segunda-feira, 28 de maio de 2012

Hafiz - Cinco Poemas

Todos talentos de Deus estão dentro de você.

Como poderia ser diferente,
uma vez que sua alma
derivou dos genes Dele!

  Eu amo esta expressão:

 “Todos os talentos de Deus estão dentro de você.”

Às vezes Hafiz não consegue fazer nada senão aplaudir
 Certas palavras que surgem de minhas profundezas
como a fragrância do corpo de uma amante.

 Segure este livro perto do seu coração
 pois ele contém segredos maravilhosos.

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Aconteceu a noite passada:

O amor arrebatou a si mesmo;
Borrifou meus cérebros pelo céu.

 Imagino agora por eras
 que algo de Hafiz
 Parecerá cair do céu
como estrelas cadentes

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Às vezes eu digo para um poema:

“Agora não, você não vê que estou tomando banho?”

Mas o poema não me dá ouvidos e ironiza:

“Muito mal Hafiz,
não fique preguiçoso.
Você prometeu para Deus que ajudaria
E Ele acabou de aparecer com essa nova melodia.”

 Às vezes eu digo para um poema:

“Não tenho forças para torcer mais uma gota do Sol.”

 E o poema geralmente responde subindo na mesa da taberna,
levantando sua saia, dando uma piscadela
Fazendo com que o céu todo venha abaixo.
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Resista a sua tentação de mentir
falando da sua separação de Deus,
Senão teremos que medicá-lo.

No oceano acontece muita coisa abaixo de seus olhos.
Ouça, eles têm clínicas lá também
para os loucos que persistem em dizer coisas como:

 “Sou independente do Mar,
Deus não está sempre por aqui
gentilmente se apertando contra meu corpo.”

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Viajante,

Somos como dois copos de água
que Deus despejou em um jarro.

 Sou um com você completamente.

É claro que quaisquer sonhos que você tenha deste mundo
eu também posso dizer que são meus.   

É estranho mas é verdade:
 a “água” pode dormir.

 Quando você despertar, querido,
não fique assustado,
estaremos girando uma corda ao redor de Maomé,
assistindo o sol divertidamente rir e pular
no meio de nossa inacreditável União divina

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Jalaluddin Rumi - Treze Poemas

As palavras, mesmo que venham da alma,
ocultam a alma, como a névoa pairando sobre o oceano
cobre a costa, os peixes, as pérolas.
É um trabalho nobre construir discursos filosóficos coerentes,
mas eles bloqueiam o sol da verdade.
Veja as qualidades de Deus como um oceano
e este mundo como a espuma sobre a pureza delas.
Limpe a superfície e veja além do alfabeto direto para a essência,
assim como você faz com os cabelos
que cobrem os olhos de sua amada.  

Eis o mistério: esse mundo complexo e surpreendente
é a prova da presença de Deus
mesmo estando cobrindo a beleza.
Um floco da parede de uma mina de ouro
não dá muito a ideia de como é quando
o sol brilha lá dentro e torna o ar e os trabalhadores dourados.

