terça-feira, 28 de setembro de 2021

Schwaller de Lubcs - O Templo do Homem

 


O mistério de todos os dias: Todo o poder do pai e de seus pais está na semente. Os genes nos cromossomos carregam toda a hereditariedade do pai em forma e em substância, bem como todas as suas características. Então essa semente fixa a hereditariedade da mãe com a substância que provê sua nutrição. A semente, sem forma tangível ou visível e o padrão, a Idea daquilo que ela engendra, é um poder transcendente. Ao redor de um padrão incorpóreo uma substância amorfa coagula-se em um ser vivo, completo, complexo e pensado pelo Poder.   

Na ação esotérica da Idea para a forma, sua finalidade, vêm as finalidades exotéricas, transitórias, os estágios aparentes e formais.    

Essa é a maravilha do mundo: tudo o que existe, tudo o que há: tem semente. Assim como a vontade e o pensamento são as sementes da criação mental.   

Um pensamento de poder transcendental compele uma substância da substância universal passiva, esperando qualquer semente, a tornar-se um produto específico, um herdeiro, um mundo que sucede, resulta sobre um mundo. Um único poder em uma única substância trabalha através de todas as finalidades transitórias em direção da finalidade prevista: o homem.   

E ao final da humanidade surge o homem sem corpo, a substância dentro do poder.   

Não ser e depois ser e depois não ser mais é a pulsação que constitui o universo aparente, as finalidades transitórias. A Idea-Poder, a finalidade, forma poderes sem forma, esses são as alternâncias vitais, as pulsações cósmicas.   

A lei da gênese estabelece um ritmo invariável na sucessão de estágios. As finalidades transitórias entre a Idea e a coisa. Também, os órgãos que assimilam (pelo ar, líquidos e sólidos) bem como os órgãos que informam (através da inteligência e dos sentidos) são uma questão de uma energia da mesma natureza que a do objeto que eles assimilam ou experimentam.   

A realidade incontestável do mistério evidente que torna visível o invisível e ponderável o imponderável é o Verbo da sabedoria. A invariabilidade da lei da gênese é a base da filosofia tradicional. Qualquer pesquisa conduzida sem essas diretrizes conduz a um impasse ou a nada.   

Todos as coisas ou são criadas ou geradas, o que importa assim o que é manifestado? O conhecimento está dentro daquilo que ele cria e daquilo que causa a geração. 

O ternário está no início. Por exemplo, o impacto de corpos faz um som, há um impulso, uma resistência e um efeito. Esse processo é repetido uma terceira vez com aquele que recebe. O som expande-se em volume, em esferas concêntricas de densidade alternante que determina o eixo vertical e as duas dimensões do plano horizontal. Dentro de si o som carrega o volume, as orientações, o prisma das oitavas, as espirais das progressões harmônicas na expansão das camadas de densidades em espirais esféricas. Também dentro do som existem interferências e sincronismos de números e tempos, as especificações do som. Eles são materializados em instrumentos que juntos constituem o ouvido. 

O ouvido não é feito para ouvir, poderia ser dito que as encostas dos rios e suas margens são feitas do rio? O som produziu o ouvido. Essa é a razão pela qual o ouvido detecta o som.  

Similarmente, no curso da “evolução” as energias dentro dos diferentes estados de matéria criaram os sentidos informativos. O pensamento do poder cria o órgão de uma função particular e o pensamento é a consciência em ação. 

A doutrina do Antropocosmos diz: estude o ouvido para entender o som, estude o olho para entender a luz. 

 

A gestação preenche a lacuna entre a Idea, a forma e a matéria. Inspiração e expiração, pulsação e alteração, constituem o outro mistério de cada momento – a gestação. A relação proporcional e regular entre as diferentes durações criam o ritmo. A hora, o dia, o mês, o ano e a coincidência do movimento dos céus são os receptáculos dos ritmos dos átomos, das células e de tudo o que existe. 

E a desordem cria o mundo e evoca a harmonia. A desordem espalha as partes, as quais se reúnem novamente de acordo com suas afinidades. Desordem, caos, ordem e harmonia: a alternação dos ritmos. Gestar não é nada além de fazer e desfazer, criar e destruir, afirmar e negar, contrair e dilatar. O que foi é a semente do que será, a forma destruída serve como fundação da forma por surgir – gênese. 

A finalidade para cada fase da gênese é a consciência inata daquilo que a precedeu. Para a humanidade, a finalidade da gênese é o homem. Para a sabedoria, é o Homem Cósmico libertado da gênese de seus elementos: consciência inata total.

