domingo, 22 de novembro de 2009

Philokalia - São Teófanes o Recluso - O trabalho interno



Examine a si mesmo para ver se você tem dentro de si um forte sentimento de sua auto-importância, ou, negativamente, se você falhou em perceber que você é um nada. Esse sentimento de auto-importância está profundamente escondido, mas ele controla a totalidade de nossa vida. Sua primeira demanda é que tudo deveria ser como desejamos e se isso não acontece reclamamos para Deus e nos aborrecemos com as pessoas.
O alto valor que damos a nós mesmos, em consequência desse sentimento de importância, não apenas prejudica nossas relações com as outras pessoas mas também nossa atitude para com Deus. A auto-importância é tão astuciosa quanto o demônio e esconde-se habilmente atrás de palavras humildes, fixando-se firmemente no coração, fazendo com que fiquemos alternando entre a auto-depreciação e a auto-glorificação.

Torne isto uma regra – primeiro de tudo, antecipe os problemas a cada momento e quando eles vierem encare-os como sendo algo esperado. Em segundo lugar, quando algo que conflitue com a sua vontade acontecer, e estiver a ponto de lhe irritar ou lhe chatear, apresse-se em trazer sua atenção para seu coração e lute com toda sua força para impedir tais sentimentos de aparecerem: roube você mesmo deles e reze. Se você conseguir impedir que sentimentos de irritação e perturbação surjam dentro de você, então você acabou com seus problemas, pois esses sentimentos são seu ponto de partida. Mas mesmo se um pequeno sentimento é nascido, resolva, se possível, não fazer ou dizer nada até que tenha conseguido mandá-los embora. Se você achar impossível não dizer ou fazer algo, tente não falar ou agir de acordo com esses sentimentos mas sim de acordo com o mandamento de Deus, da maneira que Ele ordenar, gentil e quietamente, como se nada tivesse acontecido. Em terceiro lugar, tire de sua mente o pensamento de que a natureza das coisas irá mudar e resigne-se a uma fricção duradoura. Não esqueça isso ou subestime a importância disso, pois a menos que você aja dessa forma a paciência não pode ser firmemente estabelecida. Finalmente, com tudo isso, preserve uma expressão bem humorada, um tom de voz afável, um comportamento amigável e acima de tudo evite sempre lembrar as pessoas sobre as ações ou palavras injustas delas. Comporte-se como se elas não tivessem feito nada de errado. Acostume-se a preservar a lembrança de Deus incessantemente.

Até que a alma esteja estabelecida com a mente no coração, ela não vê a si mesma e nem está propriamente ciente de si mesma.

O verdadeiro autoconhecimento é ver nossos próprios defeitos e fraquezas tão claramente que eles preencham toda nossa visão. E marque isto – quanto mais você se ver em falta e merecedor de toda censura, mais você avançará.

Não deixe o olho da mente desviar-se do coração e quando alguma coisa surgir dali, capture-a imediatamente e examine-a. Se for boa coisa, deixe-a ficar, se não for boa, ela deve ser morta imediatamente. Dessa maneira, aprenda a conhecer a si mesmo. Se algum pensamento emerge com mais frequência do que outro, isso significa uma paixão mais forte do que o resto. Significa que você deve combatê-la com maior energia. Ainda assim não ponha nenhuma confiança em você mesmo e não espere alcançar nada através de seus próprios esforços. Todos os meios de cura e todos os remédios são enviados pelo Senhor. Então entregue-se a Ele – e isso em todos os momentos. Lute e continue lutando mas espere todo o bem vir apenas do Senhor.

Existem dois caminhos para se tornar um com Deus: o caminho ativo e o caminho contemplativo. O primeiro é para cristãos que vivem no mundo, o segundo para aqueles que abandonaram todas as coisas mundanas. Mas na prática nenhum dos caminhos pode existir em total isolamento um do outro. Aqueles que vivem no mundo devem também, numa certa medida, manter-se no caminho contemplativo. Como disse antes, você deveria acostumar-se a lembrar do Senhor sempre e caminhar sempre diante da face Dele. Isso é o que se entende por caminho contemplativo.
Surge a questão: como podemos manter o Senhor em nossa atenção enquanto estamos ocupados com várias atividades? É desta maneira que pode ser feito. Qualquer que seja sua ocupação, grande ou pequena, reflita que é o próprio Senhor onipresente que lhe ordena realizá-la e que observa para ver como você a desempenha. Se você mantiver esse pensamento constantemente na sua mente, você cumprirá atentamente todos os deveres delegados a você e ao mesmo tempo lembrará do Senhor. Nisso reside todo o segredo da conduta cristã para alguém na sua posição, se você deseja ter sucesso na sua meta principal. Por favor, pense sobre isso cuidadosamente e ajuste-se a essa prática. Quando você tiver feito isso, seus pensamentos irão parar de vagar aqui e ali.

Por que é que as coisas não vão bem com você agora neste momento? Eu penso que é porque você deseja lembrar do Senhor, esquecendo dos afazeres mundanos. Mas esses afazeres se intrometem na sua consciência e afastam a lembrança do Senhor. O que você deveria fazer é exatamente o reverso: você deveria ocupar-se com os afazeres mundanos, mas pensar neles como sendo uma ordem do Senhor, como algo feito na presença Dele. Como as coisas estão agora, você falha tanto no nível espiritual quanto no material. Mas se você agir como expliquei, as coisas irão bem em ambas as esferas.
O corpo trabalhando mas o pensamento com Deus – assim deveria ser o estado de um verdadeiro Cristão. Deveríamos colocar em ordem nosso estado interno assim que abríssemos nossos olhos de manhã. Nesse mesmo estado de ordem interior deveríamos nos manter o dia todo e de noite aquecê-lo e fortalecê-lo e dessa maneira adormecermos.
Tente manter em ordem seus pensamentos a respeito de assuntos mundanos. Tente chegar num estado no qual seu corpo possa cumprir seu trabalho usual, enquanto deixa você livre para estar sempre com o Senhor em espírito. O piedoso Senhor dar-lhe-á liberdade das ansiedades e onde essa liberdade prevalece, tudo é feito no seu próprio tempo e nada é uma preocupação ou um fardo. Busque, peça – e será dado.
O que quer que lhe seja falado para fazer, faça sem ficar discutindo internamente, com total boa vontade, como se fosse um comando de Deus. Coloque essas palavras que sublinhei fundo em seu coração e aja no espírito delas. Aceite cada ordem como vindo diretamente do próprio Senhor e execute-a com todo zelo e atenção como um trabalho dado por Deus e realizado na presença Dele. Atue como se você estivesse obedecendo não os homens mas o Deus que tudo vê.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Bhagavan Ramana Maharshi - Upadesa Manjari (Instrução espiritual)

Pergunta: Quais são as características de um professor real (Sadguru)?


Bhagavan: Permanência constante no Ser, olhar para todos com um mesmo olhar, ter coragem inabalável a todos os momentos, em todos os lugares e circunstâncias, etc.


P: Quais são os sinais indicativos de um discípulo sincero (sadsishya)?


B: Um anseio intenso pela remoção dos pesares e por alcançar a felicidade e uma intensa aversão por todos os tipos de prazeres mundanos.


P: Quais são as características da instrução (upadesa)?


B: A palavra upadesa significa, 'próximo ao local ou ao assento' (upa – próximo, desa – local, assento). O Guru, que é a encarnação daquilo que é descrito com os termos sat, chit e ananda (existência, consciência e graça), impede o discípulo - que devido à sua aceitação das formas dos objetos dos sentidos desviou-se do seu estado verdadeiro, e consequentemente, é molestado e golpeado por alegrias e tristezas - de continuar assim e estabelece-o na sua própria natureza real sem diferenciação.

Upadesa também significa mostrar um objeto distante bem próximo. É explicado para o discípulo que Brahman, o qual ele acredita estar muito longe e ser diferente dele mesmo, está próximo e não é diferente dele mesmo.


P: Se é verdade que o Guru é o nosso próprio Ser (Atman), o qual é o princípio que sublinha a doutrina que diz isso, não importa o quão estudado possa ser o discípulo, ou quaisquer poderes ocultos que ele possa ter, ele não poderá atingir a Realização do Ser (atmasiddhi) sem a graça do Guru?


B: Embora na verdade absoluta o estado do Guru seja o mesmo que o da própria pessoa, é muito difícil para o Ser, que tornou-se a alma individual (Jiva) através da ignorância, realizar sua verdadeira natureza sem a graça do Guru.

Todos os conceitos mentais são controlados pela mera presença do Guru real. Se ele dissesse para alguém que arrogantemente clama ter visto a costa mais longínqua do oceano do saber ou que clame arrogantemente que pode realizar ações que são quase impossíveis, se ele dissesse: “você aprendeu (conheceu) a si mesmo?” E, “você é capaz de fazer coisas quase impossíveis, mas você viu a si mesmo?” Ao serem questionados dessa maneira eles se curvariam (com vergonha) e ficariam em silêncio. Portanto, é evidente que apenas através da graça do Guru e por nenhuma outra conquista, é possível conhecer a Si mesmo.


P: Qual é o sinal indicativo da graça do Guru?


B: Isso está além das palavras ou dos pensamentos.


P: Se é assim, como é que é dito que o discípulo realiza seu estado verdadeiro através da graça do Guru?