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Você é o amanhecer que chega no meio da noite,
fios de cabelo de música preenchendo a flauta,
a compreensão entrando através do ouvido e do olho,
o perfumado vapor do sabonete.
Sinais e instruções específicas articulam-se de você,
ensinando-nos novas maneiras de peregrinar.
Perguntar por que e como já não é mais correto.
Digamos que a alma é como os pés de uma formiga,
ou a água do mar, amarga e salgada,
ou uma cobra que tem também o antídoto
para o seu veneno em seu crânio:
nós rompemos através destas formas enigmáticas
para nos sentar em sua sombra da manhã.
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Este momento maravilhoso, o gosto do nada,
na companhia dos pobres e dos vazios.
Sente-se com Bistami, não com algum adivinho.
Existem mais do que dois feriados no ano!
Nós celebramos um nascimento e um solstício a cada segundo.
Recém-nascidos, precisamos de pão fresco!
A vida cresce dos mortos,
da mesma forma que os vivos são levados para a morte.
Ramos secos para o fogo:
galhos verdes curvam-se no chão com os frutos;
o prazer preenche o seio de uma mãe:
coloque sua boca ali e mame. Você deve.
Fiz muitos discursos elegantes para a assembleia.
Agora é hora de andar lá fora e ficar em silêncio.
Shams me atrai para as palavras, depois dois dias de silêncio.
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O cantor canta sobre o amor,
até que o Amigo aparece na soleira da porta.
A fumaça da cozinha flutua para as nuvens
e se torna um vinho de mil anos.
Estou aqui,
não calculando o crédito acumulado ou com especulações futuras.
Sou a vinha e o barril onde as uvas são esmagadas,
toda a operação cuja transação despeja esta taça de vinho,
este momento, este poema.
Um homem se depara com a bagagem,
papeis da casa, arrependimento e desejo,
não sabendo para qual tender.
Nenhum deles.
Depois que você tiver visto a face, as preocupações mudarão,
assim como a água do lago torna-se bruma.
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O amor está vivo e alguém recebendo seu suporte
está mais vivo do que os leões rugindo
ou que os homens com uma coragem feroz.
Bandidos armam emboscadas uns para os outros na estrada.
Eles conseguem riqueza, mas permanecem em um só lugar.
Os amantes ficam se movendo,
nunca o mesmo, nem por um segundo!
O que faz os outros chorarem eles apreciam!
Quando eles parecem bravos eles não acreditam em suas faces.
É um raio da primavera, uma piada diante da chuva.
Eles mastigam espinhos até o fim juntamente com a grama do pasto.
Gazelas e leões jantando.
O amor é invisível exceto aqui em nós.
Às vezes louvo o amor, às vezes o amor louva a mim.
O amor, uma pequena concha
em algum lugar do fundo do oceano,
abre sua boca. Você e eu e nós, esses seres imaginários,
entram na concha como um único gole de água do mar.
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 Você veste uma lã grosseira, mas você é um rei,
assim com a energia da alma se esconde,
 como o amor se lembra.
Você entra nesta sala numa forma humana
e como a atmosfera que respiramos.
Você é o polo central através dos nove níveis
conectando nós e eles a absoluta ausência.
Para que possamos obter o que queremos
você dá falha e frustração.
Você quer apenas a companhia do leão e seu filhote,
não de pernas vacilantes.
Aquele homem ali que você sugere
deve remover sua cabeça antes de entrar no templo.
Então ele poderá ouvir sem ouvidos a voz que diz:
Minha criatura.
A estrada que leva um mês para ser percorrida
você cobre essa distância em um dia.
Não ligue para pagamentos de ouro e prata.
Quando sentir-se generoso, dê a sua cabeça.
Minha beleza, você não precisa de um guia.
Aquele que segue e aquele que lidera são inseparáveis,
assim como a lua e o círculo ao seu redor.
Um árabe arrasta seu camelo de cidade em cidade.
Você segue através de seus problemas e mudanças de crença,
ambos não são diferentes da lua movendo-se
ou do manjericão crescendo e sendo cortado para um buque.
Não importa que você tem estado perdido.
A poupa ainda está lhe procurando.
É um novo começo, meu amigo,
esse acordar numa manhã sem neblina
e a ajuda chegar sem você pedir!
Uma taça submersa está girando dentro do vinho.
Com o pesar mandado para longe chega uma doce gratidão.
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Para a ausência o incenso queima perfumado.
O amor que sentimos é a fumaça disso.
 A existência é pintada pela não existência – sua fonte,
o fogo por trás da tela.
A fumaça nascida desse fogo esconde o fogo!
Passe através da fumaça.
A alma, um rio um movimento,
o corpo, o leito do rio.
A alma pode quebrar o círculo do destino e do hábito.
Segure as mãos da ausência
e deixe-a o levar através das Plêiades,
abandonando seco e molhado, quente e frio.
Você se tornará um confidente de Shams de Tabriz.
Você verá claramente a glória do nada
e inexplicavelmente permanecerá ali.
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Veja como o desejo mudou em você,
O quão leve e sem cor ele está,
Com o mundo gerando novas maravilhas
Por causa de sua mudança.
Sua alma tornou-se uma abelha invisível.
Não vemo-na trabalhando, mas ali está uma colmeia inteira!
Seu corpo mede por volta de um metro e tanto,
mas sua alma eleva-se pelos nove níveis do céu.
Um barril arrolhado com terra e uma estaca de madeira bruta
Mantém em seu interior o mais velho vinho da vinha.
Quando lhe vejo, não é tanto a forma física,
mas a companhia de dois cavaleiros,
sua devoção de puro fogo e seu amor por aquele que lhe ensina;
em seguida o sol e a lua um passo atrás.
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Para um dervixe todos os dias são como sexta-feira,
como o início de um feriado,
Um começo de uma viagem que não terá fim.
Vestido na beleza da alma, você é um mês todo de sextas-feiras,
Doce lá fora, doce aqui dentro.
Sua mente e seu ser profundo caminham juntos
como dois amigos caminham para dentro de sua amizade.
As ruínas não permanecem no lugar num riacho que corre rápido.
Deixe os ressentimentos serem lavados no oceano.
O olho de sua alma assiste um ramo verde da primavera mover-se,
enquanto que esses outros olhos amam velhas histórias.

