,


há uma vigília interior que dirige o sonho



e ela eventualmente nos surpreenderá


colocando-nos de volta na verdade de quem somos.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Ramesh S. Balsekar - Trechos de algumas Reuniões

Ramesh: Primeiramente, diga-me o que você entende por “livre arbítrio”.

Pergunta: A noção de que “eu” posso escolher entre uma coisa ou outra.

Ramesh: Sim, mas isso inclui as consequências do que você escolhe? Seu livre arbítrio é escolher uma coisa ou outra. O seu livre arbítrio inclui o que decorrerá de fato daquilo que você escolher?

Pergunta: Não.

Ramesh: Que utilidade tem o seu livre arbítrio? Que livre arbítrio mais sem utilidade você tem! Então o que é o livre arbítrio? Certamente você pode escolher, mas se o que você escolher irá acontecer ou não, não está no seu controle. É por isso que quando as pessoas usam essas palavras eu geralmente as interrompo e peço-lhes para dizerem o que elas querem dizer por “livre arbítrio”.

Pergunta: A lógica que você apresentou, que faz sentido para mim, é que o desdobramento natural da criação, uma vez que é colocado em movimento desdobra-se a partir de um padrão determinado muito complexo. E então há este ego que pensa que pode escolher uma coisa ou outra.

Ramesh: Você vê, em que bases você faz suas escolhas? Como você faz suas escolha?

Pergunta: Essa seria minha pergunta, eu ia perguntar: “Quem escolhe?”

Ramesh: “Quem” escolhe? O ego escolhe. Mas o ego escolhe baseado em que? Meu ponto é que o ego faz sua “escolha” com base na programação que ele recebeu.

Pergunta: Sobre a qual ele não tem controle.

Ramesh: O condicionamento do meio circundante sobre o qual você não teve escolha.

Pergunta: Ou o DNA, ou algo mais.

Ramesh: Isso mesmo, portanto, há o DNA ou os genes, sobre os quais você não teve escolha, mais o condicionamento recebido do seu meio sobre o qual você não teve escolha. São essas duas coisas que eu chamo de 'a programação' com a qual você fará a “sua” escolha. Você fará sua escolha baseado no que você foi condicionado a pensar ser certo ou errado. Portanto, se o seu livre arbítrio está baseado na programação, a qual você não teve controle, então é o livre arbítrio “de quem” que estamos falando?

Pergunta: Então mesmo o livre arbítrio é uma função do Sujeito absoluto, da Fonte?

Ramesh: Correto, ou melhor, o livre arbítrio que você valoriza tanto está baseado em algo sobre o qual você não tem controle.

Pergunta: Muito bom. Isso é muito bom mesmo!

Ramesh: Eu retorno à válida questão do ego. O ego tem uma questão válida: “Vivendo em sociedade é esperado que eu faça escolhas – eu não devo fazer escolhas?” Eu digo: “É claro que sim.” Mas tudo o que estou dizendo para você considerar é: a escolha que você faz, é realmente “sua” escolha ou essa escolha acontece?

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Pergunta: Quando você fala sobre como nossas vidas são determinadas, usando os conceitos do robô ou do computador, isso soa muito limitador, não há escolha, não há liberdade. Mas minha experiência é que me sinto repleta de um sentido de liberdade.


Ramesh: Claro, esse é o ponto importante. Então, o que é esse sentido de liberdade que surge? Que tipo de liberdade é esse?

Pergunta: Eu não sou esse robô ou o computador.

Ramesh: Exatamente. Esse é o ponto. Portanto, liberdade de que? Liberdade daquilo que anteriormente identificava-se com o computador. Significa liberdade do próprio computador, liberdade da identificação com o computador. O sentimento que você tem agora Ashika, é que antes você pensava que “você” era o computador e agora sabe que você não é o computador. Esse computador está sendo usado pela Fonte, ou Deus, para trazer certas ações que necessitam acontecer através deste organismo corpo-mente. Não é isso?

Pergunta: Eu pensava que liberdade era liberdade de escolha, era fazer o que eu queria.

Ramesh: Livre arbítrio.

Pergunta: Sim. Isso tudo parece ter morrido.

Ramesh: Então não há livre arbítrio e isso não traz um senso de constrição.

Pergunta: Há uma liberdade totalmente diferente, liberdade de não estar de modo algum identificada.

Ramesh: Sim. Liberdade do envolvimento. Sua experiência foi que o envolvimento é que causa a infelicidade; se não há envolvimento não há infelicidade. Então, o que você realmente está dizendo é que a liberdade é da tristeza porque é liberdade do envolvimento. E “quem” se envolve? O ego fica envolvido. A liberdade é a liberdade do ego. E o ego é o sentido pessoal de autoria das ações. Portanto, liberdade, em última instância, é liberdade do sentido de autoria pessoal das ações – tanto deste organismo corpo-mente, como dos outros organismos.É notável que isso tenha ocorrido com você, os outros talvez não aceitem isso, mas quanto a você a liberdade se estende a todos. Ninguém tem livre arbítrio. Tudo o que acontece é que ações acontecem através dos bilhões de computadores corpo-mente. Então não há razão para Ashika sentir-se culpada, sentir orgulho ou ódio de ninguém. Isso é aceitável?

Pergunta: Sim.

Ramesh: Essa é a liberdade que está refletida na sua compreensão – liberdade da culpa, do orgulho, do ódio e da inveja – que significa o que? Liberdade do envolvimento. É o envolvimento que causa infelicidade – um pouco de felicidade e um monte de infelicidade. Portanto, aceitar o que acontece como sendo algo que você não pode se envolver e sobre o qual você não tem nenhum controle – essa é a liberdade pelo fato que o que quer que esteja acontecendo está além do controle de qualquer pessoa. Desse modo, o que quer que esteja acontecendo é simplesmente aceito como algo que deveria acontecer – e não por causa da vontade de algum indivíduo.

Pergunta: Eu estava sentindo-me confusa pois havia esse enorme sentimento de liberdade mas não era liberdade para fazer ou deixar de fazer. Era simplesmente uma liberdade para ser.

Ramesh: Você vê, liberdade do envolvimento é liberdade da limitação do ego. O ego é restrito. Então o ego que pensava anteriormente que “ele” era livre para fazer o que “ele” quisesse agora descobriu que não existe “Ashika” para fazer coisa alguma. Isso é liberdade da responsabilidade, do sentido de autoria pessoal das ações e liberdade do orgulho. Pelo ego essa liberdade é traduzida como uma perda de “seu” livre arbítrio pessoal. Então essa liberdade é em si estar livre do ego, mas o ego não pode sentir essa liberdade. O ego sente que “ele” perdeu o livre arbítrio de fazer o que ele quer fazer – que “ele” pensava que possuía. Essa foi a confusão que você sentiu, a liberdade que surgiu da perda do sentido de autoria das ações significa a perda de liberdade do ego. Isso faz sentido?

Pergunta: Sim.

Ramesh: Eu repito: liberdade do sentido de autoria pessoal significa a perda da liberdade do ego. E essa é a confusão, pois ainda há essa identificação do ego com este organismo corpo-mente chamado Ashika. O ego ainda permanece e sente-se terrivelmente restringido.


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Pergunta: Eu preferia estar falando em particular com você, mas a respeito da repetição de mantras, algumas mudanças maravilhosas aconteceram. Nenhuma mudança realmente dramática.

Ramesh: O que é uma coisa boa. De outra maneira você estaria se prendendo a elas.

Pergunta: Quando criança, eu ficava sempre assustado com o frio, cada vez esperando que me acostumaria com isso. Eu ficava assustado, como se tivesse despertado do sono. A primeira vez que investiguei a repetição do “eu sou”, foi a mesma experiência alarmante. Agora uma mudança natural está acontecendo. Isso deve ser perseguido?

Ramesh: Aceite isso, sem as perguntas: "deveria ou não deveria acontecer".

Pergunta: Há algum valor nessas chamadas praticas espirituais e nos métodos disciplinatórios?

Ramesh: A mente humana está mais do que pronta para que seja falado para ela fazer algo. Você ficaria surpreso de quantas pessoas têm a firme crença que não apenas essas várias práticas espirituais conduzem à iluminação, como que a própria prática desses métodos é a iluminação. É total idolatria e superstição.

Pergunta: Mas tratar todas as práticas espirituais como idolatria e superstição é manter a mete fechada, não é?

