quarta-feira, 12 de maio de 2010
P. D. Ouspensky - As primeiras tentativas de lembrança de Si e a divisão da atenção
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Meher Baba - Meditação
Vou descrever e discutir os diversos métodos de diferentes Yogas e outras práticas que levam à Auto-realização. Mas antes de fazer isso, devo lhes dar informações sobre meditação, uma vez que isso está invariavelmente mais ou menos e de uma forma ou outra conectado com quase todas as práticas de Yoga e com os esforços práticos para a realização da Verdade. O que é meditação? Geralmente o termo é usado para expressar esforços mentais particulares e exercícios em conexão com idéias religiosas e espirituais, mas muitas pessoas na vida cotidiana mundana usam-na como recurso. Antes de fazer qualquer coisa, é preciso pensar a respeito, em outras palavras, é preciso meditar sobre a ação pretendida. O pensamento ou a meditação pode, na vida mundana, durar várias horas, ou apenas uma fração de um minuto, mas tem de ser efetuado, consciente ou inconscientemente, intencionalmente ou não, antes de qualquer coisa poder ser feita ou realizada. Agora, considere apenas que, se pensamento ou meditação são necessários para a obtenção de resultados grosseiros, o quanto eles devem ser necessários para alcançar as sutilezas espirituais que levam à Auto-Realização. Mas para esse último propósito o pensamento deve ser organizado com bases no princípio da Verdade, que é o da unidade, em contraste com o universo que é aparentemente baseado na multiplicidade. O pensamento é suposto ser, pelas pessoas do mundo, o processo que leva apenas à manifestação de força externa que é exibida numa ação grosseira. Mas esse não é o caso. Assim como até mesmo um pensamento aleatório pode manifestar força sob a forma de uma ação corporal, a meditação ou o pensamento profundo e apropriadamente organizado produz uma força própria que é muito útil e cooperante para um aspirante espiritual. A manifestação de tal força produzida através de profunda reflexão metódica pode não tornar-se evidente de imediato ou num curto período de tempo em todos os casos, mas a meditação está fadada a dar frutos a longo prazo. Existem vários métodos de meditação espiritual. Os seis seguintes são os mais importantes: 1) Para aqueles que estão inclinados a pensar no aspecto impessoal do Todo-Poderoso, ou seja, o Deus Impessoal, é aconselhável retirar-se em solidão e, achando um assento confortável, começar a refletir sobre Ele assim: "Deus é um. Deus é infinito. Deus está em toda parte. Deus está além de todas as coisas." Em seguida, deve-se trazer o espaço imensurável, comumente conhecido como o céu, ao olho de sua mente e começar a concentrar-se na idéia do Deus impessoal através deste pano de fundo imaginário do céu vazio e ilimitado por tanto tempo quanto possível. 2) Deve-se sentar para a meditação da mesma maneira mostrada no primeiro exemplo, mas a linha de pensamento neste método deve ser a seguinte: "Deus é verdade. Tudo o mais é falso. O mundo e tudo o que é visto e percebido é um sonho, uma miragem, um fenômeno irreal. Deus está vivo dentro de meu próprio Ser, como a Alma de minha alma." Depois de contemplar esses pensamentos por algum tempo, a pessoa deve voltar sua atenção para o coração - imaginar uma chama na forma do próprio Atman-Alma estando ali - e concentrar-se tanto tempo quanto possível sobre este lugar imaginário em chamas no coração. 3) A linha de pensamento a ser seguida neste tipo de meditação (as outras condições preliminares sendo as mesmas que a dos dois primeiros métodos) é a seguinte: "Eu não sou este corpo. Eu não sou finito. Eu sou o Ser. Eu sou eterno." Depois de um pouco de contemplação dessa forma, deve-se fechar subitamente os dois olhos externos, o mais cerrados possível mas de modo que não seja desconfortável, e depois mentalmente olhar atentamente para o centro da testa a partir do interior tanto quanto possível e pelo tempo que for possível, evitando todos os outros pensamentos, sejam eles elevados ou inferiores, durante esta concentração. 4) Este é um tipo de meditação ao mesmo tempo muito simples e muito difícil. Tudo o que a pessoa tem de fazer é retirar-se em solidão e se sentar numa posição confortável, com ambos os olhos externos fechados e tentar manter a mente vazia. Não se deve nem pensar sobre Deus nem sobre o diabo, nem sobre a imortalidade, nem sobre a eternidade, nem sobre a existência do mundo, nem sobre a sua não-existência. Em suma, nesta meditação é preciso tentar manter-se mentalmente vazio ao longo da sessão, por um período tão longo quanto possível. 5) A pessoa deve sentar-se sozinha, fechar os olhos, contemplar e mentalmente dizer e repetir o seguinte: "Deus é meu Amado. Eu sou Seu amante. Eu quero a união com o meu Amado, o Senhor, o grande Deus." Na sequência deste processo, por um tempo, deve-se começar a repetir mentalmente qualquer um dos nomes do Todo-Poderoso em qualquer idioma, mas de tal modo que metade do nome seja pronunciado (mentalmente, é claro) durante a inalação, e metade dele pronunciado durante a exalação. Durante a execução desta repetição rítmica, deve-se tentar concentrar toda a atenção sobre a repetição do nome apenas.