Portanto, o universo está encarnado no homem e não é nada além do Homem potencial – Antropocosmo. E o homem é o diagrama, o mapa cosmográfico no qual a sabedoria lê o universo, a gênese, as funções. 

 

A fundação antropocósmica libera a filosofia do ambiente limitado da simples especulação de ideas ao oferecer-lhe o objeto para aplicações experimentais. É uma síntese da arte e da ciência, da fé e da razão, do pensamento e da experiência, do sentimento e da demonstração. 

A energia causal torna-se mineral, a mineral torna-se planta, a planta torna-se animal, a animal torna-se homem e homem torna-se o Homem Cósmico, o santo, o Buda, o Cristo. O mineral sofreu a separação da Causa, a planta sofreu o mineral, o animal sofreu a planta, o homem sofreu o animal e o Homem Cósmico terá sofrido a humanidade. O sofrimento vital é a consciência passando pelo  processo de superar a si mesma.  

A Gênese é a expansão da consciência. 


 

Crer, aprender e conhecer são os três portões de entrada do Templo. 

“Aprender” é estabelecer através dos sentidos a realidade daquilo em que se acredita. “Crer” é ter convicção sobre a realidade daquilo que não pode ser demonstrado. Mas a verdade é a congruência daquilo que aprendemos e/ou cremos com aquilo que é. Essa identificação é conhecimento, o portão que leva além do Templo, o ser dentro do Ser.  

Podemos acreditar no Universo dentro do homem, podemos estudar o universo através do homem, porque o homem está unido com o universo no homem. A identidade do Universo e o homem é a fonte de sua fé, a fonte de sua ciência, a promessa da sua libertação, é o conhecimento da “árvore no centro” 

 

A unidade da Fonte, a unidade de propósito e a unidade de função criam uma solidariedade que dá fundação à moralidade da pessoa superior. A qualquer momento na superfície da esfera universal eclode uma partícula imponderável da energia causal. Ela projeta inúmeras fagulhas em todas as direções. Essas fagulhas viajam, afastando-se umas das outras lenta ou rapidamente, e elas irão todas se reagrupar no anti-polo. Cada uma delas estava livre, mas a superfície esférica conduze-as. 

As condições da vida pertencem a uma ordem cósmica. A vontade e o livre arbítrio pertencem a uma ordem individual e não podem de forma alguma afetar as condições da vida. As condições da vida são sagradas e relacionam-se a sabedoria. Apenas o conhecimento chega perto da sabedoria. A purificação, a unção e a coroação são rituais a serem completados para ganhar o direito de se aproximar do “sagrado dos sagrados”.                

Os meios de revelar a particularidade de um ser para o outro é o símbolo. É a especificação dedo ser. Especificações são afinidades e aparências formais no tempo, no espaço e no movimento. Mas o conhecimento não requer nenhum meio de transmissão, pois os seres não são separados do Ser. O homem não é um símbolo do universo, ele é o Universo. 

 

O reinado do espírito é a consciência da Unidade e a ordem governada por sua certeza.  

 

A consciência é a identificação de uma natureza com uma natureza similar, de um ser especificado com a especificação de outro ser. 

 

Energia não é mecânica. Massa é energia coagulada pela semente, seu movimento é mecânico, é o poder de revolta, a reação libertadora contra o aprisionamento. 

 

 

O antropocosmo é a realidade, uma fundação indisputável. O universo não é nem uma “imaginação” nem uma “vontade”, mas sim uma “projeção” da consciência humana. 

O homem dentro do humano é o Colosso do Universo. Tudo aquilo que pode ser reconhecido pelo homem está dentro dele ou vem através dele. A “lógica” através da qual ele consegue buscar ou construir todos os edifícios do pensamento é o resultado de sua posição presente  como um ser sensível face a face com aquilo que se imprime nele dentro dos presentes limites da sua percepção. 

sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Jalaluddin Rumi - 24 Poemas



Sou aquele tipo de carga 
Que não foi muito bem equilibrada. 

Desabo na grama, 
para pastar 
onde quer que eu caia. 

Por centenas de milhares de anos, tenho sido pó 
flutuando e voando à mercê do ar, 
frequentemente esquecendo um dia ter 
vivido nesse estado, 

mas quando durmo 
migro de volta pra ele. Desvencilho-me 
da cruz de quatro ramificações do tempo e do espaço, 

Saio desta sala de espera. 

Entro em um pasto enorme. 

Mamo o leite dos milênios. 

Todos fazem isso de maneiras diferentes, 
Sabendo que decisões conscientes 
e memória pessoal 
são lugares muito pequenos para morar, 
Cada ser humano é carregado à noite 
Para um adorável lugar nenhum, 
ou durante o dia, 
Absortos em algum trabalho. 