Ramesh: De qualquer forma mantenha a mente aberta. Se você se encontra numa posição onde você está fazendo alguma prática, tente fazê-la e veja. No meu caso, antes de eu ir no Nisargadatta Maharaj, eu tive um guru por vinte anos. Ele era um guru tradicional que dava iniciações tradicionais. Naquela época, minha necessidade de um guru era tão intensa que quando eu fui até ele, numa pequena cerimônia de iniciação, durante esse processo eu fui tão arrebatado que eu não conseguia para de chorar. Uma emoção construída, uma necessidade de um guru que havia sido construída estava expressando-se daquela maneira. Muito cedo eu percebi que o que ele estava me ensinando, com toda sinceridade, não era o que eu realmente queria. Se alguém fosse ao Maharaj e dissesse: “minha esposa está doente” ou “meu filho está desempregado”, Maharaj iria dizer: “sinto muito, eu não posso ajudá-lo”. Enquanto que meu primeiro guru iria considerar parte de sua função não apenas se encarregar de sua vida espiritual, mas também iria ajudar a pessoa, da maneira mais genuína e sincera, nas necessidades materiais. O ensinamento de Maharaj era totalmente impessoal, universal. Mas esse primeiro guru era primeiramente um Hindu e também um não-dualista, um Advaita. Ele diria: “Faça este puja, faça tal prática disciplinar, vá visitar tal templo”. Ele não era uma fraude. Ele era genuíno. Mas a crença dele culminava com a firme convicção de que o que o guru dele havia dito para ele era o definitivo, que o guru pessoal dele, que havia morrido há muitos anos, ainda guiava as ações dele. Bem depressa ficou claro para mim que não era isso que eu tinha estado à procura desde os doze anos de idade. Mas não é a natureza deste organismo romper com alguém violentamente, então o relacionamento continuou por vinte anos. Um fato curioso sobre esse relacionamento é que ele foi previsto astrologicamente em 1950. Não por um astrólogo que lê o horóscopo, mas através de uma previsão do Sul da Índia chamada nadi. Havia um tipo pele ou de folha tão elástica que era impossível de ser quebrada. Nela estava entalhado em letras pequenas a predição de que eu iria primeiramente ter um guru por vinte anos e que não iria acontecer muito ali, mas que depois que eu me aposentasse eu encontraria meu verdadeiro guru e então o progresso seria bem rápido. Depois que me aposentei, li um artigo sobre Nisargadatta Maharaj escrito por Jean Dunn no the Mountain Path. Quando subi as escadas para o sobrado de Maharaj pela primeira vez, as primeiras palavras de Nisargadatta foram: “Até que enfim você veio, não foi? Venha e sente-se.” Portanto, se alguém tem o dom da cura, por que não? O dom da astrologia, da psicoterapia, por que não? Eu não perdi vinte anos antes de encontrar Maharaj. Tudo é uma preparação para a próxima cena. Então, se alguma força misteriosa dirige você para alguma prática, eu aconselho você a não se afastar dela ou a não abandoná-la. Aceite-a, tente-a. Se posteriormente essas práticas espirituais ficarem pelo caminho, deixe-as. E se acontecer, minha única sugestão é, não sinta-se culpado por isso. É um acontecimento sobre o qual você não tem controle. Chang-Tzu disse: “o mestre veio quando era a hora dele vir, o mestre se foi no fluxo ordinário dos eventos.” Quando há mesmo que um lampejo dessa compreensão, mesmo que no nível intelectual, você começa a ter uma sensação de liberdade, ou, mais precisamente, o sentido de liberdade substitui o sentido de frustração. O sentido de frustração é a volição que o 'eu' é muito relutante em abandonar. Quando há realmente uma convicção de que eu sou apenas um instrumento, como os bilhões de seres humanos através dos quais Deus ou a Totalidade opera, como pode não haver um tremendo sentimento de liberdade?

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Pergunta: No momento em que percebo que estive perdido em pensamentos sobre o futuro, há algo

particular a ser feito?

Ramesh: Nada. Absolutamente nada.

Pergunta: O próximo momento irá cuidar de si mesmo? Eu posso esquecer isso e pensar sobre o futuro novamente?

Ramesh: Correto. O que estou dizendo é que a ação de escutar ocorreu com uma certa quantidade de receptividade. De outra maneira nem mesmo essa pergunta iria surgir. Então esse escutar receptivo irá transformar-se em compreensão e essa compreensão vai ser a testemunha, a qual é necessária para evitar o envolvimento. É o 'eu', a mente pensante, que em vez de compreender faz a pergunta: “Então o que devo fazer agora?” A resposta é: “Nada”. Isso significa, efetivamente, ignorar a mente pensante. A única maneira pela qual essa mente pensante sucumbe é quando ela é ignorada. Não há outra maneira dela acabar.

Pergunta: No Vipassana, um método de retornar ao presente é focar em alguma sensação do corpo. Isso me parece similar com o que você tem dito.

Ramesh: Não, esse tipo de “fazer” geralmente é ainda a mente observando a mente, é um processo mental. A auto-investigação (Investigação de Si) não significa que toda vez que um pensamento ocorrer deveríamos metodicamente começar a pensar: “Para quem esse pensamento ocorreu? Eu não sou o corpo” e assim por diante. Tudo isso está no tempo e na duração, não está? Qualquer coisa que aconteça no tempo e na duração é envolvimento. Portanto, em vez de ficar envolvido num processo mental, é mais simples e mais efetivo permanecer numa posição de aceitação contentada. Um pensamento surgiu, ele é testemunhado e é cortado. O testemunho não precisa de nenhum processo mental.

Pergunta: Qual é o melhor meio de compreender que não somos o fazedor?

Ramesh: A melhor maneira de entender que você não é o fazedor é perceber que você não é um corpo sólido. Você é meramente um vazio no qual a energia vibra de acordo com um padrão individual particular. Desse modo, você não é um ser individual, quem dirá um fazedor individual. Você não é nem mesmo uma entidade individual. Você não é nada. É um mero padrão de energia em vibração. Compreender isso verdadeiramente, com convicção, ajudará tremendamente.

Pergunta: Mas podemos compreender isso um em momento e então, durante o resto do dia, descobrir que estamos novamente assumindo a autoria.

Ramesh: Ó sim! Mas isso tem de vir. Deixe vir.

Pergunta: Mas a compreensão torna-se compartimentada.

Ramesh: Pelo contrário, ela não permanece num compartimento. Ela desce bem para a raiz da existência, para a base da existência. Você não precisa repetir de novo e de novo: “Eu sou, eu estou vivo.” Não há necessidade de dizer: “Eu sou um homem.” O conhecimento está lá. Se esses pensamentos ocorrerem, será um anuviamento temporário da consciência. Por quanto tempo esse anuviamento acontecerá não está em suas mãos. Não há nenhuma técnica que o “eu” possa empregar para fazer esses pensamentos irem embora.

Pergunta: Então um momento de pura compreensão de que não somos o fazedor é mais importante do que as compreensões menores?

Ramesh: Absolutamente. O tempo de duração dela está fora de questão aqui.

Pergunta: Muitas vezes no “I am That”, Maharaj advertia as pessoas a se manterem com o sentimento de Eu Sou.

Ramesh: A resposta era dada para as pessoas que precisavam fazer algo. Para esse homem de ação, o Karma Iogue, dizer-lhe apenas para compreender seria extremamente difícil. Foi difícil para mim entender a quem Maharaj estava se dirigindo quando dizia: “Permaneça no Eu Sou”. Obviamente ele estava endereçando isso a alguém. Foi uma questão difícil que perturbou- me por seis meses. Essa é sua questão também.

Pergunta: Sim, mas espero que não dure seis meses.

Ramesh: Você pode sentir-se grato se ela não durar seis anos! Mas é uma questão básica. A questão me incomodava desde manhã cedo e durante o dia todo. Finalmente, ocorreu essa compreensão repentina de que aquelas sugestões: “Apenas seja” ou “permaneça no Eu Sou” não eram endereçadas a um “eu” (mim). Se euaceitasse a verdade básica de que o “eu” é meramente uma aparência na Consciência, não haveria nada mais para ser feito. Essa aceitação não vem rapidamente em todos os casos. Até que ela viesse, durante o processo dessa aceitação se tonar firme, Maharaj estava endereçando-se àquele “eu” que precisava de uma certa quantidade de orientação. Ele não estava dando sugestões para alguém que não precisava delas. Os fatos básicos ele já havia deixado claro: que não há tal objeto como ser humano com independência como uma entidade separada, com independência de escolha e decisão, com volição. Uma mera aparência não pode ter nenhuma volição. No caso do próprio Maharaj, ele tinha uma inclinação natural e por intuição para o caminho da devoção, ou seja, bhakti. Ele costumava ir a um templo toda a noite e cantar bajans. Ele disse: “eu tinha uma voz muito boa, então deleitava-me ao cantar e isso me deixava muito feliz, eu não estava interessado em nenhum conhecimento e nem em repetir o nome de Deus. Era o que eu gostava de fazer e eu fazia.” Certo dia, um amigo dele que costumava ir a um certo guru insistiu que Maharaj o acompanhasse. Então Maharaj foi. A maneira tradicional era levar uma guirlanda de flores. “Até a guirlanda de flores simbólica foi comprada por meu amigo”, Maharaj disse. A mensagem básica essencial do guru era que não existe algo como uma entidade individual, ela era apenas uma aparência na Consciência. Maharaj disse: “talvez, aceitei isso porque eu era uma pessoa iletrada. O intelecto não era desenvolvido à uma certa agudeza onde ele quisesse saber os porquês e os motivos de tudo. Por alguma razão eu pude aceitar e esse foi o fim da questão.” Maharaj continuou a ir aos bajans e ao mesmo tempo essa compreensão se enraizou em seu coração. Gradualmente suas idas ao templo acabaram, mas sem que ele fizesse um esforço para isso.