6) Aquele que está inclinado a pensar no aspecto pessoal do Senhor, isto é, o Deus pessoal, deve sentar-se com sua alma como companheira em um local tranquilo, fechar os olhos, em seguida, tentar trazer diante dos olhos da mente a totalidade da face de algum Profeta, alguma Encarnação de Deus, ou Sadguru, de épocas passadas ou do presente, e concentrar-se nele o maior tempo possível. A fim de facilitar a entrada dos traços de algum Mestre Perfeito nos olhos da mente, o seu retrato deve ser olhado profundamente, antes de fechar os olhos em meditação.
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domingo, 9 de maio de 2010
Hazrat Inayat Khan - A vida do pensamento
Deus é onisciente, onipotente, todo-penetrante e o Único Ser. Isso sugere-nos que o Absoluto é um Ser vivo – o único Ser – que não existe tal coisa como a morte, que não existe tal coisa como o fim, que tudo, todos os seres, toda partícula tem uma continuidade, pois a vida é contínua.
O fim ou a morte é apenas uma mudança. Portanto, todo pensamento que uma vez passou por nossa mente, todo sentimento que já passou por nosso coração, toda palavra que foi uma vez dita e talvez nunca mais tenhamos pensado a respeito, cada ação feita e esquecida, recebe uma vida e continua a viver. É exatamente como um viajante que está viajando e que no seu percurso tem algumas sementes em suas mãos e que ele joga ao chão. Quando as plantas crescem naquele lugar, ele nunca as vê. Ele apenas joga as sementes e elas ficam ali. A terra as tomou, a água as criou, o sol e o ar ajudaram-nas a crescer.
A vida é uma acomodação e nela tudo – pensamento, palavra, ação ou sentimento – uma vez nascido, é cuidado, é criado e é tornado frutífero. Dificilmente pensaríamos que é possível que seja assim. Pensamos: foi falado e se foi – mas ainda está ali. Permanece e toma seu curso, pois está vivo. Como tudo é vida, não há morte.
Sem dúvida o nascimento e a morte, o começo e o fim são nomes dos diferentes aspectos deste trabalho mecânico de todo o universo. É um tipo de trabalho automático que nos dá a idéia de algo começando e algo terminando. Quando tocamos um sino a ação toma apenas um momento, mas a ressonância perdura. De acordo com nosso conhecimento ela dura tanto quanto é audível; então ela segue adiante e não é mais audível para nós – mas ela existe. Ela existe em alguma parte, ela prossegue.
Se uma pedrinha atirada no mar coloca a água em ação, dificilmente paramos para pensar até onde essa vibração age no mar. O que podemos ver são as pequenas ondas e círculos que a pedrinha produz diante de nós. Vemos isso, mas as vibrações que foram produzidas no mar chegam muito mais longe do que jamais poderíamos imaginar.
O que chamamos de espaço é um mundo muito mais fino. Se o chamarmos de mar, é o mar com o fluído mais sutil. Se o chamarmos de terra, é uma terra que é incomparavelmente mais fértil do que a terra que conhecemos. Essa terra toma todas as coisas para dentro de si e as cria, nutre, permite que elas cresçam – nossos olhos não vêem isso, nossos ouvidos não escutam.
Essa idéia não nos torna responsáveis por cada movimento que fazemos, por cada pensamento que pensamos, por cada sentimento que passa por nossa mente e coração? Não há um único momento de nossa vida que seja desperdiçado, se apenas soubermos como utilizar nossa atividade aqui, como direcionar nosso pensamento, como expressá-lo em palavras, como promovê-lo com nossos movimentos, como senti-lo de modo que ele crie sua própria atmosfera. Que responsabilidade! A responsabilidade que cada homem tem é maior que a responsabilidade de um rei. É como se cada homem tivesse um reino que fosse seu e pelo qual fosse responsável – um reino que de maneira alguma é menor que qualquer reino conhecido por nós e sim, incomparavelmente maior que os reinos da terra. Isso nos ensina a sermos cuidadosos, conscienciosos e a sentirmos nossa responsabilidade a cada movimento que fizermos. Quando um homem não sente isso, ele não está ciente de si mesmo, ele está inconsciente do segredo da vida. Ele segue como um bêbado andando pela cidade. Ele não sabe o que está fazendo, tanto para si mesmo quanto contra si mesmo.