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Eu recebi um copo que tem dentro a fonte do sol, 

É um amigo em ambos os mundos, 
como a fragrância do âmbar dentro do cheiro do almíscar. 

Meu papagaio da alma fica animado com doçura. 

Batidas de asas, 

uma porta se abrindo ao sol. 

Você já viu o mercado onde se vendem cabeças cozidas: 
é dessa forma que é, 

uma maneira de ver além do interior e do exterior. 

Um burro vagueia pelo signo de Touro. 

Os heróis não ficam alinhados nas fileiras por muito tempo. 

Eu parti para Tabriz, 
embora meu barco esteja ancorado aqui. 


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Na sua luz, aprendo a amar. 

Na sua beleza, 
como fazer poemas. 

Você dança dentro do meu peito 
onde ninguém lhe vê, 
mas às vezes eu vejo, 
e essa visão se torna esta arte. 


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O som dos tambores eleva-se no ar, 
sua pulsação, meu coração. 

Uma voz dentro da batida diz: 

"Eu sei que você está cansado, 
mas venha, este é o caminho. ” 


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Você está com ciúmes da generosidade do oceano? 

Por que você se recusaria a dar esse amor a alguém? 

Os peixes não guardam o líquido sagrado em copos! 

Eles nadam na enorme liberdade fluida. 


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A experiência espiritual é uma mulher modesta 
que olha com amor para um homem. 
É um grande rio onde patos vivem felizes 
e os corvos se afogam. 

A tigela visível das formas 
contém alimentos que são nutritivos 
e também uma fonte de azia.
 
Há uma presença invisível que honramos 
e que dá os presentes.
 
Você é a água. 
Nós somos a pedra de moinho. 
Você é o vento. 
Nós somos poeira transformada em formas. 
Você é espírito. 
Nós somos o abrir e fechar de nossas mãos. 
Você é a claridade. 
Somos essa linguagem que tenta descrevê-la. 
Você é uma alegria. 
Somos todas as diferentes formas de risada. 

Qualquer movimento ou som é uma profissão da fé, 
como o moinho girando 
está explicando como ele acredita no rio! 

Nenhuma metáfora pode dizer isso, 
mas não consigo parar de apontar para a beleza. 
Cada momento e cada lugar dizem: 

“Coloque este desenho no seu tapete!” 


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Uma formiga se apressa ao longo de uma eira 
com seu grão de trigo, 
movendo-se entre enormes pilhas de trigo, 
sem saber da abundância em toda a sua volta. 

Ela pensa que seu grão solitário 
é tudo o que há para amar. 

Assim, escolhemos uma pequena semente 
à qual devemos nos dedicar. 

Este corpo, um caminho ou um professor. 

Olhe mais longe e mais amplamente. 
A essência de cada ser humano pode ver, 
e aquilo que esse olho-essência capta, 
o ser se torna. 

Saturno. 

Salomão! 

O oceano derrama-se num jarro, 
e você pode dizer que ele nada dentro 
do Peixe! 

Este mistério pacifica o seu anseio 
e cria o caminho de casa. 


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Afrodite cantando ghazals. 

Um céu com listras douradas. 

Um bambu que encontra água na pedra. 

Jesus sentado quietamente perto dos animais.
 
Uma noite tão tranquila. 


Isso é o suficiente, 
sempre foi verdade. 
Apenas não temos visto isso. 


A poupa já usa uma coroa tufada. 
Para cada formiga é dado 
seu cinto elegante no nascimento. 

Esse amor que sentimos 
se derrama através de nós 
como uma música devocional. 

A fonte do agora está aqui 


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Lembro-me dos filhos de Uzayr, 
que estavam procurando o pai. 

Eles envelheceram, 
e seu pai milagrosamente rejuvenesceu! 

Eles o encontram e perguntam: 
“Perdoe-nos, senhor, mas o senhor viu Uzayr? 
Nós ouvimos que ele deveria estar vindo por esta estrada hoje." 
“Sim,” diz Uzayr, 
"Ele está bem atrás de mim." 

Um de seus filhos responde: 
"Boas notícias". 
O outro cai no chão. 
Ele reconheceu seu pai. 

“O que você quer dizer com notícias? 
Já estamos diante da doçura de sua presença.” 

Para a mente existe tal coisa como notícias, 
ao passo que para o conhecimento interior, 
tudo está no meio de seu acontecimento. 
Para os que duvidam, isso é uma dor. 
Para os crentes, é o evangelho. 


Para o amante e o visionário, 
é a vida como está sendo vivida. 


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A alma: 
um amplo céu a escutar com milhares de velas. 