Uma coisa que posso lhe falar é que não há coisa alguma que "você" possa fazer a respeito da Realização, porque o “você” tem que desaparecer e o “você” não fará “você” desaparecer.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Hazrat Inayat Khan - O Misticismo do Som e da Música


De acordo com o ponto de vista esotérico, a música é o começo e o fim do universo. Todas as ações e movimentos feitos nos mundos visível e invisível são musicais. Isto é, eles são constituídos de vibrações pertencentes a um certo plano de existência. Em sânscrito, a música é chamada sangita, que significa três sujeitos: o cantar, o tocar e o dançar. Esses três estão combinados em toda ação. Por exemplo, na ação da fala há a voz significando o cantar, a pronunciação das palavras significando o tocar e os movimentos do corpo bem como a expressão da face significando o dançar.

A música oriental está inteiramente baseada sobre uma base filosófica e espiritual. O inventor dela foi Mahadeva, o senhor dos Iogues, e o maior músico foi Parvati, sua amada esposa. Krishna, a encarnação de Deus, era um músico hábil, que encantava ambos os mundos através da música de sua flauta, fazendo os Iogues dançarem. Bharata Muni, o maior santo hindu, foi o primeiro compositor de música. Os místicos, tal como Narada e Tumbara, foram grandes músicos. No céu dos Hindus o Deus Indra é entretido pelo canto clássico dos Gandharvas e pela dança dos Apsaras. A Deusa da música é Sarasvati, que também é a Deusa da sabedoria; ela é uma grande amante da Vina. Todo o sistema da religião e filosofia hindu está baseado na ciência das vibrações e é chamado de Nada Brahma, Deus-Som.

O poeta Shams de Tabris, ao escrever sobre a criação, diz que todo mistério do universo reside no som. Esse fato é expressado no Corão e também na Bíblia.

Vibrações mais finas tornam-se mais grosseiras em sua graduação formando os diferentes planos de existência, culminando na manifestação física. Assim como a água quando congelada transforma-se em neve, também a atividade materializa as vibrações. Menos atividade as eteriza, mostrando que o espírito e a matéria são a mesma coisa num sentido mais elevado. O espirito descende em matéria através da Lei da vibração, e a matéria também ascende em direção ao espírito. Os grandes Iogues e Sufis sempre progrediram através de suas práticas em direção ao mais elevado estado de perfeição ao eterizarem-se através do conhecimento das vibrações. O som material dos instrumentos ou da voz produzido pelos órgãos humanos de som, é na verdade a consequência do som universal das esferas, o qual somente pode ser escutado por aqueles que se afinaram com ele. Este estado é chamado de Anahad Nada pelos Iogues e Sawt-e-Sarmad pelos Sufis.

O músico e o amante da música tornam-se refinados e são conduzidos ao mais elevado mundo do som. Os Sufis perdem a si mesmos no som e chamam isso de êxtase ou masti. Poderes psíquicos e ocultos surgem após experimentarem esta condição de êxtase e o conhecimento da existência visível e invisível é revelado. Essa graça da felicidade e paz está disponível apenas aos Iogues e Sufis interessados na divina arte da música.

Quase todos os grandes músicos do oriente tornaram-se grandes santos através do poder da música. Mais recentemente na Índia, músicos como Tansen e Maula Baksh foram exemplos grandiosos da perfeição espiritual através da música.

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Quando prestamos atenção à música da natureza descobrimos que todas as coisas contribuem para a sua harmonia. As árvores balançam seus galhos alegremente no ritmo do vento, o som do mar, o sussurro do vento, o assobio do vento passando pelas pedras, vales e montanhas, a luz de um raio e o estrondo de um trovão, a harmonia do sol e da lua, os movimentos das estrelas e dos planetas, o desabrochar das flores, o cair das folhas, a alternância regular da manhã, tarde, noite e madrugada – tudo revela ao espectador a música da natureza.

Os insetos têm seus concertos e balé e o coro dos pássaros canta em uníssono os hinos de louvor. Os cães e gatos têm suas orgias, as raposas e os lobos têm suas noites musicais na floresta, enquanto os leões e os tigres presidem suas óperas na selva. A música é a única forma de compreensão entre os pássaros e os animais. Isso pode ser visto pela gradação de tons e volume de tons, a maneira da afinação e o numero de repetições e a duração de seus vários sons. Eles transmitem aos seus parceiros a hora de se juntar ao rebanho, o aviso da aproximação do perigo, a declaração de guerra, o sentimento de amor, o sentido de simpatia, de descontentamento, de paixão, raiva, medo e ciúme, criando uma linguagem própria em si.

Na respiração do homem há um tom constante, e o batimento do coração, o pulso e a cabeça mantêm o ritmo continuamente. Um bebê responde à música antes de ter aprendido como falar, ele move suas mãos e pés num determinado tempo e expressa seu prazer e sua dor em diferentes tons.

A arte da música no oriente é chamada Kala e tem três aspectos: o vocal, o instrumental e o que expressa movimento.

A música vocal é considerada a mais elevada pois é natural; o efeito produzido por um instrumento que é meramente uma máquina não pode ser comparado com o da voz humana. Não importa o quão perfeitas as cordas sejam, elas não poderão causar a mesma impressão que a voz no ouvinte, pois ela vem direto da alma através do alento e foi trazida à superfície por meio da mente e dos órgãos vocais do corpo. Quando a alma deseja expressar-se em voz, primeiramente ela causa uma atividade na mente, que por sua vez, através dos pensamentos projeta vibrações mais finas no plano mental. Isso no devido tempo desenvolve-se e passa como respiração através das regiões do abdome, pelos pulmões, garganta, boca e órgãos nasais, fazendo com que o ar vibre por completo, até que se manifeste na superfície como voz. A voz, portanto, expressa naturalmente a atitude da mente, seja ela verdadeira ou falsa, sincera ou insincera. A voz tem todo um magnetismo do qual carece um instrumento, pois a voz é o instrumento ideal da natureza, a partir do qual todos os outros instrumentos do mundo são modelados.

O efeito produzido pelo canto depende da profundidade do sentimento do cantor. A voz de um cantor compassivo é muito diferente da voz de um que é desprovido de emoção. Não importa o quanto uma voz seja artificialmente cultivada, ela nunca irá produzir sentimento, graça e beleza a menos que o coração seja cultivado também. O canto tem uma dupla fonte de interesse: a graça da música e a beleza da poesia. Na proporção de quanto o cantor sente as palavras que ele canta, um efeito é produzido sobre os ouvintes; seu coração, por assim dizer, acompanha a música.

Embora o som produzido por um instrumento não possa ser produzido pela voz, ainda assim o instrumento é totalmente dependente do homem. Isso explica claramente como a alma faz uso da mente e como a mente governa o corpo. Ainda assim, parece como se fosse o corpo que é o agente e não a mente, e a alma é deixada de fora. Quando o homem ouve o som de um instrumento e vê as mãos do instrumentista trabalhando, ele não vê a mente operando por de trás e nem o fenômeno da alma. A cada passo do ser mais interno em direção à superfície há um aparente progresso que parece ser mais positivo. Porém, cada passo para a superfície implica limitação e dependência.

Não há nada que não possa servir como um veículo para o som, embora o tom manifeste-se mais claramente através de um corpo sonoro do que por um corpo sólido, pois o primeiro é mais aberto às vibrações, enquanto que o último é fechado. Todas as coisas que dão um som claro mostram vida, enquanto que corpos sólidos entupidos de substância parecem mortos. A ressonância é a reserva de tom, em outras palavras é a repercussão do tom que produz um eco. Sob esse princípio são feitos todos os instrumentos, a diferença residindo na quantidade e na qualidade do tom, o qual depende da construção do instrumento.

E efeito da música instrumental também depende da evolução do homem que expressa com a ponta de seus dedos sobre o instrumento seu grau de evolução; em outras palavras, sua alma fala através do instrumento. O estado da mente do homem pode ser lido por seu toque no instrumento, pois por mais hábil que ele seja, ele não pode produzir por mera habilidade a graça e a beleza que atraem o coração sem um sentimento desenvolvido dentro dele mesmo.

Após a música vocal e a instrumental vem a música motora da dança. O movimento é a natureza da vibração. Cada movimento contém em si um pensamento e um sentimento. Essa arte é inata no homem. O primeiro prazer de um bebê na vida é divertir-se com o movimento de suas mãos e pés, uma criança ao ouvir música começa a mexer-se. Mesmo os animais e pássaros expressam sua alegria em movimentos. O pavão, orgulhoso com a visão de sua beleza, mostra sua vaidade na dança, da mesma forma a cobra sai do cesto e balança seu corpo ao ouvir a música do pungi. Tudo isso prova que o movimento é o sinal da vida e quando realizado com música ele coloca tanto o artista quanto e espectador em movimento.

