quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Siddharameshwar Maharaj - 17 de outubro de 1935

Não deveríamos nos sentir tristes quando acontece algo que não gostamos. Se tudo é Deus e vem de Deus, qual é a diferença e onde ela está? Deveríamos saber disso plenamente. Saber que tudo é Deus é a verdadeira Devoção da mente.
Um homem pode pertencer a uma casta inferior, a chamada casta do intocáveis, ou pode ser muito mal em seu comportamento, mas em seu estado original ele ainda é Deus. Nele é apenas Deus que torna sua existência possível. Deus significa que nós mesmos somos o Ser Supremo, Paramatman. Somos aquela fundação sobre a qual todas as experiências acontecem.  Paramatman não termina, mas as experiências começam e terminam. Aquela Consciência que é a ciência (awareness) sutil presente no início e no fim das experiências é chamada de Ser ou Atman e esse pano de fundo sobre o qual todas as experiências acontecem é chamado de Paramatman (Para significa além de, anterior a). Aquilo que permanece depois da experiência, que existe antes da experiência começar e depois dela terminar somos nós, Paramatman. “Essa Raiz de todas as coisas” não é destrutível.
A serpente e o escorpião são o mesmo; mesmo neles pulsa nossa própria existência. Quando temos esse sentimento, dá-se o nome de “Consciência Divina”. Aquele que sabe que todas as criaturas são Deus, jamais usará palavras grosseiras para com os outros. Nenhuma pessoa insulta alguém que ela ama, mas muitas vezes é grosseira com os outros. Esse é o hábito do ego que acredita ser ele mesmo o indivíduo, o Jiva. Quando compreendemos que todas as coisas e todos os seres são Paramatman, não devemos dizer nada sobre ninguém, como por exemplo: “O que me importa ele?” “Eu não ligo para ele.” Tudo é o nosso Ser apenas, Paramatman. Mesmo a custo de nossa vida não deveríamos falar sobre os defeitos dos outros ou ferir alguém com palavras ou ações.  Deveríamos agir de modo a sermos úteis aos outros. Se tivermos dinheiro ou algum recurso deveríamos compartilhá-lo de modo que ele traga felicidade aos outros. Deveríamos agir de uma maneira que deixe os outros satisfeitos. Isso é chamado de Devoção Física ou devoção com nosso corpo. Deveríamos ser gentis mesmo com aqueles que nos fazem mal. O sábio Vasishtha perdoou o sábio Vishwamitra.
Aqueles que ainda são aspirantes ainda ficam com raiva; um aspirante ou alguém que estuda algum sistema de yoga pode ainda não ter um sentido apropriado de autocontrole e, portanto, os desejos e a raiva ainda podem perturbar tal pessoa. Eles podem às vezes praguejar com os outros e trazer muitos problemas a eles, como no caso de filhos de pessoas ricas que fazem Sadhana sem ter o autocontrole. Deveríamos nos tornar aptos a ver Deus todo poderoso, o Ser Supremo, até mesmo em nossos inimigos, pois esse é o sinal do estado de ausência de ego. Aquele cujo ego se foi é o verdadeiro Sadhu (o Santo). A natureza das pessoas consiste em encontrar faltas nos outros, mas a natureza do Sábio não é olhar os pontos ruins ou o que está faltando nos outros. Como pode alguém que está preocupado com o que é bom ou ruim nos outros ser um sábio? O sábio é diferente de tais pessoas, ele se comporta de maneira diferente das pessoas do mundo.  A natureza de um homem mau é não ver nada de bom nos outros. O homem que é realmente grande vê o que é bom nos outros e sabe que é a própria “Luz de Deus” que está brilhando dentro de si.
Seja gentil com todos e você não sentirá necessidade de nada. A compaixão por todos os seres é a melhor maneira de destruir a rede da Ilusão. Não há nenhum pecado pior do que a fofoca maldosa. Fale bem, mas nunca fale mal dos outros. Aquele que acusa os outros jamais conseguirá um bom alimento para comer. Se você quer boa comida você deveria falar boas palavras. Aquele que fala lixo come lixo. A língua que não fala de maneira doce não obtém alimento doce. As escrituras dizem que as pessoas de língua maligna nascem como porcos e comem esterco na próxima vida. Aquele que fala coisas boas e verdadeiras tem o poder da fala que é sempre verdadeira.
O senhor Krishna disse: “Ordenei que o caminho da devoção fosse muito puro. Não há dificuldade na devoção e o devoto obtém êxito. Mesmo que haja muitos livros sagrados e religiosos, o caminho da devoção é maior que todos eles. O buscador é ajudado por todos e as calamidades jamais mostram sua face para ele. Ele sabe que ele, que todos os seres do mundo e Paramatman são um. Assim como a serpente tem medo da águia e o homem tem medo da morte, as calamidades têm medo do devoto. Querido Uddhava, este é meu caminho da devoção, do qual não falei nem para minha mãe, mas agora falei a você.”

2 comentários:

Caixas Kundo disse...

Esse é o tipo de texto(conhecimento) que faz ao mesmo tempo eu me sentir envergonhado por admitir posturas de mim mesmo, inadmissíveis por um buscador(amador). E ao mesmo tempo sentir o quanto a sorte anda ao meu lado, por mostrá-lo a mim através de um amigo como você. Obrigado.

Anônimo disse...

Ótimo!