Agora você pode perguntar: 'Como um pensamento pode viver?' De que maneira ele vive? Ele tem um corpo no qual viver, tem uma mente, tem uma respiração?' Sim. A primeira coisa que deveríamos saber é que um sopro que vem direto da fonte busca um corpo, uma acomodação onde possa funcionar. Um pensamento é um corpo. O sopro que vem da fonte – um raio do Espírito que pode ser comparado ao sol – faz do pensamento uma entidade e ele vive como uma entidade.
São essas entidades que são chamadas na terminologia Sufi de muwakkals, que significa elementais. Eles vivem, eles têm um certo propósito a cumprir. São produzidos pelo homem e por trás deles há um propósito dirigindo suas vidas. Imagine que terrível se num momento de absorção uma pessoa expressasse sua ira, sua cólera, seu ódio! Uma palavra expressada em tal momento deve viver e levar a cabo seu propósito. É como criar um exército de inimigos em torno de si mesmo. Talvez um pensamento tenha uma vida mais curta que outro, depende de que corpo lhe foi dado. Se o corpo é mais forte, então ele vive mais. A força do corpo daquele pensamento depende da energia da mente.
Elementais são criados pelo homem. Quando os ventos sopram e as tempestades se enfurecem, criando toda destruição, olhamos para isso como uma ação mecânica da natureza. Mas não é apenas ação mecânica, é dirigida por sentimentos humanos, pelos sentimentos intensos dos seres humanos. Esses sentimentos transformam-se em vidas imensas. Eles impulsionam como uma bateria por trás dos ventos e tempestades, das inundações e vulcões.
E também outros pensamentos que clamam por bênçãos, como a chuva, por exemplo, devem trazer a piedade de Deus sobre a terra. No oriente eles chamam a chuva de piedade divina. O brilho do sol, quando o céu está limpo, as as outras bênçãos da natureza – o ar puro que está animando, a primavera, as boas colheitas, as frutas, as flores e os vegetais, todas as diferentes bênçãos da terra ou do céu que nos são dadas – também são dirigidas pelas forças por trás deles.
Assim como o trabalho mecânico da natureza eleva para o céu os vapores que juntos tornam-se nuvens e causam a chuva, também os pensamentos e os sentimentos, as palavras e as ações têm seu trabalho mecânico a fazer. Esse trabalho dirige a ação do universo. Isso nos mostra que não é apenas um trabalho mecânico da natureza, mas inteligência humana, trabalhando mecanicamente, que dirige todo o trabalho da natureza.
Isso nos dá a idéia de que a responsabilidade do homem é maior do que a de qualquer outro ser no mundo. É dito no Alcorão que Deus disse: “Depositamos nossa confiança nas montanhas e elas não puderam suportar o fardo, depositamos nossa confiança nas árvores e elas não puderam sustentá-la; então, depositamos nossa confiança no homem e foi o homem que conseguiu suportá-la”. Essa confiança é a nossa responsabilidade, não apenas nossa responsabilidade por aqueles a nossa volta, que encontramos em nosso dia a dia, ou pelo trabalho com que estamos comprometidos, ou pelos interesses que temos na vida – mas nossa responsabilidade perante toda esta criação: o que contribuímos para esta criação, seja isso algo que traga condições melhores e mais harmoniosas na esfera, no mundo, na terra! Se fizermos assim então saberemos de nossa responsabilidade. Se não estivermos cientes disso, ainda não descobrimos o propósito de estarmos aqui.
Há a infância, onde a criança não sabe nada. Ela destrói coisas de valor e de beleza devido à sua curiosidade, seu desejo. Mas quando cresce, a criança começa a sentir sua responsabilidade. O sinal da maturidade é o sentimento de responsabilidade, então, quando a alma amadurece ela começa a sentir sua responsabilidade, e é a partir desse momento que a pessoa começa sua vida. É a partir desse momento que a alma é nascida de novo, e enquanto a alma não nascer de novo ela não entrará no reino de Deus. O reio de Deus está aqui. Enquanto o homem não está consciente de sua responsabilidade ele não conhece o reino de Deus. É o tornar-se consciente de sua responsabilidade que o desperta para o reino de Deus, no qual está o nascimento da alma.