Os místicos sempre olharam para esse tema como uma arte sagrada. Nas escrituras hebraicas encontramos Davi dançando diante do Senhor, e os deuses e deusas dos gregos, egípcios, budistas e brâmanes são representados em diferentes posturas, todas tendo um certo significado e filosofia relacionado com a grande dança cósmica que é a evolução.

Mesmo nos dias de hoje entre os Sufis no oriente, a dança chamada sama ocorre em suas reuniões, pois a dança é consequência da alegria. Os dervixes no sama dão vazão a seu êxtase em Raqs, o que é considerado com grande respeito e reverência pelos presentes e é em si mesmo uma cerimônia sagrada.

A arte da dança degenerou muito devido a seu mal uso. A maioria das pessoas dança ou para se divertir ou se exercitar, frequentemente abusando da arte em sua frivolidade.

Melodia e ritmo tendem a produzir uma inclinação para a dança.

Para resumir, a dança pode ser dita ser uma expressão graciosa do pensamento e do sentimento sem pronunciar nenhuma palavra. Ela pode ser usada também para impressionar a alma através do movimento, produzindo uma imagem ideal diante dela. Quando a beleza do movimento é tomada como um pressentimento do ideal divino a dança se torna sagrada.

A música da vida mostra sua melodia e harmonia em nossas experiências diárias. Cada palavra dita, ou é uma nota verdadeira ou uma nota falsa, de acordo com a escala de nosso ideal. O tom de uma personalidade é áspero como uma corneta, enquanto que o de outra é brando como as notas de uma flauta.

O progresso gradual de toda a criação de uma evolução inferior até a mais elevada, sua mudança de um aspecto para outro, é mostrada como na música onde uma melodia é transposta de uma clave para outra.

A amizade e a inimizade entre os homens, seus gostos e desgostos, são como acordes e dissonâncias. A harmonia da natureza humana e a tendência humana à atração e à repulsão, são como o efeito dos intervalos consonantes e dissonantes na música.

Na ternura do coração o tom torna-se um semitom e quando o coração é partido o tom se quebra em microtons. Quanto mais terno se torna o coração mais cheio o tom ele se torna, quanto mais duro o coração fica mais morto ele parece.

Cada nota, cada escala e cada som estinguem-se no momento determinado e no final da experiência da alma aqui o finale chega. Mas a impressão permanece, como um concerto num sonho, diante da visão da consciência.

No que diz respeito à música do absoluto, o baixo, o subtom (ou o tom sutil), prossegue continuamente, mas na superfície e sob as várias notas de todos os instrumentos da música da natureza esse tom sutil está escondido e subjugado. Cada ser com vida vem à superfície e novamente retorna para o lugar de onde veio, assim como cada nota tem seu retorno ao oceano de som. O subtom desta existência é o mais alto e o mais brando, o mais elevado e o mais baixo. Ele oprime todos os instrumentos de tom alto ou baixo, agudo ou grave, até que todos se fundam nele. Esse subtom sempre é, e sempre será.

O mistério do som é misticismo; a harmonia da vida é religião. O conhecimento das vibrações é metafísica e a análise dos átomos é ciência, seu agrupamento harmonioso é arte. O ritmo da forma é poesia e o ritmo do som é música. Isso mostra que a música é a arte das artes e a ciência de todas as ciências e ela contém a fonte de todo conhecimento dentro de si.

A música é chamada de a arte divina ou celestial não apenas porque ela é em si uma religião universal, mas por causa de sua sutileza em comparação com todas as outras artes e ciências. Cada escritura sagrada, ilustração sagrada ou palavra falada sagrada, produz a impressão de sua identidade sobre o espelho da alma, mas a música permanece diante da alma sem produzir nenhuma impressão deste mundo objetivo nem em nome nem em forma, assim preparando a alma para realizar o infinito.

Reconhecendo isso, o Sufi chama a música de giza-i-ruh, a comida da alma, e usa a música como uma fonte de perfeição espiritual, pois a música ventila o fogo do coração e a chama que surge dele ilumina a alma. O Sufi tira muito mais proveito da música em suas meditações do que em qualquer outra coisa. Sua atitude devocional e meditativa torna-o sensível à música, a qual ajuda-o em seu desenvolvimento espiritual. A consciência, através da ajuda da música, primeiramente liberta-se do domínio do corpo e depois da mente. Uma vez isso realizado, apenas mais um passo é necessário para atingir a perfeição espiritual.

Os Sufis de todas as épocas tiveram um sério interesse na música em qualquer terra em que residiram. Rumi adotou especialmente essa arte por conta de sua grande devoção. Ele ouvia os versos dos místicos sobre o amor e a verdade cantados pelos qawwals, os músicos, com o acompanhamento da flauta.

O Sufi visualiza o objeto de sua devoção em sua mente que é refletido sobre o espelho de sua alma. O coração, o fator do sentimento, é possuído por todos, embora ele não seja um coração vivente em todas as pessoas. O coração é tornado vivo pelo Sufi que dá vazão aos seus sentimentos intensos em lágrimas e suspiros. Ao fazê-lo, as nuvens do jelal, o poder que congrega com seu desenvolvimento psíquico, caem em lágrimas como gotas de chuva e o céu de seu coração é clareado, permitindo a alma brilhar.

Essa condição é considerada pelo Sufi como um êxtase sagrado. O wajad, ou êxtase sagrado que os Sufis experimentam como regra no sam'a, pode ser dito ser a união com o Desejado. Existem três aspectos dessa união que são experimentados pelos diferentes estágios de evolução.

O primeiro é a união com o ideal reverenciado do plano da terra, presente diante do devoto, seja no plano objetivo ou no plano do pensamento. O coração do devoto, repleto de amor, admiração e gratidão, torna-se capaz de visualizar a forma de seu ideal de devoção enquanto escuta a música.

O segundo passo no êxtase e a parte mais elevada da união é a união com a beleza de caráter do ideal, não importando a forma. A música em louvor ao personagem ideal ajuda o amor do devoto a brotar e transbordar.

O terceiro estágio no êxtase é a união com o divino Amado, o mais elevado ideal, que está além da limitação do nome e da forma, da virtude e do mérito; com o qual a alma tem constantemente buscado a união e a quem ela finalmente encontrou. Essa alegria é inexplicável. Quando as palavras dessas almas que já atingiram a união com o divino Amado são cantadas diante daquele que está trilhando o caminho do amor divino, ele vê todos os sinais no caminho descritos naqueles versos e isso é um grande conforto para ele. O louvor Daquele assim idealizado, tão diferente do ideal do mundo em geral, preenche-no com uma alegria além das palavras.

O êxtase manifesta-se em vários aspectos. Às vezes o Sufi pode estar às lágrimas, às vezes pode estar suspirando, às vezes ele se manifesta em Raqs, movimentos. Tudo isso é considerado com respeito e reverência por aqueles presentes na assembléia do sam'a, pois o êxtase é considerado uma bênção divina. O suspiro do devoto ilumina um caminho para ele no mundo invisível e suas lágrimas lavam o pecado de eras. Toda revelação segue o êxtase, todo o conhecimento que um livro jamais poderá conter e que a linguagem jamais poderá expressar, nem um professor ensinar, vem a ele por si mesmo.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Hafiz - Oito Poemas


O peão senta-se sempre

atordoado,

acorrentado,

impossibilitado de se mover

sob o magnífico poder de Deus.


É essencial para a coroação do coração

que o peão perceba que não há nada além

de movimentos divinos neste mundo.


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O coração é um instrumento de mil cordas.

Nossa tristeza e nosso medo provêm de

estarmos fora de sintonia com o amor.


O dia todo, Deus persuade meus lábios

a falarem.


Para que suas lágrimas não manchem

o vestido verde Dele.


Não que o Amigo seja vão.

É apenas por que nos importamos com a sua vida.


Algumas vezes o Amado

pega minha caneta em mãos,

pois Hafiz é um homem simples.


Outro dia o Antigo escreveu na parede da taverna:

“O coração é um instrumento de mil cordas

que somente pode ser afinado com o amor."


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Tudo está aplaudindo hoje,

A luz, o som, todos os movimentos.


Passei por um coelho que puxou o címbalo

de seus bolsos ocultos e então piscou o olho.


Isso fez alguns planetas e eu enlouquecermos

e agarrarmos uns aos outros.


Alguém viu isso e

chamou um psiquiatra,


Tentaram me prender por estar tão feliz.


Escute: este mundo é uma esfera de lunáticos,

não concorde sempre que ele seja real.


Mesmo com meus pés sobre ele

e o carteiro conhecendo minha porta

Meu endereço é num outro lugar.


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E então Você é assim:


Um pequeno pássaro decorado com fachos de luz laranja

acenando com suas asas perto da minha janela,

Encorajando-me com todo o amor da existência -

a dançar.


E então Você é assim:


Uma palavra cruel que me apunhala

vinda da boca de um traje estranho que Você usa.

Um disfarce com o qual Você enganou-me por tanto tempo

fazendo-me pensar que era alguém diferente de Você.


