lha na corte de meu Senhor.
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
Kabir - Onze Poemas
lha na corte de meu Senhor.
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
Philokalia - São Máximo o Confessor - Sobre o amor (parte 2)

Assim como o mal é uma privação do bem e a ignorância é uma privação do conhecimento, também o não-ser é uma privação do ser – não do ser num sentido substantivo, pois isso não tem nenhum oposto, mas do ser que existe através da participação no Ser substantivo. As duas primeiras privações mencionadas dependem da vontade das criaturas, a terceira depende da vontade do Criador, que em Sua bondade deseja que os seres existam sempre e que sempre recebam Suas bênçãos.
Todas as criaturas, ou são dotadas de inteligência e intelecto, e dessa forma possuem uma capacidade para opostos tais como virtude e vício, conhecimento e ignorância, ou são corpos físicos de vários tipos constituídos de opostos, ou seja, de terra, ar, fogo e água. Os primeiros são totalmente incorpóreos e imateriais, embora alguns deles estejam unidos a corpos, os últimos são compostos de matéria e forma.
Por natureza todos os corpos carecem da capacidade de movimento, é através da alma que eles recebem o movimento, seja por uma que seja inteligente ou um sem inteligência, ou por uma que seja insensata.
A alma tem três poderes: o primeiro, o poder de nutrição e de crescimento; o segundo, o de imaginação e instinto; o terceiro, o da inteligência e do intelecto. As plantas compartilham apenas do primeiro desses três poderes, os animais do primeiro e do segundo, os homens compartilham de todos os três. Os dois primeiros poderes são perecíveis, o terceiro é claramente imperecível e imortal.
Através de um amor genuíno por Deus nós podemos afugentar as paixões. O amor por Deus é o seguinte: escolher a Deus em vez do mundo e a alma em vez da carne, ao desprezarmos as coisas deste mundo e nos devotarmos constantemente a Ele através do autocontrole, do amor, da oração e assim por diante.
A recompensa do autocontrole é a liberdade das paixões e a recompensa da fé é o conhecimento espiritual. A liberdade das paixões engendra a discriminação e o conhecimento espiritual engendra o amor por Deus.
Quando o intelecto pratica as virtudes corretamente ele avança na compreensão moral. Quando ele pratica a contemplação, avança no conhecimento espiritual. A primeira conduz o aspirante espiritual a discriminar entre a virtude e o vício, o segundo conduz o aspirante às qualidades internas das coisas incorpóreas e corpóreas. Finalmente, é garantida ao intelecto a graça da teologia quando, carregado nas asas do amor para além desses estágios precedentes, ele é absorvido em Deus e com a ajuda do Espírito Santo discerne – na medida do possível ao intelecto humano – as qualidades de Deus.
Se você estiver prestes a entrar no reino da teologia, não tente delimitar a natureza mais íntima de Deus, pois nem o intelecto humano nem o de nenhum ser sob Deus pode experimentar isso; mas tente discernir, na medida do possível, as qualidades que pertencem à Sua natureza – as qualidades da eternidade, infinidade, indeterminabilidade, bondade, sabedoria e o poder de criar, preservar e julgar as criaturas e assim por diante. Pois aquele que descobre essas qualidades, não importa em que medida, é um grande teólogo.
Aquele que combina a prática das virtudes com o conhecimento espiritual é um homem de poder. Pois com a primeira ele enfraquece seus desejos e doma sua insensatez e com o segundo, dá asas a seu intelecto e sai de si mesmo para Deus.
Para aquele que é perfeito no amor e que atingiu o cume da liberdade das paixões não há diferença entre o seu e o do outro ou entre os Cristãos e os descrentes, ou entre o escravo e o liberto, ou entre o masculino e o feminino. Mas porque ele elevou-se acima da tirania das paixões e fixou sua atenção na natureza única do homem, ele olha para todos da mesma maneira e mostra a mesma disposição para com todos. Pois nele não há nem Grego nem Judeu, masculino ou feminino, aprisionado ou livre, e sim Cristo que “é tudo e está em todos” (Col. 3:11; Gal. 3:28)
A pessoa que veio a conhecer as fraquezas da natureza humana adquiriu experiência do poder divino. Tal homem, tendo alcançado algumas coisas e ávido por atingir outras através desse poder divino, nunca menospreza a ninguém. Pois ele sabe que assim como Deus ajudou-o e libertou-o de muitas paixões e dificuldades, também, quando Deus desejar, Ele pode ajudar a todos os homens, especialmente aqueles que perseguem o caminho espiritual por Seu amor. E se em Sua providência ele não libera das paixões todos os homens juntos, não obstante, como um bom e amável médico, ele cura com um tratamento individual cada um daqueles que estão tentando fazer progresso.