Além do mais, apoiando essa idéia, há uma palavra que em Sanskrito é usada para as pessoas conscientes de Deus. Essa palavra é Brahman, que significa criador. Assim que uma alma realiza essa idéia ela começa a saber que cada momento de sua vida é criativo, seja automaticamente ou intencionalmente. E se ela for responsável por sua criação, ela é responsável por cada momento de sua vida. Desse modo não há nada na vida que é desperdiçado. Qualquer que seja a condição do homem, não importa o quanto miserável e desamparada seja, ainda assim sua vida não é desperdiçada, pois há o poder criativo operando através de cada movimento que ele faz, todo pensamento que ele pensa, todo sentimento que ele tem. Ele sempre está fazendo algo.
Há uma outra palavra em Sanskrito para Bramhan que é Duija, que significa a alma que nasce de novo. Pois no momento em que a pessoa percebe tudo isso, a alma nasce de novo: sua percepção da vida fica diferente, desse modo, seus planos de vida tonam-se diferentes, suas ações tornam-se diferentes.
Agora indo um pouco mais adiante, existem algumas almas que parecem não estar fazendo nada, e pensamos: “Sim, são pessoas muito espirituais, eu suponho – mas o que elas fazem?” - pois entendemos esse 'fazer algo' como movimentação, agitação, estar ocupado o tempo todo. Não importa o quão trivial, ainda assim algo é feito! Esse é o pensamento. Mas quando uma pessoa é evoluída, mesmo que externamente pareça não estar fazendo coisa alguma, ela está fazendo e pode fazer trabalhos muito maiores internamente do que possam ser externamente notados.
Há uma história de um madzub. Um madzub é alguém que não é considerado ser uma pessoa ativa no mundo. Muitos pensam que eles são pessoas não muito equilibradas. No oriente existem alguns que sabem a respeito de tais seres, e eles têm consideração por eles. Havia um madzub em Kashmir alguns séculos atrás, o qual era permitido pelo Marajá perambular por onde quer que ele desejasse no palácio e nos jardins, e foi-lhe dado um pedaço de terra onde ele podia residir.
Ele costumava andar por todos os cantos dos jardins do Marajá que lhe era permitido entrar. Havia uma miniatura de um canhão de brinquedo no jardim, e algumas vezes esse madzub gostava de brincar com ele. Ele costumava pegar a arminha e virá-la em direção ao norte, ao sul ou para uma outra direção. Então ele a virava novamente e fazia todo tipo de gestos. Após fazer aqueles gestos ele ficava deleitado. Era como se ele estivesse lutando e que após aquela luta ele fosse vitorioso e com isso deleitava-se. Era em tais momentos que o Marajá Ranjit Singh costumava dar ordens ao seu exército: 'Agora preparem-se para a luta!' E ele obtinha êxito. A guerra prosseguia a muitos e muitos anos e continuava lentamente; nada acontecia, mas toda vez que o madzub brincava com o canhão, resultados eram alcançados.
Eu mesmo vi em Hyderabad um madzub cujo hábito era insultar todo mundo, chamar as pessoas de tais nomes que elas se afastavam dele. Ainda assim, um homem ousava ir lá a despeito de todos os insultos. O madzub disse a ele: “O que você quer?” Ele disse: “Meu caso está indo à julgamento daqui a seis dias e eu não tenho dinheiro e nenhum meio. O que devo fazer?” “Diga-me qual é a condição” disse o madzub, “Mas diga-me a verdade”. Então o homem lhe contou tudo. O madzub escutou, e então escreveu no chão: “ Parece não haver nada neste caso, então ele deve ser encerrado”. Em seguida ele disse: “Vá, está concluído”. O homem foi ao tribunal. Do lado oposto haviam muitos advogados, do lado dele não havia ninguém, porque ele era um homem pobre. O juíz escutou o caso de ambas as partes e em seguida falou as mesmas palavras que o madzub tinha escrito no chão .
O que isso significa? Isso apenas nos explica as palavras que Cristo disse: “Entrai no Reino de Deus”, significando que cada alma tem em si mesma um reino de Deus. Tornar-se consciente desse mistério da vida é abrir os nossos olhos para o reino de Deus, e assim, o que quer que façamos tem um significado, uma influência. Nunca é perdido. Se não é materializado, não importa: é espiritualizado. Nada se vai, nada aqui é perdido. Se não foi produzido neste plano, é produzido em outro plano – mas desse modo é refletido neste plano, pois sempre há uma ação e uma reação entre os dois planos. Isso significa apenas que o que fazemos – se não for materializado neste plano – é refletido do outro plano neste plano, e então é materializado. Isso é tudo. Se uma pessoa pensa: “Eu tenho pensado repetidamente sobre certo assunto e ainda ele não foi realizado”, isso apenas significa que a hora e as condições não permitiram isso se materializar. Mas uma vez enviado, ele deve finalmente ser materializado.
terça-feira, 4 de maio de 2010
Jetsun Milarepa - As Bolhas Fugazes
Quando viajava com seus discípulos, Milarepa chegou a Din Ri Namar onde ele perguntou pelo nome de um cidadão proeminente. Ao descobrir que o médico Yang Nge era um budista devotado, ele foi até a sua casa, onde o médico disse: "É dito que Jetsun Milarepa pode usar qualquer coisa à mão como uma metáfora para ensinar. Agora, por favor, use as bolhas de água nesta fossa diante de nós como uma metáfora e nos dê um discurso." Em resposta, Jetsun cantou uma canção ...