E então Você é:


O firmamento que gira no fim de uma corda em Sua mão;

Então você oferece-o para mim dizendo:

“você deixou cair isso,

Com certeza isso é seu.”


E então Você é, Ó Você é:


O Amado de cada criatura

revelado com tal grandeza -

irrompendo de cada célula no meu corpo,

Eu ajoelho, eu riu,

eu choro, eu canto

Eu canto.


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Seus olhos têm uma melodia que queremos escutar.

Deus ergue-se de um instrumento afinado.


O sol e a lua alegremente vestirão uma túnica

e balançarão como crianças brincando

quando o santo dirigir a sua luz.


Hafiz,

Você poderia colocar mágica no som

e então derramá-lo nos ouvidos feridos da terra?


Hafiz, você poderia sussurrar

próximo ao corpo de cada viajante

e fazer com que o mundo todo saiba

a respeito da verdadeira natureza do Amado?


Sim, queridos, eu posso,

Ouçam uma de minhas palavras favoritas

que o Amigo também sempre canta para nós:

Mashuq, mashuq (doce amado)


O coro do coração precisa cantar.

O amor é soberano e incessantemente se move

dos tambores de argila que estão afinados.

Cantando, murmurando o dia todo: Mashuq

Mashuq para todos.



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Você precisa se tornar uma caneta nas mãos do Sol.


Precisamos que a Terra cante

através de nossos poros e nossos olhos.


O corpo ficará inquieto novamente

até que a alma pinte toda a sua beleza sob o céu.


Não me digam, queridos,

que o que Hafiz diz não é verdade,


Pois quando o coração tiver um gosto de seu destino glorioso

e você despertar para nossa constante necessidade de amor


O alaúde de Deus implorará por sua mão.


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Escuto o rouxinol saudando a Deus.


Escuto a chuva falando com o telhado do meu coração.


Como um tapete de neve no inverno

suavemente se aconchegando na terra


Deixo um grande anseio dentro de minha visão

se estender perto Dele.


Escuto um triste amante sendo verdadeiro

incondicionalmente, mesmo se o Amado pareça cruel.


Esta noite há um falcão montado em rubis

cantando com uma dor abençoada

usando a língua de Hafiz.


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Uma vez um grupo de ladrões roubou um diamante raro

maior do que um ovo de ganso.


Seu valor podia facilmente comprar mil cavalos

e dois mil acres da terra mais fértil de Shiraz.


Os ladrões se embebedaram aquela noite

para celebrar sua grande aquisição,


mas durante a noite os efeitos do liquor

e a desconfiança que tinham

uns dos outros cresceu a tal ponto

que eles resolveram dividir a pedra em pedaços.


E obviamente o Impagável perdeu-se.


Quase todo mundo é péssimo em matemática

e faz isso com Deus-


Dissecam o Indivisível,


Pensando e falando:


“Este é meu Amado, ele se parece assim

e age dessa maneira,


Como pode aquele idiota

Realmente ser Deus.”

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Shri Siddharameshwar Maharaj - O Prana do Prana


"Os aspirantes tinham feito anteriormente a seguinte objeção: Como poderia aquele que é sem forma se transformar naquilo que é móvel e imóvel? Isto deve ser explicado agora." (Dasabodh, capítulo 8, seção 2, versículo 1).


Na mitologia hindu, Chitragupta é aquele que toma nota dos pecados e dos méritos de todos para o posterior julgamento de Deus. Chitragupta na verdade significa aquele que encontra-se secretamente (Gupta) residindo no coração de todos, isto é, a consciência interior.
Anteriormente alguns de vocês tinham dúvidas de como Brahman sem forma e sem atributos tornou-se a ilusão. Qual é o significado de "anteriormente"? Na verdade, o próprio tempo é uma ilusão. Devido a essa ilusão, sentimos que este é um dia ou um determinado mês. A luz e a escuridão sucedem uma a outra na terra. Os dias, meses, etc, são definidos por conveniência. Existem milhares ondas desse tipo que aparecem no Ser. O primeiro é o Parabrahman natural e a ilusão aparece sobre Ele. Parabrahman é livre e não faz nada, e no Seu pano de fundo aparece a ilusão inexistente. Na realidade, para Parabrahman é como se o mundo não existisse, Ele não sente o peso dele nunca. Da mesma forma, surge em nós um conceito e, porque o conceito é estabelecido, acreditamos ser verdadeiro.
Um objeto visto em um sonho não é real, mas parece real. Similarmente ao nosso reflexo no espelho, Maya (a ilusão) parece ser verdade. Pratique o pensamento "tudo aparece no meu Ser." Se você fizer isso com sinceridade por oito dias, você irá experimentar a Realidade. Brahman é a corporificação do Conhecimento. Os Vedas dizem que o Verdadeiro Conhecimento é Brahman. A grande afirmação de outro Veda é: "Eu sou Brahman”. Você se torna de acordo com como você se concebe.
Você, o Ser, é o Rei e a Ilusão (Maya) é o seu servo. A Ilusão é devida à sua percepção. O rei experimenta de acordo com como ele imagina. Ilusão significa nossa idéia. A Ilusão limita uma pessoa de acordo com como são os conceitos dela. Alguém pode perguntar: se a ilusão não é verdade, porque é visível? A resposta é, tudo o que você vê é verdadeiro? Onde estão os objetos vistos em um sonho? Se você dispuser muitos espelhos em um só lugar, a mesma cena será visível em todos os espelhos. São todas verdadeiras? O Sábio não considera tudo como verdadeiro. Consequentemente, os Vedas dizem que tudo o que é visto é destrutível e será destruído. Tudo o que é visto são apenas as distorções da mente.

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A natureza do Ser é sempre a Graça, na qual não há nunca doença alguma. O Ser está sempre seguro, nunca se quebra e nada entra nele. Todas as coisas materiais estão sujeitas a serem danificadas ou aumentadas. Quando você experimenta qualquer coisa material sendo danificada, você pensa que você é responsável por esse dano. O indivíduo imagina que ele mesmo sofreu o dano de alguma forma. O Ser não tem coisa alguma em Si. Não há nada nele que possa ser danificado ou que irá degradar. Ele não possui nenhuma sujeira, isso significa que nenhuma coisa material articula nele. É por isso que ele é chamado de limpo e como não há nenhuma sujeira, ele é indestrutível. A decadência é a qualidade da sujeira. Ela está fadada a decair e a ser destruída, retornando de volta para a terra. Entretanto, o Ser imaculado é indestrutível. Embora Ele esteja no corpo e nos órgãos dos sentidos, Ele não é afetado por eles. O Ser não tem nem nascimento e nem morte. Ele jamais é corrompido e não possui partes. Ele não é constituído de várias partes, não é a soma de partes. Se você deseja saber quem é Ele, esse Ser é Aquele que vive no seu corpo e que conhece o corpo.

Quando dizemos que o conhecimento é temporário, queremos dizer que o conhecimento na mente é temporário. A fala chega ao fim mas a Consciência permanece. Se um homem não tivesse estado ciente de si mesmo ele jamais retornaria para casa quando tivesse saído para fazer algum trabalho. Os desejos pertencentes aos órgãos sensoriais eventualmente morrem, mas a natureza essencial do Conhecimento, a Consciência, permanece.

A infância, a juventude, a velhice, etc. são estados do corpo. Essas são fases naturais de toda coisa material. Por meio da energia vital, ou o Prana, esses estados são entendidos quando eles vêm. Entretanto, o próprio Prana não se torna jovem ou velho. Sua qualidade de energia permanece a mesma. Uma vez que o Prana não tem mudança em seu estado, como pode o Ser que é o “Prana do Prana”, a “A Energia da Vida da energia vital”, ter esses estados?

Os ovos, a fermentação da combinação do calor com a umidade da placenta e as sementes, são as quatro fontes de criação de todos os seres. Em todos os seres o Prana funciona apenas através do Poder do Ser. Os estados como a infância, etc., não tem nenhum efeito sobre o Prana, então como podem afetar o Ser? O indivíduo, por meio de seu próprio conceito errôneo, se limita. Nos desejos há aprisionamento. Isso pode ser explicado da seguinte maneira: o que quer que você deseje está num certo lugar, se você deseja aquilo você deve ir lá onde isso está. Você tem de esperar lá até que consiga o que quer, e aquilo não pode ser levado embora de seu local, você tem que permanecer lá. Apenas ali você pode desfrutar do objeto ou usá-lo. Sendo que ele não pode ir conosco para onde vamos, temos de viver próximos do objeto porque estamos necessitados dele. Esse é o aprisionamento devido aos desejos. Se não quiser ficar aprisionado, você tem de abandonar os seus desejos. Apenas dessa forma você poderá viver livre. Onde há desejo há detenção, que significa ter uma residência, viver no mundo. O desejo implica em estar nas proximidades do objeto. Quando o desejo morre, a detenção se vai. Ao abandonar o desejo a Liberação é certa. Entretanto, abrigar desejos é em si aprisionamento. Quando todos os desejos são abandonados para sempre o homem se torna a “Realidade”, enquanto que o indivíduo que tem todos os seus desejos prendendo-o apertado, descende em direção à destruição.