B: É como um elefante que acorda ao ver um leão em seu sonho. Mesmo que o elefante tenha acordado com a mera visão do leão, também é certo que o discípulo acorda do sono da ignorância para o estado desperto do conhecimento verdadeiro através do benevolente olhar de graça do Guru.


P: Qual é o valor do dito: a natureza do Guru real é a do Senhor Supremo (Sarveshwara)?


B: No caso da alma individual que deseja atingir o estado do conhecimento verdadeiro ou o estado de divindade (Ishwara), e com esse objetivo sempre praticar devoção, o Senhor, que é a testemunha daquela alma individual e idêntico a ela, vem à frente quando a devoção do indivíduo alcança um estágio maduro na forma humana com a ajuda de sat-chit-ananda. Esses três traços naturais e a forma e o nome que ele graciosamente também assume, através do disfarce de abençoar o discípulo, ele absorve-o em Si mesmo. De acordo com essa doutrina o Guru pode realmente ser chamado de o Senhor.


P: Então como é que algumas grandes pessoas alcançaram o conhecimento sem um Guru?


B: Para algumas poucas pessoas o Senhor brilha como a luz do conhecimento e transmite a consciência da verdade.


P: Qual é o fim da devoção (Bhakti) e do caminho do Siddhanta (Saiva Siddhanta)?


B: É aprender a verdade de que todas as ações da pessoa, realizadas com devoção altruísta, a ajuda dos três instrumentos purificados (corpo, fala e mente), na capacidade de servo do Senhor, tornam-se as ações do Senhor e prosseguir assim livre do senso de 'eu' e 'meu'. É igualmente assim aquilo que o Saiva Siddhanta chama de parabhakti (devoção suprema) ou viver à serviço de Deus (irai-pani-nittral).


P: Qual é o fim do caminho do conhecimento (jnana) ou Vedanta?


B: É saber a verdade que o 'eu' não é diferente do Senhor (Ishwara) e tornar-se livre do sentimento de ser o fazedor (Kartritva, ahamkara).


P: Como pode ser dito que o objetivo desses dois caminhos são o mesmo?


B: Qualquer que seja o meio usado, a destruição do senso de 'eu' e 'meu' é o objetivo e sendo eles interdependentes, a destruição de um deles causa a destruição do outro, portanto, para se conseguir aquele estado de silêncio que está além dos pensamentos e das palavras, tanto o caminho do conhecimento que remove o senso de 'eu' quanto o caminho da devoção que remove o senso de 'meu', funcionarão. Assim, não há nenhuma dúvida de que o fim dos caminhos da devoção e do conhecimento são um e o mesmo.


P: Qual é a característica do ego?


B: A alma individual com o senso de 'eu' é o ego. O Ser, cuja natureza é a inteligência (chit) não tem sentido de 'eu'. Essa aparência misteriosa de um ego ilusório entre o inteligente e o insensível (o corpo), sendo a causa raiz de todos esses problemas, ao ser destruída por qualquer que seja o meio, aquilo que realmente existe será visto como ele é. Isso é chamado de liberação.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Hafiz - Essa União /Quando as palavras param /Mulher grávida /Meus olhos tão brandos /Nossos corações deveriam fazer mais isso /Eu voto em você


Essa

União que você quer

Com a Terra e o Céu,

Essa união que todos nós necessitamos com amor.

.

Uma asa dourada de Deus

Acaba de tocar o chão,

Agora

Suba nela com

seus valentes votos do sol

E ajude seus olhos

A

Dançar

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Quando as palavras param e você pode aguentar o silêncio


isso revela a dor do coração


Do vazio ou daquele doce anseio atordoante e enorme


Essa é a hora de tentar e ouvir

aquilo que os olhos do Amado

mais querem dizer

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Certa vez, meu Mestre entrou numa fase

Em que sempre que eu o via,

Ele dizia:

.

“Hafiz,

Como é que você virou uma mulher grávida?"

.

E eu respondia,

.

“Querido Attar,

Você deve estar falando a verdade,

Mas tudo o que você diz é um mistério para mim.”

.

Muitos meses se passaram na abençoada companhia dele.

Mas um dia perdi a paciência

ao ouvir aquele estranho refrão

E proferi abruptamente:

.

“Pare de me chamar de mulher grávida!”

.

E Attar respondeu,

“Algum dia, meu doce Hafiz,

Todo absurdo em seu cérebro irá secar

Como uma poça de água sob o sol,

.

Entretanto se você quiser saber a Verdade

Posso ver tão claramente que Deus fez amor com você

E o universo inteiro está germinando

Dentro da sua barriga

E palavras maravilhosas,

palavras iluminadas

irão nascer de você.

.

E serão acalentadas em milhares

De corações.

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Sento nas ruas com os desabrigados

.

Minhas roupas manchadas com o vinho

Das vinhas cuidadas pelos Santos.

.

A luz pintou todos os atos

com a mesma cor

.

Então eu sento por aí e rio o dia todo

com meus amigos.

.

À noite, se sinto uma solidão divina

eu arrombo as portas da mansão do amor

.

E engalfinho-me com Deus no chão.

.

Ele fica tão feliz com Hafiz

E diz:

.

"Nossos corações deviam fazer mais isso."

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Quando seus olhos tiverem encontrado a força

Para falar constantemente para o mundo

Tudo o que é mais querido

Para sua própria

Vida,


Quando suas mãos, pés e língua

Puderem realizar aquele raro uníssono

Que conforta essa terra ansiosa

Com o Conhecimento


Sua alma,

Sua alma tem sido preparada

Em Sua cidade do amor;

E quando você puder fazer os outros rirem

Com brincadeiras

Que não depreciem ninguém

E que suas palavras sempre unam,

Hafiz

Vota em você.


Hafiz votará em você para ser

O ministro de todo país

Neste universo.


Hafiz vota sim em você meu querido.

Eu voto em você

Para ser

Deus.


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Não

Renuncie

Sua solidão tão rápido.

Deixe-a cortar mais

Fundo.

.

Deixa-a fermentar e temperar você

Como poucos ingredientes

Humanos ou divinos podem.

.

Alguma coisa faltando em meu coração essa noite

Deixou meus olhos tão brandos,

Minha voz tão terna,

.

Minha necessidade por Deus

Absolutamente

Clara.

Siddharameshwar Maharaj – Mumbai, 19 de setembro de 1935 / 4 de outubro de 1935


O Sadguru pode ser comparado ao “Sol Escaldante”.


O problema começa assim que o Dia nasce. No sono profundo, o Rei e o mendigo desfrutam da mesma felicidade. Quando o Sol do Conhecimento nasce, não há mais dia ou noite. Como a aparência deste mundo é bruta, um sonho terreno, ela parece ser verdadeira. Quando a “Luz do Conhecimento” se espalha, a aparência ilusória deste mundo se dissolve. O Sadguru é o “Sol do Conhecimento”. O dia do Auto-Conhecimento chegou para as “Crianças do Conhecimento” - os pássaros (Jivas) obtêm os olhos do Ser (Atman). O medo nas mentes daqueles que são viajantes do caminho do Auto-Conhecimento se esvai. Quando a luz do Ser se alastra, a escuridão da vida mundana é destruída.

Quando você entende que você é Ele, isso é como o meio-dia, quando o Sol está no seu zênite. A ilusão é uma noite que perpetua o sonho da existência do mundo todo. Quando essa noite da ilusão desaparece, então o sonho do “eu” também se dissolve. Então a “Grande Experiência” é realizada totalmente e torna-se nosso próprio lugar. O Sadguru é o sol que destrói tanto a alvorada quanto o crepúsculo. Esse Sol nasceu. Ver, significa ver o mundo. Isso é Ilusão e o Ser permanece não conhecido. Há um falso conceito que é chamado de “Ilusão" no Vedanta, que o Sadguru destruiu. A grandeza do Guru é tal, que apenas posso louvá-Lo, usando as palavras dele próprio. O que mais posso fazer?

O Sadguru está além do dia e da noie. Quem pode vê-Lo? Ele é o mestre da Luz, mas também é o Senhor do “Caminho da Retirada”, um Nivrittinath, que também não tem luz. Saudemo-Lo repetidamente. Ao louvá-Lo ocorre uma inadequação, é redundante chamar um rei de rico. Nenhum louvor limitado desse tipo é possível para o Sadguru. Como podemos enumerar tudo o que ele concedeu? É tão vasto que as palavras faltam.


A grandeza do Sadguru, o Mestre Verdadeiro, é imensurável. Aquele cuja fé no Guru diminui depois que ele alcança o Conhecimento, não obtém a alegria da “Bênção Suprema”. A diminuição na fé no Guru é a causa da falha. Não deveríamos nem mesmo beber água sem antes oferecê-la ao Guru. Todas as ações e coisas a serem apreciadas deveriam ser oferecidas ao Guru e apenas então, aquilo que sobrou deveria ser utilizado. A palavra “É” na “Grandiosa Afirmação” “Você É Aquilo” (Tat Tvam Asi), só é possível de ser alcançada através da Graça do Guru. O serviço do Sadguru é o mais elevado. Essa devoção lhe possibilita alcançar o estado que é sem igual no mundo. No momento em que se alcança “Aquilo”, ocorre uma mudança no intelecto e um pensamento ilusório entra na mente e pergunta: “Que importância tem o Guru?” Nunca abandone sua Devoção ao Guru. Apenas ao ter uma fé profunda no Guru, você alcançará a Realização, e verá tudo acontecer de acordo com a sua vontade. Você deve, de fato, sentir e experimentar o significado da palavra “É” (Asi), e reconhecer-se como Brahman e chegar ao contentamento final. O Auto-conhecimento é sentido como sendo difícil de alcançar, porque a Devoção é inadequada. A devoção a Brahman com qualidade e forma (Devoção Saguna), na forma do Guru, é muito difícil. O devoto sofre perdas mesmo se houver a menor preguiça em seus esforços. A preguiça não deve ser permitida em relação à sua devoção.

