sábado, 27 de junho de 2009
sexta-feira, 26 de junho de 2009
G. I. Gurdjieff - Quinta-feira, 30 de setembro de 1943

Pergunta: Eu careço de impulso para meu trabalho. Não tenho sucesso em me aproximar do trabalho de maneira satisfatória a menos que eu sinta um certo impulso que pode vir para mim apenas através de uma realização clara da minha situação e da minha nulidade atual. Eu tenho entendido isso muito claramente. E isso fez-me compreender que devo ter remorso de consciência por essa nulidade. Mas eu não consigo ir além dessa afirmação. O que devo fazer para ter remorso de consciência?
Gurdjieff: Essa questão carrega com ela sete aspectos; não um, mas sete. Um eu vou lhe falar: Todo homem quando vem a este mundo, vem por certas razões. Existem causas, isto é, forças externas o criaram. Essas forças talvez não fossem obrigadas a lhe dar a vida. Você está contente em estar vivo? A vida vale algo para você? Bem, então se você está vivo e feliz por isso, você deveria pagar algo em troca. Por exemplo, eu vejo sua mãe aqui. Se não fosse por ela, você nunca teria vindo a este mundo. É a ela que você deve sua vida. Se você está feliz por estar vivo, você deve reembolsá-la. Você já está velho, chegou a hora de você liquidar suas dívidas. Uma das principais causas de você estar vivo é a sua mãe. É por causa dela que você tem seus prazeres e e possibilidades de se desenvolver. Uma das razões, um dos aspectos da sua vinda a esse mundo é, portanto, sua mãe. E eu lhe pergunto, você já começou a pagar seus débitos com ela?
Pergunta: Não.
Gurdjieff: Existem ainda seis outros aspectos. Mas eu falo para você de um aspecto. Comece, então, por esse primeiro aspecto: sua mãe. Restitua sua mãe.
Mesmo se ela for objetivamente má, ela é sua mãe. E como você pode pagar a ela? Você deveria unificar a vida dela. Mas em vez disso, o que você faz? Você torna a vida dela mais difícil. Você a chateia, a irrita. Inconscientemente, remorso de consciência poderia fluir disso. Tome o ano que acabou de passar, lembre: frequentemente você tem sido muito mau. Você é um merda. Você não cumpre com suas obrigações. Se você entendeu isso, o remorso pode começar a atuar em você. Esse é apenas um aspecto. Eu poderia explicar para você outros seis, mas esqueça-os. Antes de saber deles, comece por esse. Pelos últimos dois anos, quantas vezes você foi mau, muito mau, para ela? Lembre-se disso e tente reparar o passado com seu futuro no presente. É uma coisa muito difícil. Se você esquece, se você não faz isso, é culpa sua e duplamente sua culpa; primeiro você é culpado pelo passado; e você é culpado pela segunda vez por não reparar isso hoje. Uma boa resposta, não é? Todo mundo aqui está contente. Exceto uma pessoa – você sabe quem? A sua mãe. Madame, é pelo benefício do seu filho que eu digo isso.
Mesmo se ela for objetivamente má, ela é sua mãe. E como você pode pagar a ela? Você deveria unificar a vida dela. Mas em vez disso, o que você faz? Você torna a vida dela mais difícil. Você a chateia, a irrita. Inconscientemente, remorso de consciência poderia fluir disso. Tome o ano que acabou de passar, lembre: frequentemente você tem sido muito mau. Você é um merda. Você não cumpre com suas obrigações. Se você entendeu isso, o remorso pode começar a atuar em você. Esse é apenas um aspecto. Eu poderia explicar para você outros seis, mas esqueça-os. Antes de saber deles, comece por esse. Pelos últimos dois anos, quantas vezes você foi mau, muito mau, para ela? Lembre-se disso e tente reparar o passado com seu futuro no presente. É uma coisa muito difícil. Se você esquece, se você não faz isso, é culpa sua e duplamente sua culpa; primeiro você é culpado pelo passado; e você é culpado pela segunda vez por não reparar isso hoje. Uma boa resposta, não é? Todo mundo aqui está contente. Exceto uma pessoa – você sabe quem? A sua mãe. Madame, é pelo benefício do seu filho que eu digo isso.
segunda-feira, 22 de junho de 2009
Nisargadatta Maharaj - 21 de agosto de 1980

Maharaj: Não estou muito interessado em ter pessoas aqui ficando mais do que oito ou dez dias, o que quer que tenham entendido, elas têm de digerir, nenhum discurso adiante irá alcançá-las.
Presumindo que a pessoa seja inteligente, tendo saído daqui e ido para outro lugar, ela não conseguirá ficar sozinha – irá desejar a companhia de alguém de modo que ela possa transmitir os bens da espiritualidade. Ela irá querer a companhia de outras pessoas com quem possa discutir espiritualidade – de outra maneira irá sentir-se muito infeliz. Você se sentirá feliz e satisfeito se não encontrar outros sadhakas?
Pergunta: Ah sim. Isso é um ponto necessário para um buscador sério – passar pelo estágio onde ele gostaria de compartilhar seu conhecimento com os outros?
M: Isso é uma parte, mas também deve chegar a um fim. O estado mais elevado é o estado não nascido no qual não há experiência da mente. Investigue o conceito “eu sou”. No processo de tentar encontrar sua verdadeira identidade você pode até mesmo abandonar o Ser, e ao abandonar o Ser, você é Aquilo.
[Maharaj está olhando para alguns pardais na janela] A consciência vivendo dentro do pardal e a consciência vivendo neste corpo é a mesma. Aqui o instrumento é grande, neles é menor. Os pardais estão planejando por comida, a barriga deles não está cheia. Todas as espécies estão sofrendo; a própria criação em si está sofrendo.
Presumindo que a pessoa seja inteligente, tendo saído daqui e ido para outro lugar, ela não conseguirá ficar sozinha – irá desejar a companhia de alguém de modo que ela possa transmitir os bens da espiritualidade. Ela irá querer a companhia de outras pessoas com quem possa discutir espiritualidade – de outra maneira irá sentir-se muito infeliz. Você se sentirá feliz e satisfeito se não encontrar outros sadhakas?
Pergunta: Ah sim. Isso é um ponto necessário para um buscador sério – passar pelo estágio onde ele gostaria de compartilhar seu conhecimento com os outros?
M: Isso é uma parte, mas também deve chegar a um fim. O estado mais elevado é o estado não nascido no qual não há experiência da mente. Investigue o conceito “eu sou”. No processo de tentar encontrar sua verdadeira identidade você pode até mesmo abandonar o Ser, e ao abandonar o Ser, você é Aquilo.
[Maharaj está olhando para alguns pardais na janela] A consciência vivendo dentro do pardal e a consciência vivendo neste corpo é a mesma. Aqui o instrumento é grande, neles é menor. Os pardais estão planejando por comida, a barriga deles não está cheia. Todas as espécies estão sofrendo; a própria criação em si está sofrendo.
Todos esses conceitos sobre renascimento, etc... A chuva tem renascimento? O fogo? O ar? Em suma, isso é uma mera transformação dos cinco elementos. Você pode chamar de renascimento.
No processo desta busca espiritual, tudo irá acontecer no reino desta consciência. Você finalmente tropeça, ou culmina, no estado absoluto Parabrhaman, o qual é sem desejos.
Eu compreendi e transcendi o 'sentido de ser' (beingness). Suponha que eu viva por mais 100 anos: estado desperto, sono e 'sentido de “eu sou”' (I amness). - qual é a utilidade disso? Estou farto disso.
Não tenho nenhuma identidade exclusiva para mim mesmo. Qualquer identidade que eu tenha é o jogo dos cinco elementos e é universal. Sendo que não há muito que possa ser dito sobre meu estado, não vou manter as pessoas por muito tempo. Apenas repartirei algum conhecimento e falarei para elas irem embora. Com esse conhecimento profundo, neste nível, elas não estão aptas a entender. Que benefício podem obter?
No processo desta busca espiritual, tudo irá acontecer no reino desta consciência. Você finalmente tropeça, ou culmina, no estado absoluto Parabrhaman, o qual é sem desejos.
Eu compreendi e transcendi o 'sentido de ser' (beingness). Suponha que eu viva por mais 100 anos: estado desperto, sono e 'sentido de “eu sou”' (I amness). - qual é a utilidade disso? Estou farto disso.
Não tenho nenhuma identidade exclusiva para mim mesmo. Qualquer identidade que eu tenha é o jogo dos cinco elementos e é universal. Sendo que não há muito que possa ser dito sobre meu estado, não vou manter as pessoas por muito tempo. Apenas repartirei algum conhecimento e falarei para elas irem embora. Com esse conhecimento profundo, neste nível, elas não estão aptas a entender. Que benefício podem obter?
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Pergunta: O principal obstáculo reside na nossa idéia de tempo, no nosso hábito de antecipar um futuro sob a luz do passado. A soma total do passado torna-se o “eu era”, a esperança pelo futuro torna-se o "eu vou ser"e a vida é um constante esforço de atravessar do “eu era' para o que “eu vou ser”. O momento presente, o "agora" é perdido de vista. Maharaj fala do “Eu sou”. Esse “eu sou” é uma ilusão, como o 'eu era' e “eu vou ser”, ou existe algo real em relação a ele? E se o 'eu sou' é também uma ilusão, como fazemos para nos livrarmos dele? A própria noção de “eu sou” livre de “eu sou” é um absurdo. Existe algo real, algo duradouro a respeito do "eu sou" em distinção com o "eu era", ou "eu vou ser", que muda com o tempo, tal como memórias formadas que criam novas expectativas?
Maharaj: O 'eu sou' atual é tão falso quanto o "eu era” 'e o “eu serei". É apenas uma idéia na mente, uma impressão deixada pela memória, e a identidade separada que ele cria é falsa. Este hábito de se referir a um falso centro deve ser abandonado, o conceito: "eu vejo", "eu sinto”, “eu penso”, “eu faço”, deve desaparecer do campo da consciência, o que sobra quando o falso não está mais, é real.
P: O que é essa grande conversa sobre eliminar o Ser (self)? Como pode o Ser eliminar a si mesmo? Que tipo de acrobacia metafísica pode levar ao desaparecimento do acrobata? No final ele irá reaparecer, poderosamente orgulhoso do seu desaparecimento.
M:Não é necessário perseguir o "eu sou" para matá-lo. Você não pode. Tudo o que você necessita é um sincero anseio pela Realidade. Chamamos isso de atma-bhakti, o amor do Supremo: ou Moksha-sankalpa, a determinação de se livrar do falso. Sem amor, e vontade inspirada pelo amor, nada pode ser feito. Simplesmente falar sobre a Realidade sem fazer nada a esse respeito é auto-derrotador. Deve haver amor na relação entre a pessoa que diz 'Eu sou' e o observador desse 'eu sou'. Enquanto o observador, o Ser interior, o Ser “superior", considerar-se aparte do que é observado, o ser “inferior”, desprezá-lo e condená-lo, a situação é desesperadora. É apenas quando o observador (vyakta) aceita a pessoa (vyakti) como uma projeção ou uma manifestação de si próprio, e, por assim dizer, leva o ser para dentro do Ser, a dualidade do 'Eu' e 'esse' se vai e na identidade do exterior e do interior a Suprema Realidade manifesta-se. Essa união daquele que vê com aquilo que é visto acontece quando o que vê se torna consciente de si mesmo como sendo o que vê, ele não está somente interessado naquilo que é visto, que de qualquer forma é ele, mas também está interessado em estar interessado, dando atenção à atenção, consciente de estar consciente. Consciência afetuosa é o fator crucial que traz a Realidade para dentro do foco.
M:Não é necessário perseguir o "eu sou" para matá-lo. Você não pode. Tudo o que você necessita é um sincero anseio pela Realidade. Chamamos isso de atma-bhakti, o amor do Supremo: ou Moksha-sankalpa, a determinação de se livrar do falso. Sem amor, e vontade inspirada pelo amor, nada pode ser feito. Simplesmente falar sobre a Realidade sem fazer nada a esse respeito é auto-derrotador. Deve haver amor na relação entre a pessoa que diz 'Eu sou' e o observador desse 'eu sou'. Enquanto o observador, o Ser interior, o Ser “superior", considerar-se aparte do que é observado, o ser “inferior”, desprezá-lo e condená-lo, a situação é desesperadora. É apenas quando o observador (vyakta) aceita a pessoa (vyakti) como uma projeção ou uma manifestação de si próprio, e, por assim dizer, leva o ser para dentro do Ser, a dualidade do 'Eu' e 'esse' se vai e na identidade do exterior e do interior a Suprema Realidade manifesta-se. Essa união daquele que vê com aquilo que é visto acontece quando o que vê se torna consciente de si mesmo como sendo o que vê, ele não está somente interessado naquilo que é visto, que de qualquer forma é ele, mas também está interessado em estar interessado, dando atenção à atenção, consciente de estar consciente. Consciência afetuosa é o fator crucial que traz a Realidade para dentro do foco.
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Lao Tzu - Tao te Ching - Praticar a Eternidade
No princípio era o Tao.Todas as coisas derivam dele;
todas as coisas retornam a ele.
Para encontrar a origem,
rastreie as manifestações.
Quando você reconhecer a criança
e encontrar a mãe, estará livre dos pesares.
Se você fecha sua mente em julgamentos
e trafega com os desejos,
seu coração será perturbado.