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Siga o conselho de janeiro. Empilhe a lenha.
O tempo ficará frio inevitavelmente
e você fará fogo para permanecer saudável.
Estude a grande metáfora desse trabalho anual.
A lenha é um símbolo para a ausência.
O fogo, para o seu amor por Deus.
Nós queimamos a forma para aquecer a alma.
A alma ama o inverno, por isso ela aceita relutantemente
o conforto da primavera com suas dádivas elegantes e proliferastes.
Tudo é parte do plano: o fogo virando cinzas,
virando o solo do jardim, virando hortelã, salgueiro e tulipa.
O amor se parece com o fogo. Alimente-se nele.
Seja a lareira e a lenha.
Parabéns por essa metalurgia que faz uma agulha de uma barra de metal fundido.
Acalme o fogo agora: para a mariposa uma janela,
para você uma armadura de rosas!
O faraó dissolve como iogurte na água.
Moisés vem para o topo como óleo.
Árabes finos carregam a realeza.
Cavalos, os sacos de esterco seco.
A linguagem é um barulho irritante no moinho do significado.
Um rio silencioso gira a pedra de moer.
As palavras-grão são ruidosamente despejadas na esteira,
pulverizadas sob a pedra como fofoca.
Deixe este poema ser assim moído.
Deixe-me retornar para o fogo do amor
que refina o puro ouro de meu amigo, Shamsuddin.
__________
Vejo minha beleza em você. Torno-me um espelho
que não pode fechar os olhos para o seu anseio.
Meus olhos molhados com os seus na luz do alvorecer.
A cada momento minha mente dá a luz, sempre concebendo,
sempre no nono mês, sempre no ponto. Como aguento isso?
Tornamo-nos estas palavras que dizemos,
o som de um pranto movendo-se no ar.
Estes milhares mundos que surgem de lugar nenhum,
como pode sua face contê-los?
Sou uma mosca no seu mel, então mais perto,
uma mariposa pega na fascinação da chama,
depois um céu vazio estendido em homenagem.
__________
A lua vem visitar como um convidado da noite.
A rosa senta-se ao lado do espinho.
Alguém lavando roupas pede pela misericórdia do sol!
O compasso da perna circula o ponto.
Maomé chega aqui, um estranho,
uma nascente para esta árvore seca.
Hallaj sorri em sua cruz.
A romãzeira floresce. Todos falam sobre as folhagens,
não com palavras mas quietamente
de mesma forma que o próprio verde fala de dentro,
conforme começamos a viver nosso amor.