Abandonar todas as religiões tem um significado especial. Significa que você deveria abandonar todos os seus hábitos que alimentam a sua consciência-corpo. Isso irá assegurar o seu sucesso na empreitada espiritual. Matar os Kauravas (do Bhagavad Gita) significa matar a identificação com o corpo físico. “Lutar” é o que é chamado de religião. Esse é o caminho do dever. Temos de lutar de modo a matar a Ignorância e ganhar o Auto-Conhecimento. Isso é chamado de nosso dever natural. Portanto, você tem de cumprir seu dever, tem de agir, e se você não cumprir o seu dever, o destino irá forçar alguma ação e você experimentará ruína.

A religião tem de ser seguida e a luta tem de ser lutada. Faça como lhe digo. Você tem conhecimento amplo, mas sua fé é inadequada. Aumente a intensidade da sua fé. Aumente sua fé no Sadguru.

Você deve ter convicção a respeito da “Natureza Absoluta de Brahman”. Não há nada além de Brahman. Deus é de acordo com seu sentimento. A diferença no seu sentimento está de acordo apenas com a sua fé. Aqueles que desejam se tornar um com Deus deveriam seguir o caminho da devoção. Quando a sua lealdade é provada, o estado de Brahman é seu. O véu de incontáveis dias tem de ser removido. Se a devoção se tornar fraca após ganhar o Auto-Conhecimento, aquele Conhecimento não será frutífero. Embora Krishna fosse um príncipe, ele serviu seu Guru e fez muito trabalho pesado. Isso resultou que ele ganhou mais riquezas do que seu Guru, as riquezas da Divindade. Cada um recebe o status que merece. O resultado da fé real é definido e inevitável.


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[Este discurso faz referência ao Mestre perfeito Janardan, e seu discípulo o Santo Eknath Maharaj]


Com as mão em prece, o discípulo curva-se perante seu Mestre, o qual é Shiva. Após prostrar-se, ele diz para o Guru: “Você agraciou-me com este que se curva perante Si, o Estado de Shiva”. Aquele “Estado”, que Você concede é “Seu Próprio Ser”. Você não permite que a entidade separada na forma de um indivíduo (Jiva), permaneça, então como pode a identificação com o corpo permanecer? Você não perturba nossa vida, mas aceita nosso serviço a Você. Isso significa que o discípulo aparentemente é igual aos outros, no corpo físico. O princípio vivo, movendo-se no discípulo, é tão normal quanto o dos outros homens, mas Você transforma a “Consciência Interior” na vastidão de Shiva. Você dá ao Seu devoto o elevado estado do Ser (Self), o qual está além do corpo mas de alguma forma o corpo físico ainda serve a Si.

O grande demônio da dúvida é esse que pensa que somos um indivíduo (corpo), embora sejamos verdadeiramente Brahman. Ao matarmos esse demônio da dúvida, Você carrega esse corpo morto. Quando a noção errônea de que a pessoa é o Jiva se vai, Você carrega o corpo dela, dá o status de Brahman àquele corpo. Então, como Vishnu, o Deus todo-Permeante, mantém unido o corpo e opera através dele, Você reside no corpo como Janardan. Agora, Eknath fugiu. Não há ninguém que seja o proprietário, chamado Eknath, que esteja nesse corpo. Há apenas o Guru, o Mestre, que é Janardan. O som da concha fica evidente por causa daquele que a sopra. Quando este corpo está apto a falar, é porque Você o fez fazê-lo. Este corpo está se movendo e fazendo suas atividades por Sua causa, pois o que era “meu”, se foi, junto com “eu”.

Agora todas as ações são feitas por Você. O sentido de ego que estava no corpo se foi e é agora substituído por Si. Agora o reinado do Jiva terminou, e Você, Shiva, é o governante. É através do Seu Prana, que o Prana do corpo funciona. Os olhos que vêem, são Seus olhos, e Seu nariz absorve a fragrância. Você é o percebedor do nariz e dos olhos. Os ouvidos escutam como Você deseja que escutem. A língua capta o sabor através da Sua vontade, e o intelecto compreende através de Seu poder. O que quer que a mente diga, é através da Sua força. Sem Você, a mente não é capaz de dizer nada. Discriminação e “Conhecimento Seletivo” (peneirando o não essencial do Essencial) é possível através da Sua vontade. A fala é um adorno Seu. A compreensão é possível por Sua causa. Estar desperto, ou ter sonhos, é através do Seu poder. Mesmo o sono profundo é experimentado por Sua causa. Quaisquer coisas que sejam apreciadas são por causa de Si. Você está aqui, chamando a si mesmo de “Eu”. Através da Sua Graça as pessoas reconhecem este corpo como Eknath. Esse nome é Seu agora. Em vez de Lhe chamar de Janardan, eles lhe chamam de Eknath, Mas é apenas Você que age, não Eknath. Ao assumir o nome Eknath, Você tornou-se “o diretor”.

É Você que dá vida a tudo neste mundo. Você é a “Vida do Mundo”. Você torna possível todas as ações. Você é tal Grandioso Sadguru, Janardan. Saudações a Si, com Seu Próprio Poder! Lâmpadas de Arati são oferecida para o Sol, mas a luz da lâmpada é dada pelo Sol. Adorar Shiva é se tornar Shiva. Esta é a adoração Dele. Dessa forma, é Você que dirige o corpo.

Quando a casa queima, todas as peças de madeira e bolos de esterco tornam-se fogo junto com ela. Similarmente, através do fogo do Conhecimento, o 'eu' com um corpo tornou-se Conhecimento. Isso significa que o “eu” tornou-se não-existente. E agora apenas sobrou você na forma de Conhecimento. Pelo Seu “Poder”, Você está continuando o livro da vida. Dormir, comer, fazer as refeições, tudo é possível apenas por Sua causa. Sua pureza jamais é manchada. Os auspiciosos e os não auspiciosos são todos um em Si, Senhor Rama. Quem é esse que diz: “Você é o fazedor de tudo?” Qual o nome deveria ser dado a Si? É Você que fala assim, é você que está ciente da Consciência. Você é Si mesmo.

Quando você diz que a dualidade vem à existência, você tem de tomar conta daquilo que é visto, e daquilo que não pode ser visto. Quando apenas a “Experiência Pura” está lá, a trindade do observador, o observado e o ato da observação, vem à existência por causa do engano da mente. Quando você comeu um doce, por que fazer a distinção e dizer: “Ele” comeu? Você deve ser muito claro em dizer “Eu sou Brahman” e “Eu desfruto de todos os prazeres”. Isso significa que Brahman desfruta de Brahman. Após ter conhecido o mundo e após ter experimentado, “você” (o Ser) ainda está lá, mas você é uma nulidade. Sentir isso é essencial. É o Guru, apenas, que reside no corpo.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Jalalludin Rumi - Fihi Ma Fihi (Discursos)


Aqueles que estão vivendo no Inferno são mais felizes lá do que se estivessem vivendo neste mundo, pois no inferno sua consciência volta-se para Deus, enquanto que neste mundo eles esquecem. Nada é mais doce do que o estado de estar ciente de Deus. Portanto, seu desejo de voltar para este mundo é para trabalhar e desempenhar ações de modo que possam testemunhar a manifestação da graça Divina, e não porque este mundo é um lugar mais feliz do que o inferno. Os hipócritas são consignados ao lugar mais inferior no Inferno, pois lhes foi mostrada a fé mas sua descrença foi mais forte. Eles não fizeram nada com o presente que lhes foi dado. Sua punição é mais severa para que eles possam se tornar cientes de Deus. Para os descrentes, a fé nunca veio. Sua descrença não é tão forte, e portanto, eles se tornam cientes através de menos punição. Entre uma calça coberta com poeira e um carpete com poeira, as calças apenas precisam de uma pessoa para chacoalhá-las um pouco para ficarem limpas, enquanto que são necessárias quatro pessoas chacoalhando violentamente um tapete para livrá-lo de sua poeira.

Os habitantes do Inferno clamam:

Derrame água sobre nós ou aquilo que Deus proveu a você ...”

Deus proíbe o desejo deles por comida ou bebida, portanto, essa fala significa: “Derrama sobre nós um pouco daquilo que você encontrou e que brilha sobre você”.