Quando uma provação cair sobre você inesperadamente, não culpe a pessoa através da qual ela vier, mas tente descobrir o motivo pelo qual ela veio e então você descobrirá uma maneira de lidar com ela. Pois, seja através dessa pessoa ou através de outra, de qualquer maneira você terá de beber o absinto do Julgamento de Deus.
Enquanto você tiver maus hábitos não rejeite as dificuldades, de modo que através delas você possa ser tornado humilde e possa expelir o seu orgulho.
Às vezes, os homens são testados através do prazer, às vezes, através da dor ou do sofrimento físico. Por meio de Suas prescrições, o Médico das almas administra o remédio de acordo com a causa das paixões que se encontram ocultas na alma.
O homem sensível, levando em consideração o efeito medicinal das prescrições divinas, alegremente sustenta os sofrimentos que elas lhe trazem, uma vez que ele está ciente que elas não têm nenhum motivo além de seu próprio pecado. Mas quando o tolo, ignorante da sabedoria suprema da providência de Deus, peca e é corrigido, ele considera ou Deus ou os homens como responsável pelas dificuldades que ele sofre.
Certas coisas interrompem o movimento das paixões e não permitem que elas cresçam, outras subjugam-nas e fazem-nas diminuir. Por exemplo, no que diz respeito ao desejo, o jejum, os labores e vigílias não permitem que ele cresça; enquanto que o afastamento, a contemplação, a oração e o intenso anseio por Deus subjugam-no e fazem-no desaparecer. O mesmo é verdadeiro no que diz respeito à raiva. A abstenção, a liberdade do rancor, a gentileza, por exemplo, capturam-na e impedem-na de crescer, enquanto que o amor, os atos de caridade, a brandura e a compaixão fazem-na diminuir.
Quando o intelecto de um homem está constantemente com Deus, seu desejo cresce além de toda medida em um anseio intenso por Deus e sua aspereza é completamente transformada em amor divino. Pois através de uma contínua participação no esplendor divino seu intelecto torna-se totalmente preenchido de luz; e quando ele reintegra o aspecto passível de seu intelecto ele redireciona-o para Deus, como dissemos, preenchendo-o com um anseio intenso e incompreensível por Ele e com um amor incessante, assim afastando-o totalmente das coisas mundanas e atraindo-o para Deus.
Guarde-se contra a mãe de todos os vícios, o amor-próprio, que é o impensado amor pelo corpo. Pois ele dá origem a justificações plausíveis para os três primeiros e mais comuns pensamentos dominados pelas paixões. Quero dizer, os pensamentos provenientes da glutonia, da avareza e da autoestima, que tomam como pretexto alguma suposta necessidade do corpo. Todos os demais vícios são gerados por esses três. Você deve estar em guarda e lutar contra o amor-próprio com grande vigilância, pois quando esse vício é erradicado todos os outros são erradicados também.
Os principais vícios: a estupidez, a covardia, a libertinagem, a injustiça – são a ‘imagem’ do homem ‘mundano’. As principais virtudes: a inteligência, a coragem, a auto restrição, a justiça – são a ‘imagem’ do homem ‘celestial’
Se um homem ama alguém, ele naturalmente faz todo tipo de esforço para ter serventia àquela pessoa. Se, portanto, um homem ama a Deus, ele naturalmente se esforça arduamente para agir de acordo com a Sua vontade. Mas se ele ama a carne, ele serve de alcoviteiro para a carne.
O amor, a auto restrição, a contemplação e a oração conformam-se à vontade de Deus, enquanto que a glutonia, a libertinagem e as coisas que as aumentam alcovitam a carne. É por isso que “aqueles que estão na carne não podem se conformar à vontade de Deus” (Rom. 8:8). Mas “aqueles que são de Cristo crucificaram a carne junto com as paixões e os desejos” (Gal. 5:24).
O intelecto de um homem que desfruta do amor de Deus não luta contra as coisas ou contra as imagens conceituais delas. Ele luta contra as paixões que estão conectadas com essas imagens. Ele não luta, por exemplo, contra uma mulher ou contra um homem que lhe ofendeu, ou mesmo com as imagens que ele forma deles, mas luta contra as paixões que estão conectadas com as imagens.
Se o intelecto inclina-se para Deus, ele trata o corpo como seu servo e não lhe provê com nada além do necessário para sustentar a vida. Mas se ele inclina-se para a carne, torna-se servo das paixões e está sempre pensando em como satisfazer os seus desejos.
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Hakim Sanai - Poemas Místicos

não é mais possível permanecer num só lugar.
Os pés tocam o solo, mas não por muito tempo.
O caminho onde o amor conta seu segredo
está sempre em movimento e não há nem você e nem razão ali.