Quando qualquer coisa é vendida, 
a alma é dada no dinheiro: 
pessoas esperando na porta, 
uma escada apoiada em um telhado, 
alguém descendo. 
A praça do mercado 
iluminada com compreensão. 

O escutar abre sua boca maravilhada. 


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O canto dos pássaros, 
o vento, 
a face da água. 

Cada flor, 
lembrando o cheiro: 

eu sei que você está por perto. 


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Isto é agora. 
Agora é. 
Não adie até então. 

Ascenda o fogo.
Sente-se à cabeceira da mesa. 
Mergulhe sua colher na tigela. 

Sente-se ao lado de seu amor 
e faça sua alma desperta servir o vinho. 

Ramos ao vento da primavera, 
A dança fácil do jasmim e do cipreste. 

O tecido para mantos verdes foi cortado da pura ausência. 
Você é o alfaiate, 
acomodado entre os produtos da loja, 
costurando discretamente. 


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Você ouviu que o inverno acabou? 

O manjericão e os cravos 
não podem conter suas risadas. 

O rouxinol, de volta de sua peregrinação, 
foi feito mestre do canto sobre todos os pássaros. 
As árvores estendem seus galhos parabenizando. 

A alma 
Passa dançando pela porta do rei. 

As anêmonas ficam coradas porque viram a rosa nua. 

A Primavera, 
a única Juíza justa, 
entra no tribunal 
e vários ladrões de dezembro roubam. 

Os milagres do ano passado logo serão esquecidos. 
Novas criaturas espiralam 
da não-existência, 
galáxias espalhadas ao redor de seus pés. 
Você as conheceu? 


Você ouve o menino Jesus cantando no berço? 

Uma única flor de narciso 
foi nomeada inspetora dos Reinos. 

Um banquete é estabelecido. 

Ouça. 

O vento está servindo o vinho! 
O amor costumava se esconder dentro de imagens. 
Não mais! 

O pomar pendura suas lanternas. 

Os mortos vêm tropeçando em mortalhas. 

Nada pode ficar atado ou emprisionado. 

Você diz: “Termine este poema aqui e 
espere o que vem a seguir. ” 

Eu vou. 
Poemas são comentários grosseiros 
para a música que somos. 


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Os filósofos têm dito que amamos música 
porque ela se assemelha aos sons das esferas da união. 

Já fizemos parte de uma harmonia antes, 
então esses momentos de agudos e graves 
mantêm nossas lembranças frescas. 

Mas como isso pode acontecer 
dentro desses corpos densos 
cheio de esquecimento, dúvida e pesar? 

É como a água passando por nós. 
Torna-se ácida e amarga, 
mas na forma de urina retém qualidades aquosas. 

Pode apagar um fogo! 

Portanto, há essa música fluindo por nossos corpos 
que pode dosar a inquietação. 

Ouvindo o som, ganhamos força. 
O amor acende com a melodia. 
A Música alimenta a compostura do amante 
e dá forma à imaginação. 

A Música respira no fogo pessoal 
e torna-o mais aguçado. 

O poço é fundo. 
Um homem com sede sobe em uma nogueira 
que cresce ao lado de um lago 
e joga as nozes uma a uma no lindo lugar. 
Ele ouve atentamente o som 
enquanto elas batem na água 
e observa as bolhas. 

Um homem mais racional dá o conselho: 
"Você vai se arrepender de fazer isso. 
Você está tão longe da água que, 
no momento em que descer para colher as nozes, 
a água as terá levado." 

Ele responde: 
"Não estou aqui para comer nozes, 
quero a música elas fazem quando acertam a água. ” 


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Neste momento, 
esse amor vem descansar em mim, 
muitos seres em um ser. 

Em um grão de trigo, 
milhares de feixes. 
Dentro do buraco da agulha, 
uma noite giratória de estrelas. 

A conta transparente no centro muda tudo. 

Não há limites para o meu amor agora. 


Você já ouviu falar que há uma janela 
que se abre de uma mente para outra, 

mas se não houver muro, 
não há necessidade de encaixar a janela 
ou o trinco. 


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Dentro deste novo amor, 
morra. 

Seu caminho começa do outro lado. 

Torne-se o céu. 

Leve um machado para a parede da prisão. 

Escape. 

Vá embora, 
como alguém que repentinamente 
tornou-se colorido. 

Faça isso agora. 

Você está coberto por uma nuvem espessa. 

Deslize para fora. 

Morra, 
e fique quieto. 
A quietude é o sinal mais seguro de que você morreu. 

Sua antiga vida era uma fuga frenética do silêncio. 

A lua cheia silenciosa surge agora. 



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Fiquem juntos, amigos. 
Não se espalhem e durmam. 

