segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Hafiz - Sete Poemas


Eu costumava viver com a confusão

E a dor numa casa apertada.

Mas então, encontrei o Amigo

E comecei a embriagar-me
E a cantar a noite toda.

A confusão e a dor
Começaram a jogar sujo,

Fazendo ameaças,

Com uma conversa assim:

"Se você não parar com 'aquilo',

Com toda essa diversão,

Nós iremos embora.”

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Os guerreiros domaram as bestas

Em seus passados para que os cascos das patas da noite

Não pudessem mais quebrar a visão

Ricamente ornamentada do coração.

O inteligente e o valente

Abrem cada aposento no futuro e expulsam

Todos os fantasmas da mente que têm o mal hábito

De escarrar por toda parte.

Por um longo tempo o universo tem estado

Germinando em sua espinha

Mas apenas um Santo tem o talento e

A coragem de golpear

O gigante-passado e as ansiedades futuras.

O guerreiro

Sabiamente senta-se num círculo com outros homens

Reunindo a força para desmascarar

A Si mesmo.

Depois

Senta, doando,

Como um grande planeta iluminado

Na Terra.

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A lua começa a cantar

Quando todos estão adormecidos,

Os planetas jogam sobre seus ombros

Um manto brilhante e rodopiam

Para perto dela.

Uma vez perguntei para a lua:

“Por que você e seus doces amigos

Não se apresentam assim tão romanticamente

Para uma platéia maior?”

E o coro do céu inteiro ressoou:

"O preço da entrada para ver os trovadores sublimes

Falarem de amor

É acessível apenas àqueles

Que não se exauriram

Dividindo Deus o dia todo

E por isso precisam de descanso.

Os violinistas emocionados da Taverna

Que estão empoleirados no telhado

Não querem que suas notas invadam

Os ouvidos onde um contabilista vive

Com um lápis afiado guardando anotações

Das palavras que os outros em sua grande tristeza

Ou raiva podem ter dito a você.”

Hafiz sabe:

O sol permanecerá como seu melhor homem

E irá assobiar

Quando você tiver encontrado a coragem

De casar-se com o perdão.

Quando você tiver encontrado a coragem

De casar-se com o Amor.

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Por que se abster do amor

Quando sua alma, como um lindo cisne da neve,

Irá abandonar esse acampamento de verão?

Por que abster-se da felicidade

Quando seu coração,

Como um leão experiente à espreita,

Está se aproximando

E algum dia verá

Que a presa divina

Está Sempre Perto.

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Como será

O enterro do meu corpo?

O derramar de uma sagrada taça de vinho

Dentro da terna boca

Da terra

Fazendo

Meu doce Amante rir

Uma vez mais

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Sou como um viciado em ópio

Em meu anseio por um estado sublime,

Por aquele solo de Nada Consciente

Onde a Rosa sempre

Desabrocha.

Veja, o Amigo
Fez-me um grande favor
E arruinou minha vida tão completamente;

O que mais você esperava

Que ver a Deus causaria!

Das cinzas dessa moldura quebrada

Há um nobre filho em crescimento ansiando pela morte,

Pois,

Desde que nos encontramos pela primeira vez, Amado,

Tornei-me um estrangeiro

A todos os mundos,

Exceto àquele

No qual existe apenas Você

Ou – Eu.

Agora que o coração guardou

Aquilo que jamais pode ser tocado

Minha subsistência é Desolação Abençoada,

E dali eu clamo por mais solidão.

Eu sou solitário.

Sou tão solitário, querido Amado,

Pois Deus é a quintessencia da solidão,

O que é mais solitário do que Deus?

Hafiz,

O que é mais puro e mais solitário,

Magnificentemente Soberano,

Do que Deus?

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Um mímico está na forca

Por um crime que ele não cometeu.

Quando lhe é dada a última chance de falar,

Ele mantém-se fiel à sua arte.

Uma multidão de centenas reuniu-se

para ver sua última performance,

Sabendo que ele não iria falar.

O mímico pega do céu

Os círculos das esferas reluzentes,

Dispõe-nos sobre a mesa,

Expressando profundo amor

Pelo companheirismo e orientação que

Elas lhe deram por tantos anos.

Ele traz os mares diante de nossos olhos,

De algum modo uma barbatana dourada aparece,

Joga um spray de água.

Olhem, queridos, há uma chuva de turquesas.

Ele remove o coração de seu corpo e parece

Despertar toda a vida nesta Terra esplendida

Com uma ternura tão sagrada,

Que parece como se alguém estivesse dando à luz

Ao Cristo novamente.

Ele monta sua alma no corpo da Liberdade.

A grande Brisa sopra.

O sol e a lua unem as mãos,

Eles se prostram tão graciosamente

Que por um momento, por um momento

Todos sabem que Deus é real,

Assim, a língua caiu da boca deste mundo

Por dias.

2 comentários:

Tempo & Solidão disse...

Este Hafiz é fantástico! Apresentaram-me na semana passada e fiquei apaixonado pela maneira como escreve.

graziela disse...

Ola! Obrigada por compartilhar! Gostaria de saber se voce encontrou os poemas online e se puder passe o link onde encontrou, eu gostaria muito de ler mais. Abç!