___________
Estou aqui, neste momento, dentro da beleza,
o presente que Deus deu, nosso amor:
este sinal circular e dourado
significa que estamos livres de qualquer dever:
da eternidade volto minha face para você
e para dentro da eternidade:
temos estado apaixonados todos esse tempo.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Bhagavan Ramana Maharshi - História de uma Discípula


Rajapalayam Ramani Ammal: Quando eu era bem jovem, por volta dos dezoito anos de idade, Bhagavan apareceu para mim em um sonho. No sonho Bhagavan caminhava em minha direção, eu podia ver até um Shivalinga no sonho. Antes disso, krishna costumava aparecer nos meus sonhos com frequência, mas dessa vez era uma pessoa que eu nunca tinha visto antes; fiquei cativada por tê-lo visto. A deidade de nossa família era Vishnu e costumávamos oferecer Puja para Vishnu e para Krishna, entretanto ver  o Shivalinga no sonho me deixou intrigada. Naquela época eu não podia entender o sonho. Mas daquele momento em diante minha mente mudou, tendo sido muito covarde desde a infância eu não podia nem mesmo andar até a porta de casa a noite. Mas depois de ter sonhado com o darshan de Bhagavan, o medo que me perseguia abandonou-me.
Foi só aos vinte anos que consegui um livro de Bhagavan. Era o Ramanavydia. Simplesmente ao tocar no livro perdi a consciência do corpo, meu corpo todo ficou dormente e foi com grande dificuldade que consegui voltar e sentar ao lado de minha amiga, percebendo meu estado ela comentou: ‘você não deveria ler todos os tipos de livros. Os membros de sua família ficarão zangados com você, não precisa ler tais livros com tão pouca idade. Ler alguma coisa pode ser bom, mas não passar vinte e quatro horas por dia lendo livros desse tipo’.  Naquela época eu passava o tempo todo lendo livros espirituais como o Bhagavad-Gita, etc.  Eu curiosamente abri o Ramanavydia pela primeira vez e assim que o fiz vi uma foto do jovem Bhagavan, cai no chão com o impacto de ver a foto. Que livro é esse eu pensei. ‘Não leia esse livro, minha amiga avisou-me, acho que esse livro vai mudar a sua vida’. Eu não dei ouvidos a ela e levei o livro para a cama comigo, estava com medo que eu pudesse desmaiar de novo. Então, deitei na cama para ler. Conforme li o livro fiquei tão absorvida, meus olhos ficavam fechando, meu estado foi mudando, ali eu entendi que aquilo que eu estava experimentando era meditação como descrita por Bhagavan.
Naquela época, não era permitido que as mulheres deixassem suas casas, muito menos que saíssem de sua cidade. Entretanto, após ter lido o Ramanavidya senti que antes de morrer eu deveria encontrar Ramana Maharshi, não importando o que acontecesse. O livro me deu essa determinação, porém eu não podia deixar minha casa imediatamente, demoraram dois anos até que tive êxito. Sai de casa ardilosamente com a ajuda de meu irmão. Ele também era uma pessoa espiritual e é um Sadhu hoje. Cheguei à Tiruvanamalai com a ajuda de um servo. Chegando lá, fiquei tomada de culpa por ter fugido de casa e de remorso por ter feito a coisa errada para conseguir coisas boas. Sentia que queria ter nascido em alguma outra família, fiquei muito deprimida. Fui até Bhagavan no Domingo. Na parte de fora do antigo salão, fui até o escritório perguntar sobre Bhagavan e me disseram que ele estava perto do poço. Quando cheguei no poço não consegui ver Bhagavan, mas apenas uma grande chama. ‘Perguntei onde encontrar Bhagavan e eles me mandaram para um local de sacrifícios’, pensei comigo mesma. Conforme permaneci ali Bhagavan apareceu naquele exato local. Na hora pensei que tinha tido aquela ilusão de ter visto o fogo porque eu tinha vindo do sol quente. Foi apenas depois que percebi que Bhagavan tinha me concedido o Shudi Darshana, eu podia sentir seu Purana em meu coração. Bhagavan disse: ‘você chegou em casa, sente-se’. Sentei na frente dele, mas não perguntei nada. Haviam tantas pessoas por lá e eu não estava acostumada com isso. Eu não fazia ideia do que perguntar a ele. Fiquei três dias sentada na frente dele, entretanto, o sentimento de culpa por ter fugido de casa continuava me assolando. Um dia Bhagavan disse: ‘eu fugi de casa também, temia que alguém me capturasse e me levasse de volta para casa, eu fugia como um ladrão, se foi tão difícil para mim, quão mais difícil seria para uma mulher’. Essas palavras dele varreram completamente meu sentido de culpa. Aquelas palavras removeram também qualquer resíduo de medo em mim. Desde lá eu fui até a montanha sozinha inúmeras vezes até mesmo a noite, sem falar para ninguém. Não havia mais medo. Se tivesse medo como poderia ficar por aqui nas montanhas sozinha.
A respeito de minha fuga, Bhagavan disse que talvez isso fosse necessário. ‘Eu tinha 16 quando vim para este lugar. Ademais ela é uma jovem mulher, é assim que a pessoa deve fazer se for necessário. O que há de errado nisso’.
Na ocasião da morte de Bhagavan, vi naquela noite uma linda luz azul subindo aos céus, naquele momento eu sabia que ele tinha abandonado o corpo físico. Eu não queria mais viver depois disso, então comecei a jejuar esperando morrer daquele jeito. Por seis dias não toquei em comida. E durante aquele período tive várias visões. Em uma delas fui levada para dentro de uma caverna na montanha, onde vi alguns rishis realizando um ritual. Sri Bhagavan estava sentado entre eles, ele disse: ‘Por que você está chorando? Por que esta angústia? Você diz que eu fui embora, mas para onde eu fui, estou aqui você não pode me ver?’ Alguns rishis trouxeram prasad, Sri Bhagavan pegou um pouco e ofereceu a mim. Eu não lembrava no sonho que estava de jejum e comi a prasad, por 5 dias depois disso o cheiro daquela prasad ficou comigo. Então, aquilo foi um sonho ou foi realidade? Eu considero isso como sendo a graça de Bhagavan. No dia seguinte comecei a comer. Daquele dia em diante eu não tenho essa dúvida se Bhagavan nos deixou, ele permeia a tudo. Está em toda parte. Não senti mais tristeza em meu coração. Certamente ele está aqui também.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Coleman Barks - Sobre seu trabalho com Rumi