Nossa amizade é feita de estarmos acordados. 

A roda d'água aceita a água e gira 
e se doa, chorando. 

Dessa forma fica no jardim, 
enquanto outra roda 
rola por um leito seco de rio 
procurando o que pensa que deseja. 

Fique aqui, 
palpitando a cada momento 
como uma gota de mercúrio. 


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Depois de dias de banquete, 
jejue. 

Depois de dias dormindo, 
fique acordado uma noite. 

Após esses tempos de contação de histórias amargas, 
piadas e considerações sérias, 
devemos nos dar dois dias entre as camadas de baklava 
na reclusão quieta 
onde a alma adoça e prospera mais do que com a linguagem. 


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Um certo Sufi rasgou suas vestes de tristeza, 

e o rasgo trouxe tanto alívio 
que ele deu ao manto o nome de faraji, 
que significa rasgado, 
ou felicidade ou aquele que traz alegria 
de ser aberto. 
Vem do radical faraj, 
que também se refere aos órgãos genitais, 
masculino e feminino. 

Seu professor entendeu a pureza daquela ação, 
enquanto os outros apenas notaram 
a aparência esfarrapada. 

Se você quer paz e pureza, 
arranque as coberturas!
 
Este é o propósito da emoção, 
permitir que uma beleza radiante 
flua através de você. 

Chame-a de espírito, elixir 
ou de acordo original entre você e Deus. 

A abertura para isso dá paz, 
uma canção sobre estar vazio, 
puro silêncio. 

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A generosidade do solo 
absorve nossa compostagem 
e cultiva a beleza. 

Tente ser mais parecido com o solo. 
Retribua melhor, 
como a terra dura devolve uma espiga de milho, 
uma flor, uma cevada, 
este belo punhado de aveia. 

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Não dê ouvidos a nada do que eu digo. 

Devo entrar no centro do fogo. 

O fogo é meu filho, 
mas devo ser consumido 
e tornar-me fogo. 

Por que há crepitação e fumaça? 
Porque a lenha e as chamas 
ainda falam uma da outra. 

“Você é muito densa. Vá embora!" 

“Você está vacilando demais. 
Eu tenho uma forma sólida. ” 

Na escuridão, 
esses amigos continuam discutindo. 
Como um andarilho sem rosto. 
Como o pássaro mais poderoso que existe, 
sentado em seu poleiro, 
recusando-se a se mover. 

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Você destruiu minha loja, 
 minha casa 
e agora meu coração, 
mas como posso fugir daquilo que me dá vida? 

Estou cansado de preocupações pessoais, 
apaixonado pela arte da loucura! 
Rasgue minha vergonha 
e mostre o mistério. 

Quanto tempo mais terei que me preocupar 
com a autocontenção e o medo? 

Amigos, é assim: 
somos franjas costuradas dentro do forro de um manto. 
Em breve seremos afrouxados, 
os fios da costura serão arrancados. 

O amado é um leão. 
Somos um cervo de patas mancas.

 Considere quais escolhas nós temos. 


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O amor vem com uma faca, 
não com alguma pergunta tímida, 
e não temendo por sua reputação! 

Eu digo essas coisas desinteressadamente. 
Aceite-as da mesma maneira. 

O amor é um louco, 
trabalhando em seus esquemas selvagens, 
arrancando suas roupas, 
correndo pelas montanhas, 
bebendo veneno 
e agora escolhendo silenciosamente a aniquilação. 

Uma pequena aranha 
tenta embrulhar uma enorme vespa. 

Pense na teia de aranha tecida 
na caverna onde Maomé dormiu! 

Existem histórias de amor 
e existe uma destruição no amor. 

Você tem caminhado à beira do oceano, 
segurando suas vestes para mantê-las secas. 

Você deve mergulhar nu e no fundo,
 muito mais fundo, 
mil vezes mais fundo! 

O amor flui para baixo. 

O solo se submete ao céu e sofre o que vier. 

Diga-me, 
a terra é pior por ceder assim? 

Não coloque cobertores sobre o tambor! 
Abra completamente. 
Deixe que seu ouvido do espírito 
ouça o murmúrio apaixonado da cúpula verde. 

Que as cordas do seu manto sejam desamarradas. 

Estremeça neste novo amor 
além de tudo 
acima e abaixo. 

O sol nasce, 
mas para onde vai a noite? 

Eu não tenho mais palavras. 