O Ser é intocado por todas as qualidades ou modificações. Alguns dizem que no estado desperto, o Ser é limitado pelos limites desse estado. Entretanto, se esse fosse o caso, Ele não teria conhecimento do estado de sonhos e ficaria atado a um estado apenas. Ele teria continuado a comer apenas coisas doces ou apenas coisas amargas, mas Ele não é assim. Isso significa que Ele não é afetado, embora esteja no corpo. No estado de sonhos, Ele opera através da mente apenas, sem a ajuda do corpo físico e dos órgãos sensoriais. Quando Ele vai além do sonho, no sono profundo, Ele permanece sozinho sem nenhum revestimento ou corpo. Não há nenhuma ondulação de nenhum tipo. Você pode dizer: “Onde está o Ser? Não há nada ali”, mas esse não é realmente o caso. Quem é esse que pode dizer que estava dormindo gostoso? Quem é esse que responde ao chamado feito para ele pelo nome dado ao seu corpo? Isso não seria possível sem o Ser. Os estados de sono profundo e de vigília são apenas do corpo físico e não do Ser. Ele, sendo a testemunha de todos os três estados não pode ser “nada”. Ele é o Ser Supremo, Paramatman. Você pode perguntar como é que quando Ele acorda do sono, Ele se lembra novamente de todos os arredores do estado desperto. Escute atentamente a explicação: as “circunstancias circundantes” estão relacionadas ao intelecto ou ao cérebro e não ao Ser. Se o intelecto é transformado, toda a vida se torna irreal. Então não há aprisionamento ou liberdade de algo.

A vida mundana existe porque você diz que sim. Você a concebe assim. Ela é real apenas por causa de seus conceitos. Se você dissesse: “Eu abandonei-a”, então a vida mundana, o aprisionamento, terminaria. Se você aumentá-la, ela aumenta e se você a destruir ela é destruída.

A mente é a fonte da vida mundana bem como da vida espiritual. Ao ir dormir, você remove as vestimentas externas, quando você acorda você as coloca novamente. No sono profundo você não está ciente do corpo encobrindo o Ser. Quando você desperta, você vê e através de sua atenção você se lembra de tudo. Para aquele cuja ignorância e o egoismo se foram, tudo é somente Brahman, até mesmo o estado desperto. O indivíduo dissolve-se e torna-se Paramatman. Então não há desejo de nenhum tipo. Não há nenhuma comparação a ser utilizada. O significado de comparação nesse caso é no sentido de mostrar que o “Conhecimento da Natureza da Verdade” é parecido com alguma coisa. Não há nada igual a ele ou nada similar a ele que possa ser apresentado. Nem existe palavra que possa ser usada para descrever esse estado ou o seu significado de maneira plena e adequada. Não há nenhuma forma, objeto ou palavra que possam ser comparados a esse estado. Portanto, o estado é chamado de além de comparação, ou é dito que não há nenhuma comparação ou alegoria disponível que possa explicá-lo. Para “Ele” não há nenhuma outra coisa. O mundo inteiro é apenas Parabrahman ou Paramatman.

Quando o Conhecimento do Ser está evidente, há somente a própria felicidade, feliz por existir. A própria Graça revela-se na Graça. Aquele que for um devoto abnegado terá essa experiência quando a Ilusão for descartada. É por isso que a devoção deveria ser contínua. Não deveríamos nunca esquecer do nos devotar. Não deveria haver Esquecimento. Quando algum outro objeto ou realização se torna atrativo para o indivíduo e ele pensa sobre esse objeto, ele esquece sua Devoção a Deus. Portanto, os Santos insistem na devoção incessante. Quando o devoto descarta o desejo por dinheiro, filhos, riquezas materiais e fama na sociedade e dedica-se totalmente à Devoção a Deus, a sujeira na Consciência é limpada e ela se torna unida a Deus, residindo em sua Verdadeira Natureza (Swaroopa). Quando o Amor e a Devoção por Deus aumentam, os ditos dos Vedas são subservientes ao Devoto. “Aquilo” que os Vedas declararam ser a mais Elevada Verdade, é proferido por ele muito naturalmente. É então que a Existência é experimentada como “Um Todo Completo”. Essa é a Devoção do mais alto grau. Essa devoção liberta a todos, incluindo as mulheres, os homens, os mais baixos e os Sacerdotes (Brahmins), sem nenhuma discriminação. Entretanto, se a mente não estiver pura, não haverá a luz do Ser. Aquele que possui a Devoção imparcial atinge a Realidade. O véu sobre seus olhos desaparece. O Sol e uma multidão de coisas são vistos de imediato. Quando a pessoa abandona todo o orgulho e a mente torna-se livre de dúvidas, tudo é visto como Brahman.

O Rei Janaka perguntou: “Após a Realização, como a pessoa vai desempenhar suas tarefas? E como o aprisionamento das ações, ou o karma, é quebrado? Como ficarmos livres de todas as máculas, mesmo quando fazemos nossas tarefas? Através de qual remédio as amarras do karma são rompidas ou afrouxadas? Como podemos atingir o estado de inação, apesar de realizar ações, e como podemos encontrar o Ser Supremo, Deus? Por favor, diga por que o Sábio Sanaka e outros não deram respostas às perguntas de suas crianças?”

Essas perguntas são difíceis de responder. O Sábio Awirhotra Narayana disse naquela ocasião: “o problema da ação, da ação errada e da não-ação não é um problema ordinário. Os legisladores que pensaram a respeito dessas questões se fatigaram, e grandes sábios ficaram confusos em como explicar essas coisas. Milhares de visionários exauriram seus cérebros e no final discutiram entre si por orgulho. Não foi fácil nem mesmo para Brahma, o Criador, e outros darem divisões apropriadas às ações e fazerem analises das ações. Ação está na raiz do Veda e o Veda é Narayana (Deus) apenas. É nesse ponto que os Vedas silenciam-se. Ação, não-ação e ação errada são de certa forma todas a mesma coisa. Como no caso do açúcar, onde você tem o açúcar refinado, o branco e o mascavo, o “açúcar” é o mesmo. Similarmente, a ação é “Uma”, ainda assim aquele que é atraído para a ação encontra várias diferenças. Na ação a não-ação é inerente. Na ação errada, novamente estão inerentes a ação e a não-ação. Se alguma ação é iniciada, ela é chamada de ação ou karma. Isso quer dizer ação do ponto de partida. Ela é chamada ou de boa ou de má, isso é chamado Vikarma. Deixar as ações para trás é chamado de não-ação, Akarma, que significa que é como se a ação não tivesse acontecido. Aquele que sabe que o não-fazedor é o verdadeiro fazedor tornou-se um Sábio. Ele atingiu o “estado de ausência de ação”. Ó Rei, se você perceber que o autor e aquele que causa a ação são apenas “Um” neste corpo, então você será “Sem ação”. Aquele que é o fazedor no início da ação é ele mesmo o recebedor dos resultados. Apenas através da Bênção do Sadguru, o estado de liberdade das ações é alcançado. Existem muitas ações surgindo de uma ação e elas são chamadas de boas e más ações. Entretanto, através dos ensinamentos do Sadguru, todas as ações (karmas) são cortadas. O canto da ação é assim.

Essa questão é muito grande. É por isso que o Sábio Sanaka e outros não ministraram esse conhecimento para crianças que não estavam maduras. Essas diferenças de ação, não-ação, não deveriam ser faladas para aqueles que não estão maduros o bastante para compreender.

Paramatman é, em todos os momenetos, sem nenhuma peturbação e sem impedimentos. Ele é permanentemente indestrutível e perfeitamente limpo. Esteja certo de que você é “Isso”.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Bhagavan Ramana Maharshi - A Guirlanda de Letras



Invocação


Gracioso Ganapati (Ganesha), abençoe-me com Sua mão amorosa para que eu possa tonar esta guirlanda marital digna de Sri Arunachala, o noivo!


Refrão:


Arunachala Shiva! Arunachala Shiva!
Arunachala Shiva! Arunachala!
Arunachala Shiva! Arunachala Shiva!
Arunachala Shiva! Arunachala!


1. (a) Você desenraiza o ego daqueles que meditam em Você no Coração, Ó Arunachala! (b) Arunachala! Você desenraiza o ego dos que habitam em sua identidade espiritual com Você, Ó Arunachala!
2. Que Você e eu sejamos um e sejamos indivisíveis como Alagu e Sundara*, Ó Arunachala! (* alagu - palavra em tamil e Sundara - palavra em sânscrito, têm um único e mesmo significado: "beleza". Alagu e Sundara também eram os nomes da mãe e do pai de Sri Ramana .)
3. Ao entrar em minha casa e atrair-me para a Sua, por que Você manteve-me prisioneiro na caverna de Seu Coração, Ó Arunachala?