Se você evitar sua mente de julgar
e não for levado pelos sentidos,
seu coração encontrará paz.
Ver na escuridão é claridade.
Saber como render-se é força.
Use sua própria luz
e retorne para a fonte da luz.
Isso é chamado de - praticar a Eternidade.
terça-feira, 16 de junho de 2009
Jalaluddin Rumi - Com você aqui no meio
Lave-se na água da sabedoria para que você não tenha arrependimentos
sobre o tempo aqui.
sobre o tempo aqui.
O amor é o âmago vital da alma,
e de tudo o que você vê, apenas o amor é infinito.
Sua não-existência antes de você nascer
é o céu no oriente.
é o céu no oriente.
Sua morte é o horizonte no ocidente,
com você aqui no meio.
O caminho não conduz nem ao oriente nem ao ocidente,
mas internamente.
mas internamente.
Teste suas asas do amor e torne-as fortes.
Esqueça a idéia de escada religiosa.
O amor é o telhado. Seus sentidos são as calhas.
Beba a chuva diretamente do telhado.
Beba a chuva diretamente do telhado.
A calhas danificam-se facilmente
e frequentemente tem de ser substituídas.
Diga este poema em seu peito.
Não se preocupe em como ele soa
saindo de sua boca.
O corpo humano é um arco.
A respiração e a fala são flechas.
Quando a aljava e as flechas são usadas ou se perdem,
não há nada mais para o arco fazer.
não há nada mais para o arco fazer.
Bhagavan Ramana Maharshi - O Propósito
Devoto: Qual é o propósito da autorealização?
Bhagavan: A autorealização é a meta final e é em si mesma o propósito.
D.: Eu quero dizer, qual é a utilidade disso?
B: Por que você pergunta sobre autorealização? Por que você não descansa contente com o seu estado atual? É evidente que você está descontente e seu descontentamento chegará ao fim se você realizar a si mesmo (realizar o Ser).
D: Qual é o objetivo deste processo?
B: Perceber o Real.
D: Qual é a natureza da realidade?
B: (a) Existência sem começo ou fim – eterna. (b) Existência em toda parte, interminável - infinita. (c) Existência sublinhando todas as formas, todas as mudanças, todas as forças, toda matéria e todo espírito. Os muitos mudam e morrem, enquanto que o Um sempre perdura . (d) O Um desloca as tríades, tais como – o conhecedor, o conhecimento e o conhecido. As tríades são apenas aparências no tempo e no espaço, ao passo que a Realidade situa-se além e por trás delas. Elas são como uma miragem sobre a realidade. São resultado de uma ilusão.
D: Se eu também sou uma ilusão, quem abandona a ilusão?
B: O 'Eu' abandona a ilusão de "eu" e ainda assim continua 'Eu'. Tal é o paradoxo da autorealização (ou realização do Ser). O Realizado não vê qualquer contradição nisso.
Algumas pessoas vêm aqui e não me perguntam sobre si mesmas, mas sim sobre o Jivanmukta (aquele que foi liberado enquanto ainda estava encarnado). Elas perguntam: 'O realizado vê o mundo?' 'Ele está sujeito ao destino?' 'Podemos ser liberados apenas após deixarmos o corpo ou é possível enquanto ainda estivermos vivos?' 'O corpo de um Sábio dissolve-se na luz ou desaparece de uma maneira milagrosa?' Suas perguntas são infinitas. Por que se preocupar com todas essas coisas? A Liberação consiste em saber a resposta para essas perguntas? Então eu lhes digo: 'Não se preocupem a respeito da Liberação. Em primeiro lugar, descubram se existe algo como a escravidão. Examine a si mesmo primeiro.' Em certo sentido, falar da autorealização é uma ilusão. É só porque as pessoas têm estado sob a ilusão de que o não-ser é o Ser e o irreal é o Real, que elas têm que ser tiradas disso por meio de outra ilusão chamada autorealização; porque, na realidade, o Ser é sempre o Ser e não existe tal coisa como realizar o Ser. Quem é para realizar o que, e como, quando tudo o que existe é o Ser e nada mais que o Ser (Self)?
D: Nós vamos para Svarga (o céu), pelo resultado de nossas ações aqui?
B: O céu é tão real quanto a sua vida presente. Mas se nos perguntarmos quem somos nós, e descobrirmos o Ser, qual é a necessidade de pensar sobre o céu?
D: O Vaikunta (céu), está no Ser Supremo?
B: Onde está o Ser Supremo ou o céu, senão em você?
D: Mas o céu pode aparecer para a pessoa involuntariamente.
B: O mundo aparece voluntariamente?
D: Deve haver fase após fase de progresso antes de se atingir o Absoluto. Existem diferentes níveis de realidade?
B: Não existem níveis de Realidade, existem apenas níveis de experiência para o indivíduo, não de Realidade. Se alguma coisa pode ser adquirida, que não estava lá antes, também pode ser perdida; enquanto que o Absoluto é eterno, aqui e agora.
Pode um homem tornar-se um oficial de alto escalão apenas ao ver um deles passar? Ele pode se tornar um, somente esforçando-se e equipando-se para a posição. Do mesmo modo, pode o ego, que está em cativeiro sendo a mente, tornar-se o Divino Ser simplesmente porque uma vez teve um vislumbre de que ele é o Ser? Isso não é impossível sem a destruição da mente? Pode um mendigo tornar-se um rei por apenas visitar um rei, e declarar-se como sendo um?
D: A autorealização pode ser perdida novamente após ter sido atingida?
B: A Realização leva tempo para estabilizar a si mesma. O Ser certamente está dentro da experiência direta de todos, mas não da forma como as pessoas imaginam. Só se pode dizer que ele é como é. Assim como os encantos ou outros dispositivos podem evitar que o fogo queime um homem enquanto que de outro modo o queimaria, também os vasanas (tendências inerentes que nos impelem a desejar uma coisa e repelir outra), podem velar o Ser enquanto de outro modo Ele seria evidente. Devido às flutuações dos vasanas, a Realização leva tempo para estabilizar-se. A Realização espasmódica não é suficiente para impedir o renascimento e não pode tornar-se permanente enquanto existirem os vasanas. Na presença de um grande mestre, os vasanas deixam de ser ativos e a mente torna-se quieta para que resulte o samadhi (a absorção na Realização). Assim como na presença de vários dispositivos de incêndio o fogo não queima, também assim o discípulo ganha conhecimento verdadeiro e experiência direta na presença de um mestre. Mas se o objetivo é se estabelecer, esforço adicional é necessário. E então, o conhecerá como sendo seu verdadeiro Ser e, portanto, será liberado enquanto ainda vivo. Você é o Ser mesmo agora, mas você confunde sua atual consciência ou o seu ego com a Consciência Absoluta ou, o Ser (Self). Essa falsa identificação é devida à ignorância e a ignorância desaparece juntamente com o ego. Matar o ego é a única coisa a ser feita. A Realização já existe, nenhuma tentativa precisa ser feita para tentarmos alcançá-la. Porque ela não é em nada novo ou externo a ser adquirido. É sempre e em toda parte - aqui e agora, também.
D: Esse método parece ser mais rápido do que aquele habitual, o da pessoa cultivar as virtudes que são alegadas como sendo necessárias para a Realização.
B: Sim. Todos os vícios estão ao redor do ego. Quando o ego se vai a Realização resulta naturalmente.
D: Um Iogue pode saber sobre suas vidas passadas?
B: Você conhece a vida presente tão bem que você deseja saber a passada? Descubra a presente, depois o resto se seguirá. Mesmo com o seu atual conhecimento limitado, você sofre muito. Por que deveria você sobrecarregar-se com mais conhecimento? É para sofrer mais?
D: Bhagavan utiliza poderes ocultos para fazer com que os outros realizem o Ser ou o simples fato da Realização de Bhagavan é o suficiente para isso?
B: A força da Realização espiritual é muito mais poderosa do que a utilização de todos os poderes ocultos. Na medida em que não há ego no Sábio, não há "outros" para ele. Qual é o maior benefício que pode ser atribuído a você? É a felicidade e a felicidade é nascida da paz. A paz só pode reinar onde não haja perturbação e a perturbação deve-se aos pensamentos que surgem na mente. Quando a própria mente estiver ausente, haverá perfeita paz. A menos que a pessoa tenha aniquilado a mente, ela não poderá ganhar a paz e ser feliz. E a menos que ela própria seja feliz, ela não poderá outorgar felicidade aos 'outros'. Dado que, no entanto, não há "outros" para o Sábio, que não tem mente, o mero fato de sua autorealização é por si só suficiente para tornar os "outros" felizes também.
domingo, 14 de junho de 2009
Siddharameshwar Maharaj - "Conhecimento Puro"

Para entender melhor como exatamente o “puro conhecimento uno” está atuando, você tem apenas que sair de casa e olhar imediatamente para a lua. Com que velocidade, de dentro da janela da mente, a pura consciência se apressa até a lua? Veja como ela permeia o céu inteiro numa fração de segundo. Tente isso. A mente tem essa mesma velocidade? A mente recebeu essa velocidade de ciência da lua, apenas através da ajuda desse “Conhecimento”. Onde quer que a mente vá, a Consciência já está lá. Que admirável então, que o movimento da mente pereça emperrado nessa consciência! Você tem apenas que abrir as pálpebras e o "Conhecimento” (consciência) simultaneamente permeiará o céu inteiro e a vastidão que contém uma multitude de estrelas e a lua.
Em vez de dizer que ela permeia, é melhor dizer que ela já permeou tudo o que agora é experimentado. Quando a Consciência viaja do olho até a lua e a pessoa a reconhece como sendo a lua, tal é o conhecimento 'objetivo'. Nesse exemplo a lua é o objeto e a consciência assume a sua forma assim que ela sabe que aquilo é a lua. Se há uma nuvem na frente da lua, a Consciência assume o formato da nuvem e é vista como aquele objeto. Assim também, a consciência permeia a nuvem e sabe que a nuvem é um objeto.
Agora, tente notar a “camada” de consciência sem um objeto, o “Conhecimento Puro” sem a mistura de nenhum objeto. Aquele espaço ou vácuo, que existe entre os olhos e a lua, não foi notado por você, ainda assim, ele estava lá, permeando, existindo em sua própria natureza. Aquela é a forma pura do 'Conhecimento'. Quando um vácuo ou espaço vazio, que foi notado anteriormente, é propositalmente tornado o objeto da atenção, ele pode tornar-se o objeto da atenção como 'espaço'. O que é notado é Maya, e o que não pode ser visto é “Brahman”.
Enquanto olhamos para a lua, o vácuo ou o espaço intermediário, não vem à nossa atenção. Portanto, é consciência sem um objeto. Se esse espaço, ou vácuo, é separado e é tornado um objeto da visão, esse Conhecimento Puro é transformado num zero, porque se o espaço é visto separadamente, a modificação da mente torna-se um vácuo. Se existe alguma diferença entre o céu e o Puro Conhecimento, é essa: Olhar separadamente para nossa própria natureza é o céu e quando o ato de 'olhar' é abandonado, ele é “conhecimento puro”. Uma vez que o conhecimento puro é reconhecido apropriadamente dessa forma, mesmo quando misturado a qualquer objeto, ele pode ser selecionado e reconhecido. Uma vez que a água pura é conhecida, mesmo quando misturada com alguma outra coisa, sua porção pode ser reconhecida dentro da mistura.
Agora, tente notar a “camada” de consciência sem um objeto, o “Conhecimento Puro” sem a mistura de nenhum objeto. Aquele espaço ou vácuo, que existe entre os olhos e a lua, não foi notado por você, ainda assim, ele estava lá, permeando, existindo em sua própria natureza. Aquela é a forma pura do 'Conhecimento'. Quando um vácuo ou espaço vazio, que foi notado anteriormente, é propositalmente tornado o objeto da atenção, ele pode tornar-se o objeto da atenção como 'espaço'. O que é notado é Maya, e o que não pode ser visto é “Brahman”.
Enquanto olhamos para a lua, o vácuo ou o espaço intermediário, não vem à nossa atenção. Portanto, é consciência sem um objeto. Se esse espaço, ou vácuo, é separado e é tornado um objeto da visão, esse Conhecimento Puro é transformado num zero, porque se o espaço é visto separadamente, a modificação da mente torna-se um vácuo. Se existe alguma diferença entre o céu e o Puro Conhecimento, é essa: Olhar separadamente para nossa própria natureza é o céu e quando o ato de 'olhar' é abandonado, ele é “conhecimento puro”. Uma vez que o conhecimento puro é reconhecido apropriadamente dessa forma, mesmo quando misturado a qualquer objeto, ele pode ser selecionado e reconhecido. Uma vez que a água pura é conhecida, mesmo quando misturada com alguma outra coisa, sua porção pode ser reconhecida dentro da mistura.
A água é um fluído que pode ser condensado em gelo. Mesmo quando a água abandona sua fluidez e assume a densidade do gelo, ela ainda é reconhecida como água em forma de gelo. Não é difícil reconhecer a umidade da lama como sendo água. Similarmente, uma vez que o Conhecimento Puro é conhecido, sua existência estável nesse mundo móvel pode também ser reconhecida, na forma de Sat-chit-ananda (existência-consciência-graça).