Deixe a alma falar 
com a articulação silenciosa de um rosto. 




segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Isha Schwaller de Lubicz - A alma no antigo Egito




Quando consideramos a relação dos estados psíquicos e espirituais com as funções orgânicas, é importante ter em mente também as condições gerais em níveis mais sutis do que o físico.
O sopro vital (em egípcio, o Ba universal) é inalado pelos pulmões e individualizado pelo sangue na forma de uma força vital animal (em egípcio, o Ba animal), essa é a alma inferior ou sensível, o nefesh Hebreu. Ela corresponde ao pro chinês que é a energia vital inconsciente das células, dos órgãos, do sexo e ela reside nos pulmões.
O corpo astral ou etéreo, que corresponde a noção popular de um fantasma (linga-sharira entre os Hindus e em Egípcio a sombra, Khaibit) tem como lugar o baço. Está relacionada ao Akasha, o mundo ou o estado que contém os registros de todas a imagens e figuras no nosso universo e isso justifica a ideia de que o baço é o assento da imaginação.
A força vital individual que grava no fígado as características da personalidade e da hereditariedade paternal é o Ka intermediário ou pessoal dos egípcios. Os chineses chamam-no roun e situam-no no fígado e definem suas manifestações como “energia vital pessoal, necessidades e tendências vitais pessoais e necessidades sexuais conscientes.” Na realidade essa consciência pertence ao Ser automático, o ego mortal e em relação à consciência-ego é uma forma de subconsciente, enquanto a última (que também reage no fígado) não é despertada.
O estado mental (Manas em sânscrito) tem dois aspectos. O cérebro é o órgão de um deles e em suas diferentes localizações está conectado com todas as operações da mente inferior. O outro pertence a consciência imortal do homem e sua inteligência espiritual, e não possui um órgão físico, usando estações de transmissão adequadas aos seus diferentes modos de expressão.
O estado intuitivo (que no hinduísmo começa com buddhi) tem suas estações de transmissão na glândula pineal e na região do coração; está relacionado com o Chen chinês, traduzido como ‘consciência’ ou ‘centelha espiritual que relaciona o homem com o universo’. Essa estação localiza-se no coração de acordo com os Chineses e Egípcios.

As palavras ‘alma’ e ‘espírito’, da forma que são usadas em países cristãos são tão vagas que precisamos pedir para o leitor permitir a adoção de dois termos do antigo Egito: Ba e Ka, primeiro porque o significado metafísico dessas palavras é definido estritamente e segundo porque as noções filosóficas conectadas a elas tornará possível explicar seus diferentes aspectos melhor do que qualquer outra maneira. A seguinte descrição é uma citação dos comentários no Her-Bak (livro de Isha Swaller de lubicz – a face viva do antigo Egito).
Há uma boa razão para enfatizar a forma Egípcia desse ensinamento, pois os textos antigos, hieróglifos e imagens, permanecendo inalterados, são testemunhas de uma tradição imutável.