Pergunta: Uma das coisas que eu pensei que poderia ser de interesse para os nossos ouvintes, é começar contando a história de como você chegou à poesia de Rumi. 
Coleman Barks: Eu já contei essa história em vários lugares. Bem, eu tive esse sonho no qual eu estava dormindo ao lado do rio Tennessee. É o lugar onde eu cresci nas proximidades de Chattanooga.  E no sonho uma bola de luz emergiu da ilha de Williams. E eu acordei dentro do sonho. Foi um daqueles momentos lúcidos iguais quando estou acordado, entretanto eu estava ainda dormindo no sonho, mas tinha acordado dentro do sonho. E essa bola de luz veio e clareou de dentro para fora. Havia um homem sentado dentro da bola de luz. Ele levantou a cabeça e disse: "Eu te amo". E eu disse: "eu te amo também."
E em seguida, a paisagem toda ficou molhada com orvalho. E o orvalho e a umidade eram o amor. E de alguma forma, embora tudo tenha acontecido no sonho, senti que algo ficou estabelecido ali.  Então, cerca de um ano e meio depois disso, eu estava viajando para o norte para fazer algumas leituras de poesia. Encontrei com Jonathan Granoff. Ele me levou para ver seu professor lá na Filadélfia. Era Bawa Muhaiyaddeen. E ele era o homem no sonho, que estava sentado lá em uma bola de luz.
Não há nenhuma maneira que eu possa provar que aquilo aconteceu exceto para mim mesmo. Isso aconteceu. E eu estava lá dentro do sonho e o encontrei. E ele tinha vindo a mim e me ensinado coisas no sonho. E, em seguida, na Filadélfia eu queria contar-lhe a respeito do sonho. E ele apenas dirigiu-se a mim dizendo: "eu estava lá. você não precisa me contar o sonho. O que você quer saber?" 
Ele me disse para fazer este trabalho do Rumi. Falou que isso tinha de ser feito. Portanto, a única credencial que eu tenho para trabalhar com as palavras deste grande ser iluminado é que eu estive diante daquela presença por nove anos, indo e voltando quatro ou cinco vezes por ano para visitar esse homem, que também espontaneamente cantava canções e louvava a existência.
Portanto, essa é a principal ligação que me conecta com Rumi. Quando trabalho nesses poemas sinto que estou fortalecendo a amizade com meu professor.
* Esse trabalho de Coleman Barks de tradução dos poemas de Rumi foi o principal responsável por tornar a poesia de Rumi conhecida no ocidente. Os poemas de Rumi presentes no blog são todos traduções do trabalho de Barks.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Kabir - Três Poemas