O Alcorão é como uma noiva que não mostra sua face a você, mesmo quando você tira o véu dela. O fato de você tê-la examinado e ainda não ter alcançado a felicidade ou o desvelamento místico, é um sinal de que seu ato de tentar remover o véu dela repeliu-a, de modo que ela aparece para você como sendo feia. Ela diz: “Não sou uma noiva bonita”. O Alcorão se mostra em qualquer forma que agrada ele próprio. Mas se você não tentar tirar o véu e buscar apenas o bom prazer do Alcorão, regando seus campos, cuidando dele de longe, trabalhando sobre o que quer que o agrade mais, então ele lhe mostrará sua face sem nenhum esforço de tirar-lhe o véu.
Busque as pessoas de Deus, pois Deus não fala para todos, assim como os reis deste mundo não falam com todos os tecelões. Eles têm vizires e deputados definidos para mostrar o caminho até o rei. Deus também escolheu certos serviçais, para que aquele que busca a Deus possa encontrar Deus neles. Todos os profetas vieram por essa razão – apenas eles são o Caminho.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

G. I. Gurdjieff - Paris, 20 de abril de 1944


Aboulker: Tenho tentado sentir remorso de consciência, mas o remorso me derrota. Não consigo esquecer que foi de remorso que Judas se enforcou.

Gurdjieff: Por que você fala de Judas nesse caso? O que você sabe a respeito de Judas? Ele era um grande iniciado. Ele foi o segundo discípulo depois de São João Batista. Tudo o que é falado sobre ele é falso. Se você quer saber, ele foi até mesmo o mestre de Cristo.


Abouker: A busca por remorso me leva à depressão. Devo estar fazendo o exercício de maneira errada. Como eu deveria tentar encontrar o remorso?


Gurdjieff: Para encontrar remorso é necessário despertar vontade real para lembrar da meta real. Você deve destruir a tranquilidade.


Dr. A.: Senti remorso em flashes duas ou três vezes. Mas não sei como fazê-lo vir. Quando procuro por ele intencionalmente, não recapturo essa qualidade, encontro um tipo que me deprime.


Gurdjieff: Quando o remorso vem sem amor-próprio, ele nos dá o desejo por algo melhor. Mas quando ele é misturado com amor-próprio, ele o puxa para baixo. O efeito do verdadeiro remorso é uma aversão a si mesmo, repugnância perante você mesmo. Essas duas coisas fazem o verdadeiro remorso de consciência.


Dr. A.: Uma vez quando senti isso fiquei com náusea, literalmente.


Gurdjieff: Você tem de sentir um monte disso de modo a matar seu inimigo. Quando você sentir essa depressão você deveria fazer o “eu sou”, então você não precisa ter medo de ficar mais deprimido. Apenas através desse impulso você pode transcender sua nulidade. Você deveria alegrar-se que um impulso despertou em você uma real vontade de mudar. Você não deve ficar fazendo cerimônia com o amor-próprio. O amor-próprio é o seu maior inimigo. A pessoa deve punir-se impiedosamente contra essa criatura imunda. Não apenas você – mas todos. O sentimento de remorso pode fazer uma reparação por todas as coisas, todos os erros de seus parentes, de seus educadores, seus companheiros de infância. Você deve adquirir a liberdade interna que lhe tornará digno de se tornar candidato a futuro homem. Meu querido doutor, isso é o que eu aconselho e é uma coisa muito difícil. Não é prazeroso, mas não é culpa minha. Se você deseja ter um futuro, tente isso no presente. Quanto mais você experimentar disso, mais possibilidade você tem para o futuro. Você deve conseguir trazer remorso de consciência até um ponto em que ele se transforma em aversão de si e aversão pelo seu passado, dos seus pais, da formação que você teve. Amaldiçoe tudo. Invoque o seu ideal para ajudá-lo a sustentar o fardo e para torná-lo digno disso. De um lado você amaldiçoa seu passado, do outro, em nome do seu futuro, você dá a sua palavra – em oposição à maldição – para ajudá-los (os pais) o máximo que você puder. Você deve chegar a um ponto onde a consciência fale impiedosamente em você.


Sra. Etievan: Experimentei a mesma depressão que o doutor, mas não a tenho mais. Encontro-me como antes.


Gurdjieff: Estou desconfiado de algo, talvez você esteja se acostumando a isso automaticamente. Isso também é ruim – uma idéia fixa. A pessoa não pode acostumar-se ao remorso, ele deve penetrar até o ser interior. Se você ficar acostumada, você o fará automaticamente, ele se tornará externo, sem peso, você fará apenas com a cabeça. Você está perdendo seu tempo. Comece novamente de maneira mais impiedosa. Você deve fazer isso com os três centros, não apenas com sua cabeça.


Kahn: Quando examino os poucos anos que estou no trabalho, noto que nunca me faltou força motriz, mas essa parte de mim sempre fugiu do trabalho. Vi isso quando você me disse que me faltava vontade física. Onde posso conseguir a força que me dará vontade física?


Gurdjieff: Apenas uma coisa pode lhe ajudar. Você deve sofrer fisicamente. Por exemplo, não coma o bastante, fique com fome. Ou, se seu organismo não gosta de água gelada, faça-o suportar água fria. O mesmo com água quente. Faça o oposto do que seu corpo está habituado a fazer. Faça-o sofrer. É a única maneira de criar a força que lhe falta. Não um sofrimento mental. Temos sete tipos de sofrimento. Para você, sofrimento corporal é necessário. Com sua mente você pode impiedosamente governar seu corpo, fazê-lo sofrer. Em você duas partes trabalham, mas o corpo não. Entendeu sua emoção? Se você observou isso, se você acredita em mim, faça isso, lute, sofra. Depois você estará apto a trabalhar sobre si mesmo. Estou contente que você chegou à essa questão por si mesmo.


Sra. D.: Não consigo dominar o exercício. Fico identificada. Quando estou quieta consigo melhor.


Gurdjieff: Então é menos útil.



[Sra. D. falando a respeito de um exercício préviamente passado pelo Sr. Gurdjieff]

Sra. D: Outra dificuldade. Quando eu visualizo uma pessoa morta, não tenho nenhum contato com ela, tenho mesmo a impressão que nunca a vi.


Gurdjieff: Muito bom exemplo para você. Talvez você só conheça essa pessoa com uma parte de você – a parte intelectual, por exemplo – e agora você deseja mudar e retratá-la com o sentimento. Você terá o contato com todos os seus centros, mas um por um.


Sra. D.: Devo encontrar alguém que cumpra as condições?


Gurdjieff: Talvez você nunca encontre tal pessoa. Talvez você seja uni-lateralizada. Se você não pode encontrar uma pessoa, pegue duas ou três. Com uma você vai estar na parte do sentimento, com a outra no pensamento e assim por diante.


Pomereu: Tenho notado que quando observo minha respiração fico mais apto a lembrar de mim mesmo, eu deveria fazer isso?


Gurdjieff: Não se você achar que existe o risco de se tornar uma idéia fixa. Se isso o ajuda, continue. Apenas você pode julgar.


Pomereu: Como vou saber se é uma idéia fixa?


Gurdjieff: Agora entendi. Pela sua pergunta. Entendi seu estado interno. Qual é o centro de gravidade do seu trabalho?


Pomereu: O exercício de alimentar o “Eu” e o das sete respirações.


Gurdjieff: Qual é o que lhe interessa mais, que lhe dá mais confiança?


Pomereu: Eu não os faço nas mesmas condições. Ambos são importantes para mim.


Gurdjieff: Mude as condições nas quais você faz os exercícios. Faça o exercício que você tem feito no tempo reservado para o trabalho, na vida e vice e versa. Mude o tempo para vencer o automatismo. Tenho uma suspeita de algo e isso pode tornar-se claro para mim.


[Sra. V.D. pergunta sobre o exercício das sete respirações]


Sra. V. D.: Essa é a maneira certa de continuar ou devo limpar mais?


Gurdjieff: Continue. Talvez você esteja fazendo-o apenas com uma parte de você mesma. Agora você começa a despertar, isso produz um desentendimento. Prossiga até que você tenha um contato objetivo com o seus três centros (pensamento, sentimento, sensação). Contato com um é apenas histeria. Uma pessoa real é ela mesma. Eu sou eu; se eu amo, é com o todo de meu ser; se eu odeio também.


Sra. V. D.: Não quero mais nada disso.


Gurdjieff: Então faça o tempo todo, fixe um novo hábito. Depois disso vou lhe ajudar.


Sra. V. D.: Fiz um grande esforço a semana toda. Senti algo novo.


Gurdjieff: Pela primeira vez algo despertou em você. Mas você não está acostumada a isso ainda, você ainda não tem material suficiente. Você está na estrada certa. Se você estiver apta a amaldiçoar e ficar enojada do seu passado, isso irá lhe ajudar. Perceba quanto tempo você perdeu. Isso é remorso de consciência. Dessa maneira você prepara um bom futuro. Sem as coisas ruins as coisas boas nunca vêm.


Wack: Há uma parte de mim que eu nunca consegui trazer intencionalmente quando tento lembrar de mim mesmo. Essa parte apenas desperta como um resultado de um choque externo. Como posso fazê-la aparecer?


Gurdjieff: Você deve matar algo em você. Você deve abrir espaço para esse novo sentimento. Temos no nosso sistema um número definido de fatores. Em você todos os fatores já estão escritos. Como gravações de um gramofone, e essas inscrições já são falsas. Você tem de destruir uma dessas gravações.


Wack: Como podemos destruí-las?