A água pura é desprovida de qualquer cor, forma, gosto ou cheiro. Uma vez que isso é propriamente entendido, mesmo quando a água é condensada, assumindo uma forma densa, ou quando fica apimentada ao adicionarmos pimenta, ou doce ao adicionarmos açúcar, ou cheirosa, colorida em tom de rosa, ou usada como água na tinta, ainda assim é inconfundivelmente reconhecida como água pura, ou água menos a forma, gosto, cheiro e cor.
A água pura é desprovida de qualquer cor, forma, gosto ou cheiro. Uma vez que isso é propriamente entendido, mesmo quando a água é condensada, assumindo uma forma densa, ou quando fica apimentada ao adicionarmos pimenta, ou doce ao adicionarmos açúcar, ou cheirosa, colorida em tom de rosa, ou usada como água na tinta, ainda assim é inconfundivelmente reconhecida como água pura, ou água menos a forma, gosto, cheiro e cor.
Assim, pelo mesmo método de eliminação, mesmo quando esse Conhecimento Puro está condicionado, ao subtrairmos o condicionamento e dividirmos a forma em seus respectivos elementos, ele será reconhecido absolutamente como sendo “Conhecimento Puro” apenas, que preenche todas as formas até à borda, em toda parte. Entretanto, antes de alcançar esse “Conhecimento Puro” pelo método da eliminação, se a pessoa aceita o método da enumeração (escutando as qualidades de Deus), e segue discursando como é que somente Deus permeia todos os seres e todas as formas, e que não existe nada além de Rama, e que “o mundo e o senhor do mundo, são apenas um” etc, etc, então tal balbuciação jamais poderia ser útil. Em contraste com esse tipo de fala, se a pessoa fala apenas palavras vazias sem ter a experiência por trás delas, tal como “Eu sou Brahman”, “os sentidos fazem seu trabalho, contudo eu não sou o fazedor”, e “ não há virtude ou pecado na soleira de minha porta”, etc, em vez de ganhar o Ser, ele apenas irá enganar seu Ser. Dessa forma, esses chamados “Auto-descobridores” perdem alegria no mundo, bem como no outro mundo . O santo Kabir disse “Ele foi embora como veio”. Isso significa que essas pessoas morrem no mesmo estado de consciência com o qual elas nasceram. Não obtêm nenhum benefício além disso.
quarta-feira, 10 de junho de 2009
Ramakrishna - Deus com forma e Deus sem forma
Devoto: Deus tem forma ou é sem forma?
Ramakrishna: Espere, espere! Primeiro de tudo você tem que ir para Calcutá, só então você saberá onde estão localizados o Maidan, a Sociedade Asiática e o Banco de Bengala. Se quer ir para o bairro dos brâmanes de Khardaha, primeiro tem que ir para Khardaha. Por que não seria possível a prática da disciplina de Deus sem forma? É muito difícil seguir esse caminho. Não podemos segui-lo sem renunciar “mulher e ouro" (luxúria e cobiça). Deve haver completa renúncia, tanto interna como externamente. Você não pode ter êxito neste caminho se você tiver o menor vestígio de mundanidade. É fácil adorar a Deus com forma. No entanto, não é tão fácil como parece. Com um Bhakta (aspirante no caminho devocional), não devemos discutir a disciplina do Deus impessoal ou o caminho do Conhecimento (Jnana). Através de muitos esforços, talvez ele esteja nesse momento cultivando um pouco de devoção. Seria danoso dizer a um Bhakta que tudo é um mero sonho.
Kabir era um adorador do Deus impessoal. Ele não acreditava em Shiva, Kali ou Krishna. Costumava brincar com eles e dizia que Kali vivia de ofertas de arroz e banana e Krishna dançava como um macaco enquanto as gopis batiam palmas. Aquele que adora Deus sem forma, talvez no início veja uma deidade com dez braços, em seguida, com quatro braços e, em seguida, Krishna criança com dois braços. Finalmente vê a a Luz Indivisível e submerge nela. Diz-se que os sábios como Dattátreia e Yadabharata não retornaram ao plano relativo depois de terem tido a visão de Brahman. Segundo alguns relatos, Shukadeva provou apenas uma gota do Oceano da Consciência de Brahman. Ele viu e ouviu o rugido das ondas desse Oceano mas não submergiu nele. Uma vez um Brahmachari me disse: "Aquele que vai além de Kedar, não pode manter o seu corpo vivo". Assim, depois de atingir Brahmajnana um homem não pode preservar o seu corpo mais do que vinte e um dias.
Para além do muro elevado havia um campo infinito. Quatro amigos tentaram saber o que havia lá. Três deles, um após outro, escalaram o muro, viram o campo, deram uma gargalhada e saltaram para o outro lado. Estes três não puderam dar qualquer informação sobre o campo. Apenas o quarto homem voltou e disse para as pessoas como era. Ele é como aqueles que detêm o seu corpo, mesmo depois de atingir Brahmajnana, para ensinar aos outros. As encarnações Divinas pertencem a esta classe.
Parvati nasceu como a filha do Rei Himalaya. Após o seu nascimento, ela revelou ao rei Suas diversas formas divinas. O pai disse: 'Bem, filha, você me mostrou todas estas formas, isto é bom, mas você tem um outro aspecto, que é Brahman. Rogo-lhe para que me ensine. “Pai, disse Parvati, se buscas o conhecimento de Brahman, então renuncia o mundo e viva na companhia dos santos". Mas o rei Himalaia insistiu. Por conseguinte, Parvati revelou-lhe Sua forma de Brahman e imediatamente o rei caiu inconsciente no chão. Mas tudo o que acabei de dizer, pertence ao reino do raciocínio. Apenas Brahman é real e o mundo é ilusório - isso é raciocinar. E tudo, exceto Brahman, é como um sonho. Mas é um caminho muito difícil. Para aqueles que o seguem, até o jogo divino no mundo torna-se um sonho e é irreal, o seu 'eu' também desaparece. Os seguidores desse caminho não aceitam a Encarnação Divina. É um caminho muito difícil. Os amantes de Deus não deveriam ouvir muito de tal raciocínio. É por isso que Deus encarna-se como ser humano, para ensinar às pessoas o caminho da devoção. Exorta as pessoas a cultivarem a entrega a Deus. Seguindo o caminho da devoção, realizamos tudo através de Sua graça, Conhecimento e Sabedoria Suprema.
Deus atua neste mundo. Ele está sob o domínio dos Seus devotos. Shyama, a Mãe Divina, está atada pelas cordas do amor de Seu devoto. Às vezes Deus torna-se o ímã e o devoto a agulha, outras vezes, o devoto torna-se o ímã e Deus a agulha. O devoto atrai Deus até ele. Deus é o Amado de Seu devoto e está sob seu domínio. De acordo com uma escola, as gopis de Vrindavan, como Yashoda, em suas vidas anteriores acreditavam em Deus sem forma, mas não receberam nenhuma satisfação a partir dessa crença. É por isso que mais tarde gozaram de tanta felicidade na companhia de Sri Krishna no episódio da sua vida em Vrindavan. Um dia Krishna disse às gopis: 'Venham comigo. Vou mostrar-lhes a morada do Eterno. Nós vamos para o Yamuna para nadarmos.' Logo que eles imergiram na água, viram Goloka e, em seguida, viram a luz indivisível. Naquele instante Yashoda exclamou: "Ó Krishna, essas coisas já não nos importam. Gostaríamos de vê-lo em Sua forma humana. Quero tomar-lhe em meus braços e alimentar-lo".
Portanto, a maior manifestação de Deus é através de Suas encarnações. O devoto deveria servir e adorar uma encarnação de Deus enquanto ela viva em um corpo humano. “Ao amanhecer, ele desaparece na câmara secreta de sua morada." De maneira nenhuma podem todos reconhecer uma encarnação de Deus. Ao assumir um corpo humano, a encarnação cai vítima de doença, tristeza, fome, sede e outras dores, como qualquer mortal. Rama chorou por Sita. "Brahman chora, capturado na armadilha dos cinco elementos." Diz-se nos Puranas que Deus em Sua encarnação como um Marrana (porco) viveu feliz com Sua ninhada, mesmo depois de terem destruído Hiraniaksha. Como Marrana, ele os alimentou e cuidou e esqueceu tudo sobre a sua morada no céu. Finalmente Shiva matou o corpo do porco com o seu tridente e Deus, rindo, voltou para sua própria casa.
Ramakrishna: Espere, espere! Primeiro de tudo você tem que ir para Calcutá, só então você saberá onde estão localizados o Maidan, a Sociedade Asiática e o Banco de Bengala. Se quer ir para o bairro dos brâmanes de Khardaha, primeiro tem que ir para Khardaha. Por que não seria possível a prática da disciplina de Deus sem forma? É muito difícil seguir esse caminho. Não podemos segui-lo sem renunciar “mulher e ouro" (luxúria e cobiça). Deve haver completa renúncia, tanto interna como externamente. Você não pode ter êxito neste caminho se você tiver o menor vestígio de mundanidade. É fácil adorar a Deus com forma. No entanto, não é tão fácil como parece. Com um Bhakta (aspirante no caminho devocional), não devemos discutir a disciplina do Deus impessoal ou o caminho do Conhecimento (Jnana). Através de muitos esforços, talvez ele esteja nesse momento cultivando um pouco de devoção. Seria danoso dizer a um Bhakta que tudo é um mero sonho.
Kabir era um adorador do Deus impessoal. Ele não acreditava em Shiva, Kali ou Krishna. Costumava brincar com eles e dizia que Kali vivia de ofertas de arroz e banana e Krishna dançava como um macaco enquanto as gopis batiam palmas. Aquele que adora Deus sem forma, talvez no início veja uma deidade com dez braços, em seguida, com quatro braços e, em seguida, Krishna criança com dois braços. Finalmente vê a a Luz Indivisível e submerge nela. Diz-se que os sábios como Dattátreia e Yadabharata não retornaram ao plano relativo depois de terem tido a visão de Brahman. Segundo alguns relatos, Shukadeva provou apenas uma gota do Oceano da Consciência de Brahman. Ele viu e ouviu o rugido das ondas desse Oceano mas não submergiu nele. Uma vez um Brahmachari me disse: "Aquele que vai além de Kedar, não pode manter o seu corpo vivo". Assim, depois de atingir Brahmajnana um homem não pode preservar o seu corpo mais do que vinte e um dias.
Para além do muro elevado havia um campo infinito. Quatro amigos tentaram saber o que havia lá. Três deles, um após outro, escalaram o muro, viram o campo, deram uma gargalhada e saltaram para o outro lado. Estes três não puderam dar qualquer informação sobre o campo. Apenas o quarto homem voltou e disse para as pessoas como era. Ele é como aqueles que detêm o seu corpo, mesmo depois de atingir Brahmajnana, para ensinar aos outros. As encarnações Divinas pertencem a esta classe.
Parvati nasceu como a filha do Rei Himalaya. Após o seu nascimento, ela revelou ao rei Suas diversas formas divinas. O pai disse: 'Bem, filha, você me mostrou todas estas formas, isto é bom, mas você tem um outro aspecto, que é Brahman. Rogo-lhe para que me ensine. “Pai, disse Parvati, se buscas o conhecimento de Brahman, então renuncia o mundo e viva na companhia dos santos". Mas o rei Himalaia insistiu. Por conseguinte, Parvati revelou-lhe Sua forma de Brahman e imediatamente o rei caiu inconsciente no chão. Mas tudo o que acabei de dizer, pertence ao reino do raciocínio. Apenas Brahman é real e o mundo é ilusório - isso é raciocinar. E tudo, exceto Brahman, é como um sonho. Mas é um caminho muito difícil. Para aqueles que o seguem, até o jogo divino no mundo torna-se um sonho e é irreal, o seu 'eu' também desaparece. Os seguidores desse caminho não aceitam a Encarnação Divina. É um caminho muito difícil. Os amantes de Deus não deveriam ouvir muito de tal raciocínio. É por isso que Deus encarna-se como ser humano, para ensinar às pessoas o caminho da devoção. Exorta as pessoas a cultivarem a entrega a Deus. Seguindo o caminho da devoção, realizamos tudo através de Sua graça, Conhecimento e Sabedoria Suprema.
Deus atua neste mundo. Ele está sob o domínio dos Seus devotos. Shyama, a Mãe Divina, está atada pelas cordas do amor de Seu devoto. Às vezes Deus torna-se o ímã e o devoto a agulha, outras vezes, o devoto torna-se o ímã e Deus a agulha. O devoto atrai Deus até ele. Deus é o Amado de Seu devoto e está sob seu domínio. De acordo com uma escola, as gopis de Vrindavan, como Yashoda, em suas vidas anteriores acreditavam em Deus sem forma, mas não receberam nenhuma satisfação a partir dessa crença. É por isso que mais tarde gozaram de tanta felicidade na companhia de Sri Krishna no episódio da sua vida em Vrindavan. Um dia Krishna disse às gopis: 'Venham comigo. Vou mostrar-lhes a morada do Eterno. Nós vamos para o Yamuna para nadarmos.' Logo que eles imergiram na água, viram Goloka e, em seguida, viram a luz indivisível. Naquele instante Yashoda exclamou: "Ó Krishna, essas coisas já não nos importam. Gostaríamos de vê-lo em Sua forma humana. Quero tomar-lhe em meus braços e alimentar-lo".