A alma no antigo Egito

Os diferentes constituintes da natureza humana recebem diferentes nomes em cada tradição religiosa e seu número e classificação podem variar de acordo com as escolas de uma única tradição, mas isso de forma nenhuma impugna a realidade do nosso conhecimento delas.
Os elementos ocultos da natureza humana são estágios ou modalidades da consciência que existem, de fato, independente da maneira que são classificados ou nomeados, e o conhecimento e experiência desses diversos estados consiste nos vários graus de maestria, independente de qualquer diferença de terminologia. Estudá-los em teoria, entretanto, requer um conhecimento dos termos a serem empregados.
A palavra ‘alma’ é vaga e muito inclusiva e cria ilusões quando a discriminação entre os diferentes estados de consciência não é possível devido à ignorância. No outro extremo uma análise muito detalhada torna-se intelectualmente irritante e também representa uma obstrução no caminho do autoconhecimento.
Os principais estados metafísicos do homem são mencionados pelos Egípcios, mas não são tão detalhadamente analisados como pelos Hindus. Tal análise era desnecessária pois os símbolos hieróglifos podem expressar os diferentes aspectos de um princípio singular de acordo com como eles são usados, em grupos ou separadamente e em tal método há menor risco de erro do que quando estudamos isoladamente constituintes que não podem ser separados.
A complexidade, porém, não é maior quando consideramos os diferentes significados ocultos de nossos constituintes espirituais. Não é difícil para a imaginação compreender as duas condições extremas da composição humana, a mais espiritual de um lado e do outro a mais próxima ao corpo, a Sombra ou Fantasma, o ‘corpo emocional”, que conserva nossa semelhança e carrega traços à nossa vida psíquica.
Mas é mais difícil definir os fatores intermediários que tem tanto algo da nossa natureza inferior quanto da nossa natureza mais elevada, tais como os diferentes aspectos do Ba e Ka, que às vezes são falados separadamente e às vezes tomados juntos sob um mesmo nome.
As definições desses dois devem sempre ser relativas umas às outras, uma vez que podem apenas referirem-se a um aspecto em suas relações ao outro.
Ba, em relação ao Ka, é o espírito vivificante. Ka, em relação ao Ba, é a individualização da consciência em estados mais ou menos grosseiros ou sutis de Ser e torna possível a estabilização do espírito vivificante.
Ba dá o sopro da vida, sua característica é não ser fixo por natureza e sempre necessita de suporte.
Ka é um princípio de firmeza, de fixação e atração, é o poder que pode atrair, estabilizar e transformar o princípio vital ou vivificante, Ba.
A palavra bka, significa a impregnação ou fecundação de uma fêmea, mostra como esses dois fatores devem ser trazidos juntos para que possa haver a concepção, que é a encarnação do Ka essencial e específico, dado pela semente e animado pela respiração vital do Ba.
Não devemos esquecer que tudo vem do Um e todos os fatores ou estados de ser são apenas manifestações do Um, a despeito dos diferentes nomes que lhes são dados para expressar Seus diferentes aspectos. Esses aspectos podem parecer intercambiáveis de acordo com seu modo mútuo de ação e reação em todas as tríades da ‘Manifestação’, a qual surgiu da trindade original. Assim, podem existir intercâmbio de nomes entre as diferentes funções.
Dessa forma com Ba e Ka há um contínuo intercâmbio cada um atuando ora como parte ativa ora como parte passiva.
Estando avisados sobre o erro de interpretá-los esquematicamente, podemos estudar as respectivas funções de Ba e Ka.
Ba é o aspecto impessoal da alma, pois é o aspecto universal, mas é condicionado pelas afinidades com Ka, e essas são determinadas pelas circunstâncias do nascimento.
No que diz respeito ao nosso surgimento, Ba e Ka são o segundo e o terceiro princípios ou estados manifestando a Trindade, a qual é primeiro criativa e depois formativa e regenerativa. O primeiro princípio não é akh, como a terminologia comum costuma fazer-nos supor, mas a, que contém virtualmente os dois aspectos (atividade, passividade, àa ou ia) da Fonte Original, a Palavra Criativa. Akh é o poder original gerado na escuridão da matéria e superando-a na sua qualidade de luz emergindo da escuridão.
O segundo fator, Ba, foi considerado no Egíto sob dois aspectos, como a Alma Universal, a Alma Natural e a Alma Humana, mas ele tem em si um caráter duplo.
Pois assim como na Trindade original o Dois têm um caráter dual, uma vez que compartilha na essência divina do Um do qual procede, mas também tem o caráter particular ou individual devido à sua parte na Natureza, que ele vai “causar” através da sua dualidade, Da mesma forma, Ba é tanto universal e particularizado no ser humano. Ainda assim, sendo que sua natureza é espiritual, permanece indivisível, isto é, se para de ser individualizada, retorna para a união com sua fonte.
Ba, assim como Ka, tem três aspectos:
1-      Ba, é a alma cósmica, o Espírito de Fogo, que dá vida ao mundo em todas as suas partes. Originalmente existe Ba e entre o início e o fim Ba está em todas as coisas, sendo o sopro que cria a vida. Portanto, o espírito de Ba está em todas as partes do mundo e na sua perfeição final.
2-      Ba é a Alma natural estabilizada na forma corpórea e seu personagem é Osiriano, ou seja, sujeito a renovações cíclicas. Esse aspecto é simbolizado pelo carneiro com dois chifres horizontais.