Gurdjieff: Através de uma força definida. Escolha um ideal externo. A fé religiosa, por exemplo. Algo a respeito do qual você tenha certeza de que está fora de você. Então liquide essa crença, destrua-a. Você não perderá nada, pois ela é falsa. Mais cedo ou mais tarde, tudo deve ser novo em você. Por agora tudo é merda. Crie espaço, de modo a cristalizar um novo fator ou uma nova vida. Aconselho você a pegar a fé; talvez você tenha um outro sentimento do qual esteja certo. De qualquer forma, há um que você tem de conseguir destruir e substituir, de modo que você tenha um contato real com o sentimento.


Wack: Qual será o novo fator?


Gurdjieff: A consciência. Até agora você cristalizou apenas anormalidades vindas de fora.


Sra. D.: O que devemos fazer para seguir o conselho que você dá no seu livro, para persuadir todas as coisas, todas as partes inconscientes de nossa presença, a trabalhar como se fossem conscientes e assim por diante?


Gurdjieff: Não é meu livro, é do Sr. Belzebu e é o conselho que ele está dando para o neto dele.


Sra. D.: Então é só para o neto dele?


Gurdjieff: Belzebu irá explicar isso para você. Quanto a mim, dou-lhe um outro pequeno conselho: acostume-se a chamar Belzebu de: “meu querido avô”. Isso irá ajudá-la. A condição é que você se enderece a ele respeitosamente: “meu querido avô”, com todos os detalhes. Então talvez ele irá responder.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Philokalia - Philotheu do Sinai - Textos sobre a Sobriedade (parte 1)

Temos em nós uma batalha mental mais árdua do que uma batalha física. A meta do realizador da retidão, a qual ele deveria buscar com sua mente e na direção em prol da qual ele deveria lutar, é ter a memória de Deus entesourada em seu coração, como uma pérola sem preço ou alguma outra pedra preciosa. Ele deveria abandonar tudo, até o corpo, e desconsiderar sua própria vida presente, de modo a ter Deus em seu coração. São João Crisóstomo diz que a contemplação mental de Deus é por si mesma suficiente para destruir os espíritos do mal.

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De acordo com as direções das Escrituras Sagradas, aqueles que praticam a batalha mental devem escolher para si trabalhos espirituais e com todo zelo aplicá-los à suas mentes como um bálsamo curativo. Por isso dizem que de manhã cedo devemos corajosa e inabalavelmente estar em guarda na porta do coração, com uma firme memória de Deus e constante oração a Jesus Cristo na alma. Através dessa vigilância mental deveríamos golpear todos os pecadores da Terra. Em outras palavras, pelo amor ao Senhor devemos cortar as cabeças dos fortes e do primeiro sinal de pensamentos provocadores de conflito, através de uma verdadeira memória intensa de Deus, a qual nos eleva às alturas. Pois sabemos que no trabalho interno da luta espiritual também há uma certa ordem Divina e uma sequência de procedimento. É dessa maneira que um homem forçando a si mesmo (pelo amor do Reino), deveria conduzir-se até a hora marcada para se alimentar. Após isso, tendo dado graças ao Senhor que, somente através de Sua amorosa gentileza, nos provê com alimentos físicos e espirituais, devemos labutar na memória e meditação a respeito da morte. No próximo dia devemos novamente comandar a nós mesmos a cumprir nosso trabalho matutino. Pois mesmo se fizermos isso todos os dias, muito dificilmente escaparemos, sem a ajuda do Senhor, das garras de nosso inimigo mental.

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Mas quando essa prática torna-se estabelecida em nós, ela dá a luz às três seguintes virtudes: Fé, Esperança e Amor; das quais a Fé nos predispõe a um verdadeiro temor de Deus, e a Esperança, superando o medo desprezível, leva o homem para o Amor de Deus. Se a Esperança não nos envergonha, ela naturalmente dá a luz aos amores gêmeos sob os quais estão a lei e os profetas, então o Amor também não nos abandona, seja nesta vida - já que ele nos faz obedecer as leis Divinas - ou na próxima.

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Homens com uma mente silenciosa são encontrados muito raramente. Esse é um atributo apenas daqueles que usam todos os meios para atraírem para si a Graça Divina e para serem preenchidos com o conforto espiritual que flui dela. Portanto, se como eles, quisermos praticar o fazer mental, essa filosofia de Cristo, em guardar nossa mente e em sobriedade, comecemos por nos abster de muita comida e resolvamos comer e beber o menos possível. A sobriedade é corretamente chamada de um caminho, pois ela conduz ao Reino – tanto ao Reino dentro de nós quanto àquele do futuro. Ela também é chamada de oficina da mente, pois ela modela e dá polimento a nosso caráter mental e transforma o apegado em desapegado. A sobriedade é também como uma pequena janela através da qual Deus entra e aparece para a mente.

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Onde há humildade, lembrança de Deus com sobriedade e atenção, e frequente oração dirigida contra os inimigos, existe o lugar de Deus, ou o céu do coração onde as tropas de demônios temem entrar, uma vez que ali é a morada de Deus.

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Quando tivermos adquirido uma certa habilidade na abstinência e no afastamento dos maus visíveis produzidos pelos cinco sentidos, estaremos aptos também a guardar nosso coração com Jesus, para tê-lo iluminado por Ele e com uma disposição calorosa saborear Suas bênçãos em nossa mente. Pois a única razão pela qual nos foi dada a lei da purificação do coração é para ter as nuvens dos maus pensamentos afastadas da atmosfera do coração e dispersadas pela constante atenção para que possamos ver claramente, como num lindo dia brilhante, o Sol da verdade - Jesus - e possamos ser iluminados em certa medida em nossas mentes pelas palavras de Sua glória. Pois por regra, elas não são reveladas a todos, mas apenas àqueles que purificam sua compreensão.

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Todos os dias deveríamos nos manter como se fôssemos aparecer diante de Deus. Pois o profeta Oséias disse: 'Guarda misericórdia e discernimento, e espera continuamente em teu Deus” (XII-06). Outra vez, o profeta Malaquias diz do Senhor: 'Um filho honra seu pai, um servo teme seu senhor. Mas se eu sou o pai, onde está minha honra? Se eu sou senhor onde está meu temor? Disse o Senhor dos exércitos a vós.' (I-6). E o Apóstolo escreve o mesmo : 'Purifiquemo-nos de toda imundície da carne e do espírito' (2 Co. Vii I). E a sabedoria ensina: 'Guarda teu coração com toda diligência, porque dele provém a vida' (Prov. Iv 23). E o próprio Senhor ordena: 'Limpa primeiro o interior do copo e do prato, para que também o exterior fique limpo' (Mat. Xxiii 26).

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Se um homem purifica seu coração e desenraíza dele todos os pecados contra o Senhor, se trabalha diligentemente para adquirir conhecimento Divino e consegue ver com sua mente aquilo que é invisível para muitos, ele não deve através disso exaltar a si mesmo acima dos outros. Quem dentre as criaturas é mais puro do que um ser incorpóreo e quem tem mais conhecimento do que um Anjo? Ainda assim, tendo exaltado a si mesmo ele foi expulso do céu como um trovão. Seu orgulho foi considerado por Deus como impureza. Você sabe o que os homens fazem quando escavam ouro da terra; (isto é, assim como eles vão abaixo da terra, você deve ir abaixo de todos os homens para obter o ouro do conhecimento).

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O Apóstolo diz: 'Todo homem que lutou pela mestria tem temperança em todas as coisas' (1 cor ix 25). Pois é impossível com a barriga cheia ir batalhar com os principados, com poderes hostis, se um homem está atado à carne, que é pesada e está sempre luxuriando contra o espírito. 'Pois o Reino de Deus não é comida ou bebida' (Rom. Xiv 17). 'Pois a mente carnal é inimiga de Deus: pois ela não se submete à lei de Deus e de fato nem o pode' (Rom. Viii 7). É óbvio que não o pode, pois ela é terrosa, composta de sucos, sangue e humores, tem sempre uma predileção por coisas terrenas e retira prazer nos deleites perniciosos da vida presente. 'Pois o carnalmente inclinado está morto' (Rom. Viii 6). 'Os que estão na carne não podem agradar a Deus' (Rom. Viii 8).

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Se desejarmos sinceramente guardar nossa mente no Senhor, necessitamos de muita humildade, primeiro em relação a Deus, segundo, em relação aos homens. Deveríamos lutar sempre para tornar nosso coração contrito, procurando e colocando em prática todos os meios para torná-lo humilde. É bem sabido que o que torna o coração humilde e contrito é a memória de nossa vida precedente no mundo, se ela é lembrada por nós como deveria ser. Outra coisa é a memória de todos os nossos pecados da juventude em diante, se a mente examina-os em detalhe, essa lembrança habitualmente nos torna humildes, traz lágrimas e nos move para uma completa e total gratidão a Deus, também funciona dessa forma uma memória da morte constante e ativa (sentida profundamente) que dá nascimento à doçura, luto contente e sobriedade à mente. A coisa que preeminentemente humilha nossa mente e nos dispõe a manter nossos olhos abaixados para o chão é a memória da paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, se um homem examina-a em sua memória e lembra-se em detalhes dela. Isso também engendra lágrimas. Além disso, nossa alma é tornada verdadeiramente humilde através das grandes piedades de Deus perante nós pessoalmente, se as examinarmos e enumerarmos em detalhe, pois nossa luta é com demônios orgulhosos (que são ingratos a Deus).