As bolhas fugazes Presto homenagem ao meu gracioso Guru - Rogo-o para fazer com que todos aqui pensem no Dharma! Como ele disse uma vez: "Esta vida é Como as bolhas, transitória e fugaz - Nela, nenhuma garantia pode ser encontrada". A vida de um leigo é como um ladrão Que entra sorrateiramente numa casa desocupada. Você não percebe a insensatez disso?
A juventude é como uma flor de verão - De repente, ela murcha. A velhice é como um fogo se espalhando Através dos campos - de repente está nos seus calcanhares. O Buda certa vez disse: "O nascimento e a morte São como o nascer e o pôr do sol - Ora vêm, ora vão." A doença é como um passarinho Ferido por um estilingue. Você não sabe que a saúde e a força uma hora irão lhe abandonar? A morte é como uma lâmpada cujo óleo secou (Após sua última centelha). Nada, eu lhe asseguro, Neste mundo é permanente. O Karma maligno é como uma cachoeira Que eu nunca vi fluir para cima. Um homem pecador é como uma árvore venenosa - Se você encostar nele, será prejudicado. Os transgressores são como ervilhas deterioradas pelo frio- Como a gordura estragada, estragam tudo. Os praticantes do Dharma são como os camponeses no campo - Com cuidado e vigor serão bem sucedidos. O Guru é como remédio e néctar - Confiando nele, a pessoa terá êxito. Disciplina é como uma torre de vigia - Observando-a, a pessoa atingirá a Realização. A Lei do Karma é como a roda de Samsara, Quem quebrá-la vai sofrer uma grande perda. Samsara é como um espinho venenoso Na carne - se não for retirado, O veneno irá aumentar e se espalhar. A vinda da morte é como a sombra De uma árvore no pôr do sol - Ela anda rápido e ninguém pode detê-la. Quando essa hora chega, O que mais pode ajudar a não ser o Dharma Sagrado? Embora o Dharma seja a fonte da vitória, Aqueles que aspiram a ele são raros. Milhares de homens estão emaranhados nas Misérias de Samsara; Nascidos neste infortúnio, Eles se esforçam para obter vantagens através de roubo e pilhagem. Aquele que fala sobre o Dharma É inspirado com exaltação, Mas quando uma tarefa lhe é colocada, Ele é arruinado e se perde. Caros cidadãos, não falem demais, Mas pratiquem o Dharma Sagrado.
sexta-feira, 30 de abril de 2010
Adi Shankaracharya - Vivekachudamani (seleção de alguns versos)

* Se o nó da ignorância do coração é totalmente destruído, que causa natural pode haver para induzir um homem a ações egoístas, uma vez que ele é avesso aos prazeres dos sentidos?
* Quando os objetos dos sentidos não estimulam mais desejos, esse é o auge do desapego. A extrema perfeição do conhecimento é a ausência de qualquer impulso de idéia egoísta. E o limite da auto-revogação é atingido quando as funções da mente, que foram diluídas, não aparecem mais.
* Esse tipo de função mental que reconhece apenas a identidade do Ser com Brahman, purificada de todos os adjuntos, e que está livre da dualidade e que se preocupa apenas com Pura Inteligência, é chamada de iluminação. Aquele que tem isso perfeitamente estabilizado é chamado de um homem de iluminação constante.
* Conhecendo o seu próprio Ser indivisível através de sua própria realização e, assim, tornando-se perfeito, o homem deveria ficar cara a cara com o Atman, com sua mente livre de idéias dualistas.
* Realizando, num momento abençoado, a Verdade Suprema através das instruções do Guru, da autoridade das Escrituras e de sua própria razão, com os seus sentidos apaziguados e sua mente concentrada, o discípulo tornou-se imóvel na forma e perfeitamente estabelecido no Atman.
* Ao concentrar a mente por algum tempo no Supremo Brahman, ele levantou-se, e da Graça Suprema ele falou o que se segue:
Minha mente desapareceu, e todas as suas atividades derreteram-se pela realização da identidade do Ser e Brahman, eu não sei nem isto nem aquilo, nem o que ou quanto é a graça sem limites de Samadhi!