Segundo os Vedas,
o Incondicionado está além do mundo das condições.
Que proveito há em discutir se Ele
está além de todas as coisas ou em todas as coisas?
Veja tudo como sendo Seu próprio lugar de moradia e
a névoa do prazer e dor jamais entrará nela.
Ali Brahma é revelado dia e noite.
Ali a luz é Sua vestimenta, a luz é Seu assento,
a luz repousa sobre Sua cabeça.
Kabir diz: "O mestre que é verdadeiro é toda a luz."

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Ó Sadhu! Ouça minhas palavras imortais.
Se você quer seu próprio bem,
examine e considere-as com atenção.

Você afastou-se do Criador, do Qual você brotou.
Você perdeu sua razão, comprou a morte.
Dele surgiram todas as doutrinas e todos os ensinamentos,
eles crescem Dele, saiba disso com certeza e não tenha medo.
Ouça de mim as novidades desta grande Verdade!
De quem é o nome que você canta
e em quem você medita?
Por favor, saia desse emaranhamento!
Ele habita no coração de todas as coisas,
então por que se refugiar nessa desolação vazia?
Se colocar o Guru a uma distância de você,
então, será apenas a distância que você honrará.
Se o Amo estivesse longe de fato,
quem mais estaria criando este mundo?
Quando pensa que ele não está aqui,
você se afasta cada vez mais
e procura-O em vão com lágrimas.
Se está longe, Ele torna-se é inatingível;
se está perto, Ele é a própria bem-aventurança.
Kabir diz:
"Para que seu servo não sofra dores
Ele permeia-lhe por completo.
Portanto, conheça a si mesmo, ó Kabir;
pois ele está em você da cabeça aos pés.
Cante com alegria e mantenha seu assento imóvel
dentro do seu coração.

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O verdadeiro Nome é diferente de qualquer outro nome!
A distinção entre o Condicionado e o Incondicionado
é apenas uma palavra: O Incondicionado é a semente,
o condicionado é a flor e o fruto.
O conhecimento é o ramo e o Nome é a raiz.
Procure e veja onde está a raiz:
a felicidade será sua quando você chegar à raiz.
A raiz irá leva-lo ao ramo, à folha,
à flor e ao fruto.
Esse é o encontro com o Senhor,
essa é a realização da felicidade,
é a reconciliação do condicionado
e do Incondicionado.

sábado, 31 de março de 2012

Hazrat Inayat Khan - A Mensagem Sufi

O movimento Sufi consiste em um grupo de possoas pertencentes a diferentes religiões, que não abandonaram suas religiões, mas que aprenderam a compreendê-las melhor. E seu amor está na vida, na forma de amor por Deus e pela humanidade, em vez de direcionado para um secto particular.
O trabalho principal que o movimento Sufi deve realizar é o de criar um melhor entendimento entre o oriente e o ocidente e entre as nações e raças do mundo. E a nota que a mensagem Sufi está soando agora neste tempo é a nota que ressoa a divindade da alma humana - para fazer com que os seres humanos reconheçam a divindade na alma humana, algo que até então foi negligenciado, pela razão de que o tempo ainda não havia chegado. A coisa principal que a mensagem deve atingir nesta era é criar a percepção da centelha divina em cada alma, que cada alma de acordo com o seu progresso possa começar a perceber por si mesma a centelha da divindade interior. Essa é a tarefa que está diante de nós.
Agora você pode perguntar: Qual é a Mensagem? A Mensagem é esta: a humanidade é como um único corpo e todas as nações, comunidades e raças são os diferentes órgãos; e a felicidade e bem-estar de cada uma delas é a felicidade e bem-estar do corpo todo. Se há algum órgão do corpo com dor, o corpo todo tem de suportar e dividir essa tensão. Que através dessa Mensagem a humanidade comece a pensar que o seu bem-estar não é alcançado ao cuidar de si mesma, mas está em cuidar dos outros e quando houver reciprocidade em todos, amor e bondade recíprocos, uma era melhor virá.
O conhecimento Sufi é de serventia para todas as pessoas, não apenas para ajudá-las a viverem suas vidas corretamente, mas em sua própria religião. O movimento Sufi não chama ninguém para sair de sua crença ou religião, mas convida as pessoas a viverem suas crenças e religiões. Em suma, é um movimento através do qual Deus pretende unir a humanidade em irmandade e em Sabedoria 