Portanto, a maior manifestação de Deus é através de Suas encarnações. O devoto deveria servir e adorar uma encarnação de Deus enquanto ela viva em um corpo humano. “Ao amanhecer, ele desaparece na câmara secreta de sua morada." De maneira nenhuma podem todos reconhecer uma encarnação de Deus. Ao assumir um corpo humano, a encarnação cai vítima de doença, tristeza, fome, sede e outras dores, como qualquer mortal. Rama chorou por Sita. "Brahman chora, capturado na armadilha dos cinco elementos." Diz-se nos Puranas que Deus em Sua encarnação como um Marrana (porco) viveu feliz com Sua ninhada, mesmo depois de terem destruído Hiraniaksha. Como Marrana, ele os alimentou e cuidou e esqueceu tudo sobre a sua morada no céu. Finalmente Shiva matou o corpo do porco com o seu tridente e Deus, rindo, voltou para sua própria casa.
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Upasni Maharaj* - O Templo de Khandoba

Vocês me chamam de Deus, mas deixem-me adverti-los: Eu sou do templo de Khandoba. Talvez devido ao meu destino ou devido à vontade do Sadguru ou de quem quer que esteja acima de mim, tive que passar pela punição de ser um Khandoba e portanto fui mantido no templo de Khandoba. Khandoba significa eunuco, um eunuco é aquele que é incapaz de desfrutar de uma mulher de maneira mundana. Antigamente aqueles que eram incapazes de desfrutar de uma mulher eram chamados Shandas, entretanto eles não eram os verdadeiros Shandas, o verdadeiro Shanda é aquele que se tornou completamente sem desejos, e esse estado sem desejos traz o estado de Khandoba.
Por Khandoba ser único, garotas são oferecidas para ele, essas garotas são chamadas de Muralis. O que é Murali? Murali é a flauta nas mãos do Senhor Krishna. As Muralis, portanto, atingem então o estado que as leva ‘além do mundo’. Há um costume de oferecer garotas a Khandoba. Khandoba sendo Parabrhaman, as garotas oferecidas para ele, portanto, tornam-se o mesmo. Khandoba significa Shandoba e o mesmo é Vhitoba. Vhitoba é livre, nu, não afetado em todos os aspectos. Nestes dias de Kali Yuga, Vhitoba é considerado ser de importância, é ele que conduz à bênção infinita.
Já falei sobre isto, aquele cuja mente e sentidos não são de nenhuma utilidade do ponto de vista mundano, nem são de utilidade para atingir nenhum dos prazeres do mundo, tornar-se Shanda, o Shanda real é o Brhaman real, o Parabrahman, ele é Vhitoba, ele é o Khandoba. Você deveria lembrar-se bem disso; eu não sabia desses arranjos secretos, se eu soubesse não teria parado naquele templo. Naquele tempo eu comecei a pensar que estava sentando num vale em chamas. Mas sabe que as palavras que Sai Baba disse vieram a se tornar verdade, as de que eu seria a esposa de Khandoba.
*Upasni Maharaj - Mestre perfeito indiano que foi discípulo de Sai Baba de Shirdi (1838-1918), teve uma vida de renúncia extrema. Permaneceu de 1912 à 1914 em jejum de comida e água no templo de Khandoba, que na época era abandonado e infestado por cobras e escorpiões.
domingo, 7 de junho de 2009
Philokalia - São Teófanes o Recluso - Pobre, Nu, Cego e Sem Valor

Não há necessidade de ter medo da ilusão. Ela sobrepuja aqueles que se tornam vãos, que pensam que assim que um aquecimento venha ao coração já significa o cume da perfeição. De fato, esse aquecimento é apenas o começo e pode provar ser instável. Esse aquecimento e paz no coração podem ser apenas algo natural, fruto da atenção concentrada. Temos de labutar e labutar, esperar e esperar, até que o natural seja substituído pela graça ofertada.
É melhor nunca pensar de si mesmo como tendo atingido algo, mas sempre ver-se como pobre, nu, cego e sem valor.
O Senhor vê sua necessidade e seus esforços, e dará a você uma mão. Ele irá lhe dar suporte e estabelecerá você um soldado, totalmente armado e pronto para ir para a batalha. Nenhum suporte pode ser melhor do que o Dele. O maior perigo está em a alma pensar que ela pode encontrar essa ajuda dentro de si mesma; e então ela perde tudo. O mal irá dominá-la, eclipsando a luz que cintila ainda que fraca na alma, e irá extinguir aquela pequena chama que quase já não queima. A alma deveria perceber o quanto ela é impotente quando sozinha; portanto não esperando nada de si mesma, deixe-a cair em humildade diante de Deus e em seu próprio coração que ela se reconheça como sendo nada. Então a graça – que é toda poderosa – irá desse nada, criar nela tudo. Aquele que em total humildade coloca-se nas mãos do piedoso Deus, atrai o Senhor para si mesmo e torna-se forte em Sua força.
Embora esperando tudo de Deus e nada de nós mesmos, devemos, não obstante, forçarmos-nos à ação, empregando toda nossa força a fim de criar algo para o qual a ajuda divina possa vir, e o qual, o poder divino possa abarcar. A graça já está presente dentro de nós mas ela irá agir apenas depois que o próprio homem agiu, sentindo sua impotência com sua própria força. Estabeleça-se, portanto, firmemente no humilde sacrifício da sua vontade por Deus, e então tome ação sem nenhuma má vontade ou de maneira irresoluta.
É melhor nunca pensar de si mesmo como tendo atingido algo, mas sempre ver-se como pobre, nu, cego e sem valor.
O Senhor vê sua necessidade e seus esforços, e dará a você uma mão. Ele irá lhe dar suporte e estabelecerá você um soldado, totalmente armado e pronto para ir para a batalha. Nenhum suporte pode ser melhor do que o Dele. O maior perigo está em a alma pensar que ela pode encontrar essa ajuda dentro de si mesma; e então ela perde tudo. O mal irá dominá-la, eclipsando a luz que cintila ainda que fraca na alma, e irá extinguir aquela pequena chama que quase já não queima. A alma deveria perceber o quanto ela é impotente quando sozinha; portanto não esperando nada de si mesma, deixe-a cair em humildade diante de Deus e em seu próprio coração que ela se reconheça como sendo nada. Então a graça – que é toda poderosa – irá desse nada, criar nela tudo. Aquele que em total humildade coloca-se nas mãos do piedoso Deus, atrai o Senhor para si mesmo e torna-se forte em Sua força.
Embora esperando tudo de Deus e nada de nós mesmos, devemos, não obstante, forçarmos-nos à ação, empregando toda nossa força a fim de criar algo para o qual a ajuda divina possa vir, e o qual, o poder divino possa abarcar. A graça já está presente dentro de nós mas ela irá agir apenas depois que o próprio homem agiu, sentindo sua impotência com sua própria força. Estabeleça-se, portanto, firmemente no humilde sacrifício da sua vontade por Deus, e então tome ação sem nenhuma má vontade ou de maneira irresoluta.
sábado, 6 de junho de 2009
Gurdjieff - 7 de dezembro de 1941

Pergunta: Algo intolerável acontece no meu trabalho. A despeito dos meus esforços eu não posso lembrar de mim mesmo, ter uma qualidade melhor. É inútil fixar horas de trabalho no relógio. Não obtenho resultado. Por que?
Gurdjieff: Isso vem do seu egoismo. Egoismo particularmente grande no qual você tem vivido até agora. Você está enclausurado nele, você tem de sair dele. Para sair, você tem de aprender a trabalhar. Não apenas por você somente, mas para os outros. Você começou com trabalho relacionado aos seus pais. Você deve mudar sua tarefa. Assuma uma nova tarefa, a mesma com seus semelhantes, não importa quem, todos os seres; ou escolha dentre as pessoas à sua volta. Você deve trabalhar para si mesmo através da meta de estar apto a ajudá-los. Apenas isso irá lutar contra o egoismo. Vejo que vocês dois têm um passado muito ruim, um egoismo particular. Todo o material antigo vem à frente. É por isso que você não pode fazer nada. É normal; de acordo com a ordem, de acordo com a lei. Antes de atingir a meta, há muitas acensões e quedas. Isso deveria reassegurar você. Eu poderia reassegurar você completamente, mas é você quem deve trabalhar você mesmo.
P: Para sair deste estado de sofrimento tão vívido e tão negativo, posso fazer uso de algum meio exterior, tomar ópio, por exemplo?
G: Não, você deve trabalhar sobre si mesmo. Destrua o egoismo no qual você tem sempre vivido. Tente o que eu lhe digo. Mude sua tarefa. É necessário alcançar agora um novo estágio. Vocês dois estão a caminho da Gare de Lyon, mas vão por rotas diferentes, um vai por Londres e o outro pela Ópera. Vocês estão ambos à mesma distância.
P: Eu vejo minha impotência e minha covardia. Eu não posso dizer nada e fazer algo pelos outros. Pois minha cabeça não está clara. Sinto se uma coisa está correta ou não, mas não posso explicar claramente o porquê.
G: Você não pode dizer nem fazer nada pelos outros. Você não sabe o que você precisa para si mesmo, você não pode saber o que o outros precisam. Trabalhe com propósito por eles. Mas atue um papel. Esteja aparte internamente. Veja, externamente fale como a pessoa fala, para não machucá-la. Você deve adquirir a força para fazer isso. Atue um papel. Torne-se duplo. Para o presente momento trabalhe como capataz. Faça o que eu lhe digo, você não pode fazer mais que isso. Ame seu vizinho; Esse é o CAMINHO. Traga para todos aquilo que você sentia pelos seus pais.
P: No inicio do trabalho temos esse desejo.
G: Certamente, é a mesma coisa, sempre a mesma coisa que retorna num diferente grau. Agora é um outro grau. Você deve superar essa crise. Tudo vem do falso amor de si mesmo, da opinião que a pessoa tem de si mesma, que são mentiras.
P: Tudo virou de ponta cabeça em mim com o exercício, em todo meu trabalho. Tirou a alegria do trabalho, tornou-o doloroso, sem esperança, sinto-me como um asno puxando um carrinho muito pesado numa subida.
G: É porque em você há outras partes que são tocadas. É como um pintor que sempre mistura as mesmas cores e nunca há nenhum vermelho. Quando ele coloca vermelho na mistura, isso muda tudo. Você deve continuar.
P: Esse exercício me fez sentir algo que é novo para mim; quando tento fazê-lo e colocar minha atenção nesse pequeno ponto fixo e vejo que não posso segurar-me na frente dele, tenho uma sensação da minha nulidade e pareço entender melhor a humildade. Esse pontinho é maior que eu.
G: Porque você tem um cão em você mesmo que o impede em todas as coisas. Ele é chamado insolência perante você mesmo. Você deve destruir esse cão. Mais para frente você vai sentir-se mestre nesse ponto, sentir que você é mais forte que esse cão e que ele é nada. Não tenho confiança nesses tipos artísticos que vivem na imaginação, têm idéias atrás de sua cabeça, não dentro, que pensam que sentem e experimentam, mas na realidade estão apenas interessados em coisas externas. Vivem apenas na superfície, de fora, não dentro, não em si mesmos. Os artistas não sabem nada da realidade e imaginam que eles sabem. Não confie em você mesmo. Entre em você mesmo, em todas as partes de você mesmo. É absolutamente necessário aprender a sentir e a pensar ao mesmo tempo em todas as coisas que você faz na vida diária. Você é uma pessoa vazia.
P: Como deveríamos rezar?
G: Irei explicar, mas é para depois. Em nosso sistema solar certa substância emana do sol e dos planetas, da mesma forma que aquelas emanadas pela Terra, fazendo contato em certos pontos no sistema solar. E esses pontos podem refletir a si mesmos em imagens materializadas, as quais são as imagens invertidas do Todo-elevado – o Absoluto. Digo-lhe que sempre existe uma imagem materializada em sua atmosfera. Se as pessoas pudessem ter concentração o bastante para entrar em contato com essa imagem, elas receberiam essa substância; portanto, ao recebê-la, estabeleceriam uma linha telepática como o telefone.
P: Essas imagens se materializam na forma humana?
G: Sim.
P: Se alguém se colocar em contato com essa imagem e uma segunda pessoa puder colocar-se em contato com ela e uma terceira pessoa e uma quarta, poderão todas elas receber essa imagem?
G: Se sete pessoas puderem concentrar-se o bastante para colocarem-se em contato com essa imagem, elas poderiam se comunicar, a qualquer distância, pela linha entre e elas e as sete formam um. Elas podem ajudar-se umas às outras. Diga-se de passagem, é apenas ao explicar algo aos outros que entendemos e assimilamos nós mesmos completamente.
P: Gostaria de saber se ao materializar a imagem de um santo, isso irá me dar o que eu particularmente desejo?
G: Você pensa como uma pessoa ordinária. Você não tem meios de materializar nada agora. Para o momento assuma a tarefa de auto-sugestão, para que uma parte de você convença a outra e repita, repita para ela o que você decidiu (a meta de despertar). Há uma série de sete exercícios para o desenvolvimento sucessivo dos sete centros. Nós citamos o primeiro, o cérebro, aquele que conta na vida ordinária (a cabeça é uma luxúria). O outro, o emocional também; mas o único que é necessário é a medula espinhal, aquele que você tem que desenvolver e fortalecer primeiro. Esse exercício irá fortalecê-lo: segure os dois braços horizontalmente num ângulo exato, ao mesmo tempo olhando fixamente para um ponto diante de você. Divida sua atenção exatamente entre o ponto e os braços. Você descobrirá que não há nenhuma associação, nenhum lugar para elas, de tão ocupado que você estará com o ponto e a posição dos braços. Faça isso sentado, de pé, e então de joelhos. Vinte e cinco minutos em cada posição, várias vezes por dia – ou menos. Tive um aluno uma vez que podia ficar duas horas sem mexer os braços nem um centímetro. Para outras coisas ele era uma nulidade.