A majestade do oceano do Supremo Brahman, repleta com as ondas do néctar de Bem–aventurança do Ser, é impossível de ser expressa em palavras e nem mesmo pode ser concebida pela mente - em uma fração infinitesimal da qual minha mente derreteu-se como um granizo fundindo-se com o oceano, agora está satisfeita com a Essência do Êxtase.
No oceano de Brahman preenchido com o néctar da beatitude absoluta, o que deve ser evitado e o que deve ser aceitado? O que é diferente do Ser?
Eu não vejo, nem ouço e nem sei a respeito de nada nesse sentido. Eu simplesmente existo como o Ser, a bem-aventurança eterna, distinto de todo o resto.
É o Upadhi (o atributo sobreposto) que vem, e é só isso que vai; ele, mais uma vez, realiza ações e experimenta seus frutos, somente ele se deteriora e morre, enquanto eu sempre permaneço firme como o monte Kula.
Para mim, que sou sempre o mesmo e desprovido de partes, não existe nem o empreender um trabalho, nem o seu cessar. Como pode aquele que é Um, concentrado, sem interrupção e infinito como o céu, jamais se esforçar?
Como pode haver méritos e deméritos para mim, que sou sem órgãos, sem mente, imutável e sem forma - que sou a realização da bem-aventurança absoluta? O Shruti também menciona isso na passagem "O Intocado".
Se acontece de o calor ou o frio, o bem ou o mal, tocarem a sombra do corpo de um homem, isso não afeta em nada o próprio homem, o qual é diferente da sombra.
As propriedades das coisas observadas não afetam a Testemunha (imutável e indiferente), que é diferente delas, como as propriedades de um quarto não afetam a lâmpada que o ilumina.
Assim como o sol é uma mera testemunha das ações dos homens, como o fogo queima tudo sem distinção, também sou eu, o Ser imutável, a Inteligência Absoluta.
* Concepções dualistas no Atman, o Conhecimento Infinito, o Absoluto, são como imaginar castelos no ar. Portanto, identifica-te sempre com a Bem-aventurança Absoluta, o Um sem um segundo, e, atingindo assim a Paz Suprema, permanece em silêncio.
* Para o sábio que realizou Brahman, a mente, que é a causa de fantasias irreais, torna-se perfeitamente tranqüila. Esse é verdadeiramente o seu estado de quietude, no qual, identificado com Brahman, o Um sem um segundo, ele desfruta constantemente da Bem-aventurança Absoluta.
* Para o homem que realizou sua própria natureza, e bebe a Bem-aventurança concentrada do Ser, não há nada mais emocionante do que a quietude que vem de um estado de ausência de desejos.
* O que, de fato, pode iluminar o Sujeito Eterno através do qual os Vedas, os Puranas e as outros Escrituras, assim como todos os seres, são dotados de um sentido?
* Aqui, o auto-resplandescente Atman de infinito poder - além dessa cadeia de conhecimento condicionado e apesar da experiência comum de todos - está percebendo que apenas este incomparável conhecedor de Brahman vive sua vida gloriosa, livre da servidão.
* Através da destruição das limitações, o conhecedor perfeito de Brahman funde-se no Brahman Uno sem um segundo – o Qual ele tem sido o tempo todo - torna-se totalmente livre mesmo enquanto vivo, e alcança o objetivo de sua vida.
* A destruição do corpo, dos órgãos, dos Pranas e do Buddhi (intelecto) é como a de uma folha, uma flor ou fruto em relação a uma árvore. Ela não afeta o Atman, a Realidade, a personificação da bem-aventurança - que é nossa verdadeira natureza. Isso sobrevive, assim como a árvore.
* A passagem do Shruti: "Certamente esse Atman é imortal, meu querido”, menciona a imortalidade do Atman no meio de coisas perecíveis e sujeitas a alteração.
* Assim como quando um vaso é quebrado, o espaço que estava contido nele claramente torna-se o espaço ilimitado, assim também quando as limitações aparentes são destruídas, o conhecedor de Brahman, certamente torna-se o próprio Brahman.
* Assim como o leite derramado no leite, o óleo no óleo e a água na água, tornam-se unidos e um com eles, também o sábio que realizou o Atman torna-se um no Atman.
* Pode-se falar de aprisionamento e Liberação quando há a presença ou a ausência de um véu que encobre. Mas não pode haver nenhum véu cobrindo a Brahman, que está sempre descoberto por falta de uma segunda coisa além de si mesmo. Se existisse, a não-dualidade de Brahman seria contrariada, e os Shrutis jamais podem tolerar a dualidade.