4. Foi por Sua vontade ou por meu amor que Você me conquistou? Se agora Você me afastar, o mundo vai Lhe culpar, Ó Arunachala!
5. Fuja dessa culpa! Por que, então, me fez lembrar de Você? Como posso deixar-Lhe agora, Ó Arunachala?
6. (a) Você é muito mais amável do que nossa própria mãe. É essa, então, Sua bondade plena, Ó Arunachala? (b) De fato, você é mais amavel que nossas mães, tal é o Seu amor, Ó Arunachala!
7. (a) Sente-se firme em minha mente para que ela não escape de Você, Ó Arunachala!
(b) Não altere a Sua natureza e não fuja, segure-se firme em minha mente, Ó Arunachala!
(c) Seja vigilante em minha mente, para que ela não troque Você por mim e corra para longe, Ó Arunachala!
8. (a) Mostre a Sua beleza para que a mente inconstante possa ver-Lhe para sempre e descansar em paz, Ó Arunachala!
(b) A mente prostituta vai deixar de andar nas ruas apenas se encontrar-Lhe. Portanto, revele Sua beleza e mantenha-na cativada, Ó Arunachala!
(c) A mente, por sua instabilidade, impede minha busca por Você e impede que eu encontre a paz; contenha-a e conceda-me a visão da Sua beleza, Ó Arunachala!
9. Depois de ter me raptado, se agora Você não me abraçar, onde estará o Seu cavalheirismo, Ó Arunachala?
10. Será que Você dorme quando eu fico indignado com os outros, Ó Arunachala?
11. Mesmo quando os ladrões dos cinco sentidos me assolam, mesmo assim Você não está em meu coração, Ó Arunachala?
12. Você é um sem um segundo, quem então poderia ousar lhe enganar e entrar? Esse é apenas o seu malabarismo, Ó Arunachala!
13. Significado do Om, inigualável - insuperável! Quem pode compreender-Lhe, Ó Arunachala?
14. Como a Mãe Universal é Seu dever distribuir a Sua graça e salvar-me, Ó Arunachala!
15. (a) Quem jamais poderá encontrar-Lhe? O Olho do olho é Você e sem olhos Você vê, Ó Arunachala!
(b) Sendo a visão do olho, mesmo sem olhos encontre-me. Quem além de Você pode descobrir Você, Ó Arunachala?
16. Faça comigo como o ímã faz com o ferro, magnetizando-me e prendendo-me, Ó Arunachala!
17. Montanhan imóvel derretendo-se em um Mar de Graça, tende piedade de mim, eu rogo, Ó Arunachala!
18. Joía ardente, brilhando em todas as direções, queima minhas impurezas, Ó Arunachala!
19. Brilhe como meu Guru, livrando-me das falhas e tornando-me digno de Sua graça, Ó Arunachala!
20. Salve-me das armadilhas cruéis das mulheres fascinantes e honre-me com a união com Você, Ó Arunachala!
21. Embora eu implore, Você fica indiferente e não é condescendente. Eu Lhe rogo! Diga para mim: 'Não tema', Ó Arunachala!
22. Espontaneamente Você dá, essa é a Sua fama imperecível. Não desminta o Seu nome, Ó Arunachala!
23. Doce fruto em minhas mãos, deixe-me enlouquecer de êxtase, embriagado com a bem-aventurança de Sua essência, Ó Arunachala!
24. Sendo proclamado como o devorador de Seus adeptos, como podem sobreviver os que Lhe abraçam, Ó Arunachala?
25. (a) Você que é imperturbável pela raiva! Qual crime condenou-me à Sua ira, Ó Arunachala?
(b) Você que é imperturbável pela raiva! Que austeridades ficaram incompletas nos nascimentos anteriores e me trouxeram o Seu favor especial, Ó Arunachala?
26. Gloriosa Montanha do Amor, celebrada por Gautama, governe-me com o Seu olhar misericordioso, Ó Arunachala!
27. Sol deslumbrante que engoliu todo o universo em Seus raios, abra o lótus do meu Coração, eu rogo, Ó Arunachala!
28. (a) Permita que eu, a sua presa, me renda a Ti e seja consumido, e assim obtenha paz, Ó Arunachala! (b) Eu vim para me alimentar de Você, mas Você alimentou-se de mim; agora há paz, Ó Arunachala!
29. Lua de Graça, com Seus raios frescos como mãos, abra dentro de mim o orifício de ambrosia e deixe meu coração se alegrar, Ó Arunachala!
30. Rasgue essas vestes, deixe-me nu e vista-me com o Seu amor, Ó Arunachala!
31. Lá no Coração repouse tranquilo! Deixe o mar de alegria agitar-se, a fala e o sentido cessar, Ó Arunachala!
32. Não continue a me enganar e me prove; revele o Seu Ser transcendente, Ó Arunachala!
33. Conceda o conhecimento da vida eterna para que eu possa aprender a gloriosa sabedoria primordial e afaste a ilusão do mundo, Ó Arunachala!
34. A menos que Você me abrace, derreterei em lágrimas de angústia, Ó Arunachala!
35. Se for repelido por Você, ai de mim! O que restará para mim senão o tormento de minha prarabdha?* Que esperança restará para mim, Ó Arunachala?
36. Em silêncio Você disse: "Fique em silêncio” e Você permaneceu silenciosa, Ó Arunachala! *
37. A felicidade consiste em um repouso pacífico desfrutado quando repousamos no Ser. De fato, além da fala a sua proeza repousa no Ser. Verdadeiramente além da fala, é Este o meu estado, Ó Arunachala!
38. (a) Você mostrou Sua valentia uma vez e os perigos terminaram, volte ao Seu repouso, Ó Arunachala! (b) Sol! Você resplandeceu e o cerco da ilusão terminou. Então Você brilhou sozinha, imóvel, Ó Arunachala!
39. (a) Um cão pode farejar seu amo, sou então pior que um cão? Firmemente buscarei e recuperarei Você, Ó Arunachala!
(b) Sendo pior do que um cão (por falta de olfato), como posso seguir-Lhe até a Sua casa, Ó Arunachala?
40. Conceda-me sabedoria, eu Lhe suplico, de modo que não fique ansiando por Seu amor na ignorância, Ó Arunachala!
41. (a) Não encontrando a flor aberta, Você ficou como uma abelha frustrada, Ó Arunachala!
(b) Na luz do sol o lótus floresce, como pode então Você, o Sol de todos os sóis, pairando sobre mim como uma abelha de flor, dizer: "Você ainda não desabrochou em flor', Ó Arunachala?
42. (a) Você Realizou o Ser mesmo sem saber que essa era a verdade. O Ser é a própria verdade! Portanto, fale, se é assim, Ó Arunachala!
(b) Você é o tema da maioria dos diversos pontos de vista, ainda assim Você não é apenas isso, Ó Arunachala!
(c) Não é conhecido pelos tattvas, embora Você seja o ser deles! O que isso significa, Ó Arunachala!
43. (a) Que cada um é a própria Realidade, você mostrará através de Sua natureza, Ó Arunachala!
(b) Revele a Si mesmo! Apenas Você é a Realidade, Ó Arunachala! (c) A realidade não é nada além do Ser; não é essa toda a Sua mensagem, Ó Arunachala?
44. "Olhe para dentro, sempre buscando o Ser com o olho interior, então ele será encontrado." Assim dirija-me, Arunachala amado!
45. (a) Tendo buscado dentro apenas de maneira fraca, voltei sem recompensa. Ajude-me, Ó Arunachala!
(b) Embora meus esforços tenham sido fracos, através de Sua graça eu obtive o Ser, Ó Arunachala!
(c) Ao buscar-Lhe no Ser Infinito, recuperei meu próprio Ser, Ó Arunachala!
46. Que valor tem este de nascimento sem o conhecimento nascido da Realização? Ele não é digno nem de se falar a respeito, Ó Arunachala?
47. (a) Deixe-me mergulhar no Ser verdadeiro, onde imergem somente os puros de mente e de fala, Ó Arunachala! (b) Por Sua graça, estou afundado em Seu Ser, no qual imergem apenas os que estão despojados de suas mentes e, portanto, se tornaram puros, Ó Arunachala!
48. Quando tomei abrigo em Você como meu Deus Uno, Você me destruiu completamente, Ó Arunachala!
49. O tesouro da Graça santa e benigna, encontrada sem procurar, estabilizou minha mente errante, Ó Arunachala!
50. Ao buscar Seu Ser Real com coragem, o meu bote naufragou e as águas vieram sobre mim. Tenha piedade de mim, Ó Arunachala!
51. (a) A menos que Você estender a Sua mão cheia da graça em misericórdia e abraçar-me, estarei perdido, Ó Arunachala!
(b) Envolva-me corpo a corpo, membro a membro, ou estarei perdido, Ó Arunachala!
52. Ó imaculado, habite em meu Coração para que possa haver alegria eterna, Ó Arunachala!
53. (a) Não faça pouco de mim, que busco Sua proteção! Adorne-me com a Sua graça e, então, considere-me, Ó Arunachala! (b) Sorria com graça e não com desprezo para mim, que venho a Você pedir refúgio, Ó Arunachala!