P: Quando quero fazer tais esforços para o trabalho, uma dura barreira se forma no meu peito, impossível de superar. O que eu deveria fazer?
G: Isso não é nada. Você não está habituado a usar esse centro – é um músculo que contrai – é apenas muscular. Continue, continue.
P: Tenho feito esse exercício até ficar com os ombros ardendo. Ao fazê-lo, eu tive a sensação de “Eu”. Senti a mim mesmo realmente separado, realmente “Eu”.
G: Você não pode ter “Eu”. O “Eu” é uma coisa muito cara. Você é barato. Não filosofe, isso não me interessa, e não fale de “Eu”. Faça o exercício como um serviço, como uma obrigação, não por resultados (como o “Eu”). Os resultados virão mais tarde. Hoje é apenas serviço. Apenas isso é real.
P: Sinto-me mais dentro de mim mesmo, mas como se estivesse diante de uma porta fechada.
G: Não é uma porta mas sim muitas portas. Você deve abrir cada porta, aprenda a abrir.
P: Tenho trabalhado especialmente sobre o amor-próprio.
G: Sem amor-próprio um homem não pode fazer nada. Existem duas qualidades de amor-próprio. Uma é uma coisa suja. A outra, um impulso, amor do “eu” real. Sem isso, é impossível mover-se. Um ditado Hindu antigo diz: "Feliz é aquele que ama a si mesmo, pois ele pode amar a Mim”.
Vejo pelo relatório de Madame de Salzman que ninguém me entendeu. Você precisa de fogo. Sem fogo, nunca haverá nada. Esse fogo é o sofrimento, sofrimento voluntário, sem o qual é impossível criar algo. É preciso preparar-se, você deve saber o que irá fazê-lo sofrer e quando isso estiver lá, faça uso disso. Apenas você pode preparar, apenas você sabe o que o faz sofrer, que faz o fogo que cozinha, que cimenta, que cristaliza, que FAZ. Sofra pelos seus defeitos, pelo seu orgulho, pelo seu egoísmo. Lembre a si mesmo da meta. Sem sofrimento preparado não há nada, pois quanto mais se é consciente, não há mais sofrimento. Não há progresso adiante, nada. É por isso que com sua consciência você deve preparar o que é necessário.
Você deve à natureza. A comida que você come, que nutre a sua vida. Você deve pagar por essas substâncias cósmicas. Você tem um débito, uma obrigação, tem que repagar com trabalho consciente. Não coma como um animal, mas renda à natureza pelo que ela tem dado a você, a natureza, sua mãe. Trabalhe – uma gota, uma gota, uma gota – acumuladas durante dias, meses, anos, séculos, talvez darão resultados.
P: Cheguei num ponto onde estou muito infeliz, tudo é desgostoso para mim, de desinteresse.
G: E esse lenço arrumado desse jeito no seu bolso? Isso lhe interessa. Bem, a natureza deseja bem a você, estou contente. Ela traz você para o trabalho real ao fazer todo o reto desgostoso – é um certo cruzamento que você tem que atravessar. Quanto mais você trabalhar, mais você irá sair deste desconforto, desse vazio, dessa carência.
P: Até o trabalho está desgostoso para mim.
G: Então você deve mudar a maneira de trabalhar. Em vez de acumular durante uma hora, você deve tentar manter constantemente a sensação orgânica do seu corpo. Sinta seu corpo novamente, continuamente sem interromper suas ocupações ordinárias – para manter um pouco de energia, para tomar o hábito. Pensei que esse exercício permitiria você manter a energia um tempo maior, mas vejo que não funcionou assim. Molhe um lenço, amarre-o, coloque na sua pele. O contato irá lembrar você. Quando ele secar, comece novamente. A CHAVE PARA TODAS AS COISAS – permanecer aparte. Nossa meta é ter uma sensação constante de nós mesmos, de nossa individualidade. Essa sensação não pode ser expressada intelectualmente, porque é inorgânica. É algo que torna-o independente quando você está com outras pessoas.
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Meher Baba - Como amar a Deus

Amar a Deus na forma mais prática é amar aos nossos semelhantes. Se sentirmos pelos outros da mesma forma que sentimos pelos nossos queridos mais próximos, amamos a Deus.
Ó Parvardigar! O preservador e protetor de tudo,
Tu és sem começo e sem fim.
Não-dual, além das comparações
e ninguém pode medí-lo.
Tu és sem cor, sem expressão,
Sem forma e sem atributos.
Tu és ilimitado e insondável,
Além da imaginação e da concepção,
Eterno e imperecível.
Tu és indivisível
E ninguém pode vê-Lo senão com os olhos divinos.
Sempre fostes, sempre és,
E sempre serás.
Estás em toda parte, estás em todas as coisas e
Também estás além de toda parte e além de todas as coisas.
Estás no firmamento e nas profundezas,
Tu és o manifesto e o não manifesto;
Em todos os planos e além de todos os planos.
Estás nos três mundos
E também além dos três mundos.
Tu és imperceptível e independente.
Tu és o criador, o Senhor dos Senhores,
O conhecedor de todas as mentes e corações.
Tu és Onipotente e Onipresente.
Tu és conhecimento infinito, poder infinito e graça infinita.
Tu és o oceano do conhecimento,
Todo-sabedor, o Infinito-saber,
O conhecedor do passado, do presente e do futuro,
E Tu és o próprio conhecimento.
Tu és Todo-piedoso e eternamente benevolente.
Tu és a Alma das almas, aquele com infinitos atributos.
Tu és a trindade da verdade, conhecimento e graça,
Tu és a fonte da verdade, o oceano do amor.
Tu és o antigo, o mais elevado dos elevados.
Tu és Prabhu e Parameshwar;
Tu és o além de Deus e o além do além de Deus também;
Tu és Parabrahma; Paramatma; Alá; Elahi; Yezdan;
Ahuramazda, Deus todo poderoso e Deus, o Amado.
Tu és chamado Ezad, o único digno de adoração.
Se, em vez de ver falhas nos outros, olharmos dentro de nós, estaremos amando Deus.
Se, em vez de roubar os outros para ajudar a nós, roubarmos a nós mesmos para ajudar os outros, estaremos amando Deus.
Se sofrermos com o sofrimento dos outros e sentimos-nos felizes na felicidade dos outros, estaremos amando Deus.
Se, em vez de nos preocuparmos com as nossas próprias adversidades, pensarmos que temos mais sorte que muitos, muitos outros, estaremos amando Deus.
Se suportarmos nosso fado com paciência e contentamento, aceitando-o como a Vontade Dele, estaremos amando Deus.
Para amar a Deus como Ele deve ser amado, temos de viver para Deus e morrer por Deus, sabendo que o objetivo da vida é amar a Deus e descobri-lo como sendo nosso próprio Ser.
Ó Parvardigar! O preservador e protetor de tudo,
Tu és sem começo e sem fim.
Não-dual, além das comparações
e ninguém pode medí-lo.
Tu és sem cor, sem expressão,
Sem forma e sem atributos.
Tu és ilimitado e insondável,
Além da imaginação e da concepção,
Eterno e imperecível.
Tu és indivisível
E ninguém pode vê-Lo senão com os olhos divinos.
Sempre fostes, sempre és,
E sempre serás.
Estás em toda parte, estás em todas as coisas e
Também estás além de toda parte e além de todas as coisas.
Estás no firmamento e nas profundezas,
Tu és o manifesto e o não manifesto;
Em todos os planos e além de todos os planos.
Estás nos três mundos
E também além dos três mundos.
Tu és imperceptível e independente.
Tu és o criador, o Senhor dos Senhores,
O conhecedor de todas as mentes e corações.
Tu és Onipotente e Onipresente.
Tu és conhecimento infinito, poder infinito e graça infinita.
Tu és o oceano do conhecimento,
Todo-sabedor, o Infinito-saber,
O conhecedor do passado, do presente e do futuro,
E Tu és o próprio conhecimento.
Tu és Todo-piedoso e eternamente benevolente.
Tu és a Alma das almas, aquele com infinitos atributos.
Tu és a trindade da verdade, conhecimento e graça,
Tu és a fonte da verdade, o oceano do amor.
Tu és o antigo, o mais elevado dos elevados.
Tu és Prabhu e Parameshwar;
Tu és o além de Deus e o além do além de Deus também;
Tu és Parabrahma; Paramatma; Alá; Elahi; Yezdan;
Ahuramazda, Deus todo poderoso e Deus, o Amado.
Tu és chamado Ezad, o único digno de adoração.
(A prece universal, por Meher Baba 1953)
terça-feira, 2 de junho de 2009
Hafiz - Qual é a raiz?
Qual
É a
Raiz de todos estes
Mundos?
Uma só coisa: o amor.
Mas um amor tão profundo e doce
Que teve que expressar a si mesmo
Com fragrâncias, sons e cores
Que nunca antes
Existiram.
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Ramesh S. Balsekar - A busca pela verdade
Senhor Krishna falou: “Dentre milhares de pessoas raramente há uma que busca a Mim, e dentre essas que estão buscando, raramente uma Me conhece em princípio”. Agora, quem decide quem será um buscador? De fato, a própria busca é a vontade de Deus, a graça de Deus. Você pensa que você é o buscador buscando Deus, mas a busca não foi escolha sua. Você pode dizer que você tem sorte ou é afortunado pela Fonte, ou por Deus, por ter sido decidido que a busca iria começar neste organismo corpo-mente. Então a busca não começou porque você decidiu num certo momento, “a partir de amanhã buscarei a verdade”. Na verdade a busca aconteceu a despeito de você. A busca começa com a pessoa pensando, “estou buscando Deus, ou a iluminação, ou a paz”. A busca começa com a pessoa pensando que ela está fazendo a busca e a busca só pode terminar quando houver a realização de que nunca houve um buscador. A busca é a graça de Deus, e a Realização é a graça de Deus, ou a vontade da Fonte.A busca começa com o individuo pensando que ele é o buscador e não pode acabar até que haja uma firme realização de que nunca houve um buscador. Realmente, nunca houve um pensador, o pensar estava acontecendo; nunca houve um fazedor, as ações estavam acontecendo; nunca houve um experimentador, experimentação estava acontecendo. O pensar, o fazer, o experimentar são parte do funcionamento da manifestação que pode apenas acontecer através de um organismo corpo-mente.
Por que a busca por Deus aconteceu neste organismo corpo-mente, enquanto que no outro a busca é por dinheiro? Ele busca apenas dinheiro e pensa que você está louco procurando por algo no ar e que você seria muito mais feliz se buscasse dinheiro, fama ou poder. Agora, por que a busca por dinheiro está acontecendo através de um organismo corpo-mente, e por que a busca por Deus ou pela Verdade está acontecendo através do outro? Isso é o que chamo de vontade de Deus ou intenção da Fonte.
O ponto todo é que toda pergunta é feita pelo ego. Por que o ego faz a pergunta? Porque o ego quer atingir a iluminação. Por que o ego faz a pergunta? Porque o ego é o buscador. Portanto a busca está acontecendo através de um ego particular, e o ego (através do qual a busca está acontecendo) não escolheu fazer isso. Se ele soubesse a miséria que a busca é, ele teria escolhido não buscar. Então a busca é algo que está acontecendo e você não escolheu buscar. Isso é a base do que estou falando.
Esse “um dentre milhares” que o senhor Krishna está falando sobre, não escolheu ser um buscador – a busca aconteceu.
A Fonte iniciou a busca e ao fazer isso iniciou o curso da destruição do ego – que é o que o Ramana Maharshi disse: “Sua cabeça já está na boca do tigre. Não tem escapatória”. Significando que a Fonte iniciou o processo de destruir o ego e é apenas a fonte que pode fazer isso.
Então o ponto fundamental é que a Fonte criou o ego e a Fonte está no processo de destruir o ego num organismo corpo-mente particular. Portanto o ego não tem nada a ver com isso. O ego está no processo de ser destruído. Essa é a aceitação principal. Portanto se o ego está no processo de ser destruído, então como o ego pode buscar sua própria destruição? E é isso o que está acontecendo, não é?
Esse “um dentre milhares” que o senhor Krishna está falando sobre, não escolheu ser um buscador – a busca aconteceu.
A Fonte iniciou a busca e ao fazer isso iniciou o curso da destruição do ego – que é o que o Ramana Maharshi disse: “Sua cabeça já está na boca do tigre. Não tem escapatória”. Significando que a Fonte iniciou o processo de destruir o ego e é apenas a fonte que pode fazer isso.