O cavaleiro incita seu cavalo a galopar e ao fazê-lo
é lançado sob os cascos voadores.
Na unidade do amor não existe velho ou novo.
Tudo é nada. Somente Deus é.
Para os amantes o véu dos fenômenos é muito transparente
e os delicados decalques sobre ele
não podem ser explicados com a linguagem.
As nuvens se queimam quando o sol nasce
e o mundo do amor é inundado com luz.
Mas as nuvens de água podem tanto obscurecer,
quanto serem úteis.
Há uma afeição que cobre a glória,
ao invés de dissolver-se nela.
É uma diferença sutil,
como a mudança da palavra "amizade" em persa
para a palavra "trabalho".
Ela ocorre com apenas um ponto acima ou abaixo da terceira letra.
Há uma visão da beleza da união
que não trabalha ativamente para a conversa interior.
trabalhando como seu Ser para chegar ao oceano.
Então não há mais menção à busca.
quem está à frente ou quem está atrás,
essas considerações são rochas e lugares obstruídos
que fazem você diminuir sua velocidade.
e elegante como Adão.
Não peça por outra coisa além da presença.
Seja inteiro, seja nada.
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Se você me perguntar o caminho, meu amigo,
lhe direi claramente:
É voltar a sua face para o mundo da vida
e dar as costas para classificações e reputação.
Desprezando a prosperidade externa,
você deve curvar suas costas duplamente em serviço a Ele;
deve afastar-se da companhia daqueles
que negociam com palavras
e tomar o seu lugar na presença sem palavras.
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Quando Ele admitir você em Sua presença,
não Lhe peça nada além Dele mesmo.
você já terá visto tudo o que há para ser visto.
Não há dualidade no mundo do amor:
o que é toda essa conversa de 'você' e 'eu'?
Como é possível encher uma taça que já esteja cheia?
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O conquistador do amor é aquele a quem o amor conquista.
Aplique-se, coloque pés e mãos na busca,
mas quando você alcançar o mar,
pare de falar do riacho.
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Não fale de seu sofrimento
- ele está falando.
Não fique procurando por Ele em toda parte
- Ele está procurando você.
Os pés de uma formiga tocam uma folha, Ele sente.
Um seixo rola a margem do rio, Ele sabe disso.
Se há um verme escondido fundo em uma rocha,
Ele conhece o seu corpo menor que um átomo,
conhece o som de seu louvor, seu êxtase secreto
- tudo isso Ele conhece através de Seu divino saber.
Ele deu ao mais ínfimo verme seu alimento;
Ele abriu a você o caminho dos Santos.
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Alguém que se mantém distante do sofrimento não é um amante.
Escolho o Seu amor acima de todas as coisas.
Quanto à riqueza, se ela vier ou se for, que assim seja.
A riqueza e o amor habitam mundos separados.
Mas, contanto que Você viva aqui dentro de mim,
não posso dizer que estou sofrendo.
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A crença e a descrença têm sua origem no coração do hipócrita;
O caminho só é longo porque você demora em começar a trilha-lo:
Um único passo o levaria a Ele;
Torne-se um escravo e você será um rei.
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Seu fogo pungente me fez florescer como uma rosa.
Eu morri aos seus pés e voltei rapidamente à vida.
Minha liberdade inata não ofereceu nada em troca,
mas agora eu sou livre,
desde que me tornei seu escravo.
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Colete os fragmentos da sua mente para que pouco a pouco
você possa preencher-se de Significado:
o escravo que medita sobre os mistérios da criação por sessenta minutos
ganha mais mérito do que com sessenta anos de jejum e oração.
A meditação é o falcão que paira alto, o intelecto,
finalmente descansando sobre o ramo florido do coração:
este mundo e o próximo estão ocultos abaixo de sua asa dobrada.
Ora empoleirado diante da cabana de barro - a Terra,
ora segurando com suas garras um galho da árvore do paraíso,
pairando aqui, batendo lá –
a cada momento presa fresca devorando um bocado de luar
rodopiando para além do sol
lançando-se entre os raios da grande roda do conjunto de estrelas,
ele parte em pedaços o trono e o banquinho de madeira,
a pena de um pombo em seu bico ou um cometa —
até que finalmente livre de tudo
ele pousa em silencio sobre um galho mais alto.
Caçar é um esporte dos reis e apenas um passatempo
para as pessoas comuns. Você, entretanto, vendou o falcão,
amarrou e cortou suas asas...
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Meu querido!
Você não tem os pés para trilhar este caminho.
Por que lutar?
Você não faz ideia de onde o ídolo pode ser encontrado –
o que é todo este discurso místico?
O que pode ser feito com companheiros de viagem briguentos,
orgulhosos idiotas do mercado?
Se fosse realmente um amante
você veria que a fé e a infidelidade são o mesmo.
