quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

P. D. Ouspensky - Lembrança de si

Lembrar de si mesmo significa a mesma coisa que estar ciente de si - significa “eu sou”. Às vezes vem por si mesmo; é um sentimento muito estranho. Não é uma função, não é pensamento, não é sentimento; é um estado diferente de consciência. Por si mesmo ele vem apenas por momentos muito curtos, geralmente em arredores completamente novos, e dizemos para nós mesmos: 'Que estranho. Eu estou aqui'. Isso é lembrança de si, neste momento você lembra de si mesmo. Mais tarde quando você começa a distinguir estes momentos, você chega a uma outra conclusão interessante: você percebe que o que você se lembra da infância são somente os lampejos de lembrança de si, pois tudo o que você sabe de momentos ordinários é que as coisas aconteceram. Você sabe que você esteve lá, mas não se lembra de nada de maneira exata; mas se este flash acontece, então você recorda de tudo o que circundava aquele momento.

Para mim, pessoalmente, no início, a idéia mais interessante foi aquela da lembrança de si. Eu simplesmente não podia compreender como as pessoas puderam perder uma coisa dessas. Toda filosofia e psicologia européia simplesmente perderam este ponto. Existem vestígios disso nos antigos ensinamentos, mas eles estão tão bem disfarçados e colocados entre as coisas menos importantes que você não pode ver a importância da idéia. Quando tentamos manter todas essas coisas em mente e observarmos a nós mesmos, chegamos à conclusão muita definida de que no estado de consciência em que estamos, com toda essa identificação, consideração, emoções negativas e ausência de lembrança de si, nós estamos realmente adormecidos. Nós só imaginamos que estamos acordados. Por isso, quando tentamos lembrar de nós, isso significa somente uma coisa, nós tentamos acordar. E conseguimos despertar por um segundo, mas em seguida dormimos novamente. Este é o nosso estado de ser, então realmente estamos dormindo. Podemos acordar apenas se corrigirmos muitas coisas na máquina (corpo/mente/sentimento), e se trabalharmos muito persistentemente sobre esta idéia de despertar, e por um longo tempo.

A expressão, "lembrar de si mesmo” é usada especialmente, intencionalmente, porque em conversas comuns muito frequentemente dizemos: 'Ele esqueceu de si mesmo', ‘ele não lembrou dele mesmo', ou ‘ele lembrou de si mesmo à tempo’. Na realidade, nós nunca lembramos totalmente de nós mesmos. Nós nunca lembramos no momento. Nós nunca percebemos que estamos presentes, que estamos conscientes, que estamos aqui. Isto deve ser entendido, e, ao mesmo tempo, é preciso entender que, se fizermos esforços suficientes e por um período suficientemente longo, podemos aumentar a nossa capacidade para lembrar de nós mesmos, começamos a nos lembrar com mais frequência, começamos a nos lembrar com mais profundidade.

Um comentário:

Nicanor Couto disse...

Ricardo,
Boa noite.

Tenho lido suas postagens e necessito apresentar a você o meu profundo agradecimento por colocar à minha disposição, em seu Blog, tantos e tantos ensinamentos e virtudes que tocam minha alma e meu espírito.

Vida longa, com saúde e consciência a você.
Abraço.
Nicanor Couto