Então o ponto fundamental é que a Fonte criou o ego e a Fonte está no processo de destruir o ego num organismo corpo-mente particular. Portanto o ego não tem nada a ver com isso. O ego está no processo de ser destruído. Essa é a aceitação principal. Portanto se o ego está no processo de ser destruído, então como o ego pode buscar sua própria destruição? E é isso o que está acontecendo, não é?
sexta-feira, 29 de maio de 2009
Rodney Collin - O trabalho espiritual

Existe um trabalho que tem tido muitos nomes. No século I foi chamado de Trabalho da Fé, no Século XII foi chamado de o Trabalho dos Trabalhos, no século XVI de Trabalho das Leis, no XVIII - o Trabalho da Razão. No nosso tempo, deve ser chamado de Trabalho de Harmonia. Ele é muito maior do que qualquer trabalho do homem, é o trabalho de todos aqueles seres elevados colocados juntos. Cada um contribuiu com algo. Nosso trabalho é harmonia em todas as coisas, sermos honestos, verdadeiros e sinceros.
É um trabalho maravilhoso, que nos enche de alegria. Se o trabalho não é alegre, não está certo. É bonito porque une tudo e traz tudo para um nível superior. O trabalho é a verdade, nós não percebemos o quanto ele é elevado. Estamos aqui simplesmente para transmiti-lo, mas continuamos a complicá-lo. Toda pergunta é respondida em nosso trabalho, é simplificada para que nós compreendamos. Se estamos abertos e somos objetivos, vamos ver como ele é simples. O trabalho é tornarmos-nos sensíveis à vida diária e ao cumprimento dos requisitos dela.Existe apenas uma escola: a escola da verdade. Facções utilizam rótulos porque sabem só metade da verdade. A verdade não tem nome. A verdade está em tudo. Nosso trabalho está em todas as religiões, ele é a real compreensão. Qual é a diferença entre o cristianismo antigo e a forma de hoje? É a mesma coisa. O trabalho não pode ser novo, mas a verdade deve sempre ser expressada em uma linguagem nova. As palavras de Cristo têm esperado dois mil anos para serem entendidas. Elas podem ser entendidas de uma vez, com pensamentos claros e mentes limpas. Os evangelhos não foram escritos apenas para as pessoas de dois mil anos atrás. Eles são sempre uma força nova e é nosso dever relacionar a situação de cada indivíduo a cada passagem dos Evangelhos, interpretando não só com a mente, mas com as emoções de nossos corações. O trabalho está sempre ali, ele não muda. Nós é que devemos mudar, encontrar uma maneira de expressá-lo.
Todo mundo tem a verdade de Deus em si mesmo, mas o problema é que todos acreditam que a verdade que vêem é a única. Quando sabemos que a nossa visão é limitada, vemos mais. Por que as pessoas querem impor suas idéias aos outros? Elas até mesmo querem impor suas próprias idéias de gosto aos outros. Quando tentamos forçar nossos pensamentos a uma pessoa não estamos ensinando, mas se tentarmos ouvir o que ela não compreende, estamos aprendendo e, depois, podemos sentir a pessoa e podemos ensiná-la. Existe apenas uma verdade e as pessoas devem chegar a ela de sua própria maneira. Se pessoas intelectuais recebem imposições elas vão embora, se as pessoas simples recebem imposições elas seguem cegamente, o que de nada serve para elas próprias ou para terceiros. Se quisermos ajudar devemos fazê-lo; podemos ensinar, ajudar, mas não impor. Para ensinar aos outros o que fazer, é preciso primeiro saber o que nós mesmo devemos fazer. Aquele que não sabe nadar não pode mergulhar na água para salvar os outros.
quinta-feira, 28 de maio de 2009
Siddharameshwar Maharaj - Ausência do medo

O autoconhecimento é o conhecimento a respeito de nosso Ser. Uma vez que reconhecemos quem realmente somos, então é feita a determinação sobre o que é permanente e o que é transitório. Em seguida, segue-se a renúncia do impermanente e a aceitação do permanente. Por causa da natureza transitória das coisas, o medo da dissolução é inevitável. Aquele que é assolado por esse medo da dissolução, ou da morte, continuamente luta para assegurar que tal coisa particular não lhe seja tirada. Ele toma toda precaução para preservar seu dinheiro, tenta duramente assegurar que a juventude e a beleza de sua esposa não se deteriorem e luta para manter sua autoridade e seu status. Entretanto, não importa o quanto ele tenta, nada jamais acontece de acordo com seus desejos e vontades. Ninguém pode escapar do seu destino, e por a morte ser toda-consumidora, tudo eventualmente vai ser destruído por sua mandíbula.
Mesmo se tudo o que tal homem que esconde seus medos desejasse lhe fosse dado, poderia ele evitar de ficar amedrontado? Se há algo que ele realmente necessita, é o presente da ausência do medo. O aspirante deve encontrar aquilo que irá libertá-lo permanentemente do medo. Este mendigo chamado homem, que perdeu o tesouro do seu próprio Ser, continuamente canta, “eu sou o corpo, eu sou o corpo”. Ele está sempre descontentado dizendo: “eu quero isso, eu quero aquilo”, e perambula por aí sempre mendigando por algo no mundo.
Ele apenas pode realmente ser pacificado com o presente do Ser. O homem que canta: “o que acontecerá comigo, com minha mulher e filhos e com o dinheiro que eu considero serem meus?” está sempre perturbado e chateado. Esse tipo de homem precisa receber o presente da bravura. E então tornar-se sem medo. Apenas o Sadguru é generoso o suficiente e capaz de outorgar esse presente da ausência de medo, que é o mais nobre de todos os presentes.
As coisas do mundo que são estimadas pelas pessoas sempre geram medo. Quando alguma ação é feita após ouvirmos as opiniões das pessoas mundanas, ela aumenta muitos tipos de medo. Visto que essas coisas que aparecem na ilusão são definitivamente perecíveis, ficamos completamente exaustos ao tentar mantê-las. De outro lado, a pessoa torna-se sem medo ao escutar as histórias dos Santos. Aquilo que é ganho ao escutar os Santos, aquilo que é alcançado, não é perecível. Conquistas espirituais são cheias de felicidade. Quando você ganhar experiência na vida espiritual, então você conhecerá a bênção que você recebeu do Sadguru.
Ele apenas pode realmente ser pacificado com o presente do Ser. O homem que canta: “o que acontecerá comigo, com minha mulher e filhos e com o dinheiro que eu considero serem meus?” está sempre perturbado e chateado. Esse tipo de homem precisa receber o presente da bravura. E então tornar-se sem medo. Apenas o Sadguru é generoso o suficiente e capaz de outorgar esse presente da ausência de medo, que é o mais nobre de todos os presentes.
As coisas do mundo que são estimadas pelas pessoas sempre geram medo. Quando alguma ação é feita após ouvirmos as opiniões das pessoas mundanas, ela aumenta muitos tipos de medo. Visto que essas coisas que aparecem na ilusão são definitivamente perecíveis, ficamos completamente exaustos ao tentar mantê-las. De outro lado, a pessoa torna-se sem medo ao escutar as histórias dos Santos. Aquilo que é ganho ao escutar os Santos, aquilo que é alcançado, não é perecível. Conquistas espirituais são cheias de felicidade. Quando você ganhar experiência na vida espiritual, então você conhecerá a bênção que você recebeu do Sadguru.
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Farid ud-Din Attar - O mundo segundo um Sufi
Um louco de Deus chorava abundantemente durante a noite e dizia: “Eis aqui o que é o mundo conforme o vejo: é um cofre fechado onde estamos trancados, entregues sem medida à loucura, perdidos na escuridão de nosso pecado e de nosso orgulho. Quando a morte levanta a tampa deste cofre, aquele que tem asas voa até o dia eterno. Porém, aquele que está desprovido de asas permanece no cofre, presa de mil angústias.
Dá pois ao pássaro da ambição espiritual a asa do sentido místico; dá coração à razão e êxtase à alma. Antes que tirem a tampa desta caixa, faze-te pássaro do caminho espiritual e estende tuas asas e tuas plumas - ou melhor ainda - queima tuas asas e tuas plumas; e para chegar antes de todos, destrói a ti mesmo pelo fogo.
Dá pois ao pássaro da ambição espiritual a asa do sentido místico; dá coração à razão e êxtase à alma. Antes que tirem a tampa desta caixa, faze-te pássaro do caminho espiritual e estende tuas asas e tuas plumas - ou melhor ainda - queima tuas asas e tuas plumas; e para chegar antes de todos, destrói a ti mesmo pelo fogo.
terça-feira, 26 de maio de 2009
Philokalia - São Gregório Palamas (1296 - 1359)
O intelecto que foi julgado digno da luz da Santíssima Trindade também transmite ao corpo que está unido a ele muitos sinais da beleza divina, agindo como um intermediário entre a graça divina e o caráter grosseiro da carne e conferindo sobre a carne o poder de fazer o que está além de seu poder. Isso faz nascer um divino e incomparável estado estável de virtude, bem como uma disposição que não tem nenhuma ou pouca inclinação para o pecado. É aí então que o intelecto é iluminado pelo divino Logos que capacita-o a perceber claramente as essências interiores das coisas criadas e por conta de sua pureza revela a ele os mistérios da natureza. Dessa maneira, através de relacionamentos de correspondência, a inteligência percebedora encarregada é elevada à apreensão das realidades supernaturais – uma apreensão cujo Pai do Logos se comunica através de uma união imaterial. Disso surgem vários outros efeitos milagrosos, tais como insights visionários, visão de coisas futuras e a experiência de coisas que estão acontecendo a distância como se estivessem acontecendo diante dos olhos da pessoa. Mas o que é mais importante é que aqueles que são abençoados dessa maneira não aspiram atingir tais poderes. Ao invés disso, é como se a pessoa estivesse olhando para um raio da luz do sol e ao mesmo tempo percebesse as pequenas partículas no ar, embora essa não fosse sua intensão. Assim é com aqueles que comungam diretamente com os raios da luz divina, que por natureza revela todas as coisas de acordo com seu grau de pureza. Eles verdadeiramente atingem (se bem como algo acidental) um conhecimento do que é passado, do que é presente e até mesmo do que está por vir. Mas a preocupação principal deles é o retorno do intelecto para si mesmo e a concentração dele em si mesmo. Ou, preferencialmente, o objetivo deles é a reconvergência de todos os poderes da alma no intelecto (por mais estranho que possa parecer) e atingir o estado onde Deus e o intelecto trabalham juntos. Dessa maneira eles são restaurados ao seu estado original e assimilados a seu arquétipo, a graça renova neles sua inconcebível beleza original. A tal consumação, portanto, o pesar, traz aqueles que são humildes no coração e pobres no espírito.Visto que por conta de nossa preguiça inata tal consumação está além de nós, vamos retornar a fundação disso e falar um pouco mais sobre o próprio pesar (aflição). Pesar também acompanha todo tipo de solicitação de necessidades mundanas não atendidas. Pois como pode uma pessoa precisando de dinheiro não sentir tristeza, ou alguém que sente fome contra sua vontade ou que sofre dor ou desonra? Tal pesar, de fato, não tem consolo, quanto mais consolo mais aguda a necessidade se torna, especialmente se quem está sofrendo não possui conhecimento verdadeiro. Pois se você não mantiver um controle inteligente sobre os prazeres sensuais e as dores, mas em vez disso, permitir-se ser dominado por eles através do mal uso de sua inteligência, você desvantajosa e erroneamente irá multiplicá-los, até mesmo causando injúria a si mesmo. Pois assim você dá evidência clara e auto-acusativa de que você não adere aos Evangelhos de Deus e aos profetas que O precederam e àqueles que vieram depois Dele e foram Seus discípulos e apóstolos. Pois todos esses ensinam que intermináveis riquezas vêm através da pobreza, que uma glória inefável vem através da simplicidade da vida, que deleite sem dor vem através do auto-controle, e que através do suportar pacientemente as provações e tentações que caem sobre nós, somos livrados das tribulações e aflições eternas armazenadas para aqueles que escolhem uma vida fácil e amena neste mundo ao invés de entrar pelo portão estreito (Mat. 7:14).
segunda-feira, 25 de maio de 2009
Jalaluddin Rumi - FIHI MA FIHI (Discursos)
O longo canto suplicante da oração dos buscadores e viajantes conta uma história de vidas ocupadas em trabalho e devoção, com cada esforço atribuído a seu tempo especial. É como se um supervisor de hábitos conduzissem-nos à sua tarefa específica. Por exemplo, quando acordam de manhã, primeiro eles dão-se à contemplação e à adoração enquanto que a mente mantém-se calma e clara. Assim, cada um realiza o serviço que é adequado a si e que está no âmbito de sua nobre alma. Existem cem mil classes. Quanto mais pura a pessoa se torna, mais alto ela é elevada. Esta história de crescimento espiritual é uma história longa. Quem tentasse encurtá-la, estaria encurtando a sua própria vida e alma, exceto pela graça de Deus. No que diz respeito ao canto da oração daqueles que atingiram a união com Deus, devo falar dentro dos limites da compreensão, pois seu amor e a pureza de suas vozes atraem espíritos sagrados, anjos puros e aqueles visitantes que ninguém além de Deus conhece - os Silenciosos cujos nomes estão ocultos do mundo por ciúme demasiado.