3-      Ba também é representado por um pássaro com uma cabeça humana e esse é o símbolo da alma humana, que vai e vem entre o céu e a terra, vagueando perto do seu corpo até que a purificação de seu Ka-djet, ou corpo glorioso indestrutível, que ela então pode assumir.  
Os três aspectos de Ka podem ser entendidos da seguinte maneira:
Em sua forma original, Ka, é o elemento formal que dá forma para a Substância e assim cria a Matéria. É o princípio da fixação que se torna a base para toda a Manifestação, a força motivadora das funções universais. Os Egípcios também o chamavam de “Pai dos pais dos Neters (princípios)”, pois Ka é o princípio que realiza (torna real) a continua criação, sem ele o Pai não teria poder efetivo, e através dele o Filho revela a face do seu Pai. Através dele todas as coisas recebem seus “nomes”.
Os Kas do sol, Ra, são propriedades ativas, os Kas de qualquer tipo de comida são suas qualidades vitalizantes. Pois Ka é a fonte de todos os apetites.
Todos os aspectos de Ka são encontrados no homem, mas nem todos estão sob seu controle. As qualidades superiores de Ka que se alimentam do fogo sutil do tutano, só se encorparam no homem quando ele tem conhecimento disso e domina-os.
Os Kas animais residem nos intestinos e os apetites dos quais eles são a encarnação permanecem por um certo tempo após a morte. É para esses kas que a comida funerária era oferecida. Mas o Ka superior de um homem é superior a esses Kas animais.
Podemos agora ver os três aspectos de Ka:
Primeiro o Ka original, criador de todos o outros, depois os kas da natureza, mineral, vegetal, e animal, e então o Ka individualizado do homem, que inclui seu caráter herdado e sua própria assinatura e que também determina seu destino.
No reino humano o Ka era também considerado pelos Egípcios sob três aspectos: no nível universal como a origem do homem, no rei como o microcosmo, tipo e símbolo do homem perfeito, e no homem ordinário ainda não aperfeiçoado.
Podemos agora falar do Ba humano da alma individual, que graças ao seu Ka torna-se uma Entidade.
Ba, como espírito puro e sem forma, deve sempre ter um suporte para que possa se manifestar, e esse suporte é a afinidade seletiva da coisa a qual ele deve animar, e essa afinidade é determinada e caracterizada pelo Ka.
São as características do Ka que fazem as escolhas das circunstâncias para a encarnação, bem como da nutrição e da atmosfera do entorno.
O Ka, que é o elemento estável no homem se distingue dos Kas dos outros homens pelas qualidades específicas da sua própria afinidade seletiva. O Ba universal está em constante contato com o homem ao qual ele anima e com seu Ka; mas o Ka ao assimilá-lo gera um novo ser que é a alma individualizada, que permanece divina, incorruptível e, portanto, imortal e ainda é governada pela afinidade que ela agora tem com as características de seu Ka. Isso é o que chamamos de Ka superior.
O Ba individualizado é, portanto, o elemento mais espiritual no homem, pois através de sua natureza divina representa seu elo com o Criador. Por isso será sempre incompreensível para a faculdade pensante, cuja natureza relativa não pode estabelecer contato com o Espírito. Assim também é impossível definir esse Ba-alma, ou aprisioná-lo num corpo, pois ele é incomensurável e indivisível, livre e não afetado pelas vicissitudes do ser humano cujo único elo com ele é a consciência.
É difícil distinguir os diferentes aspectos de Ka, pois suas diferenças não residem na sua fonte ou causa, mas apenas em seus efeitos. Se a luz do sol é refletida por vários espelhos feitos de diferentes metais, ela assumirá diferentes cores e qualidades dos diferentes espelhos. Assim, embora cada entidade-Ka surja da mesma fonte Maat (consciência-verdade), cada uma é caracterizada no homem no qual está encarnada por assinaturas das forças vitais (Kas natural, orgânico e instintivo) que ele encontra em si e pela consciência inata do seu ser.
Portanto, o Ka é seu agente de consciência, A Testemunha Permanente das transformações do seu ser; é a personalidade gravada no fígado e assinada sobre a pele por Seshat; ele compartilha as reações emocionais que são sentidas pelo coração  e pelos Kas do corpo animal, é alimentado pelos Kas dos alimentos e enriquecido pelo duplo nefer, a corrente dupla de fogo na sua coluna vertebral.
O homem, ignorante do seu próprio mundo espiritual tem pouco ou nenhum contato com seu Ka divino. Seu Ka pessoal é trazido pelo conjunto dos seus Kas inferiores, dessa forma ele irá, após a morte, tornar-se sua própria sombra ou fantasma.  
Mas a busca pelas fontes de ação espiritual e pelo aumento da consciência podem modificar o caráter do seu Ka pessoal até que as faculdade espirituais são despertadas e ele estabelece contato com o Ka divino e isso proporcionalmente diminui a tirania do Ka inferior.
Esse relato dos aspectos de Ba e Ka é mais próximo da realidade que todas as explicações teóricas que teriam que ser construídas para tornar inteligíveis os vários aspectos do que é comumente chamado de “a alma”. Seria sábio pensar sobre isso frequente e profundamente até que sua realidade se torne aparente.
Nesse trabalho a palavra “alma” foi usada como o aspecto espiritual mais elevado de Ba. A alma individualizada, ou a Testemunha Espiritual, que também pode ser chamada de Testemunha do Ser Impessoal, foi chamado de “Ka divino”. A testemunha Permanente ou a Consciência Pessoal corresponde ao Ka intermediário.
O Ka inferior compreende a “consciência psicológica” do autômato (físico, emocional e mental). Os Kas animais correspondem à consciência orgânica, incluindo a consciência essencial funcional, que os Egípcios chamaram de “os quatro filhos de Horus”.