* O aprisionamento e a libertação são atributos do Buddhi com o qual as pessoas ignorantes falsamente encobrem a Realidade, assim como o movimento do encobrir do sol por uma nuvem é transferido para o sol. Pois esse Brahman imutável é o Conhecimento Absoluto, o Um sem um segundo e desapegado.
terça-feira, 27 de abril de 2010
Philokalia - São Simeão O Novo Teólogo - Preceitos Práticos e Teológicos
Aumentar o conhecimento de Deus diminui o conhecimento de todo o resto. Em outras palavras, quanto mais um homem conhece a Deus menos ele conhece de outros assuntos. E não apenas isso, mas ele começa também a perceber cada vez mais claramente que nem mesmo Deus ele conhece. Quanto mais radiante Deus brilha no espírito do homem, mais Ele se torna invisível e quanto mais os sentidos de um homem elevam-se acima dos sentidos, menos ele pode sentir o que é externo. Mas como podemos chamar de "sentido” um sentido que não sabe onde ele mesmo reside - nem onde está e o que ele mesmo é - e que é completamente incapaz de descobrir ou entender isso? E, de fato, como podem os sentidos conhecerem o que o olho não viu, nem o ouvido escutou e o que nunca entrou no coração do homem? Aquele Que nos dá o que está acima dos sentidos, também nos dota, através da Graça do Espirito Santo, com outro sentido que está acima dos sentidos, para que possamos apreender de maneira clara e pura Suas dádivas e bênçãos, as quais estão acima dos sentidos.
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segunda-feira, 26 de abril de 2010
Kabir - Dois Poemas
Enfim as notas de sua flauta adentram, e eu não consigo parar de dançar em torno do salão ... As flores se abrem, mesmo ainda não sendo primavera, as abelhas já sabem disso. O ar sobre o oceano fica agitado.Há um relâmpago, mares revoltos erguem-se em meu peito. A chuva cai lá fora;e dentro anseio pelo Convidado, Algo dentro de mim chegou ao lugaronde o mundo está respirando. As bandeiras que não podemos ver estão flamulando ali. Kabir diz: meu corpo-desejo está morrendo, e ele vive!__________________________________________________________O Convidado está dentro de você e também dentro de mim;você sabe que o botão está escondido dentro da semente.Estamos todos lutando; nenhum de nós tem ido longe.Deixe sua arrogância ir e olhe ao redor internamente.O céu azul expande-se cada vez mais,a diária sensação de falha vai embora,os danos que tenho causado a mim mesmo se desvanecem,milhões de sóis avançam com a luzquando sento-me firmemente naquele mundo.Ouço sinos que ninguém tocou, badalando.Dentro do “amor” há mais alegria do que supomos.A chuva cai, embora o céu esteja límpido e sem nuvens.Há rios inteiros de Luz.O universo projeta-se por todas as partes através de um único tipo de amor.Como é difícil sentir aquela alegria em todos os nossos quatro corpos!
Aqueles que esperam ser racionais a esse respeito, falham.A arrogância da razão nos separou desse amor.Mesmo com a palavra “razão” você já se sente a milhas de distância.
Que sortudo é o Kabir, que rodeado por toda essa alegriacanta dentro de seu próprio barquinho.Os poemas dele dizem respeito a uma alma encontrando a outra.Esses cantos são sobre esquecer a morte e a perda.Eles se elevam acima de ambos, entrando e saindo.
quinta-feira, 22 de abril de 2010
Bhagavan Ramana Maharshi - Trechos de Discursos em fevereiro de 1937
sábado, 17 de abril de 2010
Nisargadatta Maharaj - Conhece-te a Ti mesmo
Pergunta: Qual é o seu estado no momento presente?
Maharaj: Um estado de não-experiência. Nele, todas as experiências estão incluídas.
P: Você pode entrar na mente e no coração de outro homem e partilhar das experiências dele?
M: Não. Essas coisas requerem treinamento especial. Eu sou como um negociante de trigo. Sei pouco sobre pães e bolos. Mesmo o gosto de um mingau de trigo eu não conheço. Mas sobre o grão de trigo eu sei tudo e conheço muito bem. Eu conheço a fonte de toda a experiência. Mas as inúmeras formas particulares que a experiência pode assumir eu não conheço. Nem preciso conhecer. De momento a momento o pouco que preciso saber para viver a minha vida, de alguma forma eu venho a saber.
P: Sua existência particular e a minha existência particular existem na mente de Brahma?
M: O universal não tem conhecimento do particular. A existência como uma pessoa é uma questão pessoal. Uma pessoa existe no tempo e no espaço, tem nome e forma, começo e fim, o universal inclui todas as pessoas e o absoluto é a raiz de tudo e está além de tudo.
P: Eu não estou preocupado com a totalidade. Minha consciência pessoal e a sua consciência pessoal - qual é o elo entre as duas?
M: Qual pode ser o elo entre dois sonhadores?