Você está sentado ao lado deles agora, mas não os vê. Nem escuta suas falas, saudações ou risos. Ainda assim, o que é tão maravilhoso a esse respeito? Quando uma pessoa está doente, ela vê aparições que os outros não podem ver. No entanto, estes seres espirituais são mil vezes mais sutis do que essas aparições, pois enquanto a pessoa comum não consegue ver ou ouvir essas visões até que esteja doente, ela não verá esses seres espirituais, antes de morrer. Tais visitantes espirituais conhecem os estados refinados e a majestade dos santos. Eles vigiam desde manhã bem cedo, enquanto milhares de outros anjos e espíritos puros esperam pelos santos. Por esta razão, o Silencioso hesita infinitamente - não querendo intervir no meio de tal coro ou perturbar aqueles que desejam honrar. Os escravos estão presentes todas as manhãs na porta do palácio do rei. Cada um tem uma estação fixa, um serviço fixo e uma devoção fixa. Alguns servem de longe e o rei e não os vê nem os nota. Todos os escravos sabem qual dentre eles tem a honra da presença do rei. Quando o rei sai, os servos atendem àquele escravo de cada portão, pois não há maneira melhor de servir o rei. Ele assumiu as características do rei e se torna a audição e a visão do rei para todos os outros.
Esta é uma estação extremamente majestosa, inefável de fato. A majestade dela não pode ser compreendida ao soletrarmos M-a-j-e-s-t-a-d-e. Se até mesmo um pequeno vestígio dessa majestade penetrasse o mundo, a letra "M" seria impossível de ser escrita, o som "M" seria impronunciável, nem poderia alguma alusão ou símbolo permanecer. A cidade inteira seria devastada pelos exércitos da luz.
Você está sentado ao lado deles agora, mas não os vê. Nem escuta suas falas, saudações ou risos. Ainda assim, o que é tão maravilhoso a esse respeito? Quando uma pessoa está doente, ela vê aparições que os outros não podem ver. No entanto, estes seres espirituais são mil vezes mais sutis do que essas aparições, pois enquanto a pessoa comum não consegue ver ou ouvir essas visões até que esteja doente, ela não verá esses seres espirituais, antes de morrer. Tais visitantes espirituais conhecem os estados refinados e a majestade dos santos. Eles vigiam desde manhã bem cedo, enquanto milhares de outros anjos e espíritos puros esperam pelos santos. Por esta razão, o Silencioso hesita infinitamente - não querendo intervir no meio de tal coro ou perturbar aqueles que desejam honrar. Os escravos estão presentes todas as manhãs na porta do palácio do rei. Cada um tem uma estação fixa, um serviço fixo e uma devoção fixa. Alguns servem de longe e o rei e não os vê nem os nota. Todos os escravos sabem qual dentre eles tem a honra da presença do rei. Quando o rei sai, os servos atendem àquele escravo de cada portão, pois não há maneira melhor de servir o rei. Ele assumiu as características do rei e se torna a audição e a visão do rei para todos os outros.
Esta é uma estação extremamente majestosa, inefável de fato. A majestade dela não pode ser compreendida ao soletrarmos M-a-j-e-s-t-a-d-e. Se até mesmo um pequeno vestígio dessa majestade penetrasse o mundo, a letra "M" seria impossível de ser escrita, o som "M" seria impronunciável, nem poderia alguma alusão ou símbolo permanecer. A cidade inteira seria devastada pelos exércitos da luz.
"Os reis, quando entram numa cidade, desordenam-na."
Apenas nas ruínas um tesouro pode ser encontrado. Em uma cidade próspera um miserável ainda é um miserável.
Se eventualmente descrevi a estação dos buscadores, como posso explicar os estados daqueles que alcançaram? Eles não têm fim - apenas os buscadores têm um fim. O fim de todos os buscadores é a realização. Qual poderia ser o fim para aqueles que atingiram a união, uma união sem separação? Nenhuma uva madura volta a ser uma uva verde. Nenhum fruto maduro torna-se cru novamente.
Sim, é ilegal falar
Dessas coisas para homens e mulheres.
Mas uma vez que Seu nome é mencionado, oh Deus,
Estas palavras derramam-se para eles.
Por Deus, não vou torná-las longas. Vou torná-las curtas.
Minha vida é consumida, mas Você transforma
essa vida em vinho.
Você diz que tudo é dado, mas tome
Esta alma como Sua.
Quem corta e encurta essa história, é como se estivesse abandonando o caminho certo e tomando um caminho para a selva que destrói a vida, e lá diz: "Estas árvores parecem ser o caminho certo para casa."
Nisargadatta Maharaj - Ninguém jamais falha no Yoga
Pergunta: O que significa falhar no Yoga? Quem é um fracasso no Yoga (yoga bhrashta)?Maharaj: É apenas uma questão de estar incompleto. Daquele que não pôde concluir seu Yoga por alguma razão é dito que falhou no Yoga. Esse fracasso é apenas temporário, pois não pode haver derrota no Yoga. Esta batalha é sempre vencida, pois é uma batalha entre o verdadeiro e o falso. O falso não tem chance.
P: Quem falha? A pessoa (vyakti) ou o Ser (vyakta)?
M: A questão está mal colocada. Não se trata de um fracasso, nem a curto prazo nem a longo prazo. É como viajar numa longa e árdua estrada em um país desconhecido. De todos os incontáveis passos apenas o último traz você para o seu destino. Ainda assim, você não irá considerar todos os passos anteriores como fracassos. Cada um lhe trouxe mais perto de sua meta, mesmo quando você teve de voltar para passar por um obstáculo. Na realidade, cada passo traz você para o seu objetivo, pois estar sempre em movimento, aprendendo, descobrindo, revelando, é o seu destino eterno. Viver é a única finalidade da vida. O Ser não se identifica com o sucesso ou o fracasso - a própria idéia de se tornar isto ou aquilo é impensável. O Ser entende que o sucesso e o fracasso são relativos e estão ligados, que são a própria teia e trama da vida. Aprenda com ambos e vá além. Se você ainda não aprendeu, repita.
P: O que devo aprender?
M: A viver sem auto-importância (egocentrismo). Para isso, você deve conhecer o seu verdadeiro Ser (swarupa) como indomável, destemido, sempre vitorioso. Uma vez que você sabe com certeza absoluta que nada pode lhe causar problemas, além da sua própria imaginação, você começa a ignorar seus desejos e medos, conceitos e idéias e passa a viver pela verdade apenas.
P: Qual pode ser a razão de algumas pessoas terem sucesso e outras falharem no Yoga? É o destino, caráter ou simplesmente acidental?
M: Ninguém jamais falha no Yoga. É tudo uma questão de grau de progresso. Ele é lento no início e rápido no final. Quando a pessoa está totalmente amadurecida, a realização é explosiva. Acontece espontaneamente ou ao menor sinal. A rápida não é melhor do que a lenta. O amadurecimento lento e florescimento rápido se alternam. Ambos são naturais e corretos. No entanto, tudo isto é assim apenas na mente. A meu ver, não existe realmente alguma coisa do tipo. No grande espelho da consciência imagens surgem e desaparecem e somente a memória lhes dá continuidade. E memória é material - destrutível, perecível, transitória. Em tais bases frágeis construímos um sentimento pessoal de existência - vago, intermitente, sonhador. Esta vaga persuasão: "eu sou tal e tal" obscurece o estado imutável de pura consciência e nos faz acreditar que nascemos para sofrer e para morrer.
P: Assim como uma criança não pode evitar de crescer, também um homem, compelido por sua natureza não pode evitar fazer progressos. Por que esforçar-se? Onde está a necessidade do Yoga?
M: Há progresso o tempo todo. Tudo contribui para o progresso. Mas este é o progresso da ignorância. Os círculos da ignorância podem estar cada vez se alargando mais, ainda assim permanecem igualmente sendo uma escravidão. No devido tempo, aparece um guru para nos ensinar e nos inspirar a praticar Yoga, e um amadurecimento ocorre, como resultado desse amadurecimento a imemorial noite da ignorância dissolve-se diante do sol nascente da sabedoria. Mas, na realidade, nada aconteceu. O sol está sempre ali, não há noite para ele; a mente cega pela idéia 'eu sou o corpo' vagueia infinitamente em sua trilha de ilusão.
P: Se tudo é uma parte de um processo natural, onde está a necessidade de esforço?
M: Mesmo o esforço é uma parte disso. Quando a ignorância se torna obstinada e dura e o caráter fica pervertido, o esforço e a dor se tornam inevitáveis nesse caso. Em total obediência à natureza, não existe esforço. A semente da vida espiritual cresce em silêncio e no escuro até sua hora designada.
P: Nós encontramos algumas grandes pessoas, que, na sua velhice, tornam-se infantis, mesquinhas, conflituosas e vingativas. Como podem deteriorar-se tanto?
M: Eles não eram perfeitos Yogis, não tendo colocado seus corpos sob completo controle. Ou, eles podem não ter tido cuidado de proteger seus corpos da deterioração natural. Não devemos tirar conclusões sem compreender todos os fatores. Acima de tudo, não devemos fazer julgamentos de inferioridade ou superioridade. Juventude é mais uma questão de vitalidade (Prana) do que de sabedoria (Jnana).
P: Podemos ficar velhos, mas por que deveríamos perder toda atenção e discriminação?
M: A consciência e inconsciência, enquanto no corpo, dependem do estado do cérebro. Mas o Ser está além de ambos, além do cérebro, além da mente. A falha do instrumento não é reflexo do seu utilizador.
P: Foi-me dito que um homem realizado jamais faz algo indecoroso. Ele vai sempre agir de uma maneira exemplar.
M: Quem define o que é exemplar? Por que é que um homem liberado, necessariamente segue as convenções? No momento em que ele se torna previsível, não pode ser livre. Sua liberdade reside em estar livre para cumprir a necessidade do momento, a observar a necessidade da situação. Liberdade para fazer o que se gosta é escravidão na verdade, enquanto que estar livre para fazer o que se deve, o que é certo, é verdadeira liberdade.
P: Ainda assim, deve haver alguma forma de discernir quem realizou-se de quem não. Se um é indistinguível do outro, de que utilidade ele é?
M: Aquele que conhece a si mesmo não tem dúvidas sobre isso. Nem se preocupa se outros reconhecem seu estado ou não. É raro o homem realizado divulgar sua realização, e afortunados são aqueles que o encontraram, porque ele faz isso para o bem-estar duradouro deles.
sexta-feira, 22 de maio de 2009
Meher Baba - A Formação e a Função dos Sanskaras
Existem dois aspectos da experiência humana - o subjetivo e o objetivo. De um lado existem processos mentais que constituem os ingredientes essenciais da experiência humana, e do outro existem as coisas e os objetos aos quais eles se referem. Os processos mentais são parcialmente dependentes da situação objetiva dada, e parcialmente dependentes do funcionamento dos Sanskaras acumulados, ou impressões de experiências passadas. A mente humana encontra-se então, entre um mar de Sanskaras passados de um lado, e de outro lado, todo o extensivo mundo objetivo. As ações humanas estão baseadas nas operações das impressões armazenadas na mente através de experiências passadas. Cada pensamento, emoção e ato estão retidos em grupos de impressões que, quando considerados objetivamente, são vistos como sendo modificações da mente. Essas impressões são depósitos de experiências passadas e tornam-se os fatores mais importantes em determinar o curso das experiências presentes e futuras. A mente está constantemente criando e agrupando tais impressões no curso de suas experiências.Quando ocupada com os objetos físicos deste mundo (tais como o corpo, a natureza e outras coisas), a mente é, assim por dizer, exteriorizada e cria impressões grosseiras. Quando ela está ocupada com seus próprios processos mentais subjetivos, que são as expressões dos Sanskaras já existentes, cria impressões sutis e mentais. A questão: se os Sanskaras vêm primeiro ou as experiências vêm primeiro é como a questão do ovo ou a galinha vir primeiro. Ambos são condições um do outro e se desenvolvem lado a lado. O problema de entender o significado da experiência humana, portanto, gira em torno do problema de entender a formação e a função dos Sanskaras.
Os Sanskaras são de dois tipos - naturais e não-naturais, de acordo com a maneira na qual eles vêm à existência. Os Sanskaras que a alma reúne durante o período da evolução orgânica, são naturais. Esses Sanskaras vêm à existência enquanto a alma sucessivamente adquire e abandona as várias formas sub-humanas, passando assim, gradualmente, dos estados aparentemente inanimados (tais como pedra e metal) ao estado humano, onde há o desenvolvimento completo da consciência. Todos os Sanskaras que se incrustam ao redor da alma antes dela atingir a forma humana são o produto da evolução natural e são referidos como Sanskaras naturais. Eles devem ser cuidadosamente distinguidos dos Sanskaras cultivados pela alma depois de atingir a forma humana.
Os Sanskaras que são anexados à alma durante o estágio humano são cultivados sob a liberdade moral da consciência com a responsabilidade que a acompanha de escolher entre o bem e o mal, a virtude e o vício. Eles são referidos como Sanskaras não-naturais. Embora esses Sanskaras pós-humanos sejam diretamente dependentes dos naturais, eles são criados sob condições fundamentalmente diferentes da vida e são, na sua origem, comparativamente mais recentes que os Sanskaras naturais.
Essa diferença na duração dos períodos formadores e nas condições da formação é responsável pela diferença no grau de firmeza do apego dos Sanskaras naturais e não-naturais à alma. Os Sanskaras não-naturais não são tão difíceis de erradicar quanto os naturais, que têm uma antiga herança e estão, portanto, mais firmemente arraigados. A obliteração dos Sanskaras naturais é praticamente impossível a não ser que o aspirante seja o recipiente da graça e da intervenção de um Sadguru, ou Mestre Perfeito.