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Não deixe o seu amor-próprio afastá-lo desses remédios salutares da alma, se você necessita deles. Caso contrário você não é mais um discípulo de Cristo nem um imitador de Paulo que disse ele mesmo: 'Eu não sou digno de ser chamado um apóstolo' (I cor. Xv 9). Em outro lugar ele confessa ter sido antes 'um blasfemo, perseguidor e insolente' (I Tim. I-13). Você vê, homem orgulhoso, como até mesmo um santo não esquece sua vida passada? Todos os Santos, do início da criação até nossos tempos, sempre se vestiram nesse último traje sagrado de Deus (isto é, em humildade). Nosso Senhor Jesus Cristo, Ele mesmo vestiu-se em humildade durante Sua vida na carne, a despeito de ser Deus, o incompreensível, o incognoscível e o inefável. Portanto, essa humildade deveria corretamente ser chamada de uma virtude Divina, o mandamento e vestimenta de Deus. Do mesmo modo, os Anjos e todos os poderes Divinos da luz, praticam e guardam essa virtude, conhecendo a terrível queda do arrogante Satã que, por causa de seu orgulho, mostrou-se perante Deus como a mais malvada de todas as criaturas, e que agora permanece no abismo como um exemplo de como todos os anjos e homens deveriam temer serem expulsos (por seus pecados). Sabemos também como Adão caiu através de seu orgulho. Mantendo esses exemplos diante de nossos olhos, lutemos para atingir essa elevada virtude e tornemo-nos humildes por todos os meios que estão em nosso poder, usando os remédios mencionados acima. Sejamos humildes na alma e no corpo, na mente, no desejo, na fala, no pensamento, na aparência externa, humildes dentro e fora. Devemos ter a preocupação especial que Jesus Cristo, Filho de Deus e Deus, que é por nós, não se torne contra nós. Pois o Senhor 'certamente desdenha os desdenhadores insolentes, mas aos pobres concede Sua Graça' (Prov. Iii 34). 'Todo aquele que é orgulhoso no coração é uma abominação para o Senhor (Prov. Xvi 5). 'Todos que exaltarem a si mesmos serão humilhados' (Luc. Xviii 14). 'Aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração' (Mat. Xi 29), diz o Redentor. Portanto, acautelai-vos.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Hafiz - O oceano do Amor

O oceano do amor é um mar sem margens

E sem a rendição da alma, não há esperança, não há areia.


Quando vier aqui em peregrinação,

não nos incomode com suas histórias de juízes e de leis humanas,

traga vinho!


Mais uma hora com seu terapeuta não lhe trará contentamento.

Em vez disso,

dê os seus segundos e seu dinheiro da alma ao Amor e às boas ações.


Não coloque a culpa da sua má sorte nas estrelas ou na porta do destino que range.

Olhe no espelho e pergunte aos seus próprios olhos quem é esse que quer você morto.


Como a lua crescente,

o esplendor da lua nova em sua nova face pode ser visto apenas com olhos puros.


Portanto, vá adiante – assuma a louca busca pela embriaguez elusiva,

E finja que está procurando por um tesouro enterrado que lhe porá em liberdade.


Se as lágrimas de Hafiz não o movem,

então por que seu coração ainda não virou pedra?

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Nisargadatta Maharaj - 25 de janeiro de 1980 / 28 de janeiro de 1980

Se obtivermos e saborearmos o néctar dos pés do Senhor, o charan-amrita, a mente poderá ser conquistada. Isso significa que a mente não vai mais ter domínio sobre nós. Seu domínio imposto sobre nós desde a infância não irá mais nos oprimir. Isso é chamado de manojaya – vitória sobre a mente. Mas isso torna-se possível apenas através da Graça Dele. Sem a Graça, não podemos saborear o néctar. Entretanto, apenas um devoto verdadeiro, um bhakta, um deus, pode obter o charan-amrita. Mas quem e o que é esse devoto? Ele não é nada além da consciência, o sentido de ser, o conhecimento de que “nós somos”, que apareceu inconsciente e espontaneamente em nós. A consciência é o charan-amrita, o néctar dos pés do Senhor.

O cosmos inteiro em seu vibrante movimento ativo é representado pela consciência, os pés do Senhor, e o universo é o corpo da consciência. Mas qual é sua relação com todos os seres? Ela reside no âmago de todos os seres como o conhecimento “eu sou”, o amor de “ser”, o charan-amrita.

Aquele que bebe o néctar dos pés do Senhor é um verdadeiro devoto. Ele habita no conhecimento “eu sou”. Ele é divino. Então, quando a pessoa saboreia continuamente esse néctar ao testemunhar a consciência ou o sentido de ser, a sua mente - que diferencia e avalia as pessoas observadas como masculinas e femininas, ela gradualmente remove a si mesma do foco de atenção, deixando a consciência em sua glória inata.
Mas como tal estado pode ser alcançado? Apenas se aceitarmos totalmente o conhecimento “eu sou” como sendo nós mesmos com total convicção e fé, e se firmemente acreditarmos no dito: "eu sou aquilo pelo qual eu sei que 'eu sou'”. Esse conhecimento “eu sou” é o charan-amrita. Por que é chamado de Amrita – o néctar? Porque é dito que, ao beber néctar a pessoa torna-se imortal. Portanto, um devoto real, ao habitar neste conhecimento “eu sou” transcende a experiência da morte e atinge a imortalidade. Mas enquanto a mente permanecer não conquistada, a experiência da morte será inevitável.
Embora meus discursos continuem sem parar com os muitos visitantes, meu ponto de vista permanece inalterado. Por que? Porque meu ponto de vista está estabilizado no charan-amrita. Ele permanece fixo na consciência - a fonte dos conceitos e linguagens. Dela emana a linguagem desde sua formação mais sutil até a sua expressão mais grosseira, vocal, como para, pashyanti, madhyama, e vaikhari*.
Se você pudesse apenas abandonar todos os outros esforços espirituais e disciplinas e absorver-se em saborear o charan-amrita, através da permanência na consciência, a mente libertaria você de suas garras. Atualmente, você aceita gentilmente o que quer que a mente dita como sendo de você mesmo. Se a mente for silenciada, onde fica você e o que você é?
Uma vez que você afundar dentro da consciência, o fatual estado da Realidade será revelado a você com o conhecimento que irá emanar intuitivamente de você, como uma fonte de água. Isso irá capacitá-lo a discernir não apenas o que é real e o que é irreal, mas, mais importante, a realizar o que “eu sou”.
O que sou eu para mim apenas? O que é a vida? Uma vez que essas questões são resolvidas intuitivamente e a realidade emerge, a mente não pode mais predominar. Entretanto, o funcionamento da mente continuará, mas a qualidade do funcionamento será totalmente diferente. Alguém que atingiu tal estado, permanece não afetado por qualquer acontecimento, visto que as balbúrdias da mente não podem ter efeito. E quem poderia ser essa pessoa? Certamente não um indivíduo que esteja aprisionado na concha da mente. Mas essa pessoa é o conhecimento “eu sou” - a consciência.
É dito que devemos quebrar as algemas que nos prendem ao corpo e ao mundo. O que isso significa? O que quer que seja visto e percebido está no nível do corpo e do mundo. Um apego é desenvolvido com os objetos percebidos, e então nós nos identificamos com um corpo como sendo nós mesmos e clamamos os objetos como sendo de nossa propriedade. O apego é a natureza da mente, e ela obstinadamente persiste nesses apegos. Mas se você beber o charan-amrita ao se estabilizar na consciência, tudo será resolvido e você será iluminado. Você não precisa ir a ninguém para esclarecer suas dúvidas.
Enquanto faço minhas tarefas e canto bhajans em louvor a Deus e assim por diante, para vocês eu pareço estar profundamente envolvido nessas atividades. Mas na verdade eu permaneço aparte de mim mesmo, desprovido do sentido do corpo e da mente, e assim testemunhando as atividades acontecerem a Mim. Pergunto-me se vocês notaram isso! Muitas pessoas estão relacionadas a mim de uma maneira ou de outra. Embora aparentemente eu tenha intimidade com elas, estou aparte delas. Quanto a mim, eu realizei completamente o que “eu sou”, e agora está absolutamente claro para mim o que e como “eu sou”. Mas o que essas pessoas pensam que “elas são”, apenas elas sabem. Elas presumem terem adquirido conhecimento, terem alcançado algum status espiritual superior ao das outras pessoas … e assim por diante. Isso está fadado a acontecer, pois eles ainda são escravos de suas mentes. No meu caso, isso não pode acontecer. Eu me embebi totalmente do néctar dos pés do Senhor – a consciência.
Atualmente, todas as comunicações e funções acontecem por meio deste néctar – a consciência. E o que é esse meio? É o conhecimento “eu sou”. Ele é representado pelo Senhor Vishnu, o Deus mais elevado que recosta-se cheio de bem-aventurança no corpo da serpente, sheshashayi, e por isso é chamado de Sheshashayi-Bhagavan.
Bem, é bom ter conversas desse tipo, mas embeber e realizar a essência é muito difícil, de fato. Por que? Porque você acredita firmemente que você é o corpo e vive de acordo, enquanto alimenta desejos apaixonados de que você vai conquistar algo bom no mundo, e mais tarde algo ainda melhor. Essas expectativas estão baseadas primeiramente numa noção errônea de que você é o corpo. Essa identificação errada, entretanto, dissolve-se no néctar dos pés do Senhor, quando você se afunda na consciência e perde sua individualidade.
A dissolução da individualidade não é possível sem devoção ao mestre – guru-bhakti – que em outras palavras novamente é a consciência, o guru-charan-amrita. A permanência na consciência remove todos os problemas passados e futuros e estabiliza a pessoa no presente – Aqui e Agora.
A consciência é o sentido de se estar ciente, “eu sou” sem palavras, e ela apareceu inconscientemente e sem ser solicitada. Ela é a força vital universal manifesta e, portanto, não pode ser individualista. Ela se estende dentro e fora, como o brilho de um diamante. Você vê um mundo de sonhos dentro de você e um mundo perceptível fora de você, previsto que a consciência prevalece. Do nível do corpo, você pode dizer dentro e fora do corpo, mas do ponto de vista da consciência, onde e o que é dentro e fora? Apenas no reino do sentido de estar ciente “eu sou” - a consciência – pode o mundo existir, e também uma experiência pode existir.
Segure-se neste sentido de estar ciente “eu sou”, e a fonte do conhecimento irá nascer dentro de você, revelando o mistério do Universo, do seu corpo e psiquê, da interação dos cinco elementos, dos três gunas e prakriti-purusha; e de tudo o mais. No processo dessa revelação, sua personalidade individualista confinada ao corpo se expandirá no universo manifestado e será realizado que você permeia e abarca o cosmos todo como seu “corpo” apenas. Isso é conhecido como o “Puro Super-Conhecimento” - shuddhavijnana.
Não obstante, mesmo no estado sublime shuddhavijnana, a mente se recusa a acreditar que ela é uma não-entidade. Mas conforme afundarmos na consciência, desenvolveremos uma firme convicção de que o conhecimento “eu sou” - o sentido do seu ser – é a própria fonte do mundo. Apenas esse conhecimento faz você sentir que “você é” e que o mundo é. Na verdade, esse conhecimento manifesto, tendo ocupado e permeado o cosmos, reside em você como o conhecimento “você é”. Segure-se a esse conhecimento. Não tente dar-lhe um nome ou um título.
Agora chegando numa situação muito sutil: o que é isso em você que entende esse conhecimento “eu sou” - ou do seu ponto de vista “eu sou”, sem nome, título ou palavra? Afunde-se no centro mais íntimo e testemunhe o conhecimento “eu sou” e apenas Seja. Essa é a “bênção do ser” - o swarupananda.
Você deriva prazer e felicidade através da ajuda de vários auxílios e processos externos. Alguns gostam de apreciar uma boa comida, alguns gostam de ver um filme, alguns ficam absorvidos na música … e assim por diante. Para todas essas apreciações alguns fatores externos são essenciais. Mas para residir na “bênção do ser”, absolutamente nenhuma ajuda externa é requerida. Para entender isso, tome o exemplo do sono profundo. Uma vez que você esteja em sono profundo, nenhuma ajuda ou tratamento serão requeridos e você aprecia uma felicidade silenciosa. Por que? Porque nesse estado a identidade com um corpo masculino ou feminino é esquecida totalmente.
Alguns visitantes me perguntam, “Por favor mostre-nos o caminho que nos levará à Realidade”. Como eu poderia? Todos os caminhos levam à irrealidade. Caminhos são criações dentro do escopo do conhecimento. Portanto, caminhos e movimentos não podem transportá-lo para a Realidade, pois a função deles é enredar você dentro da dimensão do conhecimento, enquanto que a Realidade prevalece antes dessa dimensão. Para compreender isso, você deve fixar-se na fonte da sua criação, no início do conhecimento “eu sou”. Enquanto não atingir isso, você estará enrolado nas correntes forjadas por sua mente e ficará enredado nas correntes das outras pessoas. Portanto, eu repito, você se estabiliza na fonte do seu ser e então todas as correntes irão se romper e você será liberado. Você irá transcender o tempo, estará além dos tentáculos dele e prevalecerá na Eternidade. E esse estado sublime pode ser atingido apenas ao beber incessantemente o néctar dos pés sagrados do guru – o guru-charan-amrita. Esse estado de beatitude extática – o ser afundando-se abençoadamente no Ser. Esse êxtase está além das palavras, ele é também o estado de estar ciente em total quietude.
A quintessência do discurso está clara. Sua posse mais importante é o “conhecimento” que “você é” anterior à emanação da mente. Segure-se a esse “conhecimento” e medite. Nada é superior a isso, nem mesmo a devoção ao guru – guru bakti – ou a devoção a Deus – Iswara bhakti.