54. (a) Quando me aproximei, Você não se curvou; permaneceu imóvel, unido a mim, Ó Arunachala! (b) Não Lhe envergonha ficar ali parado como um poste, deixando que eu tenha que encontrar-Lhe sozinho, Ó Arunachala?
55. Chove Sua Misericórdia sobre mim antes que o Seu conhecimento me queime às cinzas, Ó Arunachala!
56. Una-se a mim para destruir nossas identidades separadas na forma de Você e eu, e me abençoe com o estado de alegria sempre vibrante, Ó Arunachala!
57. (a) Quando irei tornar-me como o éter e chegar a Você, sutileza do ser, de modo que a tempestade de pensamentos possa acabar, Ó Arunachala?
(b) Quando as ondas de pensamentos deixarão de emergir? Quando é que chegarei a Você, mais sutil do que o éter sutil, Ó Arunachala?
58. (a) Sou um tolo desprovido de aprendizagem. Dissipa minha ilusão, Ó Arunachala! (b) Destrua meu conhecimento errado, eu Lhe suplico, pois falta a mim o conhecimento ao qual as escrituras conduzem, Ó Arunachala!
59. Quando eu derreti e entrei em Ti, meu Refúgio, encontrei-a nua como a famosa Digambara*, Ó Arunachala!
60. Em meu ser sem amor Você criou uma paixão por Ti, por isso não me abandone, Ó Arunachala!
61. (a) Um fruto murcho e estragado é inútil; colha e desfrute-se com ele maduro, Ó Arunachala!
(b) Eu não sou como uma fruta passada e podre; chama-me, então, ao recuo mais íntimo do coração e fixe-me na eternidade, Ó Arunachala!
62. (a) Porventura Você já trocou astuciosamente Você por mim? Pois minha individualidade se perdeu. Ah, Você é a morte para mim, Ó Arunachala! (b) Você já trocou astuciosamente Você por mim dando tudo sem tomar nada? Você não está cego, Ó Arunachala?
63. Considere-me! Pense em mim! Toque-me! Amadureça-me! Torne-me um com Você, Ó Arunachala!
64. Conceda-me a Sua graça, antes que o veneno da ilusão me agarre e, subindo à minha cabeça, me mate, Ó Arunachala!
65. Considere-me e dissipe a ilusão! A menos que Você faça isso, quem poderá interceder junto à própria Graça tornada manifesta, Ó Arunachala?
66. Com loucura por Ti, Você me libertou da loucura pelo mundo, dai-me agora a cura de toda loucura, Ó Arunachala!
67. Destemido eu busco a Ti, o próprio destemor! Como pode Você temer levar-me, Ó Arunachala?
68. Onde está a minha ignorância de Sua sabedoria, se fui abençoado com a união com Você, Ó Arunachala?
69. (a) Minha mente floresceu, então perfume-a com Sua fragrância e aperfeiçoe-a, Ó Arunachala! (b) Espose-me, eu Lhe suplico, e faça com que essa mente que agora é casada com o mundo se case com a perfeição, Ó Arunachala!
70. Um mero pensamento em Você me atraiu para Você, e quem pode medir Sua Glória em si mesma, Ó Arunachala?
71. Você possuiu-me, Espírito inexorcizável, e me deixou louco por Ti, para que eu possa deixar de ser um fantasma vagando pelo mundo, Ó Arunachala!
72. Seja minha estadia e meu apoio para que eu não tombe indefeso como uma trepadeira frágil, Ó Arunachala!
73. Você paralisou minhas faculdades com pó entorpecente, em seguida, roubou-me de minha compreensão e revelou o Conhecimento do Seu Ser, Ó Arunachala!
74. Mostre-me a campanha de Sua Graça no campo aberto onde não há ida nem vinda, Ó Arunachala!
75. Desapegado da estrutura física composta dos cinco elementos, deixa-me repousar feliz para sempre na visão do Seu esplendor, Ó Arunachala!
76. Você administrou o medicamento da confusão em mim, portanto devo estar confuso! Resplandeça como graça, a cura de toda a confusão, Ó Arunachala!
77. Resplandeça abnegado, minando o orgulho daqueles que se gabam de seu livre arbítrio, Ó Arunachala!
78. Sou um tolo que só reza quando está sobrecarregado de miséria, ainda assim não me decepcione, Ó Arunachala!
79. Guarde-me para que eu não erre pela tempestade como um navio sem timoneiro, Ó Arunachala!
80. Você cortou o nó que escondia a visão da Sua cabeça e Seu pé (o Ser ilimitado). Você não completaria a Sua tarefa como uma mãe, Ó Arunachala?
81. Não seja como um espelho segurado para um homem sem nariz, eleve-me de minha baixeza e abraçe-me, Ó Arunachala!
82. Abracemo-nos sobre a cama de flores macias, que é a mente, dentro da sala do corpo (ou da Verdade Suprema), Ó Arunachala!
83. Como é que Você ficou famoso por Sua constante união com os pobres e humildes, Ó Arunachala?
84. Você removeu a cegueira da ignorância com o unguento de Sua graça e fez-me realmente Seu, Ó Arunachala!
85. Você raspou minha cabeça deixando-a limpa (e eu estava perdido no mundo), então Você mostrou a Si mesmo dançando no espaço transcendente, Ó Arunachala!
86. (a) Ainda que tenha me soltado das brumas do erro e me deixado louco por Ti, por que Você ainda não me libertou da ilusão, Ó Arunachala? (b) Ainda que tenha me separado do mundo e me unido a Ti, Sua paixão por mim não esfriou, Ó Arunachala!
87. É o verdadeiro silêncio descansar como uma pedra inerte e incomunicável, Ó Arunachala?
88. Quem foi que atirou lama para mim como comida e roubou-me de minha vida, Ó Arunachala?
89. Quem foi que encantou minha alma entorpecendo-me, sem que ninguém soubesse, Ó Arunachala?
90. Falei assim, porque Você é o meu Senhor, não se ofenda, venha e me oferte a felicidade, Ó Arunachala!
91. Vamos apreciar um ao outro na casa do espaço aberto onde não é nem dia nem noite, Ó Arunachala!
92. Você mirou em mim com dardos de amor e depois devorou-me vivo, Ó Arunachala!
93. Você é o ser primordial, enquanto que eu não conto nem neste mundo nem no outro. O que Você ganhou então com o meu ser sem valor, Ó Arunachala?
94. Você não me convidou para entrar? Eu entrei. Agora regule para mim, minha manutenção é agora o Seu fardo. Difícil é o Seu fardo, Ó Arunachala! No momento em que me recebeu, Você entrou em mim e concedeu-me Sua vida divina, eu perdi a minha individualidade, Ó Arunachala!
96. Abençoe-me para que eu possa morrer sem me desgarrar de Você, ou meu destino será miserável, Ó Arunachala!
97. Da minha casa Você me seduziu, então moveu-se em segredo para meu coração e atraiu-me delicadamente para a Sua morada, tal é a Sua Graça, Ó Arunachala!
98. Eu traí Seus trabalhos secretos. Não fique ofendido. Mostre-me Sua Graça agora abertamente e salve-me, Ó Arunachala!
99. Conceda-me a essência dos Vedas que brilha no Vedanta, una e única, Ó Arunachala!
100. (a) Até mesmo minhas calúnias, trate como louvores e guarde-me para sempre como sendo Seu, eu rogo, Ó Arunachala!
(b) Faça com que até as difamações sejam como elogios para mim, e guarde-me para sempre como Seu, eu rogo, Ó Arunachala!
(c) Coloque Sua mão sobre minha cabeça! Faça-me participante de Sua Graça! Não me abandone, eu rogo, Ó Arunachala!
101. Como a neve na água, deixe-me derreter como o amor em Você, que é o próprio amor, Ó Arunachala!
102. Eu tinha apenas pensado em Você como sendo Aruna, e eis que fui apanhado na armadilha da Sua graça! Pode jamais falhar a rede da Sua graça, Ó Arunachala?
103. Observando-me como uma aranha para prender-me na teia de Sua graça, Você me enrolou e quando me prendeu se alimentou de mim, Ó Arunachala!
104. Deixe-me ser o devoto dos devotos daqueles que ouvem o Seu nome com amor, Ó Arunachala!
105. Resplandeça para sempre como o amoroso salvador dos suplicantes desamparados como eu, Ó Arunachala!
106. Familiares aos Seus ouvidos são as doces canções dos devotos que derretem até os ossos de amor por Ti, ainda assim deixe meus pobres esforços também serem aceitáveis, Ó Arunachala!
107. Montanha de Paciência, tolere minhas palavras tolas, considerando-nas como hinos de alegria ou como Você preferir, Ó Arunachala!
108. Ó Arunachala! Meu amado Senhor! Jogue a Sua guirlanda nos meus ombros e vista esta aqui encordoada por mim, Ó Arunachala!
Bendito seja Arunachala! Bendito sejam os Seus devotos!
Bendita seja esta Guirlanda Marital de Letras!