Os Sanskaras não-naturais são dependentes dos naturais, e os Sanskaras naturais são um resultado da evolução. A próxima questão importante é: Por que a vida manifestada em diferentes estágios da evolução emerge da Realidade absoluta, que é infinita? A necessidade pela vida manifestada surge do ímpeto do Absoluto de tornar-se consciente de si mesmo. A manifestação progressiva da vida através da evolução é finalmente trazida pela vontade-de-ser-consciente, que é inerente ao Infinito.
Para entender a criação em termos de pensamento, é necessário colocar essa vontade-de-ser-consciente no Absoluto num estado latente precedente ao ato da manifestação. Embora para o propósito de uma explanação intelectual da criação, o ímpeto no Absoluto tenha que ser tomado como uma vontade-de-ser-consciente, pois descrevê-lo como um tipo de desejo inerente é falsificar sua verdadeira natureza. É melhor descrito como um lahar, ou um impulso, que é tão inexplicável, espontâneo e imediato que chamá-lo de isto ou aquilo é desfazer a sua realidade. Como todas as categorias intelectuais necessariamente mostram-se inadequadas para captar o mistério da criação, a abordagem mais próxima do entendimento da sua natureza não é através de conceitos intelectuais, mas sim através de analogias.
Assim como uma onda seguindo através da superfície de um calmo oceano produz uma agitação turbulenta de inumeráveis bolhas, o lahar cria miríades de almas individuais (Atmas) da infinita indivisibilidade da Sobre-Alma (Paramatma). Mas o todo abundante Absoluto permanece sendo o substrato de todas as almas individuais. As almas individuais são as criações de um repentino e espontâneo impulso, e assim, não têm quase nenhuma antecipação de sua continuidade da existência destinada através do período cíclico até a cessação final da agitação inicial. Dentro do indiferenciado ser do Absoluto nasce o ponto misterioso (o ponto Om) através do qual surge a multiplicidade variada da criação. E a profunda imensidão, que uma fração de um segundo antes era uma congelada imobilidade, é posta em movimento com a vida dos inumeráveis seres frívolos que asseguram sua separação em tamanho e forma definidos, através da auto-limitação dentro da superfície espumante do oceano.
Todo isso é apenas uma analogia. Seria um erro imaginar que alguma mudança real aconteça no Absoluto quando o lahar da latente vontade-de-ser-consciente torna-se efetiva ao trazer para a existência o mundo da manifestação. Não pode haver nenhum ato de involução ou evolução dentro do ser do Absoluto; e nada real pode nascer do Absoluto, sendo que qualquer mudança real é necessariamente uma negação do Absoluto. A mudança implícita na criação do mundo manifesto não é uma mudança ontológica – isto é, não uma mudança no ser da Realidade absoluta. É só uma mudança aparente.
Em um sentido, o ato da manifestação deve ser considerado como um tipo de expansão do ilimitável Ser do Absoluto, sendo que através desse ato o Infinito, que é sem consciência, busca atingir sua própria consciência. Sendo que essa expansão da Realidade é efetuada através de sua auto-limitação em várias formas de vida, o ato da manifestação deve, com aptidão igual, ser chamado o processo de contração atemporal.
Se o ato da manifestação é visto como um tipo de expansão da Realidade ou como sua contração atemporal, ele é precedido por um urgir ou um movimento, que pode (em termos de pensamento) ser considerado como um desejo inerente e latente de se tornar consciente. A multiplicidade da criação e a separação das almas individuais existem apenas na imaginação. A própria existência da criação ou do mundo da manifestação é baseada em bhas, ou ilusão; então, a despeito da manifestação das inumeráveis almas individuais, a Sobre-alma (Paramatma) permanece a mesma sem sofrer nenhuma expansão real ou contração, gradação ou degradação. Embora a Sobre-alma não passe por nenhuma modificação devido às bhas, ou ilusões da individualização, sua aparente diferenciação em muitas almas individuais vem à existência.
As bhas mais originais, ou ilusões, para as quais a Sobre-alma foi atraída sincronizam-se com a primeira impressão. Isso marca, portanto, o início da formação dos Sanskaras . A formação dos Sanskaras começa no centro mais finito, que se torna o primeiro foco para a manifestação da individualidade da alma. Na esfera grosseira um foco dessa manifestação é representado pela pedra tridimensional e inerte, que tem a consciência mais rudimentar e parcial. Esse estado vago e não desenvolvido de consciência é suficiente no máximo para iluminar sua própria forma e figura, e é inadequado para atender o propósito da criação, que seria o permitir a Sobre-alma conhecer a si mesma.
Qualquer que seja a pequena capacidade para iluminação da consciência existente na fase de pedra (fase mineral) é definitivamente derivada da Sobre-alma e não do corpo da pedra. Mas a consciência fica inapta a alargar sua esfera de ação independentemente do corpo da pedra, porque a Sobre-Alma primeiro fica identificada com a consciência e depois através dela com a forma de pedra.
Desde que todo desenvolvimento conseguinte da consciência esteja aprisionado pelo corpo da pedra e sua debilidade, a evolução de formas superiores, ou veículos de manifestação, torna-se indispensável. O desenvolvimento da consciência tem de proceder lado a lado com a evolução do corpo ao qual ela está condicionada. Portanto, a vontade-de-ser-consciente, que é inerente na vastidão da Sobre-alma, busca por determinação divina uma evolução progressiva dos veículos de expressão.
Assim a Sobre-alma forja para si mesma um novo veículo de expressão na forma de metal, na qual a consciência torna-se um pouco mais intensificada. Mesmo nesse estágio ela é muito rudimentar, e então tem que ser transferida para formas ainda superiores de vegetação e árvores, nas quais há um apreciável avanço no desenvolvimento da consciência através da manutenção do processo vital de crescimento, deterioração e reprodução. A emergência de uma forma ainda mais desenvolvida de consciência torna-se possível quando a Sobre-alma busca manifestação através da instintiva vida dos insetos, pássaros e animais, que são totalmente cientes de seus corpos e respectivo meio ambiente, um sentido de auto-proteção e um objetivo de estabelecer domínio sobre o meio ambiente.
Nos animais superiores, o intelecto ou o raciocínio também aparece numa certa extensão, mas seu trabalho é estritamente limitado pela ação de seus instintos, como o instinto de auto-proteção e o instinto pelo cuidado e preservação dos jovens. Então mesmo nos animais, a consciência não tinha tido seu desenvolvimento total, resultando que ela não está apta para servir ao propósito inicial da Sobre-Alma de ter auto-iluminação. Finalmente a Sobre-Alma toma a forma humana, na qual a consciência atinge o desenvolvimento mais completo com completa ciência de si e do meio ambiente. Nesse estágio a capacidade de raciocinar tem um alcance de atividade maior e é ilimitada no seu raio de ação. Porém, enquanto a Sobre-Alma ficar identificada através da consciência com o corpo grosseiro, a consciência não servirá ao propósito de iluminar a natureza da Sobre-Alma. Entretanto, como a consciência tem seu desenvolvimento completo na forma humana, há nela uma potencialidade latente para a auto-realização. E a vontade-de-ser-consciente com a qual a evolução começou torna-se frutificada no Sadguru, ou Homem-Deus, que é a mais linda flor da humanidade.
A Sobre-Alma não pode atingir o Auto-conhecimento através da consciência ordinária da humanidade pois essa está envolta numa multidão de Sanskaras , ou impressões. Enquanto a consciência passa do estado aparentemente inanimado de pedra ou metal, para a vida vegetativa das árvores, seguindo então para o estado instintivo dos insetos, pássaros e animais, e finalmente para a consciência do estado humano, ela está continuamente criando novos Sanskaras e tornando-se envolta neles. Esses Sanskaras naturais são aumentados mesmo após atingirem o estado humano pelas criações seguintes de Sanskaras não-naturais através de múltiplas experiências e múltiplas atividades.
Assim, a aquisição dos Sanskaras está acontecendo incessantemente durante o processo de evolução bem como durante o período posterior, período das atividades humanas. Essa aquisição dos Sanskaras pode ser comparada ao enrolar-se um pedaço de corda em volta de um bastão – a corda representando os Sanskaras e o bastão representando a mente da alma individual. O enrolamento começa no início da criação e persiste através de todos os estágios evolucionários e na forma humana; e a corda enrolada representa todos os Sanskaras, naturais bem como não-naturais.
Os novos Sanskaras que estão sendo constantemente criados na vida humana são devidos aos múltiplos objetos e idéias com os quais a consciência se confronta. Esses Sanskaras trazem importantes transformações nos vários estados de consciência. As impressões criadas por lindos objetos têm a potência de evocar na consciência a inata capacidade para apreciar e desfrutar a beleza.
Quando uma pessoa escuta uma bela música ou vê uma linda paisagem, as impressões absorvidas desses objetos dão à pessoa um sentimento de exaltação. Da mesma maneira, quando se contata a personalidade de um pensador, podemos adquirir interesse em novas avenidas de pensamento e inspirarmo-nos por um entusiasmo que anteriormente era completamente estranho à consciência. Não apenas impressões dos objetos ou pessoas, mas também impressões de idéias e superstições têm grande eficácia em determinar as condições da consciência. O poder das impressões das superstições pode ser ilustrado através de uma história de fantasmas.
Dos diferentes reinos do pensamento humano talvez não haja nenhum tão abundante em superstições quanto aqueles conectados com fantasmas, que de acordo com a crença popular existem para importunar e torturar suas vítimas de maneiras curiosas.
Era uma vez, durante o governo Mogul na India, um homem altamente educado que era muito cético a respeito de histórias sobre fantasmas decidiu verificá-las por experiência pessoal. Ele tinha sido avisado para não visitar certo cemitério na noite de amavasya (a noite mais escura do mês); porque era dito que lá era a habitação de um fantasma terrível que infalivelmente fazia aparições quando quer que um prego de ferro fosse martelado no chão dentro dos limites do cemitério.
Com um martelo numa mão e um prego na outra, ele andou direto para o cemitério na noite de amavasya e escolheu um local sem grama para colocar o prego. O chão estava escuro, e a capa comprida que vestia era igualmente escura. Quando ele sentou no chão e tentou martelar o prego, a ponta da sua capa ficou entre o prego e o chão, e foi pregada. Ele terminou de martelar e sentiu que tinha tido sucesso com o experimento sem encontrar o fantasma. Mas quando ele tentou levantar para sair daquele lugar, sentiu um forte puxão na direção do chão; e ele teve um ataque de pânico. Devido à operação das impressões anteriores, ele não podia pensar em nada exceto no fantasma, pelo qual pensou ter sido pego por fim. O choque do pensamento foi tão grande que o pobre homem morreu de um ataque do coração. Essa história ilustra o tremendo poder que às vezes reside nas impressões criadas por superstição.
O poder e efeito das impressões dificilmente podem ser subestimados. Uma impressão está solidificada com força e sua inércia a torna imóvel e durável. Ela pode tornar-se tão gravada sobre a mente de uma pessoa que apesar de seu sincero desejo e esforço para erradicá-la, ela toma seu próprio tempo e tem uma maneira de colocar-se em ação direta ou indiretamente. A mente contém muitos Sanskaras heterogêneos, que quando buscam expressão na consciência, frequentemente colidem uns com os outros. A colisão dos Sanskaras é experimentada na consciência como um conflito mental. A experiência está limitada a ser caótica e enigmática, cheia de oscilações, confusão e complexos emaranhamentos, até que a consciência seja libertada de todos os Sanskaras , bons e ruins. A experiência pode tornar-se verdadeiramente harmoniosa e integral apenas quando a consciência for emancipada das impressões.
Os Sanskaras podem ser classificados de acordo com as diferenças essenciais na natureza das esferas a que eles se referem. Referindo-se a essas diferentes esferas de existência, eles vêm a ser de três tipos: (1) Sanskaras grosseiros, que permitem a alma experimentar o mundo grosseiro através do meio grosseiro compelindo-a a identificar-se com o corpo grosseiro. (2) Sanskaras sutis, que permitem a alma experimentar o mundo sutil através de um meio sutil compelindo-a a identificar-se com o corpo sutil. (3) Sanskaras mentais, que permitem a alma experimentar o mundo mental através de um meio mental compelindo-a a identificar-se com o corpo mental.
As diferenças entre os estados das almas individuais devem-se inteiramente às diferenças existentes nos tipos de Sanskaras com os quais sua consciência estiver carregada. Assim, almas com consciência grosseira experimentam apenas o mundo grosseiro; almas com consciência sutil experimentam apenas o mundo sutil; e almas com consciência mental experimentam apenas o mundo mental. A diversidade qualitativa na experiência desses três tipos de alma é devido à diferença na natureza de seus Sanskaras.
As almas conscientes de si mesmas são radicalmente diferentes de todas as outras almas porque elas experimentam a Sobre-Alma usando como meio o Ser; enquanto que as outras almas experimentam apenas seus corpos e os mundos correspondentes. Essa diferença radical entre a consciência das almas conscientes de si mesmas e as outras almas é devido ao fato de que enquanto a consciência da maioria das almas estiver condicionada por alguns tipos de Sanskaras, a consciência das almas conscientes de si mesmas estará completamente livre de todos os Sanskaras. É apenas quando a consciência não estiver obscurecida e não condicionada por nenhum Sanskaras que a vontade-de-ser-consciente inicial chegará à sua fruição final e real, e a unidade infinita e indivisível do Absoluto será conscientemente realizada. O problema do descondicionamento da mente através da remoção dos Sanskaras é, portanto, extremamente importante.
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