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28 de janeiro de 1980

Maharaj: Visto da terra, o sol parece nascer e se pôr. Mas do ponto de vista do sol, ele brilha continuamente e não tem conhecimento de nascer e se pôr. Enquanto o sentido de ser e sua manifestação, incluindo-se as atividades dentro dela, são temporárias e limitadas ao tempo, aquilo que é anterior ao sentido de ser é eterno. Você é um estudante do Bhagavad-Gita, o que eu digo está de acordo com o Gita?

Visitante: Após escutar seus discursos pude compreender claramente o décimo quinto capítulo do Gita, onde é feito uma menção ao Purushottama.

M: Purushottama é o Absoluto, o Eterno. Ao mesmo tempo o Absoluto é sem nenhum suporte externo, sendo totalmente auto-suficiente, ele em si é o suporte de todas as coisas manifestas.

V: Krishna disse: “Apenas aqueles que compreendem que Eu, o Absoluto, estou além dos estados de Ser e de não-Ser realizam minha verdadeira natureza, e todos os outros são tolos.”

M: Aqueles que são criados de uma ação estúpida também são estúpidos.

V: O que quer que um Jnani fale, é conhecimento espiritual e mesmo seu comportamento revela conhecimento.

M: Na verdade, todo nosso comportamento é de qualidade sattva-guna, expressado da essência da comida e não é nem seu nem meu. O sattva-guna tem três estados, vigília, sono profundo e sentido de ser (beingness). Quando o conhecimento é entendido corretamente a pessoa é puro Brahman apenas, embora tenha a forma de um corpo. Não tem modificação mental. Isso é o que Krishna disse.

O corpo é um produto da essência da comida. Todas as plantas, raízes, árvores, animais, etc., são criados de sementes, e uma semente (bija) significa recriar uma forma prévia. Uma semente também é um produto do sattva-guna. De uma semente brota uma planta e depois uma grande árvore, mas a fonte é a semente apenas. Também de uma semente humana, a qual é o produto dos três gunas (sattva, rajas e tamas) e a essência da comida, brota o corpo, o sentido de ser e a manifestação. Isso pode ser percebido apenas por um ser humano.

Tendo entendido isso, eu realizei Brahman embora tendo a forma de um corpo. Raramente, alguém se embebe desta sabedoria. Muitos adquirem o assim chamado 'conhecimento', mas o que quer que seja adquirido não é conhecimento verdadeiro.

V: O sentido de ser, ou o conhecimento “eu sou”, é então o verdadeiro conhecimento final?

M: Esse verdadeiro conhecimento, o conhecimento "eu sou", também é rendido ao status de não-conhecimento no estado Absoluto final. Quando a pessoa está estabelecida em seu estado final livre, o conhecimento 'eu sou' torna-se “não-conhecimento”.

Quando você vê uma árvore florida você olha apenas para a folhagem, mas não pensa na raiz e na semente da qual ela brotou. A menos que você entenda a semente também, não haverá compreensão total. No presente momento você entende a si como sendo um corpo, mas você não inclui no entendimento a fonte e a semente da qual este corpo manifestou-se. Uma pontinha de uma caneta tinteiro molhada com tinta escreve volume após volume. A pontinha da caneta é a fonte de todos os escritos. Similarmente, o seu sentido de ser é a fonte e o início do seu mundo inteiro. O material escrito é facilmente observado e lido, mas a fonte dele – a ponta da caneta, que é quase sem dimensão – não é percebida facilmente. Assim também é a “semente-sentido de ser”, que é sem forma, muito elusiva.

Você não se identifica com o seu sentido de ser, mas você é rápido ao identificar-se com a forma visível do seu corpo. Você se refere à forma como “eu” em vez do sentido de ser. Entretanto, para a sustentação do sentido de ser, um corpo é essencial. Mesmo se o Senhor Krishna fosse reincarnar novamente, ele poderia fazer isso apenas pelo intermédio da semente-sentido de ser, que por sua vez seria um produto de um corpo proveniente da essência da comida. (food-essence body) Não apenas Krishna, mas também Cristo e Buda manifestaram-se apenas através do sentido de ser da essência-comida. Mas você sabe o significado de Buda, o bodhisattva?

V: Buda significa a natureza inata de todos nós.

M: E quando você foi iniciado, qual foi a forma da iniciação e no que você foi iniciado?

V: Fui levado para a ordem dos Santos Sangh, como um monge, que trabalhava para a felicidade total...

M: Não me diga tudo isso. Disha (iniciação) significa “apenas seja”, de maneira alerta “Seja o que você é”. Qual conselho foi-lhe dado na época da sua iniciação?

V: Para observar meu corpo-mente.

M: De que ponto de vista ou identidade você observou?

V: Não observei meu corpo de nenhum ponto de vista, havia apenas a observação.

M: Quando você não conhece a si mesmo, então quem está observando? E como isso acontece?