Ah, qual é a utilidade?
Especulações vãs sobre essas coisas
são um hobby para cérebros dormentes.
Você é puro espírito, mas pensa ser um cadáver!
Água pura que pensa que é o jarro!
Qualquer coisa que você queira deve ser procurada
- exceto o Amigo.
Se não encontrá-Lo você jamais será capaz
até mesmo de começar a olhar.
Sim, pode ter certeza: você não é Ele
- a menos que você possa remover-se
do espaço entre você e Ele - nesse caso você é Ele.
Nenhuma língua pode dizer o Seu segredo,
pois a medida das palavras obscurece Sua natureza.
Mas o dom do ouvido é que ele ouve o que a língua não pode dizer.
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Leve embora tudo e deixe-me sozinho com você.
Feche todas as portas e abra aquela que leva até Você.
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Há uma grande alegria na escuridão. Aprofunde-a.
Embaraços que envergonham à meia luz confundem,
mas uma face chamuscada, escurecida,
pode rir como um Etíope ou como uma mariposa nas chamas,
chegando mais perto de Deus.
Mais brilhante do que qualquer Lua,
Bilal, o amigo negro de Maomé,
encobriu-lhe na viagem noturna.
Guarde seu segredo mais fundo.
Escondido no escuro debaixo da revelação da luz do dia
e do extensivo véu da noite.
Tudo o que lhe for dado por esses dois é para os seus desejos.
Eles envenenam, eventualmente.
Mais profundo, mais abaixo, quando seu rosto é apagado,
onde a água da vida corre silenciosamente,
há uma prisão, sem alimento ou bebida ou nenhuma instrução moral,
abrindo-se para jardim onde há apenas Deus.
Nenhum eu, somente a palavra da criação: SEJA.
Você que me ouve, enrole o carpete do tempo e do espaço.
Dê um passo além, para dentro da palavra una.
Na cegueira, receba o que eu digo.
________________________
O caminho até Você encontra-se claramente em meu coração
e não pode ser visto ou conhecido pela mente.
Conforme minhas palavras transformam-se em silêncio,
Sua doçura me circunda.
__________________________
Enquanto você estiver incompleto,
uma ponte será preparada;
mas uma vez que tenha se tornado completo,
o que serão ponte e rio para você?
Tentamos raciocinar uma estratégia para chegarmos até Ele.
Não funcionou;
mas no momento que desistimos,
nenhum obstáculo permaneceu.
_________________________
Seu intelecto é apenas uma confusão
de adivinhações e pensamentos
se arrastando sobre a face da Terra.
Onde quer que eles estejam, Ele não está.
Eles estão contidos dentro de Sua criação.
O homem e sua razão são apenas as últimas plantas
a serem colhidas em Seu jardim.
Em tudo o que você afirmar sobre a Sua natureza,
você estará fadado a ser sempre um novato inexperiente,
como um cego que tenta descrever a aparência de sua mãe.
Enquanto a razão ainda estiver rastreando o segredo,
sua busca terminará no campo aberto do amor.
terça-feira, 11 de outubro de 2011
Farid-Ud-Din Attar - Seleção de Poemas

As ondas de sua brisa reavivam a respiração de Jesus;
A brisa dá notícias das flores ao rouxinol.
Se meu Amado erguesse os véus
Nos fossos do inferno, Attar ficaria em débito com você
________________________________
Meu coração está em chamas,
Onde está Taberneiro?
Venha! Venha!
O desejo de ver a sua face deixa-me entre as chamas.
Ó Taberneiro,
Tenho uma alma muito parecida com essa planta.
A respiração pára, a vida é extinta e o coração arde;
Meu ser mudou de cor para a vida,
Hoje é o nosso dia, portanto, sirva o vinho;
Sacrifique-se como Attar e cante:
___________________________________
Não há necessidade de velas nem do luar,
Em nosso encontro sua face brilha
Tal felicidade emana desse anoitecer!
Vênus e Júpiter estão em conjunção.
Tamanha alegria, não há inimigos em nossa festa!
Não deixe essa bem-aventurança ser acordada
pelo cruel amanhecer,
Ninguém pode se colocar entre você e eu agora,
Trovador, toque suas músicas apaixonadas;
Toda a história está estampada pela dor de Attar;
_______________________________________
Um dos bebedores disse para mim:
Eu lhe disse: “Vim aqui fazê-lo arrepender-se.
Ao dizer isso ele deu-me um pouco de vinho;
Conforme minha vida desgastada desvanecia
_____________________________________
Os átomos do mundo estão todos embriagados de amor
_________________________________
como será capaz de entender o segredo de sua existência
____________________________________
O mundo inteiro é um mercado para o Amor,
Hatim al-Asamm disse: