
Pergunta: Os métodos Karma marga (o caminho da ação) e Jnana marga (o caminho do conhecimento) são separados e independentes um do outro? Ou o Karma marga é apenas preliminar e após ter sido praticado com êxito deve ser seguido pelo Jnana marga para a consumação do objetivo? O Karma defende o não apego à ação e ainda assim continuando a manter uma vida ativa, enquanto é dito que o Jnana significa renúncia. Qual é o verdadeiro significado de renúncia? A subjugação das paixões, da luxúria, da ganância, etc., é comum a todos e constitui a etapa preliminar essencial a qualquer caminho. A liberdade das paixões não indica renúncia? Ou a renúncia é diferente, significando a cessação da vida ativa? Essas questões estão me incomodando e rogo que luz seja lançada sobre essas dúvidas.
P: O Gita parece salientar o Karma, pois Arjuna é convencido a lutar; o próprio Sri Krishna define o exemplo através de uma vida ativa de grandes explorações.
B: O Gita começa dizendo que você não é o corpo.
B: Karma yoga é aquele yoga em que a pessoa não arroga a si mesma a função de ser o ator. As ações dão-se automaticamente.
P: Então Karma yoga é kartrtva buddhi rahita karma - ação sem sentido de ser o agente.
B: A casa está em você? Ou você está em casa?
P: Não é um jivanmukta.
B: Deixe a questão ser levantada após a libertação espiritual (jivanmukti) seja adquirida se isso for necessário. Mukti (a liberação) é admitido ser também a liberdade das atividades mentais. Pode um mukta pensar em ação?
P: Mesmo se ele abandona a ação, a ação não vai abandonar-lhe. Não é assim?
P: Como conseguirei vencer minhas paixões?
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P: Com cada pensamento o sujeito e o objeto aparecem e desaparecem. O 'eu' não desaparece quando o sujeito desaparece assim? Se é assim, como pode a busca pelo 'eu' proceder?
P: Depois que as escrituras descrevem o Ser como srota (o ouvinte), manta (o pensador), vijnata ( o conhecedor), etc., ele é novamente descrito como asrota, amanta, avijnata, ou seja, não-ouvinte, não-pensador, não-conhecedor, É assim?
Isso está bem explicado no Kaivalyam e no Viveka Chudamani*. Assim, embora no sono a consciência do Ser não é perdida, a ignorância do jiva (ego) não é afetada por isso. Para essa ignorância ser destruída, esse estado sutil da mente (vrittijnanam) é necessário; na luz do sol o algodão não queima, mas se o algodão for colocado sob uma lente, ele pega fogo e é consumido pelos raios do sol que passam através da lente. Da mesma forma, embora a consciência do Ser esteja presente em todos os momentos, ela não é hostil à ignorância. Se através da meditação o estado sutil do pensamento é obtido, a ignorância é destruída. Também no Viveka Chudamani está escrito: sukshmam paramatma tattvam na sthoola drishtya (o extremamente sutil Ser Supremo não pode ser visto pelo olho grosseiro) e esha jyotirasesha sakshi (este é o Ser - a luz e a testemunha de tudo). Esse estado mental sutil não é uma modificação da mente chamada de vritti. Porque os estados mentais são de dois tipos. Um é o estado natural e o outro é uma transformação nas formas dos objetos. O primeiro é a Verdade e o outro é de acordo com o agente (kartrutantra). Quando esse último morre, Djallé kataka renuvat (como pasta de amendoim dissolvida em água) o primeiro permanecerá. O meio para alcançar esse fim é a meditação. Embora ela seja iniciada com a tríade da distinção (o meditador, o objeto meditado e o processo de meditação), finalmente terminará na consciência pura (jnanam). A meditação precisa de esforço, já o jnanam é sem esforço. A meditação pode ser praticada ou não praticada ou pode ser mal feita, jnanam não é assim. A meditação é descrita como kartru-tantra (como sendo própria do meditador), jnanam é descrito como vastutantra (do próprio Supremo).
P: O que significa o Atma?
1. Para sempre verdadeiro, forte e novo permanace o Ser. A partir Dele, na verdade, brotam o corpo fantasma e o mundo fantasma. Quando esta ilusão é destruída e não remanece nenhuma partícula, o Sol do Ser brilha claro e real na vasta extensão do Coração. Morre a escuridão, terminam as aflições e a bem-aventurança jorra abundantemente.
2. O pensamento "eu sou o corpo" é o cordão onde são amarrados os vários pensamentos. Ao questionarmos internamente: "Quem sou eu?” e “De onde vem este pensamento?" Todos os outros pensamentos se esvaem. E o Ser brilha por si mesmo como o Eu na caverna do Coração. Essa autoconsciência é o único Céu, essa quietude, essa morada da bem-aventurança.
3. De que adianta conhecer coisas diferentes do Ser? E sendo o Ser conhecido, que outra coisa há para conhecermos? É aquela luz una que brilha como os muitos seres, vendo internamente esse relâmpago da consciência, o jogo da Graça, a morte do ego e o florescimento da bem-aventurança.
4. Para afrouxar as amarras do karma e acabar com os nascimentos, este caminho é mais fácil do que todos os outros caminhos. Permaneça em quietude, sem nenhuma agitação da língua, do corpo ou da mente. E eis o esplendor do Ser interior; a experiência da eternidade, a ausência de todo o medo, o vasto oceano da Graça.
5. Annamalai - o Ser, o Olho atrás do olho da mente, que vê o olho e todos os outros sentidos, que conhece o céu e os outros elementos. O Ser que contém, revela e percebe o céu interior que brilha dentro do Coração. Quando a mente livre de pensamentos se volta para dentro, Annamalai aparece como meu próprio Ser. Verdade, a Graça é necessária, o Amor é adicionado. O êxtase divino eclode.