V: O objeto da minha observação surge no observador. Através do objeto constituído pelo pensamento – emoção e corpo, há um sentido de ser. Eu podia observar esse sentido de ser. Vi muito claramente que não há nada de substancial dentro deste processo corpo-mente.

M: Como foi-lhe pedido para estar alerta à época da sua iniciação?

V: O tempo todo.

M: Mas com que identidade você deveria estar alerta?

V: Eles não me falaram a respeito de nenhuma identidade. Falaram para eu ficar apenas alerta.

M: Para quem eles disseram? Eles não deveriam indicar o que a testemunha deveria parecer?

V: Não.

M: Esse é um tipo inferior de iniciação. Primeiro reconheça o princípio residente, o conhecimento “eu sou” ou o “auto-amor real”, que está testemunhando. O testemunhar acontece para esse princípio. Quando existe dor, espontaneamente eu testemunho a dor que estou experimentando.

V: Parece haver um sentido de separação entre eu mesmo e o objeto que está sendo testemunhado. Então quando eu testemunho …

M: Mas quando você testemunha?

V: Quando testemunho o corpo-mente, sinto estar separado do corpo-mente.

M: Para quem o testemunho acontece?

V: Isso eu não sei.

M: Então que tipo de espiritualidade você pratica?

V: Embora eu use um roupão, não sigo nenhuma avenida particular de espiritualidade ou nenhuma ordem. Apenas tento estar ciente de que eu sou.

M: Para todos os seres é a mesma experiência. De manhã cedo, imediatamente após acordar, apenas o sentimento “eu sou” é sentido dentro ou o sentido de ser acontece, e depois acontece o testemunho seguinte de todas as coisas. O primeiro testemunho é aquele do “eu sou “. Esse testemunho primário é o pré-requisito para todos os outros testemunhos. Mas para quem o processo de testemunhar está acontecendo? Para aquele que sempre é, mesmo sem acordar, o testemunho do estado desperto acontece para aquele substrato sempre-presente. O mistério da experiência do mundo está neste ponto. O conhecimento esotérico da 'semente-sentido de ser' também está aqui. Agora você acordou e o testemunho do despertar acontece. O testemunho primário é da minha própria presença, da minha existência. Esse estado desperto ou o sentido de existência, é um estado temporário, sendo um dos três estados – de sono profundo, vigília e sentido de estar ciente que juntos constituem o sentido de ser (beingness). Esse sentido de ser é como aquela qualidade da pontinha molhada da caneta. O agregado desses três é a energia sutil representada pelos princípios masculino e feminino, chamado purushaprakriti. Nesse sentido de ser, o sattva-guna, é o visva-sutra, brahma-sutra, atma-sutra*. Nesse sentido de ser reside a manifestação universal. Esse sattva-guna é o cordão pelo qual Brahman e o universo manifesto estão amarrados.

V: Uma pergunta que eu gostaria de ….

M: Que perguntas você poderia ter sobre esse assunto?

O próprio foco dessa pontinha da caneta molhada assumiu múltiplas formas. Esse sentido de ser é conhecido como sattva-shakti e prakriti-purushashakti. O sattva-guna que deu origem a esse sentido de ser é o produto da essência dos pais que pertence à espécie do vachaspati*. Essa própria essência assumiu forma e o universo é revelado em seu interior e exterior. Entenda claramente a fonte. É como uma pequenina semente de uma árvore banyan crescendo numa magnífica árvore e ocupando um grande espaço; mas quem é esse que ocupa o espaço? É o poder da pequena semente. Similarmente, entenda que é essa emissão quintessencial dos pais que leva o toque do “sentido de eu sou”, que se manifesta num universo. Portanto, vá nessa fonte e entenda-a completamente. Assim como a semente carrega a forma latente da planta, também a semente dos pais carrega a forma latente do masculino ou feminino na imagem dos pais.

Pai e mãe são também uma expressão do sattva-guna, o princípio quintessencial apenas. Como um resultado da fricção, a emissão aconteceu. Essa emissão tendo tirado a foto dos pais, cresce numa criança na imagem dos pais. Antes do seu nascimento, onde estava o seu sentido de ser repousando dormente? Ele não era a quintessência dos pais? Esse não é o eterno drama da reprodução de todas as espécies através do princípio sattva e a energia denotada por purushaprakriti?

V: Esse toque de “sentido de eu sou” em si não é nada pessoal, ele é pessoal apenas quando ligado com o corpo e mente.

M: Esse toque de “sentido de eu sou” é o manifesto apenas e não é individualista.

V: Você falou sobre o estado do “Eu-amor”. Se eu digo que amo alguém, significa realmente o “sentido de eu sou” daqui deste ponto reconhecendo o “sentido de eu sou” naquele outro ponto.

M: Não existe 'outro' de maneira nenhuma com quem fazer amor. Apenas o “amor de ser” brotou. Para sustentar o estado de “amor por ser” você passa por uma porção de dificuldades e adversidades. Apenas para manter o estado feliz e satisfeito você se envolve em tantas atividades.

V: O sofrimento é direcionar a atenção para algo além do estado “Eu-amor”, mas se tudo isso pretende perpetuar o “sentido de eu sou”, não é um desejo?

M: Isso não é desejo, é a própria natureza de ser do “sentido de eu sou”. O sentido de ser quer ser e quer perpetuar-se. Essa é sua própria natureza; isso não é a natureza do indivíduo.

V: Mesmo quando ele está ligado com o corpo-mente?

M: Um número de mentes e corpos são formados desse princípio. Ele é a fonte da criação. Milhões de espécies são criadas desse princípio básico. Ele é moolamaya, a semente-ilusão.

V: O “eu sou” está criando você?

M: Do meu 'sentido de ser' (beinness) são criados os três mundos. No meu mundo de sonho milhões de vermes, seres humanos, etc. são criados. Quando e de onde esse mundo-sonho emergiu? Ele emergiu do aparente despertar no estado de sonho.

V: Se eu fecho meus olhos, isso significa que você não existe?

M: Quem lhe falou que seus olhos estão fechados?

V: Meu “sentido de eu sou”.

M: Quando você fechou seus olhos a consciência também foi fechada?

V: Não.

M: Como um resultado da união do amor dos objetos encarnados chamados pais, você é o lembrete que você é a criação resultante do momento bem-aventurado deles. A memória “eu sou”, lembra do momento bem-aventurado. Esta forma, a pessoa encarnada, é um lembrete da bem-aventurança. Você coletou um monte de conhecimento e se considera pronto para ser um guru e então irá expor o conhecimento – isto é, o conhecimento coletado e não o conhecimento revelado de você mesmo. O conhecimento não foi totalmente revelado a vocês, vocês não realizaram a si mesmos, e portanto, serão pseudo-gurus. Sua existência estava numa condição dormente no seu pai e sua mãe. Agora você quer prosseguir para algum lugar daqui. De onde você surgiu? Vá para a fonte da qual você emergiu. Esteja lá primeiro. Alguém teve a diversão da bem-aventurança e Eu sofro e choro por uma centena de anos.

V: É correto comparar o “sentido de eu sou” (I-am-ness) à uma sala com duas portas? De um lado você vê o mundo, e do outro você percebe Parabrahman.

M: Não existem portas para Parabrahman, filho querido. Olhe para a porta de onde você emergiu. Antes de emergir daquela porta, como e onde estava você? Você pode colocar perguntas relacionadas a esse assunto.

V: Há amor e sofrimento também neste “eu sou”.

M: A causa é a felicidade, e o resultado é o “sentido de eu sou”. A causa é bem-aventurança, mas o resultado tem que sofrer do início até o fim.

V: Naquele momento passageiro há consciência do amor e do sofrimento simultaneamente?

M: Tudo aquilo que prevalece no cosmos no momento do amor é registrado no resultado, e, acidentalmente, o resultado assume uma forma, ele é uma réplica dos pais. Seu nascimento significa um filme do universo naquele período. Não é meramente um nascimento, está carregado com o universo dentro e fora.

V: Uma vez que você nasça, a consciência é contínua, mas na meditação ela vem e vai.

M: O sentido de ser é contínuo e ele conhece a si mesmo apenas com o auxílio de uma forma, do corpo, enquanto que sem isso (ou seja, no estado absoluto), ele não conhece a si mesmo. Quem é a testemunha das idas e vindas da consciência?

V: Apenas a ciência (awareness).

M: O que você diz está correto num sentido, mas na verdade não é assim. É como dizer que eu prometo lhe dar dez mil rúpias, mas … A ciência (estado de estar ciente) é o estado Parabrahman, mas isso é apenas uma palavra; você tem de residir nesse estado. Atualmente, o “eu sou” está no estado do sentido de ser. Mas quando eu não tenho a consciência da ilusão “eu sou”, então o estado Poornabrahman ou Parabrahman prevalece. Na ausênsia do toque do “sentido de eu sou”, sou o total estado completo Poornabrahman, o estado permanente.

A fronteira do sentido de ser e do sentido de não-ser é uma hesitação do intelecto, pois o intelecto afasta-se de vista precisamente naquele ponto. Essa fronteira é o maha-yoga.

Na frase “você e eu”, uma vez que a conjunção 'e' é removida, não existe dualidade – isto é, não há separação de “você” e “eu”. Similarmente, esse sentido de ser é como a conjunção: quando ele é removido, nenhuma dualidade permanece. Você deve ficar naquela fronteira, naquele estado maha-yoga.