P: Eles podem sonhar um com o outro.
M: Isso é o que as pessoas estão fazendo. Todo mundo imagina os “outros” e busca uma ligação com eles. O buscador é o elo, não há nenhum outro.
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Jalaluddin Rumi - O Rubi do Nascer do Sol / Água da sua Fonte / Você Esfrega o Chão / Cada Nota / Granito e Taça de Vinho
Na primeira hora da manhã,
um pouco antes do amanhecer, o amante e a amada acordam
e tomam um gole de água.
Ela pergunta, “Você ama mais a mim ou a si mesmo?
Realmente, diga a verdade absoluta.”
Ele diz, “Não sobrou nada de mim.
Sou como um rubi erguido para o nascer do sol.
Ele ainda é uma pedra, ou um mundo
de vermelhidão? Ele não resiste
à luz do sol.”
Foi assim que Hallaj disse, eu sou Deus,
e disse a verdade!
O rubi e o nascer do sol são um.
Seja corajoso e discipline-se.
Torne-se completamente audição e orelha,
e use como brinco este sol-rubi.
Trabalhe, continue cavando o seu poço.
Não pense sobre largar o trabalho.
A água está lá em algum lugar.
Submeta-se a uma prática diária.
Sua lealdade a isso
é uma campainha na porta.
Continue tocando, e a alegria que está dentro
eventualmente abrirá uma janela
e olhará para fora para ver quem está lá.
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O que há na luz daquela vela
que abriu e consumiu-me tão rapidamente?
Volte, meu amigo! A forma do nosso amor
não é uma forma criada.
Nada pode me ajudar além daquela beleza.
Lembro-me de um amanhecer
em que minha alma ouviu algo
de sua alma. Eu bebi água
da sua fonte e senti
a correnteza me levar.
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O senhor da beleza entra na alma
conforme um homem caminha num pomar
na primavera.
Vem em mim daquele jeito de novo!
Acende a lâmpada
no olho de José. Cura a tristeza
de Jacó. Embora você nunca tenha partido,
venha e sente aqui e pergunte,
“Por que você está tão confuso?”
Como uma idéia nova na mente de um artista,
você forma as coisas antes delas surgirem.
Você varre o chão como o homem
que zela o portão.
Quando você esfrega
uma forma deixando-a limpa, ela se torna
o que ela realmente é.
Você guarda seu silêncio perfeitamente
como uma bolsa de água que não vaza.
Você vive onde Shams vive,
porque seu coração-asno foi forte o bastante para levá-lo até lá
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Conselhos não ajudam os amantes!
Eles não são o tipo de riacho da montanha
no qual você pode construir uma represa.
Um intelectual não sabe
o que o ébrio está sentindo!
Não tente adivinhar qual é a próxima coisa
que aqueles perdidos dentro do amor irão fazer!
Alguém no comando abandonaria todo seu poder,
se recebesse uma baforada do vinho almiscarado
do quarto onde os amantes
estão fazendo sabe-se lá o quê!
Um deles tenta cavar um buraco através de uma montanha.
Um foge das honras acadêmicas.
Outro ri de bigodes famosos!
A vida congela se ela não consegue ter um gosto
deste bolo de amêndoas.
As estrelas erguem-se girando
toda noite aturdidas de amor.
Elas se cansariam desse revolver,
se não estivessem nesse estado.
Elas diriam,
“Quanto tempo mais temos que fazer isto!”
Deus apanha a flauta de bambu do mundo e sopra.
Cada nota é uma necessidade surgida através de cada um de nós,
uma paixão, uma dor ardente.
Lembre-se dos lábios
de onde o sopro da respiração se originou,
e deixe sua nota ser clara.
Não tente terminá-la.
Seja sua nota.
Vou lhe mostrar como isso é o suficiente.
Suba no telhado esta noite
nesta cidade da alma.
Que todos subam em seus telhados
e cantem suas notas!
Cantem alto!
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Você é granito.
Eu sou uma taça de vinho vazia.
Você sabe o que acontece quando nos tocamos!
Você ri do mesmo modo que o sol nascendo ri
de uma estrela que desaparece nele.
O amor abre meu peito e o pensamento
retorna para seus confins.
A paciência e as considerações racionais se vão.
Apenas as paixões ficam, choramingando e febris.
Alguns homens caem na estrada como restos descartados.
Então, totalmente indiferentes, na manhã seguinte
eles saem galopando com novos propósitos. O amor
é a realidade e a poesia é o tambor
que nos chama para ele. Não fique reclamando
sobre a solidão! Deixe abrir uma fenda na linguagem
medrosa desse assunto fazendo-a flutuar para longe.
Que o sacerdote desça de sua torre,
e não volte para lá novamente.