quarta-feira, 21 de março de 2012

Ramesh S. Balsekar - Sobre Nisargadatta Maharaj

Embora pareça surpreendente, Maharaj era um ator soberbo. Seus traços tinham muita mobilidade e ele tinha olhos grandes e expressivos. Quando narrava um incidente ou discutia algum assunto seus traços respondiam espontaneamente a suas palavras e ações. Sua fala era muito articulada e quando falava ele fazia uso livre de gestos. Portanto, uma coisa era ouvir as fitas com as gravações de seus discursos e outra bem diferente escutar sua voz vibrante acompanhada das gesticulações apropriadas. Ele era um tremendo ator, uma estrela.
Certa manhã, dentre os ouvintes havia um ator europeu muito conhecido. Maharaj estava explicando como a imagem que temos de nós mesmos não é muito fiel. Ela fica mudando de tempos em tempos de acordo com as mudanças de circunstâncias. Ele percorreu por toda a gama de nosso tempo de vida, descrevendo a imagem que temos de nós mesmo quando crianças, não desejando nada além de mamar no peito; depois como um adolescente cheio de saúde e com ambições de conquistar o mundo, depois um homem apaixonado, seguindo para um provedor do sustento da família, com responsabilidades familiares e passando finalmente para um homem doente, que mal consegue abrir a boca incapaz até mesmo de controlar as funções de seu corpo. Qual é o verdadeiro você? Qual dessas diferentes imagens? Ele perguntava.
A narração de Maharaj era viva com ações e efeitos sonoros apropriados aos vários estágios da vida que ele descrevia. Era um puro drama! Escutávamo-nos com uma perplexa admiração e o ator profissional ficou espantado. “Nunca antes vi uma performance tão brilhante”, ele disse, embora ele não entendesse nenhuma palavra da língua que Maharaj falava de maneira tão efetiva. Ele ficou simplesmente encantado.    
Enquanto ele estava maravilhado, Maharaj, com um brilho malicioso em seus olhos disse-lhe: “Sou um bom ator, não sou?” E acrescentou: Contudo, você entende realmente onde estou querendo chegar? Sei que você apreciou essa pequena performance minha. Mas o que você viu agora não é nem mesmo uma parte infinitesimal do que eu sou capaz de fazer. O universo inteiro é meu palco. Eu não apenas atuo, mas construo o palco e o equipamento, escrevo o roteiro e dirijo os atores. Sim, eu sou o ator atuando os papeis das milhões de pessoas, e tem mais, este show nunca termina! O roteiro está sendo escrito continuamente, novos papeis estão sendo criados, novos cenários estão sendo erguidos para muitas situações diferentes. Não sou um ator/diretor/produtor maravilhoso?
A verdade, entretanto, ele adicionou, é que cada um de vocês pode dizer o mesmo sobre si mesmo. Mas é irônico, de fato, que embora você possa realmente sentir com uma profunda convicção que é assim, o show acaba para você! Você pode perceber que é apenas você que está atuando o papel de cada personagem no mundo? Ou você irá confinar-se ao pequeno papel que você designou para si mesmo e viverá e morrerá nesse insignificante papel?